HARRY POTTER e a Cmara Secreta
J. K. Rowling


  Nota
Este livro foi scaneado e corrigido por Edith suli;  para uso exclusivo
de deficientes visuais, de acordo com as leis de direitos autorais.
    Para  este fim se utilisou de um sintetizador de voz.   Portanto
o livro pode conter erros de diagramao e outros.
julho de 2001
  Fim da nota
****

II
J. K. Rowling


HARRY POTTER
e a Cmara Secreta


Traduo LIA WYLER
Rio deJaneiro - 2000

Titulo original HARRY POTTER
and the Chamber of Secrets
Primeira publicao na Gr-Bretanha em 1998 pela Bloomsbtay Pubiishing Plc,
38 Soho Square, LvrMOn W 1 V 5DF
Arte de capa  Wamer Bros, Uma diviso da Time Wanser Entertainment Con,pauy L.R

HARRY POTTER, rwmes, tipologias e smbolos correspondentes esto protegidos pelo 
copvrighr
e a marca registrada Wamer Hros., 2000
Direitos desta edio reservados  EDITORA ROCCO LTDA.
Rua Rodrigo Silva, 26 - Ss andar 2001 I-040 - Rio de Janeiro, RJ Tel.: 507-2000- 
Fax: 507-2244 e-mail. rocco@rocco,com.br

Printred in Brazil mpresso no Brasil
preparao de originais MniCA MARTINS FIGUEIREDO
C(P-Brasil. Catalcgao-na-fonte Sindiwto Nacional dos Editores de Livros, RJ

CIP-Brasil. Catalogaao-no   Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

R788h Rowling, 1. K. (Joanne K.)
ISEN 85-325-]166-x
Literatura infanto-juvenil.


- SUMARIO

UM
O pior aniversrio. 9

Dois
O aviso de Dobby 17

Trs
A toca 27

QUATRO
Na Floreios e Borres. 42

CINCO
O salgueiro lutador.

SEIS
Gilderroy Lockhart. 78

SETE
Sangue ruim e vozes invisveis 93

OITO
A festa do aniversrio de morte

NOVE
A pichao na parede .
DEZ
O balao errante.

ONZE
O clube dos duelos

Do ZE
A Poo Polissuco 176

TREZE
O dirio secretssimo

CATORZE
Cornelio Fulge 212

QuINZE
Aragogue 225

DEZESSEIS
A Cmara Secreta 240

DEZESSETE
O herdeiro de Slytherin 258

DEZOITO
A recompensa de Dobbi 275

-        CAPTULO UM
O pior aniversrio

No era a primeira vez que irrompia uma discusso  mesa do caf da manh na rua 
dos Alfeneiros nmero 4. O
Sr. Vlter Dursley fora acordado nas primeiras horas da
manh por um pio alto que vinha do quarto do seu sobrinho Harry.
        -         a terceira vez esta semana! - berrou ele  mesa. - Se voc 
no consegue controlar essa coruja, teremos que mandla embora!
Harry tentou explicar, mais uma vez.
        -        Ela est chateada. Est acostumada a voar ao ar livre. Se eu ao 
menos pudesse solt-la  noite...
        -        Eu tenho cara de idiota? - rosnou tio Vlter, um pedao de ovo 
pendurado na bigodeira. - Eu sei o que vai acontecer
se voc soltar essa coruja.
Ele trocou olhares assustados com sua mulher, Petnia.
Harry tentou argumentar, mas suas palavras foram abafadas
por um alto e prolongado arroto dado pelo filho de Dutsley, Duda.
        -        Quero mais bacon.
        -        Tem mais na frigideira, fofinho - disse tia Petnia, voltando 
os olhos midos para o filho macio. - Precisamos aliment-lo bem enquanto temos 
oportunidade...
No gosto do jeito daquela comida da escola...
        -        Bobagem, Petnia, nunca passei fome quando estive em   
Smeltings
disse
tio Vlter animado. - Duda come bastante,
no come, filho?
Duda, que era to gordo que a bunda sobrava para os lados
da cadeira da cozinha, sorriu e virou-se para Harry.
        -        Passe a frigideira.
        -        Voc esqueceu a palavra mgica - disse Harry irritado,
        O        efeito desta simples frase no resto da famlia foi 
inacreditvel.
Duda ofegou e caiu da cadeira com um baque que sacudiu a cozinha inteira; a Sra.
Dursley soltou um gritinho e levou as mos  boca; o Sr. Dursley levantou-se com 
um salto, as veias latejando nas tmporas.
        -        Eu quis dizer "por favor"! - explicou Harry depressa.
        - No quis dizer...
        -        QUE FOI QUE j LHE DISSE - trovejou o tio, borrifando saliva 
pela mesa. - COM RELAO A DIZER ESSA
        PALAVRA COM "M" NA NOSSA CASA?
        -        Mas eu...
        -        COMO SE ATREVE A AMEAAR DUDA! - berrou tio Vlter, dando um 
soco na mesa.
        -        Eu s...
        -        EU O AVISEI! NO VOU TOLERAR A MENO DA SUA ANORMALIDADE 
DEBAIXO DO MEU
TETO!
        Harry olhava do rosto purpreo do tio para o rosto plido
        da tia, que tentava pr Duda de p.
        -        Est bem - disse Harry -, est bem...
        O        tio Vlter se sentou, respirando como um rinoceronte sem flego 
e observando
Harry com ateno pelos cantos dos
        olhinhos penetrantes.
        Desde que Hrry voltara para passar as frias de vero em casa,
tio Vlter o tratava como uma bomba que fosse explodir a qualquer momento, 
porque Harry
Potter no era um menino normal. Alis ele era to anormal quanto era possvel 
ser.
        Harry Potter era um bruxo - um bruxo que acabara de terminar o primeiro 
ano na Escola de Magia e Bruxaria de
Hogwarts. E se os Dursley se sentiam infelizes
de t-lo ali nas frias, isso no era nada comparado ao que Harry sentia.
        Sentia tanta falta de Hogwatts que era como se tivesse uma dor de 
barriga permanente.
Sendti falta do castelo, com seus fantasmas e suas passagens secretas,
das aulas (exceto talvez a de Snape, o professor de Poes), do correio trazido 
pelas corujas, dos banquetes no Salo Principal, de dormir em uma
cama de baldaquino no dormitrio da torre, das visitas ao guardacaas,
Hagrid, em sua cabana na orla da Floresta Proibida nos
terrenos da escola, e, principalmente, do quadribol, o esporte mais popular no 
mundo dos bruxos (seis postes altos pata delimitar o gol, quatro bolas voadoras 
e
catorze jogadores montados em vassouras).
        Todos os livros de feitios, a varinha, as vestes, o caldeiro e a 
vassoura Nimbus 2000, ltimo tipo, pertencentes a
Harry tinham sido trancados no armrio
debaixo da escada pelo tio Valter no instante em que o sobrinho pisara em casa. 
Que importava aos Dutsley se
Harry perdesse o lugar no time de quadribol da Casa
porque no praticara o vero inteiro? O que significava para os Dursley que 
Harry voltasse para a escola sem os deveres de casa feitos? Os Dursley eram o 
que os 
bruxos
chamavam de trouxas (sem um pingo de sangue mgico nas veias) e na
opinio deles ter um bruxo na famlia era uma questo da mais profunda vergonha. 
Tio Vlter havia
at passado o cadeado na gaiola da coruja de Harry Edwiges, para impedi-la de 
levar mensagens para algum no mundo dos bruxos.
        Harry no se parecia nada com o resto da famlia. Tio Valter era 
corpulento e sem pescoo, com uma enorme bigodeira preta; a tia Petnia tinha
uma cara
de cavalo e era ossuda; Duda era louro, rosado e lembrava um porquinho. J o 
Harry era pequeno e magricela, com olhos verdes-vivos e cabelos muito pretos que 
estavam
sempre despenteados. Usava culos redondos e, na testa, tinha uma cicatriz
fina em forma de raio.
        Era esta cicatriz que tornava Harry to diferente, mesmo para um bruxo. 
A cicatriz era o nico vestgio do seu passado muito misterioso, da razao por 
que
fora deixado no batente dos Dursley, onze anos antes.
        Com a idade de um ano, Harry por alguma razo sobrevivera aos feitios 
do maior bruxo das trevas de todos os tempos, Lord
Voldemort, cujo nome a maioria
dos bruxos e bruxas ainda tinha medo de pronunciar. Os pais de Harry morreram ao 
serem atacados por
Voldemort, mas o garoto escapara com a cicatriz em forma de
raio e por alguma razao - ningum entendia muito bem - os poderes de Voldemort 
tinham sido destrudos na hora em que
no conseguira mat-lo.
        Assim, Harry fora criado pela irm  e o cunhado de sua falecida
me. Passara dez anos com os Dursley, sem nunca compreender por que fazia coisas 
estranhas
acontecerem o tempo todo
sem querer, acreditando na histria dos ursley de que sua cicatriz resultara do 
acidente de automvel que matara seus pais.
        Ento, h exatamente um ano, Hogwarts escrevera a Harry, e a histria 
toda fora revelada. O garoto ocupara sua vaga na escola de bruxaria, onde ele e 
sua
cicatriz eram famosos... mas agora o ano letivo terminara, e ele voltara  casa 
dos
Dursley para passar o vero, voltara a ser tratado como um cachorro que andara
se esfregando em alguma coisa fedorenta.
        Os Dursley nem sequer se lembraram que hoje, por acaso, era o dcimo 
segundo aniversrio de Harry. Naturalmente ele no alimentava grandes 
esperanas; seus
parentes jamais tinham lhe dado um presente de verdade, muito menos um bolo
- mas esquec-lo completamente...
        Naquele momento, o tio Vlter pigarreou cheio de pose e
disse:
        -        Hoje, como todos sabemos,  um dia muito importante.
        Harry ergueu os olhos, mal se atrevendo a acreditat
        -        Hoje talvez venha a ser o dia em que vou fechar o maior negcio 
de minha carreira.
        Harry tornou a se concentrar em sua torrada. Naturalmente, pensou com 
amargura,
tio Valter estava falando daquele jantar idiota. No falava de outra coisa
havia duas semanas. Um construtor rico e sua mulher vinham jantar e tio Vlter 
tinha esperanas de receber um grande pedido (a companhia de tio Vlter 
fabricava
brocas).
        -        Acho que devemos repassar o programa mais uma vez - disse ele. 
- Precisamos todos estar em posio s oito horas.
Petnia, voc vai estar...?
        -        Na sala de visitas - disse tia Petnia sem pestanejar - 
esperando para dar as boas-vindas como manda a etiqueta.
        -        timo, timo. E o Duda?
        -        Vou esperar para abrir a porta. - Duda deu um sorriso 
desagradvel e hipcrita.
        "Posso guardar os seus casacos, Sr. e Sra. Mason?"
        -        Eles vo ador-lo! - exclamou tia Petnia arrebatada.
        -        Excelente, Duda - disse tio Vlter. Em seguida
dirigiu-se zangado a Harry. - E voc?
     - Vou ficar no meu quarto, sem fazer barulho, fingindo
que no estou em casa - disse Harry monotamente.
        -        Exatamente - disse tio Vlter, sarcstico. - Eu levo o casal 
para a sala de visitas, apresento voc, Petnia, e sirvo os
drinques. As oito e quinze...
        -        Eu anuncio o jantar - disse tia Petnia.
        -        E Duda, voc vai dizer...
        -        Posso acompanh-la  sala de jantar, Sra. Mason? - disse Duda 
oferecendo o brao gordo a uma mulher invisvel.
        -        Meu perfeito cavalheirinho! - fungou tia Petnia.
        -        E voc? - perguntou tio Vlter malevolamente a Harry.
        -        Vou estar no meu quarto, sem fazer nenhum barulho, fingindo que 
no estou em casa - respondeu Harry sem emoo.
        -        Precisamente. Agora vamos procurar fazer uns elogios
realmente bons ao jantar. Petnia, alguma sugesto?
        -        Vlter me contou que o senhor  um excelente jogador de golfe, 
Sr. Mason... Onde foi que a senhora comprou o seu vestido, me conte por favor, 
Sra.
Mason...
        -        Perfeito... Duda?
        -        Que tal... Tivemos que fazer uma redao na escola sobre o 
nosso heri, Sr. Mason, e eu escrevi sobre o
senhor.
        Essa foi demais tanto para Petnia quanto para Harry. Tia
Petnia debulhou-se em lgrimas e abraou o filho, e Harry
mergulhou embaixo da mesa para que no o vissem rindo.
        -        E voc, seu moleque?
        Harry fez fora para manter a cara sria enquanto se endireitava.
        -        Vou estar no meu quarto, sem fazer nenhum barulho, fingindo que 
no estou em casa.
        -        E pode ter certeza que vai - disse tio Vlter com vigor.
- Os Mason no sabem que voc existe e vo continuar sem saber. Quando terminar 
o jantar, voc leva a Sra. Mason de volta  sala de visitas para o cafezinho, 
Petnia, 
e eu vou puxar
o assunto das brocas. Com alguma sorte, o contrato vai estar assinado e selado 
antes do noticirio das dez. Amanh a estas horas vamos estar procurando uma 
casa 
de frias em Majorca para comprar.
        Harry no conseguiu se animar muito com a idia. No
achava que os Dursley fossem gostar mais dele em Majorca do
que gostavam na rua dos Alfeneiros.
        -        Tudo certo, estou indo  cidade apanhar os smokings para
mim e Duda. E voc - rosnou ele para Harry -, trate de ficar fora do caminho de 
sua tia enquanto ela est limpando a casa.
        Harry saiu pela porta dos fundos. Fazia um dia claro e
ensolarado. Ele atravessou o jardim, se largou em cima de um
banco e cantou baixinho:
        -        Parabns para mim... parabns para mim...
        Nada de cartes, nada de presentes e ia passar a noite fingindo que no 
existia. Ele contemplou, infeliz, a sebe do jardim. Nunca se sentira to 
solitrio.
Mais do que qualquer outra coisa em Hogwarts, mais at que do jogo de quadribol, 
Harry sentia falta dos seus melhores amigos, Rony Weasley e
Hermione Granger. Mas
parecia que os amigos no estavam sentindo falta dele. Nenhum dos dois lhe 
escrevera o vero inteiro, embora Rony tivesse dito que o convidaria para passar 
uns dias 
em sua casa.
        Inmeras vezes, Harry estivera a ponto de usar a magia para destrancar a 
gaiola de Edwiges e mand-la a Rony e Mione com uma carta, mas no valia o 
risco.
Bruxos menores de idade no podiam usar a magia fora da escola. Harry no 
contara isso aos
Dursley; sabia que era apenas o terror que sentiam de que ele os transformasse
em besouros bosteiros que os impedira de tranc-lo no armrio embaixo da escada 
com a varinha e a vassoura. Mas, nas primeiras semanas de sua volta,
Harry se divertira
em murmurar palavras sem sentido, baixinho e em observar Duda sair correndo da 
sala o mais depressa que suas pernas gordas podiam agent-lo. Mas o longo 
silncio
de Rony e Mione fizera com que Harry se sentisse to desligado do mundo da magia 
que at atormentar Duda tinha perdido a graa - e agora os dois amigos tinham se 
esquecido do seu aniversrio.
        O que ele no daria agora para receber uma mensagem de Hogwarts? De 
algum bruxo ou bruxa? Conseguiria at se alegrar com a viso do seu 
arquiinimigo,
Draco
Malfoy, s para ter certeza de que tudo no passara de um sonho...
        No que o ano todo em Hogwarts tivesse sido uma brincadeira. No fmzinho 
do ltimo trimestre, Harry se vira frente
a frente com Lord Voldemort em pessoa. O bruxo poderia ser
astuto, ainda estava decidido a retomar o poder. Harry escorregara
por entre as garras de Voldemort uma segunda vez, mas fora por um triz, e mesmo 
agora, semanas depois, Harry continuava a acordar  noite, encharcado de suor
frio, imaginando onde estaria Voldemort neste momento, lembrando-se do seu rosto 
lvido, dos seus olhos arregalados e delirantes...
        Harry endireitou-se de repente no banco do jardim. Estivera
olhando distraidamente para a sebe - e a sebe estava olhando para ele.
Dois enormes olhos verdes tinham aparecido entre as folhas.
        O garoto levantou-se de um salto no mesmo instante em que uma voz 
debochada atravessou o gramado.
        -        Eu sei que dia  hoje - cantarolou Duda, andando feito um pato 
em sua direo.
        Os olhos enormes piscaram e desapareceram.
        -        Qu? - disse Harry sem despregar os olhos do lugar onde os 
tinha visto.
        -        Eu sei que dia  hoje - repetiu Duda, aproximando-se.
        -        Muito bem - disse Harry. - At que enfim voc aprendeu os dias 
da semana.
        -        Hoje  o seu aniversrio - caoou Duda. - Como e que voc no 
recebeu nenhum carto? Ser que voc no tem amigos nem naquele lugar esquisito?
        -        E melhor no deixar sua me ouvir voc falando da minha escola 
- disse Harry com toda a calma.
        Duda puxou para cima as calas que estavam escorregando pelo seu 
traseiro gordo.
        -        Por que  que voc estava olhando para a sebe? - perguntou, 
desconfiado.
        -        Estou tentando decidir qual seria o melhor feitio para tocar 
fogo nela - respondeu
Harry.
        Duda recuou aos tropeos na mesma hora, com uma expresso de pnico no 
rosto.
        -        Voc no p-pode, papai disse que voc no pode fazer mgicas, 
disse que expulsa voc de casa, e voc no tem para
onde ir, voc no tem nenhum amigo que possa ficar com voce...
-Jigueri pokueri  - disse Harry com ferocidade. - Ohocus pocus eskuigli
wigli...
        -        Me! - berrou Duda, tropeando nos prprios ps enquanto 
disparava para dentro de casa. -
Me! Ele
est fazendo aquilo que voc sabe!
        Harry pagou muito caro por aquele momento de prazer. Como nem Duda nem a 
cerca tinham sido molestados, tia
Petnia viu que ele no tinha feito mgica alguma,
mas ainda assim ele precisou se encolher quando a tia tentou acertar sua cabea 
com uma pesada frigideira cheia de sabo. Em seguida ela lhe deu trabalho para 
fazer,
com a promessa de que ele no iria comer nada at terminar.
        Enquanto Duda ficou por ali apreciando e se enchendo de sorvete, Harry 
lavou as janelas, lavou o carro, aparou o gramado, limpou os canteiros, podou e 
regou
as roseiras e repintou o banco do jardim. O sol escaldava l no alto, queimando 
sua nuca. Harry sabia que no devia ter mordido a isca de Duda, mas o primo 
dissera
exatamente aquilo que ele andara pensando com os seus botes... talvez no 
tivesse amigos em
Hogwarts...
        Gostaria que eles pudessem ver o famoso Harry Potter agora, pensou com 
selvageria enquanto espalhava estrume nos canteiros,
com as costas doendo e o suor escorrendo pelo rosto.
        Eram sete e meia da noite quando finalmente, exausto, ele
ouviu tia Petnia cham-lo.
        - Venha j aqui! E ande em cima dos jornais!
        Harry transferiu-se com prazer para a sombra da cozinha reluzente. Em 
cima da geladeira estava o pudim do jantar: uma montanha de creme batido e 
violetas
cristalizadas. Um lombo de porco assado chiava no forno.
        - Coma depressa! Os Mason no vo demorar a chegar! - disse com rispidez 
tia Petnia, apontando para as duas fatias de po e um pedao de queijo em cima
da mesa da cozinha. Ela j pusera o vestido de noite salmo.
        Harry lavou as mos e engoliu seu jantar miservel. No
instante em que terminou, a tia retirou seu prato.
        - J para cima! Depressa!
        Ao passar pela porta da sala de visitas, Harry vislumbrou o tio e Duda 
de gravata-borboleta e smoking. Mal acabara de chegar ao patamar do primeiro 
andar
quando a campainha tocou, e a cara furiosa do tio Vlter apareceu ao p da 
escada.
        - Lembre-se, seu moleque, nem um pio...
     Harry foi para o seu quarto na ponta dos ps, se esgueirou
para dentro, fechou a porta e se virou para cair na cama.
O problema foi que j havia algum sentado nela.

*****


- CAPTULO DOIS -
O aviso de Dobby

Harry conseguiu no gritar, mas foi por pouco. A criaturinha em sua cama tinha 
orelhas grandes como as de um morcego e olhos esbugalhados e verdes do tamanho 
de
bolas de tnis. Harry percebeu na mesma hora que era aquilo que o andara 
observando na sebe do jardim quela manh.
        Enquanto se entreolhavam, Harry ouviu a voz de Duda
no hall.
        -        Posso guardar os seus casacos, Si. e Sra. Mason?
        A criatura escorregou da cama e fez uma reverencia to exagerada que seu 
nariz, comprido e fino, encostou no tapete.
Harry reparou que ela vestia uma coisa
parecida com uma fronha velha, com fendas para enfiar as pernas e os braos.
        -        Ah... al - cumprimentou Harry nervoso.
        -        Harry Potter! - exclamou a criatura com uma voz esganiada que 
Harry teve certeza de que seria ouvida no andar de baixo. - H tanto tempo que 
Dobby
quer conhec-lo, meu senhor...  uma grande honra...
        -        Ob-obrigado - respondeu Harry, andando encostado  parede para 
se largar na cadeira da escrivaninha, perto de Edwiges, que dormia em sua gaiola 
espaosa. Teve vontade de perguntar "Que coisa  voc?", mas achou que poderia 
parecer muito mal-educado, e em vez disso perguntou: - Quem e voc?
        -        Dobby, meu senhor. Apenas Dobby. Dobby o elfo
domstico - disse a criatura.
        - Ah...  mesmo? Ah... no quero ser grosseiro nem nada, mas... a hora 
no  muito prpria para ter um elfo domstico
no meu quarto.
        Ouviu-se a risada aguda e falsa de tia Petnia na sala. O
elfo baixou a cabea.
        - No que eu no esteja contente de conhec-lo - acrescentou Harry 
depressa -, mas, ah, tem alguma razo especial
para voc estar aqui?
        - Ah, claro, meu senhor - disse Dobby muito serto. - Dobby veio dizer ao 
senhor, meu senhor...  difcil, meu senhot.. Dobby fica se perguntando por onde 
comear...
        - Sente-se - disse Harry gentilmente, apontando para a cama.
        Para seu horror, oelfo caiu no choro - um choro muito alto.
- S-sen-te-se! - chorou. - Nunca... nunca na vida...
        Harry pensou ter ouvido as vozes no andar de baixo hesitarem.
        - Me desculpe - sussurtou. - No quis ofend-lo nem nada...
        - Ofender Dobby! - engasgou-se o elfo. - Dobby nunca foi convidado a se 
sentar por um bruxo... como um
igual.
        Harry, tentando ao mesmo tempo fazer o elfo se calar e dar a impresso 
de consol-lo, levou Dobby de volta  cama, onde o elfo se sentou entre soluos, 
parecendo
uma boneca enorme e muito feia. Por fim ele conseguiu se controlar e se sentou, 
os grandes olhos fixos em Harry com uma expresso de aquosa admirao.
        - Vai ver voc nunca encontrou muitos bruxos decentes - disse Harry para 
anim-lo.
        Dobby sacudiu a cabea. Depois, sem aviso, saltou da cama
e comeou a bater a cabea, furiosamente na janela, gritando
"Dobby mau! Dobby mau!"
        - No... que  que est fazendo? - Harry sibilou, levantando-se depressa 
para puxar Dobby de volta para acama. Edwiges acordara com um pio
particularmente
alto e batia as asas assustada contra as grades da gaiola.
        - Dobby teve que se castigar, meu senhor - disse o elfo, que ficara 
ligeiramente vesgo. - Dobby quase falou mal da
prpria famlia, meu senhor..
        - Sua famlia?
        -        A famlia de bruxos a que Dobby serve, meu senhor... Dobby  um 
elfo domstico, obrigado a servir a uma casa e a
uma famlia para sempre...
        -        E eles sabem que voc est aqui? - perguntou Harry curioso.
        Dobby estremeceu.
        -        Ah, no senhor, no... Dobby ter que se castigar com a maior 
severidade por ter vindo v-lo, meu senhor. Dobby ter que prender as orelhas na 
porta 
do forno por causa disto. Se eles vierem a saber, meu senhor...
        -        Mas eles no vo reparar se voc prender as orelhas na porta do 
forno?
        -        Dobby duvida, meu senhor. Dobby est sempre tendo que se 
castigar por alguma coisa, meu senhor. Eles nem ligam para Dobby, meu senhor. As 
vezes 
me lembram de cumprir uns castigos a mais...
        -        Por que voc no vai embora? Foge?
        -        Um elfo domstico tem que ser libertado, meu senhor.  E a 
famlia nunca vai libertar Dobby... Dobby vai servir  famlia at morrer, meu 
senhor...
        Harry ficou olhando.
        -        E eu achei que era ruim continuar aqui mais quatro semanas. 
Isto faz os
Dursley parecerem quase humanos. E ningum pode ajud-lo? Eu no posso?
        Quase imediatamente Harry desejou no ter falado. Dobby desmanchou-se 
outra vez em guinchos de gratido.
        -        Por favor - Harry sussurrou nervoso -, por favor fique quieto. 
Se os
Dutsley ouvirem alguma coisa, se souberem que voc esta aqui...
        -        Harry Portei pergunta se pode ajudar Dobby... Dobby ouviu
falar de sua grandeza, senhor, mas de sua bondade Dobby nunca soube...
        Harry, que estava sentindo o rosto ficar decididamente quente, disse:
        -        Seja o que for que voce ouviu sobre a minha grandeza  tudo 
bobagem. No sou sequer o primeiro da minha srie em
Hogwarts; Hermione, sim, ela...
        Mas se calou depressa, porque pensar em Mione doa.
- Harry Potter  humilde e modesto - disse Dobby,
reverente, as rbitas dos olhos brilhando. - Harry Potter no fala de sua 
vitria sobre Ele-Que-No-Deve-Ser-Nomeado...
        -        Voldemort?
        Dobby cobriu as orelhas com as mos e gemeu.
        -        No fale o nome dele, senhor! No fale o nome dele!
        -        Desculpe - disse Harry depressa. - Sei que muita gente no 
gosta de falar. Meu amigo Rony...
        E calou-se outra vez. Pensar em Rony tambm doa.
        Dobby curvou-se em direo a Harry, seus olhos redondos parecendo 
fatais.
        -        Dobby ouviu falar - comentou com voz rouca - que Harry Potter 
encontrou o Lord das Trevas pela segunda vez,
faz pouco tempo... que Harry Potter escapou novamente.
        Harry confirmou com a cabea e os olhos de Dobby, de
repente, brilharam de lgrimas.
        -Ah, meu senhor - exclamou, secando o rosto com a ponta da fronha suja 
que usava. - Harry Potter  valente e audacioso! J enfrentou tantos perigos! 
Mas
Dobby veio proteger Harry Potter, alert-lo, mesmo que ele tenha que prender as 
orelhas na
porta do forno depois... Harry Potter no deve voltar  Hogwarts.
        Fez-se um silncio interrompido apenas pelo tinido dos
talheres l embaixo e o reboar distante da voz do tio Vlter.
        - Q-qu? -. gaguejou Harry. - Mas eu tenho que voltar, o trimestre 
comea em primeiro de setembro.
 s o que me anima a viver. Voc no sabe o que passo 
aqui. O meu lugar no  aqui. O meu lugar  no seu mundo, em Hogwarts.
        -        No, no, no - guinchou Dobby, sacudindo a cabea com tanta 
fora que as orelhas esvoaaram. - Harry Pottet deve ficar onde est seguro. Ele 

grande demais, bom demais, para perder. Se Harry Potter voltar a Hogwarts, vai 
encontrar um perigo mortal.
        -        Por qu? - perguntou Harry surpreso.
        -        H uma trama, Harry Pottet Uma trama para fazer coisas 
terrveis acontecerem na Escola de Magia e Bruxaria de
Hogwarts este ano - sussurrou Dobby,
tomado de repentina tremedeira. - Dobby sabe disso h meses, meu senhot
Harry Potter no deve se expor ao perigo. Ele  demasiado importante, meu 
senhor!
    -Que coisas terrveis? - perguntou Harry na mesma hora.
- Quem est planejando essas coisas?
        Dobby fez um barulho engraado como se engasgasse e em seguida bateu com 
a cabea na parede num frenesi.
        - Est bem! - exclamou Harry, agarrando o brao do elfo para faz-lo 
parar. - Voc no pode me
dizer Eu compreendo. Mas por que  que voc est alertando
a mim? - Um pensamento sbito e desagradvel lhe ocorreu. - Espere a, isso no 
tem nada a ver com
Vol... desculpe... como Voc-Sabe-Quem, tem? Voc s precisa fazer
com a cabea sim ou no - acrescentou ele depressa quando a cabea de Dobby 
voltou a se mclinar de modo preocupante para o lado da parede.
- No... no Ele-que-No-Deve-Ser-Nomeado, meu senhor.
        Mas os olhos de Dobby se arregalaram e ele parecia estar
tentando dar uma indicao ao garoto. Mas Harry, no entanto,
no entendeu nada.
        Dobby sacudiu a cabea, os olhos mais arregalados que
nunca.
        - Ento no consigo pensar quem mais teria uma chance de fazer acontecer 
coisas terrveis em
Hogwarts - disse Harry. - Quero dizer, tem o Dumbledore, voc
sabe quem  Dumbledore, nao sabe?
        Dobby inclinou a cabea.
        - Alvo Dumbledore  o maior diretor que Hogwarts j teve. Dobby sabe 
disso, meu
senhor Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore se rivalizam com
os d'Ele-QueNo-Deve-Ser-Nomeado, no auge de sua fora. Mas, meu senhor.. - a 
voz de Dobby se transformou em um sussurro urgente - h poderes que
Dumbledore no...
poderes que nenhum bruxo decente...
        E antes que Harry pudesse impedi-lo, Dobby saltou da
cama, agarrou o abajur da escrivaninha de Harry e comeou a
se golpear na cabea, com ganidos de furar os tmpanos.
        Fez-se um silncio repentino no andar de baixo. Dois segundos depois, 
Harry, com o corao batendo loucamente,
ouviu tio Vlter entrar no corredor falando:
        - Duda deve ter deixado a televiso ligada outra vez, o pestinha!
        - Depressa! Dentro do armrio! - sibilou Harry, empurrando Dobby, 
fechando a porta e se atirando na cama bem na
hora em que a maaneta girou.
        -        Que... diabo... voce... esta... fazendo? - disse tio Vltet por 
entre os dentes cerrados, o
rosto horrivelmente prximo do de Harry. - Voc acabou
de estragar o fecho da minha piada sobre o golfista japons... Mais um ruido e 
voc vai desejar nunca ter nascido, moleque!
        Ele saiu do quarto pisando forte.
        Trmulo, Harry deixou Dobby sair do armario.
        -        Est vendo como  aqui? - perguntou. - Est vendo por que 
preciso voltar
para Hogwarts?  o nico lugar onde tenho.., acho que tenho amigos.
        -        Amigos que nem escrevem a Harry Potter? - perguntou Dobby 
manhoso.
        -        Acho que eles estiveram.., espere a - disse Harry amarrando a 
cara. - Como  que voc sabe que meus amigos no
tm escrito?
        Dobby arrastou os ps.
        -        Harry Pottet no deve se zangar com Dobby. Dobby fez isso para
ajudar!
-        Voc andou interceptando minhas cartas?
        -        Dobby est com elas aqui, meu senhor - respondeu o elfo. Saindo 
de fininho do alcance de Harry, ele puxou um mao grosso de envelopes de dentro
da roupa. Harry conseguiu distinguir a letra caprichosa de Mione, os garranchos 
de Rony e at umas garatujas que pareciam ter vindo do guardacaas de
Hogwarts, Hagrid.
        Dobby piscou ansioso para Harry.
        -        Harry Potter no deve se zangar... Dobby tinha esperanas... se 
Harry Potter achasse que os amigos tinham esquecido dele...
Harry Potter talvez
no quisesse voltar  escola, meu senhor...
        Harry no estava ouvindo. Tentou agarrar as cartas, mas
        Dobby saltou para longe do seu alcance.
        -        Harry Potter as receber, meu senhor, se der a Dobby sua 
palavra de que no vai voltar a
Hogwarts. Ah, meu senhor, este  um perigo que o senhor
no deve enfrentar! Diga que no vai voltar, meu senhor!
- No - respondeu Harry zangado. - Entregue-me as cartas dos meus amigos!
        - Ento Harry Potter no deixa a Dobby outra escolha - disse o elfo 
triste.
        Antes que Harry pudesse se mexer, Dobby se precipitou para a porta do 
quarto, abriu-a e correu escada abaixo.
        A boca seca, o estmago revirando, Harry saltou atrs dele, tentando
no fazer barulho. Pulou os ltimos seis degraus, caindo como um gato no tapete 
da entrada,
procurando Dobby por todo lado. Da sala de jantar ele ouviu tio Vlter dizer:
.. conte a Petnia aquela histria engraada dos encanadores americanos, Sr. 
Mason. Ela anda doida para ouvir..."
        Harry correu pelo corredor em direo  cozinha e sentiu o corao 
parar.
        A obra-prima de tia Petnia, aquele pudim coberto de creme e violetas 
cristalizadas estava flutuando junto ao teto. Em cima de um guarda-loua no 
canto,
encontrava-se agachado Dobby.
        - No - disse Harry quase sem voz. - Por favor... eles vo me matar...
        - Harry Potter deve prometer que no vai voltar  escola...
- Dobby... por favor...
- Prometa, meu senhor...
- No posso!
Dobby lanou-ffie um olhar trgico.
        Ento Dobby vai fazer isso, meu senhor, pelo bem de Harry Potter.
        O pudim caiu no cho com um baque de fazer parar o corao. O creme 
sujou as janelas e as paredes quando o prato se espatifou. Com um estalido que 
parecia
uma chicotada, Dobby desapareceu.
        Ouviram-se gritos vindos da sala de jantar e tio Vltet irrompeu pela 
cozinha onde encontrou Harry, paralisado de choque, coberto com o pudim de tia 
Petnia 
da cabea aos ps.
        A princpio, pareceu que o tio Vlter ia conseguir explicar a coisa 
toda.
(" o nosso sobrinho.., muito perturbado... ver estranhos o perturba, ento ns
o mantemos no primeiro andar") Ele tangeu os Mason, muito chocados, de volta  
sala de jantar, prometeu a Harry que ia chicote-lo e deix-lo quase
morto
quando os Mason fossem embora, e lhe entregou um esfrego.
Tia Petnia desencavou um sorvete do congelador e Harry, ainda tremendo, comeou 
a limpar a cozinha com o esfrego.
        Tio Vlter talvez ainda tivesse conseguido fechar o negcio, se no 
fosse pela coruja.
        Tia Petnia estava oferecendo uma caixa de bombons de hortel, depois do 
jantar, quando uma enorme coruja mergulhou pela janela da sala de jantar, deixou
cair uma carta na cabea da Sra. Mason e tornou a sair. A Sra. Mason berrou como 
uma alma penada e saiu porta afora gritando que havia doidos l dentro. O Sr.. 
Mason 
se demorou o suficiente para dizer aos Dursley que sua mulher tinha um medo 
mortal de pssaros de qualquer tipo e tamanho, e para perguntar se aquilo era a 
idia
que faziam de uma brincadeira.
        Harry ficou na cozinha, segurando o esfrego  procura
de apoio, quando tio Vlter avanou para ele, um brilho demonaco nos olhinhos 
midos.
        - Leia isto! - sibilou malignamente, sacudindo a carta que a coruja 
entregara. - Vamos... leia isso!
        Harry apanhou a carta. No continha votos de feliz aniversario.

Prezado Senhor Potter,
        Fomos informados que um feitio de levitao foi usado esta
noite em seu local de residncia s 9:12h.
        Como o senhor sabe, bruxos de menor idade no tem permisso para
fazer feitios fora da escola e, a continuar esta prtica, o senhor poder ser
expulso da referida
escola (Decreto para restrio racional da prtica de bruxariapormenores, 
1875,pargrafo C).
        Gostaramos tambm de lembrar-lhe que qualquer atividade mgica que 
possa chamara ateno da comunidade no-magica (trouxa)  uma infrao grave, 
conforme
seo 13 do Estatuto de Sigilo da Confederao Internacional de Bruxos.
        Boasfrias!

        Mafalda Hopkirk
EscRiTRio DE CONTROLE DO Uso INDEVIDO DE MAGICA
        Ministrio da Magia
Harry ergueu os olhos da carta e engoliu em seco.
        - Voc no nos disse que no tinha permisso de usar mgica fora da 
escola - disse tio Vlter, um brilho demente danando nos olhos. - Esqueceu-se 
de mencionar...
Vai ver lhe escapou...
        O tio veio avanando para Harry como um grande buldogue, os dentes 
arreganhados.
        - Muito bem, tenho novidades para voc, seu moleque... Vou prend-lo... 
Voc nunca mais vai voltar para aquela escola... nunca.., e se tentar se soltar 
por
mgica, eles  que vo expuls-lo!
        E dando risadas como um manaco, arrastou Harry para o quarto.
        Tio Vlter no faltou com sua palavra. Na manha seguinte, ele pagou um 
homem para instalar grades na janela de
Harry. Ele mesmo instalou a portinhola na porta
do quarto, para que, trs vezes por dia, eles pudessem empurrar pequenas 
quantidades de comida para dentro. Soltavam Harry de manh e de noite para usar 
o banheiro.
A exceo disso, ele permanecia preso no quarto, dia e noite.
Trs dias depois, os Dutsley continuavam a no dar sinais de compadecimento, e
harry no via nenhuma sada para sua situao. Deitava-se na cama observando o 
sol
se pr por trs das grades da janela e se perguntava, infeliz, o que ia lhe
acontecer.
        De que adiantava se libertar do quarto por meio de mgica se Hogwarts o 
expulsaria por isso? Contudo, a vida na tua dos Alfeneiros atingira seu ponto 
crtico.
Agora que os Dutsley sabiam que no iam acordar transformados em morcegos 
comedores de frutas,
Harry perdera sua nica arma. Dobby talvez o tivesse salvo dos horrveis
acontecimentos em Hogwarts, mas do jeito que as coisas caminhavam, ele 
provavelmente ia morrer de fome.
        A portinhola bateu e a mo da tia Petnia surgiu empurrando uma tigela 
de sopa em lata
para dentro do quarto. Harry, cujas entranhas doam de tanta fome,
saltou da cama e apanhou-a. A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um
 gole s. Depois, atravessou o quarto at a gaiola de Edwiges e
empurrou as verduras moles do fundo da tigela para a bandeja vazia da coruja. 
Ela sacudiu as penas e lhe lanou um olhar de profundo nojo.
        - No adianta empinar o bico para a comida: isto  s o que temos - 
disse Harry srio.
        Ele reps a tigela vazia ao lado da portinhola e se deitou na
cama, sentindo-se mais faminto do que estivera antes da sopa.
        Supondo que continuasse vivo dali a quatro semanas, o que aconteceria se 
no se apresentasse em
Hogwarts? Mandafiam algum para saber por que ele no voltara?
Conseguiriam obrigar os Dursley a solt-lo?
        O quarto foi escurecendo. Exausto, com a barriga roncando, a cabea 
girando com a mesma pergunta irrespondvel,
Harry mergulhou num sono agitado.
        Sonhou que estava sendo exibido num zoolgico, com uma etiqueta presa  
gaiola em que se lia: BRUXO MENOR DE IDADE. As pessoas o observavam por trs das 
grades, faminto e fraco, deitado numa cama de palha. Ele viu o rosto de Dobby na 
multido e gritou pedindo ajuda, mas Dobby respondeu: "Harry Potter est seguro
a, meu senhor!" e desapareceu. Ento os Dursley apareceram e sacudiram as 
grades da gaiola, rindo-se dele.
        - Parem - murmurou Harry enquanto o barulho das grades martelava em sua 
cabea dolorida. - Me deixem em paz...
parem com isso.., estou tentando dormir...
        Ele abriu os olhos. O luar entrava pelas grades da janela. E
algum o espiava pelas grades: algum de rosto sardento, cabelos vermelhos e 
nariz comprido.
        Rony Weasley se achava do lado de fora da janela de Harry.


*****

-        CAPTULO TRES

A toca


- Rony! - murmurou harry, deslizando furtivamente at a janela e abrindo-a de 
modo que pudessem conversar atravs das grades. - Rony, como foi que voc... Que
...?
        O        queixo de Harry caiu quando o impacto do que via o atingiu por 
inteiro. Rony estava debruado na janela traseira de um velho carro turquesa, 
estacionado
no ar. Do banco dianteiro sorriam, para Harry, Fred e Jorge, os irmos gmeos de
Rony, mais velhos que ele.
        -        Tudo bem, Harry? - perguntou Jorge.
        -        Que  que est acontecendo? - perguntou Rony. - Por
que   que voc no tem respondido s minhas cartas? Convidei-o a
nos visitar umas doze vezes e ento papai chegou em casa
        e disse que voc tinha recebido uma advertncia oficial por
        usar mgica na frente de trouxas...
        -        No fui eu... e como  que ele soube?
- Ele trabalha no Ministrio. Voc sabe que no temos permisso para usar mgica 
fora da escola...
        -        Olha quem fala - respondeu Harry olhando para o carro
que
flutuava.
        -        Ah, isto no conta - respondeu Rony. -  s emprestado.
 do papai, no fomos ns que o enfeitiamos. Mas fazer
mgica na frente desses trouxas com quem voce mora...
Eu j disse que no fiz.., mas vai levar muito tempo para
contar agora. Olha, ser que voc pode avisar em Hogwarts?
Os Dursley me trancaram e no vo me deixar voltar e, 
claro, no posso sair usando mgica, porque o Ministrio vai achar que  a 
segunda mgica que fao em trs dias, e a...
        -        Pare de falar coisas sem sentido - disse Rony. - Viemos lev-lo 
para casa conosco.
        -        Mas vocs tambm no podem me tirar usando mgica...
        -        No precisamos - disse Rony, indicando com a cabea o banco 
dianteiro do carro e sorrindo. - Voc esqueceu quem
foi que eu trouxe comigo.
        -Amarre isso nas grades - mandou Fred, atirando a ponta de uma corda 
para
Harry.
        -        Se os Dursley acordarem, estou morto - comentou Harry enquanto 
amarrava a corda bem firme em volta da grade e
Fred acelerava o carro.
        -        No se preocupe - falou Fred -, e d distncia.
        Harry recuou para as sombras prximas, a Edwiges, que parecia ter 
percebido como aquilo era importante e ficou
parada e silenciosa. O carro roncou cada
vez mais alto e, de repente, com um rudo de triturao, as grades foram 
totalmente arrancadas da janela, enquanto Fred continuava a subir no
ar Harry correu  janela
e viu as grades balanando a pouco mais de um metro do cho. Rony, ofegante, 
guindou-as para dentro do carro. Harry escutava ansioso, mas no vinha o menor 
ruido
do quarto dos Dursley.
        Depois que as grades foram guardadas no banco traseiro
do carro, ao lado de Rony, Fred deu marcha a r at chegar o
mais prximo possvel da janela de Harry.
        -        Entre - convidou Rony.
        -        Mas todo o meu material de Hogwarts... minha varinha... minha 
vassoura...
        -        Onde est?
        -        Trancado no armrio embaixo da escada, e no posso sair deste 
quarto...
        -        No tem problema - disse Jorge do banco dianteiro do carro. - 
Saia da frente, Harry.
        Ered e Jorge entraram no quarto de Harry pela janela, feito gatos. A 
pessoa tinha que tirar o chapu para eles, pensava
 Harry, quando Jorge puxou um grampo do bolso e comeou a
arrombar a fechadura.
        -        Tem muito bruxo que acha que  uma perda de tempo conhecer 
macetes de trouxas como esse - disse Fred -, mas ns achamos que vale a pena 
aprender
essas habilidades, mesmo que sejam um pouco demoradas.
        A porta fez um dique e se abriu.
        -        Ento, vamos apanhar o seu malo, e voc pega o que precisar do 
seu quarto e passa
para o Rony-murmurouJorge.
        -        Cuidado com o ltimo degrau, ele range - murmurou Harry para os 
gmeos que desapareceram no corredor escuro.
        Harry correu pelo quarto reunindo seus pertences e passando-os a Rony 
pela janela. Ento, foi ajudar Fred e Jorge a
carregar o malo para cima. Harry ouviu o tio Vlter tossir.
        Finalmente, ofegantes, eles chegaram ao alto da escada e
carregaram o malo pelo quarto de Harry at a janela aberta.
Fred pulou a janela de volta ao carro para puxar o malo com
Rony, enquanto Harry e Jorge o empurravam pelo lado de dentro.
Pouco a pouco, o malo deslizou pela janela. Tio Vlter tossiu outra vez.
        - Mais um pouquinho - arfou Fred, que estava puxando o malo para dentro 
do carro. - Mais um bom empurro...
        Harry e Jorge jogaram os ombros contra o malo e ele deslizou da janela 
para o assento traseiro do carro.
        - Muito bem, vamos - cochichou Jorge.
        Mas quando Harry subia no parapeito da janela ouviu um guincho alto 
atrs dele, seguido imediatamente pela voz trovejante do tio Vlter.
        - ESSA CORUJA DESGRAADA!
-Eu esqueci a Edwiges! Harry precipitou-se de volta ao quarto na hora em que a
luz do corredor se acendeu - agarrou a gaiola, correu  janela e passou-a a 
Rony. E estava subindo de volta na cmoda quando o tio Vlter socou a porta 
destrancada
e ela se escancarou.
        Por uma frao de segundo, o tio Vlter parou emoldurado pelo portal, em 
seguida deixou escapar um urro como o de um touro enfurecido e atirou-se contra
Harry prendendo-o pelo tornozelo.
        Rony, Fred e Jorge agarraram os braos de Harry e o puxaram com toda a 
fora que tinham.
        -        Petnia! - berrou tio Vlter. - Ele est fugindo! ELE EST 
FUGINDO!
        Mas os Weasley deram um puxo gigantesco e a perna de
Harry se soltou da garra do tio Vlter - e Harry j estava no
carro e batia a porta.
        -        P na tbua, Fred! - gritou Rony, e o carro disparou de repente 
em direo  lua.
        Harry no conseguia acreditar - estava livre. Baixou a janela, o ar da 
noite chicoteou seus cabelos, e ele virou a cabea para contemplar os telhados 
da
rua dos Alfeneiros que desapareciam ao longe. Tio Vlter, tia Petnia e Duda 
estavam todos debruados, estupefatos, na janela de Harry.
        -        Vejo vocs no prximo vero! - gritou Harry.
        Os Weasley soltaram gargalhadas e Harry se acomodou
no banco, sorrindo de orelha a orelha.
        -        Solte a Edwiges - pediu ele a Rony. - Ela pode voar atrs do 
carro. H sculos que no tem uma chance de esticar
as asas.
        Jorge passou o grampo a Rony e, um momento depois,
Edwiges voou feliz pela janela e ficou deslizando ao lado do
carro como um fantasma.
        -        Ento, qual  a histria, Harry? - perguntou Rony impaciente. - 
Que aconteceu?
        Harry contou tudo sobre Dobby, o aviso que dera a Harry
e o desastre com o pudim de violetas. Fez-se um silncio longo e assombroso 
quando ele terminou.
        -        Muito esquisito - disse Fred finalmente.
        -        Decididamente suspeito - concordoujorge. - E ele nem quis lhe 
dizer quem estaria tramando tudo isso?
        -        Acho que ele no podia - respondeu Harry. - Eu lhe contei, 
todas as vezes que ele estava quase deixando escapar
alguma coisa, comeava a bater a cabea na parede.
        Harry viu Fred e Jorge se entreolharem.
        -        O qu, vocs acham que ele estava mentindo para mim?
- perguntou Harry.
        - Bom - respondeu Fred -, vamos colocar a coisa assim...
 Elfos domsticos tm poderes mgicos prprios, mas em geral
no podem us-los sem a permisso dos donos. Calculo que o
velho Dobby foi mandado para impedir que voc voltasse a Hogwarts. Deve ser a 
idia que algum faz de uma brincadeira. Voc pode imaginar algum na escola que 
tenha
raiva de voc?
        - Claro - disseram Harry e Rony, juntos, na mesma hora.
- Draco Malfoy - explicou Harry. - Ele me odeia.
        - Draco Malfoy? - perguntou Jorge, virando-se. - O filho de Lcio 
Malfoy?
        - Deve ser, no  um nome muito comum, ? - disse Harry.
-Porqu?
        -J ouvi papai falar nele. Era um grande seguidor de VoceSabe-Quem.
        - E quando Voc-Sabe-Quem desapareceu - acrescentou Fted, esticando-se 
para olhar para Harry -, Lcio Malfoy voltou dizendo que nunca tivera inteno 
de
fazer nada. Um monte de bosta... Papai acha que ele fazia parte do crculo 
intimo de Voc-Sabe-Quem.
        Harry j ouvira esses comentrios sobre a famlia Malfoy antes e no se 
surpreendeu nem um pouco. Draco Malfoy fazia Duda
Dursley parecer um menino bom,
atencioso e sensvel.
        - No sei se os Malfoy tm um elfo domstico... - disse Harry.
        - Bom, seja quem for, os donos dele devem ter uma familia de bruxos 
antiga e rica - disse Fred.
        - , mame sempre desejou que a gente tivesse um elfo domstico para 
passar a roupa - comentou Jorge. - Mas s o que temos  um vampiro velho e 
incompetente
no sto e gnomos por todo o jardim. Elfos domsticos combinam com grandes casas 
senhoriais, castelos e lugares do gnero; voc no toparia com um na nossa 
casa...
        harry estava calado. A julgar pelo fato de que Draco Malfoy em geral 
tinha do bom e do melhor, a famlia devia rolar em dinheiro de bruxo; ele podia 
at 
imaginar Malfoy se pavoneando por uma grande casa senhorial. Mandar o criado da 
famlia impedir Harry de voltar a Hogwarts tambm parecia bem o tipo de coisa 
que 
Malfoy faria. Ele teria sido to burro a ponto de levar Dobby a srio?
        - Em todo o caso, fico contente que a gente tenha vindo busc-Lo. Eu 
estava ficando realmente preocupado quando
voce,
no respondeu minhas cartas. Primeiro pensei que tinha sido culpa de Errol...
        - Quem  Errol?
        -        Nossa coruja. Ele  velhissimo. No seria a primeira vez que 
desmaia ao fazer uma entrega. Ento tentei pedir o Hermes
emprestado...
-Quem?
        -        A coruja que mane e papai compraram para Percy quando ele foi 
nomeado monitor - explicou
Fred do banco da frente.
        -        Mas Petcy no quis me emprestar. Disse que precisava dele.
        -        Percy anda se comportando de forma muito estranha este vero - 
disse Jorge franzindo a testa. - E tem despachado um bocado de cartas e passado 
um 
tempo trancado no quarto... Quero dizer, tem limite o nmero de vezes que a 
pessoa pode querer dar brilho num distintivo de
monitor.. Voc est se afastando demais
para oeste, Fred - acrescentou, apontando a bssola no painel do carro. Fred 
corrigiu o rumo girando o volante.
        -        E seu pai sabe que voc est dirigindo o carro? - perguntou 
Harry, j adivinhando a resposta.
        - Ah, no - disse Rony -, ele teve que trabalhar hoje  noite. Com sorte 
conseguiremos guardar o carro de volta na
garagem antes que mame note que samos com ele.
        -        Afinal, que  que seu pai faz no Ministrio da Magia?
        -        Ele trabalha no departamento mais montono de todos
- disse Rony. - O do Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas.
-O qu?
        - Tratam do feitio lanado em objetos feitos pelos trouxas, sabe, no 
caso de acabarem indo parar numa loja ou numa casa de trouxas. Como no ano 
passado,
uma velha bruxa morreu e o seu servio de ch foi vendido a uma loja de 
antigidades. Uma mulher trouxa comprou o servio, levou para casa e tentou 
servir ch aos
amigos. Foi um pesadelo, papai ficou trabalhando depois do expediente durante 
semanas.
        - Que aconteceu?
                - O bule de ch endoidou e espirrou ch fervendo para
todo lado, e um homem foi parar no hospital com as pinas de acar presas no
nariz. Papai quase ficou Louco, s existe ele e um velho bruxo chamado Perkins 
no escritrio,
e os dois tiveram que usar feitios para apagar lembranas e outros
 tipos de recursos para abafar o caso...
        -        , papai  doido por tudo que os trouxas produzem; nosso 
barraco de
ferramentas  cheio de coisas de trouxas. Ele desmonta um objeto, enfeitia
e torna a mont-lo. Se ele revistasse a nossa casa teria que se dar ordem de 
priso. Mame fica danada.
        - Aquela  a estrada principal- disse Jorge, espiando para baixo pelo 
pra-brisa. - Estaremos l em dez minutos... Antes
assim, j est clareando...
        Uma ligeira claridade rosada tornava-se visvel na linha do
horizonte  leste.
        Fted fez o carro baixar um pouco, e Harry viu uma colcha
de retalhos feita de campos e arvoredos.
        - Moramos um pouquinho fora da cidade - disse Jorge. - Ottery St. 
Catchpole...
        O carro voador continuava a descer. A aurola escarlate do sol agora 
brilhava por entre as rvores.
        - Pousamos! - exclamou Fred quando, com um ligeiro solavanco, eles 
tocaram o cho. Tinham pousado ao lado de uma
garagem desmantelada num pequeno quintal, e
Harry olhou pela primeira vez para a casa de Rony.
        Parecia ter sido no passado um grande chiqueiro de pedra,
que foram acrescentando cmodos aqui e ali at ela atingir os andares e era to 
torta que parecia ser sustentada por
mgica (o que, Harry lembrou a si mesmo, era provvel).
Quatro ou   cinco chamins estavam encarrapitadas no alto do tedo vermelho. Em 
um letreiro torto enfiado no cho,
prximo  entrada, lia-se A TOCA. Em volta da porta de entrada
encontrava-se uma variedade de botas de borracha e um caldeiro muito 
enferrujado. Vrias galinhas castanhas e gordas
ciscavam pelo quintal.
        - No  muita coisa - disse Rony.
        -  maravilhosa - comentou Harry feliz, pensando na rua dos Alfeneiros.
        Eles desembarcaram do carro.
        - Agora vamos subir muito quietinhos - recomendou Fred
 e esperar mame nos chamar para tomar o caf da manh.
        Eles desembarcaram do carro.
Ento Rony, voc desce correndo e diz: "Mame, olhe s quem
apareceu durante a noite!" e ela vai ficar contente dever o Harry
e ningum vai precisar saber que samos voando no carro.
        - Certo - concordou Rony. - Vamos Harry, eu durmo no... no alto...
        O rosto de Rony ganhou um tom verde esquisito, seus olhos se fixaram na 
casa. Os outros trs se viraram.
        A Sra. Weasley vinha atravessando o quintal, espantando galinhas, e para 
uma senhora baixa, gorducha, de rosto bondoso, era incrvel como estava 
parecendo 
um tigre de dentes de sabre.
        -Ah!- exclamou Fred.
        - Essa no! - exclamou Jorge.
        A Sra. Weasley parou diante deles, as mos nos quadris, olhando de uma 
cara culpada para a outra. Vestia um avental
florido com uma varinha saindo pela borda do bolso.
        - Muito bem - disse ela.
        - Bom-dia, mame - disse Jorge, no que ele audivelmente pensou que era 
uma voz lampeira e cativante.
        - Vocs fazem idia da preocupao que tive? - perguntou a Sra. Weasley 
num sussurro letal.
        - Desculpe, mame, mas sabe, tnhamos que...
        Os trs filhos da Sra. Weasley eram mais altos do que ela,
mas encolheram  medida que a raiva da me ia desabando
sobre eles.
        - As camas vazias! Nenhum bilhete! O carro desaparecido... podia ter
batido... louca de preocupaao... voces se importaram?... nunca em minha vida...
esperem
at seu pai voltar, nunca tivemos problemas assim com o Guinem com o Carlinhos 
nem com o Percy...
        - O Percy perfeito - resmungou Fred.
        -        VOCS PODIAM SE MIRAR NO EXEMPLO DO PERCY! - berrou a Sra. 
Weasley, metendo o dedo no peito de
Fred.
 - Vocs podiam ter morrido, podiam ter sido vistos, podiam ter feito seu pai 
perder o emprego...
        Parecia que o sermo estava durando horas. A Sra. Weasley ficou touca de 
tanto gritar at se virar para
Harry, que recuou.
        - Estou muito contente em v-lo, Harry, querido - disse ela. - Entre, 
venha tomar caf.
        Deu meia-volta e entrou em casa, e Harry, depois de lanar um olhar 
nervoso a Rony, que acenou com a cabea animando-o, acompanhou-a.
        A cozinha era pequena e um tanto apertada. Havia ao centro uma mesa de 
madeira muito escovada e cadeiras, e
Harry se sentou na betrada de uma, espiando
 sua volta. Nunca estivera numa casa de bruxos antes.
        O relgio na parede em frente s tinha um ponteiro e nenhum nmero. 
Havia escritas em torno do mostrador coisas assim, Hora de fazer ch, Hora de 
dar comida
s galinhas e Voc est atrasado. Havia livros arrumados em fileiras triplas 
sobre o console da lareira, livros com ttulos do gnero
Enfeitice o seu prprio queijo,
o, Feitio no forno e Festas de um minuto - um Encantamento! E, a no ser que os
ouvidos de Harry o enganassem, o velho rdio ao lado da pia acabara de anunciar
que o prximo programa era "Hora de Encantos, com a popular cantora bruxa, 
Celestina Warbeck".
        A Sra. Weasley batia pratos e panelas, preparando o caf da manh um 
pouco a esmo, lanando olhares feios aos filhos, enquanto atirava salsichas na 
frigideira.
De vez em quando resmungava coisas como "no sei o que estavam pensando" e "eu 
nunca teria acreditado".
        - No estou culpando voc; querido - ela tranquilizou  Harry, setvindo 
oito ou nove salsichas no prato dele. -
Arthut e eu estivemos preocupados com voc,
tambm. Ainda na outra noite estvamos falando que iramos busc-lo pessoalmente 
se voce nao escrevesse a Rony at
sexta-feira. Mas francamente - (ela agora acrescentava
trs ovos fritos s salsichas) - atravessar metade do pas em um carro ilegal, 
vocs podiam ter sido vistos...
        Ela acenou a varinha displicentemente em direo dos pratos
na pia, que comearam a se lavar, entrechocando-se de leve ao
fundo.
        - Estava nublado, mame! - exclamou Fred.
        -        Voc fique de boca fechada enquanto come! - ralhou a Sra. 
Weasley.
        -        Estavam matando ele de fome, mame! - dissejorge.
        -        E voc! - disse a Sra. Weasley, mas foi com uma expresso 
ligeiramente mais branda que ela comeou a cortar e passar manteiga no po para 
Harry.
        Naquele momento surgiu uma distrao sob a forma de uma figura pequena, 
de cabelos vermelhos, que vestia uma longa camisola, e apareceu na cozinha, deu
um
gritinho e saiu correndo outra vez.
        -        Gina - disse Rony baixinho para Harry. - Minha irm. Andou 
falando em voc o vero inteiro.
        -        , ela vai querer o seu autgrafo, Harry - disse Fred com um 
sorriso, mas viu que a me o olhava e baixou o rosto para o prato, calando-se. 
Nada
mais foi dito at os quatro pratos ficarem limpos, o que levou um tempo 
surpreendentemente breve.
        -        Putz, estou cansado - bocejou Fred, pousando finalmente a faca 
e o garfo. - Acho que vou me deitar e...
        -        No vai, no - retrucou a Sra. Weasley. - A culpa foi sua se 
ficou a noite toda acordado. Voc vai desgnomizar o jardim
        para mim; eles esto ficando completamente rebeldes outra vez.
        -        Ah, tnamae...
        -        E vocs dois - disse ela, olhando feio para Rony e Fred. - Voc 
pode ir se deitar, querido - acrescentou dirigindo-se a Harry.
        - Voc no pediu a eles para voarem naquele carro infernal.
        Mas Harry, que se sentia completamente acordado, disse
        depressa:
        -        Vou ajudar o Rony. Nunca vi fazer uma desgnomizao...
        -         muito gentil de sua parte, querido, mas  trabalho montono - 
disse a Sra. Weasley. - Agora vamos ver o que
Lockhart
        tem a dizer sobre o assunto.
        Ela puxou um livro pesado de cima do console. Jorge gemeu.
        -        Mame, ns sabemos como desgnomizar um jardim.
        Harry espiou a capa do livro da Sra. Weasley. Escritas na capa em 
arabescos dourados havia as palavras Guia de pragas
 domsticas de Gildetoy Lockhart. Havia na capa uma grande
        foto de um bruxo bonito de cabelos louros ondulados e olhos
azuis muito vivos. Como sempre no mundo dos bruxos, a foto se mexia; o bruxo, 
que Harry supunha que fosse o tal
Gilderoy Lockhart, no parava de piscar, muito animado, para todos.
        - Ah, ele  um assombro - disse a me. - Conhece bem as pragas 
domsticas.
 um livro maravilhoso...
        - Mame tem um xod por ele - disse Fred num sussurro muito audvel.
        - No seja ridculo Fred - retorquiu a Sra. Weasley, o rosto muito 
corado. - Est bem, se vocs acham que sabem mais do que
Lockhart, podem ir fazer o trabalho,
mas tenho pena de vocs se tiver sobrado um nico gnomo naquele jardim quando eu 
sair para inspecion-lo.
        Aos bocejos e resmungos, os Weasley saram se arrastando, com Harry em 
sua cola. O jardim era grande e, aos olhos de Harry, exatamente como um jardim 
devia
ser. Os Dursley no teriam gostado - havia muito mato e a grama precisava ser 
aparada -, mas havia rvores nodosas a toda volta dos muros, plantas que Harry 
nunca
vira saindo de cada canteiro e um grande tanque de guas verdosas cheio de 
sapos.
        - Os trouxas tambm tm gnomos de jardim, sabe - Harry contou a Rony 
quando cruzavam o gramado.
        - Sei, j vi aquelas coisas que eles acham que so gnomos
- disse Rony, com o corpo dobrado e a cabea enfiada num p de penias -, como 
papais nois baixinhos e gordinhos segurando varas de pescar...
        Ouviram um ruido de algum se debatendo violentamente, o p de penia 
estremeceu e Rony se levantou.
        - Isto  um gnomo - disse serio.
    -    Tire as mos de cima de mim!Tire as mos de cima de mim!
        guinchou o gnomo.
        Decerto no parecia nada com um Papai Noel. Era pequeno,
 a pele parecia um couro, a cabeorra cheia de calombos e
careca, igualzinha a uma batata. Rony segurou-o  distncia enuanto o gnomo o 
chutava com os pezinhos calosos; o garoto o
agorrou pelos tornozelos e o virou de cabea para baixo.
        - Isto  o que a gente tem que fazer - explicou. E ergueu o
gnomo acima da cabea ("Tire as mos de mim!") e comeou
        od-lo em grandes crculos como se fosse laar um boi. Ao
ver a cara de espanto de Harry, Rony acrescentou: - Isto no machrta, voc s 
precisa deix-los bem tontos para no poderem encontrar o caminho de volta para 
as
tocas de gnomos.
        Ele soltou os tornozelos do gnomo: que voou uns seis metros
para o alto e caiu com um baque surdo no campo do outro
lado da sebe.
        - Lamentvel - exclamou Fred. - Aposto que posso atirar o meu bem alm 
daquele toco de rvore.
        Harry aprendeu depressa a no sentir muita pena dos gnomos. Resolveu 
simplesmente deixar cair por cima da sebe o primeiro que pegou, mas o gnomo, 
pressentindo 
fraqueza, enterrou os dentes afiados como navalhas no seu dedo, e Harry teve 
muito trabalho
para sacudi-lo longe, at que...
        - Uau, Ratry, esse deve ter cado a uns quinze metros...
        O ar no tardou a ficar coalhado de gnomos voadores.
        - Est vendo, eles no so muito inteligentes - disse Jorge, agarrando 
cinco ou seis gnomos de uma vez. - Na hora que descobrem que est havendo uma 
desgnomizao,
aparecem correndo para dar uma espiada. Era de se esperar que j tivessem 
aprendido a ficar quietos.
        Logo os gnomos atirados no campo comearam a se afastar em uma linha 
descontnua, os ombrinhos curvados.
        - Eles vo voltar - disse Rony enquanto observavam os gnomos 
desaparecerem na sebe do outro lado do campo. - Eles adotam isso aqui... Papai  
muito mole
com eles; acha que so engraados...
        Naquele instante, a porta de entrada bateu.
        - Ele voltou! - disse Jorge. - Papai est em casa!
        Os garotos atravessaram correndo o jardim e entraram em casa.
        O Sr Weasley estava largado numa cadeira da cozinha, sem culos e de 
olhos fechados. Era um homem magro, comeando a ficar careca, mas o pouco cabelo 
que
tinha era ruivo como o dos filhos. Usava vestes verdes e longas, que estavam 
empoeiradas e amarrotadas da viagem.
        - Que noite! - murmurou, tateando  procura do bule de ch enquanto 
todos se sentaram  sua volta. - Nove batidas.
 Nove! E o velho Mundungus Fletcher ainda tentou me lanar
um feitio quando eu estava de costas...
        O Sr. Weasley tomou um longo gole de ch e suspirou.
        - Encontrou alguma coisa, papai? - perguntou Fred ansioso.
        - S encontrei umas chaves para portas que encolhem e uma chaleira que 
morde - bocejou o Sr. Weasley. - Houve as ocorrncias feias mas no foram no meu
departamento. Mortlake foi levado para interrogatrio sobre umas doninhas muito 
esquisitas, mas isto foi com a Comisso de Feitios Experimentais, graas a 
Deus...
        - Mas por que algum ia se dar o trabalho de fazer chaves que encolhem? 
- perguntou Jorge.
        - S para aborrecer os trouxas - suspirou o Sr. Weasley. - Vendem a eles 
uma chave que encolhe at desaparecer, de modo que nunca conseguem encontr-la 
quando 
precisam...  claro que  muito difcil processar algum porque nenhum trouxa 
vai admitir que a chave dele no pra de encolher, insistem que vivem a perd-
las. 
Deus os abenoe, eles vo a extremos para fingir que magia no existe, mesmo que 
esteja no nariz
deles... mas as coisas que o nosso pessoal anda enfeitiando, vocs
no iriam acreditar...
        - COMO CARROS, POR EXEMPLO?
        A Sra. Weasley aparecera, empunhando um longo atiador
        como uma espada. Os olhos do Sr. Weasley se arregalaram.
        Ele olhou com cara de culpa para a mulher.
        - Carros, Molly, querida?
        -  Arthur, carros - disse a Sra. Weasley, os olhos faiscando. - Imagine 
s um bruxo comprar um carro velho e enferrujado e dizer  mulher que s quer 
desmont-lo
para ver como funciona, quando na realidade o enfeitiou para faz-lo
voar.
        O Sr. Weasley piscou os olhos.
        - Bom, querida, acho que voc vai descobrir que ele estava agindo dentro 
da lei quando fez isso, mesmo que... ah...
tivesse agido melhor se, hum, se tivesse
contado a verdade  mulher... H um furo na lei, voc vai descobrir... Desde que
ele no tivesse inteno de voar no carro, o fato de que o carro poder voar 
no...
        - Arthur Weasley, voc providenciou para que houvesse um furo nessa lei 
quando a escreveu! - gritou a Sra. Weasley. -
S para voc poder continuar a se distrair com aquela lixaria dos trouxas no seu 
barraco! E para sua informao, Harry chegou hoje de manh naquele carro que 
voc
no tinha inteno de fazer voar!
        - Harry? - exclamou o Sr. Weasley sem entendet - Que Harry?
        Ele olhou  volta, viu Harry e deu um salto.
        -Deus do cu,  Harry Potter? Muito prazer em conhecelo. Rony tem falado 
tanto em...
        - Os seusfilhos foram naqttele carro at a casa de Harry e voltaram de 
l ontem  noite!- gritou a Sra. Weasley. - Que  que voc me
diz disso, hein?
        - Vocs fizeram mesmo isso? - perguntou o Sr. Weasley, ansioso. - E o 
carro voou bem? Eu... eu quero dizer - gaguejou, enquanto voavam fascas dos 
olhos 
da Sra. Weasley- que... isso foi muito errado, meninos.., muito errado mesmo...
        - Vamos deixar eles discutirem - Rony sussurrou para Harry quando a Sra. 
Weasley inchou como um sapo-boi. - Vamos,
vou-lhe mostrar o meu quarto.
        Os dois sairam discretamente da cozinha e seguiram por um corredor 
estreito at uma escada irregular, que subia em ziguezague pela casa. No 
terceiro patamar,
havia uma porta entreaberta. Harry vislumbrou dois grandes olhos castanhos e 
vivos que o espiavam antes da porta fechar com um
clique.
        - Gina - explicou Rony. - Voc no sabe como  estranho ela estar to 
tmida. Normalmente ela nunca pra de falar...
        Eles subiram mais dois lances e chegaram a uma porta com
a tinta descascada e uma pequena placa onde se lia "Quarto
do Ronald".
        Harry entrou, a cabea quase tocando no teto inclinado, e piscou os 
olhos. Era como entrar num forno. Quase tudo no quarto de Rony era de um tom 
violentamente 
laranja: a colcha da cama, as paredes e at o teto. Ento Harry percebeu que 
Rony tinha coberto praticamente cada centmetro do papel de parede gasto com 
psteres
dos mesmos sete bruxos e bruxas, todos usando vestes laranja-vivo, segurando 
vassouras e acenando com animao.
       - O seu time de quadribol? - perguntou Harry.
                - O Chudley Cannons - disse Rony, apontando para a
colcha laranja, que exibia um braso com dois enormes O pretos e uma bala de 
canho em movimento. - Nono lugar na diviso.
        Os livros escolares de feitiaria que pertenciam a Rony estavam 
empilhados de qualquer jeito num canto, junto com um monte de
histrias em quadrinhos que
pareciam conter a mesma tira, As aventuras de Martin Miggs, o trouxa pirado. A 
varinha de condo de Rony estava em cima de um
aquario cheio de ovas de r, no peitoril
da janela, ao lado do seu rato cinzento e gordo, o Perebas, que tirava um 
cochilo numa nesga de sol.
        Harry pulou por cima de um baralho de cartas autoembaralhantes que 
estava no cho e espiou pela janelinha. No campo, l embaixo, ele viu uma turma 
de gnomos
que voltavam sorrateiros, um a um, pela cerca dos Weasley. Depois virou-se para 
olhar Rony, que o observava quase nervoso, como se esperasse ouvir sua opinio.
        -  meio pequeno - disse Rony depressa. - Nada como aquele quarto que 
voc tinha na casa dos trouxas. E estou bem debaixo do vampiro no
sto; sempre batendo
nos canos e gemendo...
        Mas Harry, com um grande sorriso, disse:
- Esta  a melhor casa que j visitei.
As orelhas de Rony ficaram vermelhas.

*****


        CAPTULO QUATRO

Na Floreios e Borres


A vida na Toca era a mais diferente possvel da vida na rua dos
Alfeneiros. Os Dursley gostavam de tudo limpo e arrumado; a casa dos Weasley era 
cheia de coisas
estranhas e inesperadas. Harry teve um choque na primeira vez que se mirou no 
espelho sobre o console da lareira da cozinha, pois o espelho gritou:
"Ponha a camisa para dentro, seu desleixado!" O vampiro no sto uivava e 
derrubava canos, sempre que sentia que a casa estava ficando demasiado quieta, e 
as pequenas
exploses que vinham do quarto de Fred e Jorge eram consideradas perfeitamente 
normais. Porm, o que Harry achou mais fora do comum na vida em casa de Rony no 
foi
o espelho falante nem o vampiro baterista: mas o fato de que todos pareciam 
gostar dele.
        A Sra. Weasley se preocupava com o estado das meias dele e tentava 
for-lo a repetir a comida trs vezes por refeio. O
Sr. Weasley gostava que Harry se
sentasse ao lado dele, na mesa do jantar, para poder bombarde-lo com perguntas 
sobre a vida com os trouxas, pedindo-lhe para explicar como funcionavam coisas 
como
as tomadas e o correio postal.
        - Fascinante!- exclamou, quando Harry lhe contou como se usava o 
telefone. - Engenhoso, verdade, quantas maneiras os
trouxas encontraram de viver sem o auxlio da magia.
        Harry recebeu notcias de Hogwarts, numa bela manh,
        cerca de uma semana depois de chegar  Toca. Ele e Rony
 desceram para tomar caf e encontraram o Sr. e a Sra. Weasley
        e Gina j sentados  mesa da cozinha. No instante em que viu
Harry, Gina sem querer derrubou a tigela de mingau no cho fazendo um 
estardalhao. A garota parecia muito propensa a derrubar coisas sempre que Harry 
entrava. Ela
mergulhou debaixo da mesa para apanhar a tigela e reapareceu com o rosto rubro 
como um sol poente.
Harry fingindo no notar, sentou-se e aceitou a torrada que a Sra.
Weasley lhe oferecia.
        - Cartas da escola - disse o Sr. Weasley, passando a Harry e Rony 
envelopes idnticos de pergaminho amarelado, endereados com tinta verde. -
Dumbledore
j sabe que voc est aqui, Harry, ele no perde um detalhe, aquele homem. Vocs 
dois tambm receberam - acrescentou ele, quando Fred e Jorge entraram 
descontrados,
ainda de pijamas.
        Durante alguns minutos fez-se silncio enquanto todos liam as cartas. A 
de Harry mandava-o tomar o Expresso de
Hogwarts como sempre na estao de King's
Cross, no dia 1 de setembro. Trazia tambm uma lista dos novos livros que ia 
precisar para o prximo ano letivo.
MATERIAL PARA OS ALUNOS DA SEGUNDA SRIE
O Livro padro de feitios, 2 srie de Miranda Goshawk Como dominar um esprito 
agourento de Gilderoy Lockhart Como se dividir com vampiros de Gilderoy Lockhart
Frias com bruxas malvadas de Gilderoy Lockhart Viagens com trasgos
de Gilderoy Lockhart Excurses com vampiros
de Gilderoy Lockhart. Passeios com lobisomens
de Gilderoy Lockhart. Um ano com o Ieti
de Gilderoy Lockhart
        Fred, que terminara de ler a lista, deu uma espiada na de
Harry.
        - Mandaram voce comprar todos os livros de Lockhart tambm! - admirou-
se. - O novo professor de Defesa Contra
as Artes das Trevas deve ser f dele, aposto que  uma bruxa.
        Ao dizer isto, o olhar de Fred cruzou com o de sua me e
ele rapidamente voltou a ateno para a sua gelia.
        - Esse material no vai sair barato - comentou Jorge, lanando um olhar 
rpido aos pais. - Os livros de
Lockhart so
bem carinhos...
        - Daremos um jeito - disse a Sra. Weasley, embora tivesse a expresso 
preocupada. - Espero poder comprar a maioria
do material de Gina de segunda mo.
        - Ah, voc vai entrar para Hogwarts este ano? - perguntou Harry a
Gina.
        Ela confirmou com a cabea, corando at a raiz dos cabelos flamejantes e 
enfiou o cotovelo na manteigueira. Felizmente ningum viu exceto
Harry porque,
naquele momento, o irmo mais velho de Rony, Percy, entrou na cozinha. J estava 
vestido, o distintivo de monitor em
Hogwarts preso no suter sem mangas.
        - Dia - disse Percy animado. - Lindo dia.
        Sentou-se na nica cadeira desocupada mas quase imediatamente levantou-
se de um salto, erguendo do assento um espanador de penas cinzentas que parecia 
estar
na buda - pelo menos foi isso que Harry pensou que fosse, at ver que a coisa 
respirava.
        - Erroll - exclamou Rony, recolhendo a coruja inerte da mo de Percy e
extraimdo uma carta que ela trazia presa sob a asa. - Finalmente chegou a 
resposta
de Hermione. Escrevi a ela avisando que amos tentar salvar voc dos Dursley.
        Ele levou Errol at um poleiro na porta dos fundos e tentou faz-lo 
encarrapitar-se, mas a coruja tornou a desmontar, por isso Rony a deitou na 
tbua de
escorrer, resmungando "Pattico". Em seguida ele abriu a carta de Mione e leu-a 
em voz alta.
Queridos Rony, e Harry se estiver a.
Espero que tudo tenha corrido bem, que Harry esteja bem e que voce
        no tenha feito nada ilegal para tir-lo de l, Rony, porque isso
criar problemas para o Harry tambm. Tenho estado realmente preocupada e,
se Harry estiver bem, por favor mande me dizer logo, mas talvez seja melhor usar 
outra coruja, porque acho que mais uma entrega talvez mate essa .
Estou muito ocupada, estudando,  claro...
        - Como  quepode! - exclamou Rony horrorizado. - Estamos de frias!
e vamos a Londres na prxima quarta-feira comprar os livros
novos. Porque no nos encontramos no Beco Diagonal?
        Mande notcias do que est acontecendo, assim que puder. Afetuosamente,
Mione.
        - Bom, isso se encaixa perfeitamente. Podemos ir comprar todo o material 
de vocs, tambm - disse a Sra. Weasley, comeando a tirar a mesa. - Que  que 
vocs
esto planejando fazer hoje?
        Harry, Rony, Fred e Jorge estavam pensando em subir o morro at um 
pequeno prado que pertencia aos Weasley. Era cercado de rvores que bloqueavam a 
viso
da cidadezinha embaixo, o que significava que podiam praticar quadribol l, 
desde que no voassem muito alto. No podiam usar bolas de quadribol de verdade, 
pois
seria difcil explicar se escapulissem e sobrevoassem a cidade; em vez disso, 
atiravam mas uns para os outros. Revezaram-se para montar a Nimbus 2000 de 
Harry,
que era, sem nenhum favor, a melhor vassoura; a velha Shooting Star de Rony 
muitas vezes perdia na corrida para as borboletas que apareciam.
        Cinco minutos depois os garotos estavam subindo o morro, as vassouras 
nos ombros. Tinham perguntado a Percy se queria acompanh-los, mas ele 
respondera que
estava ocupado. Harry at ali s tinha visto Percy s refeies; ele passava o 
resto do tempo trancado no quarto.
        - Gostaria de saber o que ele est aprontando - disse Fred, franzindo a 
testa. - Est to mudado. O resultado das provas dele chegou um dia antes de 
voce;
doze N.O.M.s e ele nem cantou vitria.
        - Nveis Ordinrios em Magia - explicou Jorge, vendo o olhar intrigado 
de Harry. - Gui recebeu doze tambm. Se no
nos cuidarmos vamos ter outro monitor-chefe na famlia. Acho  que no iramos 
suportar a vergonha.
        Gui era o filho mais velho dos Weasley. Ele e o irmo logo abaixo, 
Carlinhos, j tinham terminado
Hogwarts. Harry nunca vira nenhum dos dois, mas sabia que
Carlinhos estava na Romnia estudando drages e Gui, no Egito, trabalhando no 
banco dos bruxos, o
Gringotes.
        - No sei como mame e papai vo poder comprar todo o nosso material 
escolar este ano - disse Jorge depois de algum tempo. - Cinco conjuntos de 
livros do
Lockhart! E Gina precisa devestes, uma varinha e todo o resto...
        Harry no disse nada. Sentiu-se um pouco constrangido. Guardado no cofre 
subterrneo do Banco de
Gringotes, em Londres, havia uma pequena fortuna que seus
pais lhe haviam deixado. Naturalmente, era somente no mundo dos bruxos que ele 
tinha dinheiro; no se podia usar galees, sicles e
nuques em lojas de trouxas. Ele
nunca mencionara aos Dursley sua conta no Banco de Gringotes, pois achava que o 
horror que eles tinham  magia no se estenderia a um monto de ouro.
A Sra. Weasley acordou-os bem cedo na quarta-feira seguinte. Depois de comerem 
rapidamente uma dzia de sanduches de bawn cada um, eles vestiram os casacos e 
a
Sra. Weasley apanhou um vaso de flor no console da cozinha e espiou dentro dele.
        - Estamos com o estoque baixo, Arthur - suspirou. - Teremos que comprar 
mais hoje... Ah, muito bem,
hspedes primeiro! Pode comear, Harry querido!
        E ela lhe ofereceu o vaso de flor.
        Harry olhou para os Weasley, que o observavam.
        -        Q-que  que eu tenho que fazer? - gaguejou.
        - Ele nunca viajou com P de Flu - disse Rony de repente. - Desculpe 
Harry, eu me esqueci.
        - Nunca? - admirou-se o Sr. Weasley. - Mas como foi que voce chegou ao 
Beco Diagonal para comprar seu material escolar no ano passado?
        -        Fui de metr...
        -        Verdade? - exclamou o Sr. Weasley animado. - Havia
escapadas rolantes? Como  que...
        -Agora no, Arthur - disse a Sra. Weasley. - O P de Flu 
muito mais rpido, querido, mas meu Deus, se voc nunca o usou antes...
        - Ele vai conseguir, mame - disse Fred. - Harry observe a gente
primeiro.
        Fred apanhou uma pitada de p brilhante no vaso de flor, foi at a 
lareira e atirou o p no fogo.
        Com um rugido, as chamas ficaram verde-esmeralda e mais
altas do que Fred, que entrou nelas e gritou "Beco Diagonal!"
e desapareceu.
a - Voc precisa falar bem claro, querido - disse a Sra. Weasley Harry quando 
Jorge mergulhou a mo no vaso. - E se certifique se est saindo na grade 
certa...
        - Na o qu certa? - perguntou Harry nervoso enquanto as chamas rugiam e 
arrebatavam Jorge de vista.
- Bem, h um nmero enorme de lareiras de bruxos para c escolher, sabe, mas se 
voc falar com clareza...
        - Ele vai acertar, Molly, no se preocupe - disse o Sr. Weasley,
servindo-se de P de Flu, tambm.
        - Mas, querido, se ele se perder, como  que iramos expli  tia e ao 
tio dele?
        - Eles no se importariam - tranquilizou-a Harry. - Duda ia achar que 
teria sido uma piada genial se eu me perdesse tro de uma lareira, no se 
preocupe.
- Bem.., est bem.., voc vai depois de Arthur - disse a
sra. Weasley. -Agora, quando entrar no fogo, diga aonde vai...
- E mantenha os cotovelos colados ao corpo - aconselhou.
E os olhos fechados - recomendou a Sra. Weasley. - A fuligem...
No se mexa - disse Rony. - Ou pode acabar caindo na  lareira errada... Mas 
cuidado para no entrar em pnico e sair antes da
hora. Espere at ver Fred e Jorge. Harry, fazendo
fora para guardar tudo isso na cabea, apanhou uma pitada de P de Flu e 
avanou at a beira
do fogo.  Inspirou profundamente, lanou o p nas chamas e entrou; o
fogo lhe lembrou uma
brisa morna; ele abriu a boca e imediatamente engoliu um monte de cinzas 
quentes.
-be-co Diagonal - tossiu.
    A sensao de estar sendo sugado por um enorme ralo. Ele parecia
estar girando muito rpido.
    O rugido          em seus ouvidos era ensurdecedor.. e tentou
manter os olhos abertos
mas o rodopio das chamas verdes lhe dera enjo... uma coisa dura bateu no seu 
cotovelo e ele o prendeu com firmeza junto ao corpo, sempre girando... agora a 
sensao
era de mos geladas esbofeteando seu rosto... apertando os olhos por trs dos 
culos ele viu uma sucesso de lareiras indistintas e relances de aposentos 
alm...
os sanduches de bacon reviravam em sua barriga... ele tornou a fechar os olhos 
desejando que aquilo parasse e entao... caiu, de
cara no cho, em cima de uma pedra
fria e sentiu a ponta dos culos se partir.
        Tonto e machucado, coberto de fuligem, ele se levantou desajeitado, 
segurando os culos partidos na frente dos olhos. Estava totalmente sozinho, mas 
onde
estava, ele no fazia idia.
S  sabia dizer que estava de p numa lareira de pedra, em um lugar que parecia 
ser
uma loja de bruxo grande e mal-iluminada - mas nada
que havia ali tinha a menor probabilidade de aparecer numa lista de material 
escolar de
Hogwarts.
        Um mostrurio prximo continha uma mo murcha em cima de uma almofada, 
um baralho manchado de sangue e um olho de vidro arregalado. Mscaras diablicas 
o
espiavam das paredes, uma variedade de ossos humanos jazia sobre o balco e 
instrumentos pontiagudos e enferrujados pendiam do teto, E o que
era pior, a rua estreita
e escura que Harry via pela vitrine empoeirada da loja decididamente no era 
Beco Diagonal.
        Quanto mais cedo sasse dali melhor. Com o nariz ainda doendo por causa 
da batida na lareira, Harry se encaminhou depressa e silenciosamente para a 
porta,
mas antes que cobrisse metade da distncia, duas pessoas apareceram do outro 
lado da
vitrime - e uma delas era a ltima pessoa que Harry queria encontrar estando
perdido, coberto de fuligem, com os culos partidos: Draco Malfoy.
        Harry olhou depressa a toda volta e viu um grande armrio preto  
esquerda; correu para ele e se fechou dentro, deixando apenas uma frestinha na 
porta
para
espiar. Segundos depois, uma sineta tocou e Malfoy entrou na loja.
          O homem que entrou atrs dele s podia ser o pai. Tinha a
                mesma cara fina e pontuda e olhos idnticos, frios e cinzentos.
O        Sr. Malfoy andou pela loja examinando descansadamente os objetos 
expostos e tocou uma campainha em cima do
balco antes de se virar para o filho e dizer:
        - No toque em nada, Draco.
        Malfoy, que esticara a mo para o olho de vidro, retrucou:
        - Pensei que voc ia me comprar um presente.
        - Eu disse que ia lhe comprar uma vassoura de corrida - disse o pai 
tamborilando no balco.
        De que me serve uma vassoura se no fao parte do time da casa? - 
respondeu Malfoy, com a cara amarrada. - Harry Potter ganhou uma Nimbus 2000 no 
ano passado.
Permisso especial de Dumbledore para ele poder jogar pela Grifinria. Ele nem 
to bom assim, s que famoso... famoso por ter uma cicatriz idiota na testa...
        Malfoy se abaixou para examinar uma prateleira cheia de
crnios.
todo mundo acha que ele  to sabido, o maravilhoso
Potter com sua cicatriz e sua vassoura...
        -        Voc j me contou isso no mnimo dez vezes - disse o
Sr. Malfoy, com um olhar de censura para o filho. - E gostaria de lembrar-lhe 
que no , prudente,
demonstrar que no gosta de Harry Potter, no quando a maioria do nosso povo 
acha que ele  o heri que fez o Lord das Trevas desaparecer... ah,
Sr. Borgin.
        Um homem curvado aparecera atrs do balco, alisando os cabelos untados 
de leo para afast-los do rosto.
        -        Sr. Malfoy, que prazer rev-lo - disse o Sr. Borgin untuoso 
como os seus cabelos. - Encantado, e o jovem Malfoy, tamm, encantado. Em que 
posso
servi-los?
Preciso lhes mostrar, chegou hoje, e a um preo muito mdico...
        -        No vou comprar nada hoje, Sr. Borgin, vou vender -
disse o Sr. Malfoy.
- Vender? - O sorriso se embaou levemente no rosto do Borgin.
- O senhor ouviu falar,  claro, que o Ministrio est fazendo mais blitze - 
disse o
Sr. Malfoy, puxando um rolo de pergaminho do bolso interno do casaco e 
desenrolando-o
para Sr.  Borgin ler. - Tenho em casa uns, ah, objetos que podem  me causar 
embaraos, se o Ministrio aparecesse...
        O        Sr. Borgin encaixou um pincen na ponta do nariz e percorreu a 
lista.
        -        O Ministrio certamente no ousaria incomod-lo, no , meu 
senhor?
        O Sr. Malfoy crispou os lbios.
        -        At agora no me visitaram. O nome Malfoy ainda impe um certo 
respeito, mas o Ministrio est ficando cada vez mais intrometido. H boatos de 
uma
nova lei de proteo aos trouxas: com certeza aquele bobalho pulguento, 
apreciador de trouxas, Arthur Weasley est por trs disso...
        Harry sentiu uma onda escaldante de raiva.
        -        ... e como v, alguns desses venenos poderiam fazer parecer...
Compreendo, meu senhor, naturalmente - disse o Sr.
Borgin. - Deixe-me ver...
        -        Pode me dar aquilo? - interrompeu Draco, apontando para a mo 
murcha sobre a almofada.
        -        Ah, a Mo da Glria! - disse o Sr. Borgin, abandonando a lista 
de Malfoy e correndo
para perto de Draco. - Ponha-lhe uma vela e ela d luz apenas
a quem a segura! A melhor amiga dos ladres e saqueadores! O seu filho tem timo 
gosto, meu senhor.
        -        Espero que o meu filho venha a ser mais do que um ladro ou um 
saqueador, Borgin - disse o Sr. Malfoy com frieza, ao que o
Sr. lBorgin respondeu depressa:
        -        Sem ofensa, meu senhor, no tive inteno de ofender...
        -. Mas, se as notas dele no melhorarem - disse o Sr. Malfoy com maior 
frieza ainda -, pode ser que ele realmente s tenha
talento para isto.
        -        No  minha culpa - retrucou Draco. .- Todos os professores tm 
alunos preferidos, aquela
Hermione Granger...
        -        Pensei que voce sentiria vergonha se uma menina que nem 
pertence a famlia de bruxos passasse a sua frente em
todos os exames - comentou com rispidez o Sr. Malfoy.
        -        Ha! - exclamou Harry baixinho, satisfeito de ver Draco com cara 
de quem est ao mesmo tempo envergonhado e aborrecido.
        - a mesma coisa em toda parte - disse o Sr. Borgin, com sua voz 
untuosa. -Ter sangue de bruxo conta cada vez menos
em toda parte...
        -        No para mim -respondeu o Sr. Malfoy, com as narinas tremendo.
        -        No, meu senhor, nem para mim - disse o Sr. Borgin, fazendo uma 
grande reverencia.
        -        Neste caso, talvez possamos voltar  minha lista - disse o St 
Malfoy rispidamente. - Estou com um pouco de pressa, Borgin,
        -        Neste caso, talvez possamos voltar  minha lista- disse o
Sr Malfoy rispidamente. - Estou com um pouco depressa, Borgin,
tenho negcios importantes a tratar hoje em outro lugar.
        Os dois comearam a barganhar. Harry observou nervoso que Draco se 
aproximava cada vez mais do lugar em que ele estava escondido, examinando os 
objetos 
venda. Draco parou para examinar um grande rolo de corda de enforcar e para
ler, rindo, o carto colocado em um magnfico colar de opalas. uidado:
No toque. Amaldioado
- Tirou a vida de dezenove donos trouxas at hoje.
        Draco se virou e notou o armrio bem em frente.
 Adiantou-se ... esticou a mo para o puxador e...
- Fechado - disse o Sr Malfoy ao balco. - Vamos, Draco! Harry enxugou a testa 
na manga ao ver Draco se
afastar
-         Bom dia para o senhor, Sr. Borgin. Aguardo-o amanh em casa para 
apanhar a mercadoria.
No instante em que a porta se fechou, o Sr. Botgin abandonou seus modos 
untuosos.
- Bom dia para o senhor, Senhor Malfoy, e, se as histrias que correm forem 
verdadeiras, o senhor no me vendeu
metade do que tem escondido em sua casa...
E, continuando a resmungar ameaador, o Sr. Borgin desareceu no quarto dos 
fundos. Harry esperou um pouco,
caso  ele voltasse, e, em seguida, o mais silenciosamente que pde
, saiu do armrio, passou pelos mostrurios de vidro e pela porta afora.
Harry olhou para os lados, segurando os culos partidos. Saira  em uma ruela 
sombria que parecia totalmente ocupada
por lojas que se dedicavam s Artes das Trevas. A que ele
acabara de  deixar, a Borgin & Burkes, parecia ser a maior, mas em
frente havia uma grande coleo de cabeas jvaras na vitrine, e duas portas 
abaixo, uma enorme gaiola pululava
com gingantescas aranhas negras. Dois bruxos malvestidos o observavam
da sombra de um portal,  cochichando entre si. Apreensivo,
Harry saiu caminhando, tentando segurar os culos no lugar e espetando, sem 
muita esperana, conseguir encontrar uma sada daquele lugar.
        Uma velha placa de madeira, pendurada acima de uma loja que vendia velas 
envenenadas, informava que ele se encontrava na Travessa do Tranco. Isto no 
adiantou
muito, pois Harry nunca ouvira falar naquele lugar. Imaginou que talvez no 
tivesse falado com bastante clareza ao entrar na lareira dos Weasley porque 
tinha a boca
cheia de cinzas. Pensou no que fazer, tentando ficar calmo.
        - No est perdido, est, querido? - disse uma voz ao seu ouvido, 
assustando-o.
        Uma bruxa idosa estava ao lado dele, segurando uma bandeja com objetos 
que se pareciam horrivelmente com unhas humanas. Ela riu dele mostrando dentes 
cobertos 
de limo. Harry recuou.
        - Estou bem, obrigado - disse. - S estou...
   -        HARRY! O que voc est fazendo aqui?
        O corao de Harry deu um salto. O da bruxa tambm: as unhas cascatearam 
por cima dos seus ps e ela comeou a xingar ao mesmo tempo que a forma macia
de Hagrid, o guarda-caas de Hogwatts veio se aproximando em grandes passadas, 
seus olhinhos de besouros negros faiscando por cima da barba arrepiada.
        - Hagrid! - exclamou Harry revelando alivio na voz rouca. Eu me perdi...
P de Flu...
        Hagrid agarrou Harry pela nuca e afastou-o da bruxa, derrubando a 
bandeja que ela levava, O guincho que ela soltou acompanhou-os durante todo o 
trajeto
pelas ruelas tortuosas at tornarem a ver a luz do sol. Harry divisou  
distancia um edifcio de mrmore muito branco que j conhecia: o Banco de
Gringotes. Hagrid o levara direto ao Beco Diagonal.
        - Voc est horrvel! - exclamou Hagrid, espanando a fuligem que cobria 
Harry com tanta fora que quase o derrubou numa barrica de bosta de drago  
porta
da farmcia. - Se esquivando pela Travessa do Tranco, no sei, no, um lugar
 suspeito, Harry, no quero que ningum o veja l...
        - Isso eu percebi-disse Harry, abaixando-se quando Hagrid
fez meno de espan-lo outra vez. - Eu lhe falei, eu me perdi, que  que voc 
estava fazendo l?
- Eu estava procurando repelente para lesmas carnvoras; nou Hagrid. - Elas 
esto acabando com os repolhos
da escola. Voc no est sozinho?
- Estou na casa dos Weasley mas nos separamos - expliHarry. - Tenho que 
encontr-los...
Os dois comearam a descer a rua juntos.
-Por que  que voc nunca respondeu s cartas?- perguntou Hagrid a Harry 
enquanto caminhavam (o garoto
tinha  que dar trs passos para cada passada das enormes botas de Hagrid).
Harry explicou tudo sobre Dobby e os Dursley.
- Trouxas nojentos - rosnou Hagrid. - Se eu tivesse sabido...
- Harry! Harry! Aqui!
        Harry ergueu os olhos e viu Hermione Granger parada no alto das escadas 
brancas de Gringotes. A garota desceu
correndo ao encontro deles, os cabelos castanhos e
fartos esvoaando para trs.
        - Que aconteceu com os seus culos? Al, Hagrid... Ah, que maravilha 
rever vocs... Vai entrar no
Gringotes, Harry?
        - Assim que eu encontrar os Weasley - respondeu Harry.
        - Voc no vai ter que esperar muito - disse Hagrid com sorriso.
        Harry e Hermione se viraram: correndo pela rua cheia de
gente vinham Rony, Fred, Jorge, Percy e o Sr. Weasley.
        - Harry - ofegou o Sr. Weasley. - Tivemos esperana de que c s tivesse 
ultrapassado uma grade de lareira... - Ele
enxugou a careca reluzente. - Molly est
alucinada... a vem ela.
        - Onde foi que voc saiu? - perguntou Rony.
        - Na Travessa do Tranco - informou Hagrid de cara feia.
        -Que timo!- exclamaram Fred e Jorge juntos.
        - Nunca nos deixaram entrar l - comentou Rony invejoso.
        - Ainda bem - rosnou Hagrid.
        A Sra. Weasley aproximava-se correndo, a bolsa balananlo loucamente em 
uma das mos, Gina agarrada  outra.
        - Ah, Harry, ah, meu querido, voc podia ter ido parar em qualquer 
lugar...
        Tomando flego ela tirou uma grande escova de roupas
da bolsa e comeou a escovar a fuligem que Hagrid no conseguira espanar. O Sr. 
Weasley apanhou os culos de Harry, deu-Lhes uma batida com a varinha e os 
devolveu,
como se fossem novos.
        -        Bom, tenho que ir andando - disse Hagrid, cuja mo era
apertada pela Sta. Weasley ("Travessa do Tranco! Se voc no
o tivesse encontrado, Hagrid!"). -Vejo voces em Hogwarts! - E o guarda-caas se 
afastou a passos largos, a cabea e os ombros mais altos do que os de todo mundo
na rua cheia.
        -        Adivinhem quem eu encontrei na Borgin & Burkes? - perguntou 
Harry a Rony e a
Hermione enquanto subiam as
escadas do Gringotes. - Malfoy e o pai dele.
        -        Lcio Malfoy comprou alguma coisa? - petguntou o Sr. Weasley 
srio logo atrs deles.
        -        No, ele estava vendendo.
        -        Ento est preocupado - comentou o Sr. Weasley com cruel 
satisfao. - Ah, eu adoraria pegar Lcio Malfoy por alguma coisa...
        -        Tenha cuidado, Arthur - disse a Sra. Weasley com severidade 
quando eram cumprimentados pelo duende  porta do banco. -Aquela famlia 
significa
confuso.
No abocanhe mais do que voc pode mastigar.
        -        Ento voc no acha que sou adversrio para o Malfoy Malfoy? - 
respondeu o Sr. Weasley indignado, mas foi distrado quase no mesmo instante 
pela 
viso
dos pais de Hermione, que estavam parados nervosos no balco que ia de uma ponta 
a outra do saguo de mrmore, esperando que
Hermione os apresentasse.
        -        Mas voces so trouxas! - exclamou o Sr. Weasley encantado. - 
Precisamos tomar um drinque! Que  que tm a? Ah, esto trocando dinheiro de 
trouxas.
Molly, olhe! - Ele apontou excitado para as notas de dez libras na mo do Sr. 
Granger.
        -        Te encontro l no fundo - disse Rony a Hermiione quando os 
Weasley e Harry foram conduzidos aos cofres subterrneos
por outro duende de Gringotes.
        Chegava-se aos cofres a bordo de vagonetes pilotados por
 duendes, que os manobravam em alta velocidade por trilhos
de bitola estreita atravs dos tneis subterrneos do banco.
Harry curtiu a viagem vertiginosa at o cofre dos Weasley, mas se sentiu muito 
mal, muito pior do que se sentira na Travessa do Tranco, quando eles o abriram. 
Havia
uma pequena pilha de sicles de prata l dentro e apenas um galeo de ouro. A 
Sra. Weasley tateou pelos cantos antes de varrer tudo para dentro da bolsa. 
Harry se
sentiu ainda pior quando chegaram ao seu cofre. Tentou bloquear a viso do 
contedo enquanto enfiava, apressadamente, mos cheias de moedas em uma bolsa de
couro.
        De volta aos degraus de mrmore, eles se separaram. Percy murmurou 
qualquer coisa sobre a necessidade de comprar uma pena nova. Fred e Jorge tinham 
visto
um amigo de Hogwarts, LinoJordan. A Sra. Weasley e Gina iam a uma loja devestes 
de segunda mo. O Sr. Weasley insistia em levar os Granger ao Caldeiro Furado
para
tomar um drinque.
        - Vamos nos encontrar na Floreios e Borres dentro de uma hora para 
comprar o material escolar - disse a Sra. Weasley, se afastando com Gina. - E 
nem pensar
em entrar na Travessa do Tranco! - gritou ela para os gmeos que seguiam na 
diteo oposta.
        Harry, Rony e Hermione caminharam pela rua tortuosa, calada de pedras. 
A bolsa de ouro, prata e bronze que retinia alegremente no bolso de Harry estava
pedindo para ser gasta, de modo que ele comprou trs grandes sorvetes de morango 
e manteiga de amendoim, que os trs lamberam felizes enquanto subiam o beco, 
examinando
as vitrines fascinantes das lojas. Rony admirou, cobioso, um conjunto completo 
de vestes da grife
Chudley Cannon, na vitrine da Artigos de Qualidade para Quadribol,
at que Hemone puxou- os dois para irem comprar tinta e pergaminho na loja ao 
Lado. Na
Gambol & Japes - Jogos de Magia, eles encontraram Fred, Jorge e Lino Jordan,
que estavam fazendo um estoque de fogos de artifcio. Dr. Filisbuteiro, que 
disparavam molhados e, no aqueciam, e num brech cheio de varinhas quebradas, 
balanas
de lato empenadas e velhas capas manchadas de poes, os garotos deram de cara 
com Percy, profundamente absorto na leitura de um livro muito chato intitulado
Monitores-chefes que se tornaram poderosos.
        -        Um estudo dos monitores-chefes de Hogwarts e suas carreiras - 
leu Rony alto na quarta capa. - Parece fascinante...
        -Dem o fora - disse Percy com rispidez.
        -        E claro que ele  muito ambicioso, o Percy j planejou tudo... 
quer ser Ministro da Magia... - comentou Rony para
Ha.rry
        e Hermione em voz baixa quando deixaram o irmo sozinho.
        Uma hora depois eles rumaram para a Floreios e Borres. No eram de 
maneira alguma os nicos que se dirigiam  livraria. Ao se aproximarem, viram, 
para sua
surpresa, uma quantidade de gente que se acotovelava  porta da loja, tentando 
entrar. A razo disso estava anunciada em uma grande faixa estendida nas janelas 
do
primeiro andar.

GILDEROY LOCIKHART
autografa sua autobiografia
 O MEU EU MAGICO
hoje das 12:30h s 16:30h

        -        Vamos poder conhec-lo! - gritou Hetmione esganiada.
-        Quero dizer, ele  o autor de quase toda a nossa lista de livros!
        A aglomerao parecia ser formada, em sua maioria, por
        bruxas mais ou menos da idade da Sra. Weasley. Um bruxo de
        ar atarantado estava postado  porta, dizendo:
        -        Calma, por favor, minhas senhoras... No empurrem, isso... 
cuidado com os livros, agora...
        Harry, Rony e Hermione espremeram-se para entrar na loja. Uma longa fila 
serpeava at o fundo da loja, onde
Gilderoy Lockhart autografava seus livros. Cada
um dos meninos apanhou um exemplar de O livro padro dos feitios, 2
srie, e se enfiaram sorrateiros no inicio da fila onde j aguardavam os outros 
meninos com
o Sr. e a Sra. Weasley.
        -        Ah, chegaram, que bom! - disse a Sra. Weasley. Ela parecia 
ofegante e no parava de ajeitar os cabelos. - Vamos velo em um minuto...
        Aos poucos Gilderoy Lockhart se tornou visvel, sentado
        a uma mesa, cercado de grandes cartazes com o prprio rosto,
        todos piscando e exibindo dentes ofuscantes de to brancos.
        O verdadeiro Lockhart estava usando vestes azul-miostis que
        combinavam  perfeio com os seus olhos; seu chapu cnico
 de bruxo se encaixava em um ngulo pimpo sobre os cabelos
        ondulados.
        Um homenzinho irritadio danava  sua volta, tirando
fotos com uma mquina enorme que soltava baforadas de fumaa prpura a cada 
flash
enceguecedor.
        - Saia do caminho, voce ai - rosnou ele para Rony, recuando para se 
posicionar em um ngulo melhor. - Trabalho para
o Profeta Dirio.
        - Grande coisa - disse Rony, esfregando o p que o fotgrafo pisara.
        Gildetoy ouviu-o. Ergueu os olhos. Viu Rony - e em seguida viu Harry 
Potter. Encarou-o. Ento se levantou de um
salto e decididamente gritou:
        - No pode ser Harry Potter!
        A multido se dividiu, murmurando agitada; Lockhart adiantou-se, agarrou 
o brao de Harry e puxou-o para a frente. A multido prorrompeu em aplausos. A 
cara
de Harry estava em fogo quando Lockhart apertou sua mo para o fotgrafo, que 
batia fotos feito louco, dispersando fumaa sobre os Weasley.
        - D um belo sorriso, Harry - disse Lockhart por entre os dentes 
faiscantes. - Juntos, voc e eu valemos uma primeira
pgina.
        Quando ele finalmente soltou a mo de Harry, o garoto
no conseguia sentir os dedos. E tentou se esgueirar para junto
dos Weasley, mas Lockhart passou um brao pelos seus omros e segurou-o com 
firmeza ao seu lado.
        - Minhas senhoras e meus senhores - disse em voz alta, ao mesmo tempo 
que pedia silncio com um gesto. - Que fomento extraordinrio este! O momento 
perfeito
para anunciar uma novidade que estou guardando s para mim h algum empo!
        "Quando o jovem Harry entrou na Floreios e Borres hoje, s queria 
apenas comprar a minha autobiografia, com a qual
eu terei o prazer de presente-lo agora."
A multido tornou a aplaudir. "Ele no fazia idia, continuou Lockhart, dando 
uma
sacudidela em Harry que fez os culos do menino escorregarrem para a ponta do 
nariz, "que
em breve estaria recebendo muito, muito mais do que o meu livro O meu eu mgico. 
Ele e
seus colegas iro receber o meu eu mgico em carne e osso.
Sim, senhoras e senhores, tenho o grande prazer de anunciar que, em setembro 
prximo,
irei assumir a funo de professor de Defesa contra as Artes das Trevas na
Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!"
        A multido deu vivas e bateu palmas, e Harry se viu presenteado com as 
obras completas de
Gilderoy Lockhart. Cambaleando sob o peso dos livros, ele conseguiu
fugir das luzes da ribalta para a periferia do salo, onde Gina estava parada 
com o seu novo caldeiro.
        -        Fique com eles - murmurou Harry para a menina, virando os 
livros no caldeiro. - Eu vou comprar os meus...
        -        Aposto que voc adorou isso, no foi, Potter? - disse uma voz 
que Harry no teve problema em reconhecer. Ele endireitou o corpo e se viu cara 
a
cara com Draco Malfoy, que exibia o sorriso de desdm de sempre.
        "O Famoso Harry Potter", continuou Malfoy. "No consegue nem ir a uma
livraria sem parar na primeira pgina do
jornal."
        -        Deixe ele em paz, ele nem queria isso - disse Gina. Era a 
primeira vez que falava na frente de
Harry. E olhava feio para Malfoy.
        -        Potter, voc arranjou uma namorada! - disse Malfoy arrastando 
as slabas.
Gina ficou escarlate enquanto Rony e Hermione lutavam para chegar at
eles, sobraando pilhas de livros de Lockhart.
        -        Ah,  voc - exclamou Rony, olhando para Malfoy como se ele 
fosse uma coisa desagradvel, grudada na sola do sapato. - Aposto como ficou 
surpreso
de ver Harry aqui, hein?
        -        No to surpreso como estou de ver voc numa loja, Weasley - 
retrucou Malfoy. - Imagino que seus pais vo passar fome um ms para pagar todas 
essas
compras.
        Rony ficou to vermelho quanto Gina. Largou os livros
no caldeiro, tambm, e partiu para cima de Malfoy, mas Harry
e Hermione o agarraram pelo casaco.
        -        Rony! - chamou o Sr. Weasley, que procurava se aproximar com 
Fred e Jorge. - Que  que est fazendo? Est muito
 cheio aqui, vamos para fora.
        -        Ora, ora, ora, Arthur Weasley.
        Era o Sr. Malfoy. Estava parado com a mo no ombro de Draco, com um
sorriso de desdm igual ao do filho.
        -        Lcio - disse o Sr. Weasley, dando um frio aceno com a cabea.
        -        Muito trabalho no Ministrio, ouvi dizer - falou o Sr. Malfoy. 
- Todas aquelas
blitze... Espero que estejam lhe pagando hora extra!
        Ele meteu a mo no caldeiro de Gina e tirou, do meio dos livros de capa 
lustrosa de
Lockhart, um exemplar muito antigo e surrado de um Guia sobre
transfigurao para principiante.

        -         bvio que no - concluiu o Sr. Malfoy. - Ora veja, de que 
serve ser uma vergonha de bruxo se nem ao menos lhe pagam bem para isso?
        O Sr. Weasley corou com mais intensidade do que Rony e Gina.
        -        Ns temos idias muito diferentes do que  ser uma vergonha de 
bruxo, Malfoy.
        -        Visivelmente - disse o Sr. Malfoy, seus olhos claros desviando-
se para o Sr. e Sra. Granger, que observavam apreensivos. - As pessoas com quem 
voc
anda, Weasley... e pensei que sua famlia j tinha batido no fundo do poo...
        Ouviu-se uma pancada metlica quando o caldeiro de Gina saiu voando; o
Sr. Weasley se atirara sobre o Sr. Malfoy, derrubando-o contra uma prateleira. 
Dzias
de livros de soletrao despencaram com estrondo em sua cabea; ouviu-se um 
grito "Pega ele, papai" - dado por Fred e Jorge; a Sra. Weasley gritava "No, 
Atthur,
no"; a multido estourou, recuando e derrubando mais prateleiras.
        -        Senhores, por favor, por favor! - pedia o assistente, e, 
depois, mais alto que a algazarra reinante. - Vamos parar com isso, cavalheiros, 
vamos
parar com isso...
        Hagrid caminhava em direo aos dois atravessando um mar de livros. Num 
instante ele separou o Sr. Weasley e o Sr. Malfoy. O Sr. Weasley com o lbio 
cortado
e o Sr. Malfoy fora atingido no olho por uma Enciclopdia dos sapos. Ele ainda 
segurava o livro velho de
Gina sobre transfigurao. Atirou-o nela, os olhos brilhando
de malcia.
        -        Aqui, tome o seu livro,  o melhor que seu pai pode lhe  dar...
        E, desvencilhando-se da mo de Hagrid, chamou Draco e sairam da loja.
        - Voc devia ter fingido que ele no existia, Arthur - disse Hagrid, 
quase erguendo o Sr. Weasley do cho enquanto este endireitava as vestes. - 
Podre at
a alma, a famlia toda, todo mundo sabe disso. No vale a pena dar ouvidos a 
nenhum Malfoy. Sangue ruim,  o que . Vamos agora, vamos sair daqui.
        O assistente parecia querer impedi-los de sair, mas mal chegava  
cintura de
Hagrid e pareceu pensar duas vezes. Eles subiram apressados a rua, os Granger
tremendo de susto e a Sra. Weasley fora de si de fria.
        - Um ho exemplo para os seus filhos... saindo no tapa em
pblico... que que o Gilderoy Lockhart deve ter pensado...
        - Ele estava satisfeito - informou Fred. - Voc no ouviu o que ele 
disse quando estvamos saindo? Perguntou quele cara do Profeta Dirio se ele 
podia incluir
a briga na notcia, disse que tudo era publicidade.
        Mas foi um grupo mais sereno que voltou  lareira do Caldeiro Furado, 
de onde Harry, os Weasley e todas as compras iriam retornar  Toca, usando o P 
de
Flu. Eles se despediram dos Granger, que iriam atravessar o bar para chegar  
rua dos trouxas, do outro lado; o Sr. Weasley comeou a perguntar ao casal como 
funcionavam
os pontos de nibus, mas parou de repente ao vera olhar da Sra. Weasley.
        Harry tirou os culos e guardou-os bem seguros no bolso
antes de se servir do P de Flu. Decididamente no era o seu
meio de transporte favorito.

*****


- CAPTULO CINCO-
O salgueiro lutador


O        fim das frias de vero chegou muito depressa para o gosto de Harry. 
Ele estava ansioso para regressar a
Hogwarts, mas aquele ms na Toca fora o mais feliz
de sua vida. Era difcil no ter inveja de Rony quando pensava nos Dursley e no 
tipo de boas-vindas que poderia esperar na prxima vez que aparecesse na rua dos
Alfeneiros.
        Na ltima noite de frias, a Sra. Weasley fez aparecer um jantar 
suntuoso que incluiu todos os pratos favoritos de
Harry, terminando com um pudim caramelado
de dar gua na boca. Fred e Jorge encerraram a noite com uma queima de fogos 
Filibusteiro; encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que ricochetearam 
do 
teto para as paredes durante no mnimo uma hora. Ento chegou a hora da ltima 
caneca de chocolate quente e de ir para a cama.
        Eles demoraram para viajar na manh seguinte. Acordaiam ao nascer do 
sol, mas por alguma razo pareciam ter um bocado de coisas para fazer. A Sra. 
Weasley 
corria de um lado para outro mal-humorada, procurando meias desparelhadas e 
penas de escrever; as pessoas no paravam de dar encontroes nas escadas, meio 
vestidas, 
levando pedaos de torradas nas

mos; e o Sr Weasley quase quebrou o pescoo, ao tropear
em uma galinha solta quando atravessava o quintal carregando o malo de
Gina at o carro.
        Harry no conseguiu imaginar como  que oito pessoas 
seis males, duas corujas e um rato iam caber em um pequeno
Ford Anglia.  claro que ele no contara com os acessrios
especiais que o Sr. Weasley acrescentara.
        - Nem uma palavra a Moily - cochichou ele a Harry quando abriu a mala do 
carro e lhe mostrou como a aumentara por
artes mgicas para que a bagagem coubesse sem problemas.
        Quando finalmente todos tinham embarcado no carro, a Sra. Weasley olhou 
para o banco traseiro, onde
Harry, Rony, Fred, Jorge e Percy estavam sentados confortavelmente
lado a lado e disse:
        - Os trouxas sabem mais do que ns queremos reconhecer, no ? - Ela e
Gina entraram no banco dianteiro que fora aumentado de tal maneira que parecia 
um
banco de jardim pblico. - Quero dizer, olhando de fora, a pessoa nunca 
imaginaria como o carro  espaoso, no ?
        O Sr. Weasley ligou o motor e saiu do quintal, enquanto Harry se virava 
para trs para dar uma ltima olhada na casa. Mal teve tempo para pensar quando 
a
veria outra vez e j estavam de volta: Jorge esquecera a caixa de fogos 
Filibusteiro. Cinco minutos depois, tornaram a parar no quintal para Fred ir 
buscar depressa
sua vassoura. Tinham quase chegado  rodovia quando Gina gritou que deixara o 
dirio em casa. Na altura em que tornaram a embarcar no carro eles j estavam 
muito 
atrasados e muito mal-humorados.
        O Sr. Weasley olhou para o relgio e depois para a sua mulher.
        - Molly, querida...
- Nao, Artur.
        - Ningum veria. Esse botozinho aqui  um multiplicador de 
invisibilidade que instalei, isso nos
faria decolar e voar acima
das nuvens. Estaramos la em dez minutos e ningum saberia...
        -. Eu disse no, Arthur, no em plena luz do dia.
        Eles chegaram  estao de King's Cross s quinze para as
onze. O Sr. Weasley disparou at o outro lado da rua para buscar carrinhos para 
a bagagem e todos correram para a estao.
        Harry tomara o Expresso de Hogwarts no ano anterior. A
        parte complicada era chegar  plataforma nove e meia, que no
 era visvel aos olhos dos trouxas. O que a pessoa tinha que fazer
        era atravessar uma barreira slida que separava as plataformas
nove e dez. No machucava, mas tinha que ser feito com cautela, de modo que os 
trouxas no vissem a pessoa desaparecer.
        - Percy primeiro - disse a Sra. Weasley, consultando nervosa o relgio 
no alto, que indicava que tinham apenas cinco
minutos para desaparecer pela barreira sem ser vistos.
        Percy adiantou-se com passos firmes e desapareceu. O Sr.
Weasley o seguiu; depois Fred e Jorge.
        - Vou levar Gina e vocs dois venham logo atrs de ns - disse a Sra. 
Weasley a Harry e Rony, agarrando a mo de Guia e
se afastando. Num piscar de olhos as duas tinham desaparecido.
        -Vamos juntos, s temos um minuto - disse Rony a Harry. Harry verificou 
se a gaiola de Edwiges estava bem encaixada em cima do malo e virou o carrinho 
de
frente para a barreira. Sentia-se absolutamente confiante; isto no era nem de 
longe to desconfortvel quanto usar o P de Flu. Os dois se abaixaram sob a 
barra
dos carrinhos e avanaram decididos para a barreira, ganhando velocidade. Quando 
faltavam apenas poucos passos eles desataram a correr e...
TAPUM.
        Os dois carrinhos bateram na barreira e quicaram de volta; o malo de 
Rony caiu com estrondo, Harry foi derrubado, a gaiola de Edwiges saiu saltando 
pelo
cho encerado e ela rolou para fora, gritando indignada; as pessoas  volta 
olharam e um guarda prximo berrou:
        - Que diabo vocs acham que esto fazendo?
        - Perdi o controle do carrinho - ofegou Harry, apertando as costelas ao 
se
levantatrr. Rony teve que recolher Edwiges, a coruja fazia tanto escndalo que 
muitos
dos circunstantes resmungaram contra a crueldade para com os animais.
        - Por que no podemos atravessar? - sibilou Harry para Rony.
- No sei...
        Rony olhou desorientado para os lados. Uns dez curiosos
continuavam a observ-los.
        - Vamos perder o trem - cochichou Rony. - No entendo por que o porto 
se fechou...
        Harry olhou para o enorme relgio no alto com uma sensao
 ruim na boca do estmago. Dez segundos... nove segundos...
        Ele levou o carrinho  frente com cautela at encost-lo na barreira e 
empurrou-o com toda a fora. O metal continuou slido.
        -        Trs segundos... dois segundos... um segundo...
        -J foi - disse Rony, parecendo atordoado. - O trem foi embora. E se 
papai e mame no conseguirem voltar para ns?
Voc tem algum dinheiro de trouxas?
        Harry deu uma risada cavernosa.
        -        Os Dursley no me do dinheiro h uns seis anos.
        Rony encostou o ouvido na barreira fria.
        -        No ouo nada - informou tenso. - Que vamos fazer? No sei 
quanto tempo vai levar para mame e papai voltarem.
        Eles olharam para os lados. As pessoas continuavam a vigilos, 
principalmente por causa dos gritos de Edwiges que no
paravam.
        -        Acho que  melhor irmos esperar ao lado do carro - sugeriu 
Harry. - Estamos atraindo ateno
demamais...
        -        Harry! - exclamou Rony, com os olhos brilhando. - O carro!
        -        Que tem o carro?
        -        Podemos voar para Hogwarts no carro!
        -        Mas eu pensei...
        -        Estamos imobilizados, certo? E temos que voltar para a escola, 
no ? E at os bruxos de menor idade podem usar a magia quando h uma 
emergncia
grave, seo dezenove ou coisa assim da Lei de Restrio ao...
        -        Mas sua me e seu pai... - disse Harry, empurrando mais uma vez 
a barreira na esperana intil de que ela cedesse. - Como  que vo chegar em 
casa?
        -        Eles no precisam do carro! - disse Rony impaciente. - Eles 
sabem
aparatad Sabe, desaparecer aqui e reaparecer em casa! Eles s usam o P de Flu
e o carro porque somos todos menores e ainda no temos permisso para aparatar.
        A sensao de pnico de Harry de repente se transformou
em excitao.

        -        Voc sabe voar?
- No tem problema - disse Rony, virando o carrinho de
frente para a sada. - Anda, vamos. Se nos apressarmos poderemos seguir o 
Expresso de
Hogwarts.
        Passaram ento pela aglomerao de trouxas curiosos, saram da estao e 
voltaram  rua secundria onde ficara
estacionado o velho Ford Anglia.
        Rony destrancou a enorme mala do carro com vrios toques seguidos de 
varinha. Tornaram a carregar a bagagem na
mala, puseram Edwiges no banco traseiro e embarcaram.
        -        Veja se no tem ningum olhando - disse Rony, ligando
a ignio com outro toque de varinha. Harry meteu a cabea ara fora da janela: o 
trfego roncava
pela estrada principal adiante, mas a rua deles estava deserta.
        -        Tudo bem - falou.
        Rony apertou um botozinho prateado no painel. O carro em que estavam 
desapareceu - e eles tambm. Harry sentiu o
banco vibrar embaixo dele, ouviu o rudo
do motor, sentiu as maos em cima dos joelhos e os culos em cima do nariz, mas 
do que conseguia ver, virara um par de olhos que flutuavam
acima do cho, numa rua suja
cheia de carros estacionados.
        -        Vamos - disse a voz de Rony vindo da direita.
        E o cho e os edifcios sujos de cada lado se distanciaram e foram 
desaparecendo de vista,  medida que o carro decolava;
em segundos, Londres inteira estava
l embaixo, enfumaada e cintilante.
Ento ouviu-se um estampido e o carro, Harry e Rony apareceram.
        Ento ouviu-se um estampido e o carro, Harry e Rony
reapareceram.
        -        Epa - exclamou Rony, batendo no boto da invisibilidade.
- Est com defeito.
        Os dois socaram o boto. O carro desapareceu. E tornou
a reaparecer aos pouquinhos.
        -        Segure firme! - berrou Rony e pisou fundo no acelerador; eles 
dispararam em linha reta
para dentro de nuvens baixas e repolhudas e tudo ficou cinzento
e enevoado.
        -        E agora? - perguntou Harry, piscando diante da camada slida de 
nuvens que os comprimia de todos os lados.
        -        Temos que ver o trem para saber que direo vamos tomar - disse 
Rony.
        -        Mergulhe outra vez.., depressa.
Eles baixaram at ficar sob as nuvens e se viraram no banco,
tentando ver o solo.
- Estou vendo! - gritou Harry. - Bem na nossa frente, l.
        O Expresso de Hogwarts ia correndo embaixo deles como uma cobra 
vermelha.
        - Rumo norte - disse Rony, verificando a bssola no painel. - Tudo bem, 
s vamos precisar verificar de meia em meia hora mais ou menos, segure firme... 
-
E eles dispararam para o alto, furando as nuvens. Um minuto depois, saram numa 
camada banhada de sol.
        Era um mundo diferente. Os pneus do carro roavam de
        leve o mar de nuvens fofas, o cu um azul forte e infinito sob
        um sol claro de cegar
        - Agora s temos que nos preocupar com os avies - disse Rony.
        Eles se entreolharam e caram na gargalhada; durante algum tempo no 
conseguiram
parar.
        Era como se tivessem mergulhado num sonho fabuloso. Isto, pensou Harry, 
era sem dvida o nico modo de viajar - deixando para trs os redemoinhos e as 
torrinhas
de nuvens branqussimas, em um carro inundado pela Luz quente e clara do sol, 
com um pacoto de caramelos no porta-luvas, e a perspectiva de ver as caras 
invejosas
de Fred e Jorge quando eles aterrissassem, suave e espetacularmente, no vasto 
gramado diante do castelo de Hogwarts.
        Eles verificavam regularmente a posio do trem durante o vo que os 
levava cada vez mais para o norte e, em cada mergulho abaixo das nuvens, 
descortinavam
uma paisagem diferente. Londres no tardou a ficar muito para trs, substituida 
por campos verdes e geomtricos que, por sua vez, cederam lugar a grandes 
extenses
de terra roxa, pantanosa, uma metrpole que pululava de carros que lembravam 
formigas multicoloridas, cidadezinhas com igrejas de brinquedo.
        Vrias horas tranqilas depois, no entanto, Harry teve que admitir que o 
divertimento estava comeando a cansar. Os caramelos tinham deixado os dois 
cheios
de sede e no havia nada para beber. Ele e Rony tinham despido os suteres, mas 
a camiseta de Harry estava grudando no encosto do banco, e seus culos no 
paravam
de escorregar pela ponta do nariz suado. Ele deixara de reparar nas formas 
fantsticas das
nuvens
e agora pensava com saudades no trem, quilmetros abaixo,
        onde podia comprar suco de abbora bem gelado em um
car rinho empurrado por uma bruxa gorducha. Porque no tinham
        podido chegar  plataforma nove e meia?
        - No pode faltar muito mais, no ? - perguntou Rony rouco, horas 
depois, quando o sol comeou a afundar pelo
        cho de nuvens, fingindo-o de rosa forte.
        "Pronto para verificar outra vez a posio do trem?"
        O trem continuava embaixo deles, contornando uma montanha de pico 
nevado. Escurecera bastante sob a abbada de
nuvens.
        Rony pisou fundo no acelerador e fez o carro subir outra vez,
        mas ao fazer isto, o motor comeou a soltar um silvo agudo.
        Harry e Rony trocaram olhares apreensivos.
        - Provavelmente ele est cansado - disse Rony. - Nunca foi to longe 
antes...
        E os dois fingiram no notar o rudo que ficava cada vez mais forte,  
medida que o cu ia escurecendo cada vez mais. As estrelas espocavam na 
escurido.
Harry tornou a vestir o suter, tentando fingir que no via que os limpadores do 
prabrisa agora se moviam devagar, como se protestassem.
        - Falta pouco - disse Rony mais para o carro do que para Harry -, falta 
pouco agora - e deu umas palmadinhas nervosas no painel.
        Quando voltaram a voar sob as nuvens um pouco mais
        tarde, tiveram que apurar a vista na escurido para encontrar
        um marco que conhecessem.
        - Ali! gritou Harry, sobressaltando Rony e Edwiges. - Bem em frente!
        Recortado no horizonte escuro, no alto do penhasco sobre o lago, estavam 
as torres e torrinhas do castelo de Hogwarts.
        Mas o carro comeara a tremer e a perder velocidade.
        - Vamos - disse Rony em tom de quem quer adular, dando uma sacudidela no 
volante-, quase chegamos, vamos...
        O motor gemia. Finos penachos de fumaa saam por debaixo do cap. Harry 
viu-se agarrando as bordas do banco
        com toda fora ao voarem em direo ao lago.
        O carro deu um estremeo feio. Ao espiar pela janela, Harry viu a 
superficie lisa, escura e espelhada da gua, um quilmetro e meio abaixo. Os ns 
dos dedos 
de Rony estavam brancos de tanto apertar o volante. O carro estremeceu outra 
vez.
        - Vamos - murmurou Rony.
        Sobrevoaram o lago... o castelo estava bem a frente... Rony
apertou o acelerador.
        Ouviu-se uma batida metlica e alta, um engasgo e o motor morreu de vez.
        - Epa - exclamou Rony, em meio ao silncio.
        O nariz do carro afundou. Estavam caindo, ganhando velocidade, rumando 
direto para a parede macia do castelo.
        - Nao! - berrou Rony, dando um golpe de direo; erraram o escuro 
muro de pedra por centmetros, porque o carro descreveu um grande arco e voou 
sobre
as estufas s escuras, depois sobre a horta e depois sobre os gramados sombrios, 
perdendo altura todo o tempo.
        Rony largou de vez o volante e puxou a varinha do bolso
traseiro.
        - PARE! PARE! - berrou, golpeando o painel e o prabrisa, mas eles 
continuaram a mergulhar, o cho voando ao
seu encontro...
        - CUIDADO COM AQUELA RVORE! - urrou Harry, atirando-se sobre o volante, 
mas tarde demais...
        CREQUE.
        Com um estrondo de ensurdecer, de metal batendo em madeira, eles 
colidiram com um tronco avantajado e despencaram no
cho com um baque forte. O vapor que
saa por baixo do cap amassado formava nuvens enormes. Edxviges guinchava de 
terror; um galo do tamanho de uma bola de golfe latejou na cabea de Harry onde 
ele
batera no pra-brisa e,  sua direita, Rony deixou escapar um gemido baixo e 
desesperado.
        - Voc est bem? - perguntou Harry com urgncia na voz.
        - Minha varinha - respondeu Rony com a voz trmula. - Olhe a minha 
varinha.
        Ela quase se partira em duas; a ponta balanava inerte,
segura apenas por meia dzia de farpas de madeira.
        Harry abriu a boca para dizer que tinha certeza de que poderiam 
consert-la na escola, mas nem chegou a falar. Naquele mesmssimo instante, 
alguma coisa
bateu na lateral do carro com a fora de um touro furioso, atirando harry contra
        Rony, ao mesmo tempo que outra pancada igualmente pesada atingia o teto.
        - Que est acontecen... - exclamou Rony, arregalando os olhos para o 
pra-brisa, enquanto
harry virava a cabea em tempo dever um galho grosso como uma
jibia que o amassava. A rvore em que tinham batido atacava os dois. Curvara o 
tronco quase ao meio e seus ramos nodosos socavam cada centmetro do carro que 
conseguiam
alcanar.
        "Caracas!", exclamou Rony quando outro ramo retorcido fez uma grande
mossa na porta do lado dele; o pra-brisa agora vibrava sob uma sataivada de 
golpes
aplicados por galhinhos em forma de ns, e um galho grosso como um arete socava 
furiosamente o teto, que parecia estar afundando...
        "Se manda!", gritou Rony, atirando todo o peso contra a
porta, mas no segundo seguinte ele era empurrado de volta contra
o colo de Harry por um direto no queixo dado por outro galho.
        "Estamos perdidos!", gemeu ele quando o teto afundou,
mas de repente o fundo do carro comeou a vibrar - o motor
pegara outra vez.
        - D marcha a r  - berrou Harry, e o carro disparou para trs; a rvore 
continuava a tentar atingi-los; ouviam as razes rangerem como se se rasgassem,
tentando golpe-los enquanto se afastavam dela a toda.
        - Essa - ofegou Rony - foi por pouco. Muito bem, carro.
        O carro, porm, chegara ao limite de suas foras. Com dois fortes 
trancos, as portas se escancararam e Harry sentiu o banco deslizar para um lado. 
No momento
seguinte ele se viu estatelado no cho timido. Pancadas fortes lhe informaram 
que o carro estava ejetando a bagagem deles da mala; a gaiola de Edwiges voou 
pelos
ares e se abriu; ela soltou um guincho raivoso e voou veloz para o castelo, sem 
nem ao menos olhar para trs. Ento, amassado, arranhado e fumegando o carro 
saiu
roncando pela escurido, as lanternas traseiras brilhando com raiva.
        - Volte aqui! - gritou Rony para o carro, brandindo a varinha partida. - 
Papai vai me matar!
        Mas o carro desapareceu de vista com uma ltima gargalhada do cano de 
descarga.
        - D para acreditar na nossa sorte? - disse Rony infeliz,
abaixando-se para recolher Perebas. - De todas as rvores em
que podamos ter batido, tnhamos que bater nessa que revida?
        Ele espiou por cima do ombro a velha rvore, que continuava a agitar os 
ramos ameaadoramente.
        - Vamos - disse harry cansado -,  melhor irmos logo para a escola...
        No se pareceu nada com a chegada triunfal que eles tinham imaginado. Os 
msculos duros, enregelados e contundidos, os dois apanharam as alas dos males
e comearam a arrast-los pela encosta gramada acima, em direo  imponente 
porta de entrada de carvalho.
        - Acho que a festa j comeou - comentou Rony, largando a mala ao p dos 
degraus da entrada e indo espiar silenciosamente
por uma janela iluminada. - Ei, Harry vem ver,  a Seleo!
        Harry correu  janela e juntos, ele e Rony contemplaram o
Salo Principal.
        Uma quantidade de velas pairava no ar sobre as quatro mesas compridas e 
lotadas, fazendo os pratos e taas de ouro faiscarem. No alto, o teto encantado,
que sempre refletia o cu l fora, pontilhado de estrelas.
        Em meio  floresta de chapus cnicos de Hogwarts, Harry viu uma longa 
fila de principiantes de cara assustada entrar no
Salo. Gina estava entre eles, facilmente
identificvel pelos cabelos da famlia Weasley, muito vvidos. Entrementes a 
Prof.
McGonagall, uma bruxa de culos que usava os cabelos presos em um coque, estava
colocando o famoso Chapu Seletor sobre um banquinho diante dos recm-chegados.
        Todo ano, aquele chapu antigo, remendado, esfiapado e sujo, selecionava 
os novos alunos para as quatro casas de Hogwarts
(Grifinria, Lufa-Lufa, Corvinal
e Sonserina). Harry lembrava-se bem da noite em que o colocara na cabea, 
exatamente h um ano, e
esperara, petrificado, a deciso do chapu que murmurava audivelmente
em seu ouvido. Por alguns segundos terrveis ele receara que o chapu fosse 
coloc-lo na
 Sonserina, a casa de onde saa um nmero maior de bruxos e bruxas das trevas
do que de qualquer outra - mas ele acabara indo para a Grifinria, junto com 
Rony,
hermione e o resto dos Weasley. No ltimo trimestre letivo, Harry e Rony tinham
        ajudado a Grifinria a ganhar o Campeonato das Casas, vencendo Sonserina 
pela primeira vez em sete anos.
        Um garoto muito pequeno, de cabelos castanho-acinzetados
 foi chamado para colocar o chapeu na cabea. O olhar
de Harry passou por ele e foi pousar no lugar em que Dumbledore, o diretor, 
assistia  cerimnia sentado  mesa dos funcionrios, sua longa barba prateada e 
os 
culos
de meia-lua brilhando  luz das velas. Vrios lugares adiante, Harry viu
Gilderoy Lockhart, com suas vestes azuis. E l na ponta sentava-se Hagrid, 
enorme e peludo,
bebendo grandes goles de sua taa.
        - Espere a... - cochichou           Harry para Rony. - H uma cadeira 
vaga na mesa dos funcionrios... Onde est o
Snape?
        Severo Snape era o professor de que Harry menos gostava. Por acaso Harry 
era o aluno de quem Snape menos gostava tambm. Cruel, irnico e detestado por 
todo
mundo, exceto pelos alunos de sua prpria casa (Sonserina), Snape ensinava 
Poes.
        -        Vai ver ele est doente! - disse Rony esperanoso.
        -        Vai ver elejoi embora - disse Harry -, porque no conseguiu o 
lugar de professor de Defesa contra as Artes das Trevas
outra vez!
        -        Ou vai ver foi despedido! - disse Rony entusiasmado. - Quero 
dizer, todo mundo o detesta...
        -        Ou vai ver - disse uma voz muito seca atrs deles - est 
esperando para saber por que vocs dois no chegaram no
        trem da escola.
        Harry virou-se depressa. Ali, as vestes negras ondeando  brisa gelada, 
achava-se parado Severo Snape. Era um homem magro, com a pele macilenta, um 
nariz
curvo e cabelos negros e oleosos at os ombros e, naquele momento, sorria de um 
jeito que dizia a Harry e Rony que eles estavam numa baita encrenca.
        -        Me acompanhem - disse Snape.
        Sem nem ousarem se entreolhar, Harry e Rony seguiram Snape pela escada e 
entraram no enorme saguo cheio de ecos, iluminado por tochas. Um cheiro 
delicioso
de comida vinha do Salo Principal, mas Snape os levou para longe do calor e da 
luz e desceu uma estreita escada de pedra que levava s masmorras.
        -        Para dentro! - disse ele, indicando a porta que abrira no 
corredor frio.
        Eles entraram na sala de Snape, trmulos. As paredes sombrias estavam 
cobertas de prateleiras com grandes frascos, em
        que flutuava todo tipo de coisa nojenta de que, naquele
momento, Harry nem queria saber o nome. A lareira estava apagada e vazia. Snape 
fechou a porta e virou-se
para encar-los.
        -        Ento - disse com suavidade - o trem no  bastante bom paa o 
famoso Harry Potter e seu leal escudeiro Weasley.
Queriam chegar acontecendo, no foi, rapazes?
        -        No, senhor, foi a barreira na estao de King s Cross, ela...
        -        Silncio - disse Snape secamente. - Que foi que fizeram com o 
carro?
        Rony engoliu em seco. No era a primeira vez que Snape dava a Harry a 
impresso de ser capaz de ler pensamentos. Mas um momento depois, ele 
compreendeu,
quando Snape desdobrou o Profeta Vespertino daquele dia.
        -        Vocs foram vistos - sibilou o professor, mostrando a manchete: 
FORD ANGLIA VOADOR INTRIGA TROUXAS. E comeou a ler em voz alta: - "Dois trouxas
em Londres, convencidos de terem visto um velho carro sobrevoar a torre dos 
Correios... ao meio-dia em
Norfolk, a Sra. Hetty Bayliss, quando pendurava roupa para
secar... O Sr. Angus Fleet, de Peebles, comunicou  policia..." Um total de seis 
ou sete trouxas.
 Acredito que o seu pai trabalha no departamento que cobe o mau uso de 
artefatos dos trouxas?
 - perguntou ele, erguendo os olhos para Rony com um sorriso ainda mais 
desagradvel. -
Tsk, tsk, tsk... o prprio filho dele...
        Harry teve a sensao de que acabara de levar um direto no estmago, 
aplicado por um dos ramos mais parrudos da rvore maluca. Se algum descobrisse 
que
o Sr. Weasley havia enfeitiado o carro... no tinha pensado nisso...
        -        Reparei na minha busca pelo parque que houve considervel dano 
a um salgueiro lutador muito valioso - continuou Snape.
        -        Aquela rvore causou mais dano a ns do que ns a... - deixou 
escapar Rony.
        -        Silncio! - disse Snape outra vez. - Infelizmente vocs no 
fazem parte da minha Casa, e a deciso de expuls-los no cabe a mim. Vou buscar 
as 
pessoas
que tm este prazeroso poder. Esperem aqui.
        Harry e Rony se entreolharam plidos. Harry no sentia
 mais fome. Sentia-se extremamente enjoado. Tentou no olhar
para uma coisa grande e pegajosa que estava suspensa em um
liquido verde, em uma prateleira atrs da escrivaninha de Snape.
Se Snape tivesse ido buscar a Profa. McGonagall, diretora da
Casa Grifinria, eles tampouco estariam em melhor situao.
Poderia ser mais justa do que Snape, mas era rigorosssima. Dez minutos depois, 
Snape voltou e no deu outra, era a
Profa. McGonagall que o acompanhava. Harry j a vira vrias vezes, mas ou se 
esquecera como a boca da professora ficava contrada, ou nunca a vira zangada 
antes.
Ela ergueu a varinha no momento em que entrou. Os dois, Harry e Rony se 
encolheram, mas ela meramente a apontou para a lareira apagada, onde as chamas 
irromperam 
instantaneamente.
        - Sentem-se - disse, e os dois recuaram e se sentaram em cadeiras junto 
 lareira.
        - Expliquem-se - disse, os culos brilhando agourentos.
        Rony saiu contando a histria a comear pela barreira da
estao que se recusara a deix-los passar.
        - ... entao no tivemos outra escolha, professora, no podamos embarcar 
no trem.
        - Por que no nos mandaram uma carta por coruja? Creio que
voc tem uma coruja? - disse a Profa. McGonagall, olhando
para Harry com frieza.
        Harry ficou boquiaberto. Agora que ela dissera, parecia a
coisa bvia para ter sido feita.
        - Eu... no pensei...
        - Isto - tornou a professora -  bvio.
        Ouviu-se uma batida na porta da sala, e Snape, agora com a cara mais 
feliz que nunca, abriu-a. Parado  porta achava-se
o diretor, o Prof. Dumbledore.
        O corpo de Harry inteiro ficou insensvel. Dumbledore parecia 
anormalmente srio. Olhou por cima daquele nariz curvo dele, e Harry, 
subitamente, viu-se
desejando
que ele e Rony ainda estivessem apanhando do salgueiro lutador.
        Fez-se um longo silncio. Ento Dumbledore disse:
        - Por favor, expliquem por que fizeram isso.
        Teria sido melhor se tivesse gritado. Harry detestou o desapontamento 
que havia na voz dele. Por alguma razo, no conseguiu encarar
Dumbledore nos olhos
e, em vez disso, falou para os prprios joelhos. Contou a Dumbledore tudo, 
exceto
que o Sr. Weasley era o dono do carro enfeitiado, fazendo parecer que ele e 
Rony tinham encontrado o carro voador estacionado do lado de fora da estao, 
por acaso.
Ele sabia que Dumbledore perceberia a coisa na mesma hora, mas o diretor no fez 
perguntas sobre o carro. Quando Harry terminou, ele apenas continuou a observ-
los
atravs dos culos de meia-lua.
        -        Vamos buscar as nossas coisas - disse Rony com a desesperana 
na voz.
        -        De que  que est falando, Weasley? - vociferou a
Profa. McGonagall.
        -        Bem, os senhores vo nos expulsar, no ? - disse Rony.
        Harry olhou rapidamente para Dumbledore.
        -        Hoje no, Sr. Weasley - disse Dumbledore. - Mas preciso incutir 
em vocs a gravidade do que fizeram. Vou escrever s duas famlias hoje  noite.
Devo tambm preveni-los de que se fizerem isto de novo, no terei escolha se no 
expulsar os dois.
        Snape fez cara de quem acaba de ouvir que o Natal foi
cancelado. Pigarreou e disse:
        -        Prof. Dumbledore, esses garotos zombaram da lei que restringe o 
uso de magia por menores, causaram srios danos a
uma rvore antiga e valiosa.., com certeza atos desta natureza...
        -        A Proaf. McGonagall e quem decidira sobre  castigo dos 
meninos, Severo - disse
Dumbledore calmamente. - Fazem parte da Casa dela e portanto so
responsabilidade dela. - E se virou para a professora: - Preciso voltar para a 
festa, Minerva, tenho que dar alguns avisos. Vamos, Severo, tem uma torta de 
abbora
deliciosa que quero provar.
        Snape lanou um olhar de puro veneno a Harry e Rony ao
se deixar levar embora da sala, deixando-os sozinhos com a Profa.
McGonagall, que ainda os observava como uma guia atenta.
        -         melhor ir  ala hospitalar, Weasley, voc est sangrando.
        -        No  nada demais - disse Rony, limpando depressa com a manga o 
corte sobre o olho. - Professora, eu queria ver a
minha irm ser selecionada...
        -        A cerimnia da Seleo j terminou - respondeu ela. - Sua irm 
tambm ficou na
Grifinria.
        -        Ah, que bom.
 - E por falar na Grifinria... - disse McGonagall muito
rspida, mas Harry a interrompeu.
        -        Professora, quando apanhamos o carro, o ano letivo no tinha 
comeado, por isso... por isso
Grifinria no deve
perder pontos, deve? - terminou ele, observando-a ansioso.
        A Profa.' McGonagall lanou-lhe um olhar penetrante
        ele teve certeza de que ela quase sorrira. Pelo menos
        ficara menos contrada.
        - No vou tirar pontos da Grifinria - e Harry sentiu o cho muito mais 
leve. - Mas os dois vo receber uma
deteno.
        Foi melhor do que Harry esperara. Quanto a Dumbledore escrever aos
Dursley, isso no era nada. Harry sabia perfeitamente que eles s iriam ficar 
desapontados que
o salgueiro lutador no o tivesse achatado de vez.
        A Profa.' McGonagall ergueu novamente a varinha e apontou-a para a 
escrivaninha de Snape. Um grande prato de
sanduiches, duas taas de prata e uma jarra de suco
de abbora gelado apareceram com um estalo.
        -        Voces vao comer aqui e depois vao direto para o dormitrio - 
disse ela. - Eu tambm preciso voltar  festa.
        Quando a porta se fechou, Rony deixou escapar um
assobio baixo e longo.
        -        Achei que estvamos ferrados - disse ele, agarrando o 
sanduche.
        -        Eu tambm - disse Harry, servindo-se.
        -        Mas d para acreditar na nossa falta de sorte? - perguntou Rony 
com a voz pastosa porque tinha a boca cheia de galinha e presunto. - Fred e 
Jorge
devem ter voado naquele carro umas cinco ou seis vezes e nunca nenhum trouxa viu 
os dois. - Ele engoliu e deu outra grande dentada. - Por que no conseguimos 
atravessar
a barreira?
        Harry sacudiu os ombros.
        -        Mas vamos ter que nos cuidar daqui para a frente - disse, 
tomando um grande gole do suco de abbora, cheio de
        gratido. - Gostaria de termos podido ir  festa...
        -        Ela no queria que fssemos nos exibir - disse Rony 
ajuizadamente. - No quer que as pessoas pensem que somos
        sabidos, porque chegamos de carro voador.
        Quando acabaram de comer tudo o que puderam (o prato
        sempre tornava a se encher sozinho) eles se levantaram e
deixaram a sala, tomando o caminho familiar para a Torre da Grifinria. O 
castelo estava silencioso; parecia que a festa havia acabado. Os dois passaram 
pelos quadros
que resmungavam e as armaduras que rangiam e subiram a estreita escada de pedra, 
at chegarem, finalmente,  passagem onde se escondia a entrada secreta para
a Grifinria,
atrs do retrato a leo de uma mulher muito gorda, de vestido de seda rosa.
        -        Senha? - perguntou ela quando os dois se aproximaram.
        -        ... murmurou Harry.
        Eles no sabiam a senha do novo ano, ainda no tinham encontrado o 
monitor da Grifinria, mas o socorro chegou quase imediatamente; ouviram um 
tropel de
passos s costas e quando se viraram deram com Hermione que corria ao
encontro deles.
        -A esto vocs! Onde se meteram? Os boatos mais ridculos... algum 
disse que vocs foram expulsos por terem batido
com um carro voador.
        -        Bem, no fomos expulsos - garantiu-lhe Harry.
        -        Vocs no vo me dizer que realmente chegaram aqui voando? - 
disse Hermione, em tom quase to severo quanto o
da Profa.' McGonagall.
        -        Pode poupar o sermo - disse Rony impaciente - e nos dizer qual 
 a nova senha.
        -         "maarico - respondeu Hermione impaciente -, mas nao  isto 
que est em questao...
        Suas palavras, porm, foram interrompidas, pois o retrato da mulher 
gorda se abriu em meio a uma repentina tempestade de aplausos. Parecia que todos 
os alunos
da Grifinria ainda estavam acordados, espremidos na sala comunal redonda, 
trepados nas mesas fora de esquadro e nas poltronas que afundavam, esperando os 
dois 
chegarem.
Braos passaram pela abertura do retrato para puxar Harry e Rony para dentro, 
deixando Hermione subir depois e sozinha.
        -        Genial! - berrou Lino Jordan. - Um achado! Que entrada! 
Aterrissar um carro voador no salgueiro lutador, vo comentar isso durante anos!
        "Parabns", disse um quintanista com que Harry nunca
falara antes; algum dava palmadinhas em suas costas como se
ele tivesse acabado de ganhar uma maratona; Fred eJorge abriram caminho por 
entre os colegas aglomerados e perguntaram ao mesmo tempo:
        - Por que no viemos no carro, hem? Rony estava com a cara vermelha e 
sorria constrangido, mas Harry acabava de ver uma pessoa que no parecia nada 
feliz.
Percy era visvel por cima das cabeas de uns alunos de primeira srie animados, 
e parecia estar querendo se aproximar o suficiente para comear a ralhar com 
eles.
Harry cutucou Rony nas costelas e fez sinal em direo a Percy. Rony entendeu na 
mesma hora.
        - Temos que subir... um pouco cansados - disse ele e os dois comearam a 
abrir caminho em direo  porta do lado
oposto da sala, que levava  escada circular e aos dormitrios.
        - Noite - Harry falou por cima do ombro para Hermione, que estava com 
uma cara to feia quanto
Percy.
        Os garotos conseguiram chegar ao outro lado da sala comunal, ainda 
recebendo palmadinhas nas costas, e alcanaram a paz das escadas. Subiram a 
escada correndo,
direto para cima e, finalmente, chegaram  porta do antigo dormitrio, que agora 
tinha um letreiro que dizia ALUNOS DE SEGUNDA SRIE. Entraram no quarto circular
que j conheciam, com camas de quatro colunas e cortinas de veludo vermelho, e 
suas janelas altas e estreitas. Seus males tinham sido trazidos at o quarto e 
colocados
aos ps das camas.
        Rony sorriu com ar de culpa para Harry.
        - Sei que no devia ter ccurtido isso nem nada, mas...
        A porta do dormitrio se escancarou e por ela entraram os outros 
segundanistas da
Grifinria, Simas Finnigan, Dino
Thomas e Nevifle Longbottom.
        - Inacreditvel!- exclamou Simas radiante.
        - Legal - disse Dino.
        - Um assombro! - acrescentou Neville atnito.
        Harry no conseguiu se controlar Sorriu tambm.


*****


- CAPTULO SEIS -

Gilderoy Lockhart

No dia seguinte, porm, Harry mal conseguiu sorrir. As coisas comearam a rolar 
morro abaixo desde o caf da manha no Salo Principal. As quatro mesas 
compridas,
cada uma de uma casa, estavam cobertas de terrinas de mmgau de aveia, travessas 
de peixe defumado, montanhas de torradas e pratos com ovos e bacon, sob o ceu 
encantado
(hoje, toldado por nuvens cinzentas). Harry e Rony sentaram-se  mesa da 
Grifinria ao lado de Hermione, que tinha um exemplar de Viagens com vampiros, 
aberto, e
apoiado numa jarra de leite. Havia uma certa formalidade na maneira como ela deu 
"Bom-dia", o que informou a Harry que ela continuava a desaprovar a maneira como
os garotos tinham chegado. Neville Longbottom, por outro lado, cumprimentou-os 
animado. Neville era um menino de rosto redondo e dado a acidentes, com a pior 
memria
que Harry j vira em algum.
        -        O correio deve chegar a qualquer momento, acho que vov vai me 
mandar umas coisas que esqueci.
        Harry mal tinha comeado a comer o mingau quando, a confirmar o 
comentrio, ouviu-se um rumorejo de asas, no alto, e uma centena de corujas 
entrou, descrevendo
crculos pelo salo e deixando cair cartas e pacotes entre os alunos que 
tagarelavam. Um grande embrulho disforme bateu na cabea de
Neville, um segundo depois,
alguma coisa grande e  cinzenta caiu na jarra de Hermione, salpicando todo mundo 
com
leite e penas.
        - Errol!- exclamou Rony, puxando pelos ps a coruja molhada para fora da 
jarra. Errol caiu, desmaiada, em
cima da mesa, as pernas para cima e um envelope
vermelho e mido no bico.
        "Ah, no...", exclamou Rony.
        - Tudo bem, ele ainda est vivo - disse Hermione, cutucando Errol 
devagarinho com a ponta do dedo.
        -No  isso,  isto.
        Rony estava apontando para o envelope vermelho. Parecia
um envelope comum para Harry, mas Rony e Neville olharam
para ele como se fosse explodir.
        - Que foi? - perguntou Harry.
        - Ela... ela me mandou um "berrador" - disse Rony baixinho.
        -  melhor abrir, Rony - sugeriu Neville com um sussurro timido. - Vai 
ser pior se voce no abrir. Minha av um dia me mandou um e eu no dei ateno - 
ele
engoliu em seco -, foi horrvel.
        Harry olhava dos rostos paralisados dos amigos para o envelope vermelho.
        - Que  um berrador? - perguntou.
        Mas toda a ateno de Rony estava fixa na carta, que comeara a fumegar 
nos cantos.
- Abra - insistiu Neville. - Termina em poucos minutos... Rony estendeu a mo 
trmula, tirou o envelope do bico de
Errol e abriu-o. Neville enfiou os dedos nos ouvidos. Uma frao de segundo 
depois, Harry descobriu o porqu. Pensou por um instante que o envelope
explodira; um
estrondo encheu o enorme salo, sacudindo a poeira do teto.
    .. ROUBAR O CARRO, EU NO TERIA ME SURPREENDIDO SE O TIVESSEM EXPULSADO, 
ESPERE
ATE EU PR AS MOS EM VOC, SUPONHO QUE NO
PAROU PARA PENSAR NO QUE SEUPAI E EU PASSAMOS pUANDO VIMOS QUE O CARRO TINHA 
DESAPARECIDO..."
Os berros da Sra. Weasley, cem vezes mais altos do que de
costume, fizeram os pratos e talheres se entrechocarem na mesa
e produziram um eco ensurdecedor nas paredes de pedra. As
pessoas por todo o salo se viravam para ver quem recebera o
        berrador, e Rony afundou tanto na cadeira que s deixara a
        testa vermelha visvel.
         ..A CARTA DE DUMBLEDORE  NOITE PASSADA, PENSEI,QUE SEU PAI IA MORRER 
DE VERGONHA, NO O EDUCAMOS PARA SE COMPORTAR ASSIM, VOC E HARRY
PODIAM TER MORRIDO..."
        Harry estava imaginando quando  que seu nome iria aparecer. Fez muita 
fora para fingir que no estava escutando a
        voz que fazia seus tmpanos latejarem.
        ". ABSOLUTAMENTE DESGOSTOSA, SEU PAI ESTA
ENFRENTANDO UM INQURITO NO TRABALHO, E  TUDO
CULPA SUA, E, SE VOC SAIR UM DEDINHO
DA UNHA, VAMOS TRAZ-LO DIRETO PARA CASA."
        Seguiu-se um silncio que chegou a ecoar. O envelope vermelho, que cara 
das mos de Rony, pegou fogo e
encrespou-se em cinzas. Harry e Rony ficaram aturdidos,
como se uma onda gigantesca tivesse acabado de passar por cima deles. Algumas 
pessoas riram e, aos poucos, a balbrdia da conversa recomeou.
        Hermione fechou o Viagens com vampiros e olhou para o
        cocuruto da cabea de Rony.
        - Bem, no sei o que  que voc esperava, Rony, mas voc...
        - No me diga que mereci - retrucou Rony com rispidez.
        Harry empurrou o prato de mingau. Suas entranhas queimavam de remorso. O
Sr. Weasley estava enfrentando um inqurito no trabalho. Depois de tudo que o
Sr. e a Sra. Weasley tinham feito por ele durante o verao...
        Mas no teve muito tempo para pensar nisso; a Profa. McGonagall vinha 
passando pela mesa da
Grifinria, distribuindo os horrios dos cursos. Harry recebeu
o dele e viu que a primeira aula era uma aula dupla de Herbologia, com os alunos 
da Lufa-Lufa.
        Harry, Rony e Hermione deixaram o castelo juntos, atravessaram a horta e 
rumaram para as estufas, onde as plantas
        mgicas eram cultivadas. Pelo menos o berrador fizera uma
 coisa boa: Hermione parecia achar que tinham sido suficientemente castigados e 
voltara a ser absolutamente simptica.
        Ao se aproximarem das estufas viram o resto da classe em p, do lado de 
fora, esperando a
Prof. Sprout. Harry, Rony e Hermione tinham acabado de se reunir
 turma quando a professora surgiu caminhando pelo gramado, acompanhada de
Gilderoy Lockhart. Ela trazia os braos carregados de bandagens, e, com outro 
aperto de
remorso, Harry viu o salgueiro lutador ao longe, com vrios ramos em tipias.
        A Profa. Sptout era uma bruxinha atarracada que usava um chapu 
remendado sobre os cabelos soltos; geralmente tinha uma grande quantidade de 
terra nas roupas,
e suas unhas teriam feito tia Petnia desmaiar. Gilderoy Lockhart, ao contrario, 
estava imaculado em suas espetaculares vestes azul-turquesa, os cabelos dourados
brilhando sob um chapu tambm turquesa, com galo dourado e perfeitamente 
assentado na cabea.
        - Ah, al pessoal! - cumprimentou ele, sorrindo para os
alunos reunidos. - Acabei de mostrar  Profa. Sprout a maneira
certa de cuidar de um salgueiro lutador! Mas no quero que
vocs fiquem com a idia de que sou melhor do que ela em
Herbologia! Por acaso encontrei vrias dessas plantas exticas
nas minhas viagens...
        - Estufa trs hoje, rapazes! - disse a Profa. Sprout, que tinha um ar 
visivelmente contrariado, bem diferente de sua
habitual expresso animada.
     Houve um murmrio de interesse. At ento, s tinham
estudado na estufa nmero um - a estufa trs guardava plantas muito mais 
interessantes e perigosas. A
Profa. Sprout tirou
uma chave enorme do cinto e destrancou a porta. Harry sentiu
um cheiro de terra molhada e fertilizante mesclados ao perfume
pesado de umas flores enormes, do tamanho de sombrinhas
que pendiam do teto. Ia entrar em seguida a Rony e Hermione
na estufa quando Lockhart estendeu a mao.
        Harry! Estou querendo dar uma palavra.., a senhora no se
importa
se ele se atrasar uns minutinhos, no , Profa' Sprout?
        A julgar pela cara de desagrado da professora, ela se importava sim, mas 
Lockhart disse:
        -  isso ai - e fechou a porta da estufa na cara dela.
        - Harry - disse Lockhart, os dentes brancos faiscando ao sol  quando 
ele balanou a cabea. - Harry, Harry, Harry.
        Completamente estupefato, harry ficou calado.
        - Quando ouvi, bem,  claro que foi tudo minha culpa. Tive vontade de me 
chutar.
        Harry no fazia idia do que  que o professor estava falando. Ia dizer 
isso quando
Lockhart acrescentou:
        - Nunca fiquei to chocado em minha vida. Chegar a Hogwarts num carro 
voador! Bem,  claro, entendi na mesma
hora por que voc fez isso. Estava na cara. Harry, Harry, Harry.
        Era incrvel como  que ele conseguia mostrar cada um
daqueles dentes brilhantes at quando no estava falando.
        - Teve uma provinha de publicidade, no foi? - disse Lockhart. - Ficou 
mordido. Esteve na primeira pgina comigo e
no pde esperar para repetir o feito.
        -Ah, no, Professor, sabe...
        - Harry, Harry, Harry - disse Lockhart, segurando-o pelo ombro. - Eu 
compreendo.
 natural querer mais depois de provar uma vez, e eu me culpo por ter-lhe
dado a oportunidade, porque a coisa no podia deixar de lhe subir  cabea, mas 
olhe aqui, rapaz, voc no pode comear a voar em carros para tentar chamar 
ateno
para a sua pessoa.  bom se acalmar, est bem? Tem muito tempo para isso quando 
for mais velho. E, , sei o que est pensando! "Tudo bem para ele, j  um bruxo
internacionalmente conhecido!" Mas quando eu tinha doze anos, era um joo-
ningum como voc  agora. Diria at que era mais joo-ningum! Quero dizer, 
algumas pessoas
j ouviram falar de voc, no  mesmo? Todo aquele episdio com Ele-Que-No-
Deve-Ser-Nomeado! - Ele olhou para a cicatriz em forma de raio na testa de 
Harry. - Eu
sei, eu sei, no  to bom quanto ganhar o Prmio do Sorriso mais Atraente do 
Semanrio dos Bruxos cinco vezes seguidas, como eu, mas  um comeo, Harry,  um 
comeo.
        Ele deu uma piscadela cordial a Harry e foi-se embora a passos largos. 
Harry continuou aturdido por alguns segundos, depois, lembrando-se de que devia 
estar
na estufa, abriu a porta e entrou sem chamar ateno.
        A Profa. Sprout estava parada atrs de uma mesa de cavalete
no centro da estufa. Havia uns vinte pares de abafadores de
ouvidos de cores diferentes arrumados sobre a mesa. Quando
harry tomou seu lugar entre Rony e Hetmione, a professora disse:
        - Vamos reenvasar mandrgoras hoje. Agora, quem  que sabe me dizer as 
propriedades da mandrgora?
        Ningum se surpreendeu quando a mo de Hermione foi
a primeira a se levantar.
        - A mandrgora  um tnico reconstituinte muito forte - disse Hermione, 
parecendo, como sempre, que engolira o livro-texto. -  usada para trazer de 
volta
as pessoas que foram transformadas ou foram enfeitiadas no seu estado natural.
        - Excelente. Dez pontos para a Grifinria - disse a Prof. Sprout. - A 
mandrgora  parte essencial da maioria dos antdotos. Mas,  tambm perigosa. 
Quem
sabe me dizer o porqu?
        A mo de Hermione errou por pouco os culos de Harry
quando ela a levantou mais uma vez.
        - O grito da mandrgora  fatal para quem o ouve - disse a garota 
prontamente.
        - Exatamente. Mais dez pontos. Agora as mandrgoras que
temos aqui ainda so muito novinhas.
        Ela apontou para uma fileira de tabuleiros fundos ao falar,
e todos se aproximaram para ver melhor. Umas cem moitinhas repolhudas, verde-
arroxeadas, cresciam em fileiras nos tabuleiros. No pareciam ter nada de mais 
para
Harry, que no fazia a menor idia do que Hermione quisera dizer com o "grito" 
da mandrgora.
        -Agora apanhem um par de abafadores de ouvidos - mandou a professora.
        Os alunos correram para a mesa para tentar apanhar um
par que no fosse peludo nem cor-de-rosa.
        -Quando eu mandar vocs colocarem os abafadores, certifiquem-se de que 
suas orelhas ficaram completamente cobertas
- disse ela. - Quando for seguro remover os abafadores eu erguerei o polegar 
para vocs. Certo... coloquem os abafadores.
        Harry ajustou os abafadores nos ouvidos. Eles vedaram completamente o 
som. A
Prof. Sprout colocou o seu par peludo e cor-de-rosa nas orelhas, enrolou as
mangas das vestes, agarrou uma moitinha de mandrgora com firmeza e puxou-a com 
fora.
        Harry deixou escapar uma exclamao de surpresa que mngum ouviu.
        Em vez de razes, um bebezinho extremamente feio saiu da terra. As 
folhas cresciam diretamente de sua cabea. Ele tinha a pele verde-clara malhada 
e era
visvel que berrava a plenos pulmes.
        A professora tirou um vaso de plantas grande de sob a bancada e 
mergulhou nele a mandrgora, cobrindo-a com o composto escuro e mido at 
ficarem apenas
as folhas visveis. Depois, limpou as mos, fez sinal com o polegar para os 
alunos e retirou os abafadores dos ouvidos.
        - As nossas mandrgoras so apenas muclinhas, por isso seus gritos ainda 
no do para matar - disse ela calmamente como se no tivesse feito nada mais 
excitante
do que regar uma begnia. - Mas, elas deixaro vocs inconscientes por varias 
horas, e como tenho certeza de que nenhum de vocs quer perder o primeiro dia na 
escola,
certifiquem-se de que seus abafadores esto no lugar antes de comearem a
trabalhar. Chamarei sua ateno quando estiver na hora da sada.
        "Quatro para cada tabuleiro, h um bom estoque de vasos aqui, o composto 
est nos sacos ali adiante, e tenham cuidado com aquela planta de tentculos 
venenosos.
Est criando dentes."
        Ela deu uma palmada enrgica em uma planta vermelha e
espinhosa ao falar, fazendo-a recolher os longos tentculos
que avanavam sorrateiramente pelo seu ombro.
        Harry, Rony e Hermione dividiram o tabuleiro com um
garoto de cabelos cacheados da Lufa-Lufa que Harry conhecia de vista mas com 
quem nunca falara.
        -Justino Finch-Fletchley - apresentou-se ele animado, apertando a mo de 
Harry. - Eu sei quem voce
, claro, o famoso Harry Potter.. E voc  Hermione Granger,
sempre a primeira em tudo - (Hermione deu um grande sorriso quando o garoto 
tambm apertou sua mo) -, e Rony Weasley. O carro
        voador era seu, no era?
 Rony no sorriu. O berrador obviamente continuava em
        seus pensamentos.
        - Aquele Lockhart  o mximo, no acha? - disse Justino, feliz, quando 
comearam a encher os vasos de planta com fertilizante de bosta de drago. - Um 
cara
supercorajoso. Voc leu os livros dele? Eu teria morrido de medo se tivesse sido 
acuado em uma cabine telefnica por um lobisomem, mas ele continuou na dele e, 
zs,
simplesmente fantstico.
        "Eu estava inscrito em Eton, sabe. Nem sei dizer como estou contente de, 
em vez disso, ter vindo para c. Claro, minha me ficou um pouco desapontada, 
mas
desde que a fiz ler os livros de Lockhart acho que comeou a perceber como ser 
til ter na famlia algum formado em magia..."
        Depois disso no houve uito o que conversar. Tinham tornado a colocar os 
abafadores e precisavam se concentrar nas mandrgoras. A Prof'
Sprout fizera a tarefa
parecer extremamente fcil, mas no era. As mandrgoras no gostavam de sair da 
terra, mas tampouco pareciam querer voltar para ela. Contorciam-se, chutavam, 
sacudiam
os pequenos punhos afiados e arreganhavam os dentes; Harry gastou dez minutos 
inteiros tentando espremer uma planta particularmente gorda dentro de um vaso.
        L pelo fim da aula, Harry, como todos os outros, estava suado, dolorido 
e coberto de terra. Eles voltaram ao castelo para se lavar rapidamente, e ento
os alunos da Grifinria correram para a aula de Transformaoes.
        As aulas da Profa. McGonagall eram sempre trabalhosas, mas a de hoje 
estava particularmente difcil. Tudo que Harry aprendera no ano anterior parecia 
ter-se
esvado de sua cabea durante o vero. Devia transformar um besouro em um boto, 
mas a nica coisa que conseguiu foi forar o besouro a fazer muito exerccio, 
pois
o inseto corria por toda a superfcie da carteira para fugir de sua varinha.
        Rony estava enfrentando um problema muito pior. Tinha remendado a 
varinha com um pouco de fita adesiva que pedira emprestada, mas a varinha 
parecia danificada
para sempre. No parava de estalar e faiscar nas horas mais estranhas, e cada 
vez que Rony tentava transformar o besouro ela o envolvia
em uma densa fumaa cinzenta que cheirava a ovos podres. 
 Acidentalmente ele esmagou o seu besouro com o cotovelo e
teve que pedir um novo. A Profa. McGonagall no ficou nada satisfeita.
        Foi um alvio para Harry ouvir a sineta para o almoo. Seu crebro 
parecia ter virado uma esponja espremida. Todos sairam da sala exceto ele e 
Rony, que,
furioso, dava golpes de varinha na carteira.
        - Coisa, burra, intil.
        - Escreva para casa pedindo uma nova - sugeriu Harry quando a varinha 
produziu uma saraivada de tiros feito um rojo.
        - Ah, sim, e recebo outro berrador em resposta - disse Rony enfiando na 
mochila a varinha, que agora sibilava. - "A
culpa  sua se sua varinha partiu..."
        Os trs amigos desceram para o refeitrio, onde o humor
de Rony no melhorou ao ver a coleo de botes perfeitos
que Hermione mostrava ter feito na aula de Transformaes.
        - Que vamos ter hoje  tarde? - perguntou Harry, mudando de assunto 
depressa.
        - Defesa contra as Artes das Trevas - respondeu Hermione na mesma hora.
        - Por que - perguntou kony, apanhando o horrio dela - voce sublinhou 
com eoraezinhos as aulas de
Lockhart?
        Hermione puxou o horrio da mo de Rony, corando loucamente.
        Quando terminaram o almoo os trs saram para o ptio nublado.
Hermione se sentou em um degrau de pedra e tornou a enfiar o nariz em
Viagem com vampiro.
Harry e Rony ficaram discutindo quadribol durante vrios minutos at Harry 
perceber que estava sendo atentamente vigiado. Ao erguer os olhos, viu que o 
garoto
miudinho de cabelos louro-cinza que ele vira experimentando o Chapu Seletor na 
vspera o encarava como que paralisado. Estava agarrado a um objeto que parecia 
uma
mquina fotogrfica de trouxas e, no momento em que Harry olhou para ele, ficou 
escarlate.
        - Tudo bem, Harry? Sou... Colin Creevey - disse o menino sem flego, 
adiantando-se hesitante. - Sou da
Grifinria
tambm. Voc acha que tem algum problema se... posso tirar
        uma foto? - disse, erguendo a mquina esperanoso.
 - Uma foto? - repetiu Harry sem entender.
        - Para provar que conheci voc - disse Colin Creevey
ansioso, aproximando-se mais. - Sei tudo sobre voc. Todo mundo me contou. Como 
foi que voc sobreviveu quando Voc-SabeQuem tentou mat-lo e como foi que ele 
desapareceu
e tudo o mais, e como voc ainda conserva a cicatriz em forma de raio na testa - 
(seus olhos esquadrinharam a raiz dos cabelos de Harry) -, e um garoto no meu 
dormitrio
disse que se eu revelar o filme na poo correta, as fotos vo se mexer - Colin 
inspirou profundamente, estremecendo de excitao, e disse:
- Isto aqui  fantsti co, no acha? Eu no sabia que as coisas estranhas que eu 
fazia eram magia at receber uma carta de
Hogwarts. Meu pai  leiteiro, ele tambm
no conseguia acreditar. Ento estou tirando um monto de fotos para levar para 
ele. E seria bem bom se tivesse a sua - o garoto olhou para
Harry como se implorasse.
-, quem sabe o seu amigo podia tirar, e eu podia ficar do seu lado? E depois 
voc podia autografar a foto?
        - Autografar afoto? Voc est distribuindo fotos autografadas, Potter?
        A voz de Draco Malfoy, alta e desdenhosa, ecoou pelo ptio. Ele parara 
logo atrs de Colin, ladeado, como sempre que estava em
Hogwarts, pelos capangas
grandalhes, Crabbe e Goyle.
        - Todo mundo em fila! - gritou Malfoy para os outros alunos. - Harry 
Potter est distribuindo fotos autografadas!
        - No, no estou, no - disse Harry com raiva, cerrando os punhos. - 
Cale a boca, Malfoy.
        - Voc est  com inveja - ouviu-se a voz fina de Colin, cujo corpo 
inteiro era da grossura do pescoo de
Crabbe.
        - Inveja? - disse Malfoy, que no precisava mais gritar: metade do ptio 
estava escutando. - De qu? No quero uma cicatriz
nojenta na minha testa, muito
obrigado. Por mim, no acho que ter a cabea aberta faz ningum especial.
        Crabbe e Goyle davam risadinhas idiotas.
        - V comer lesmas, Malfoy - disse Rony furioso. Crabbe parou de rir e 
comeou a esfregar os ns dos dedos de maneira ameaadora.
        - Cuidado, Weasley - caoou Malfoy. - Voc no vai querer comear 
nenhuma confuso ou sua mame vai aparecer
aqui para tir-lo da escola. - Ele imitou a voz aguda e penetrante: - "Se voc 
sair um dedinho da linha..."
        Um grupo de quintanistas da Sonserina que estava prximo deu gargalhadas 
ao ouvir isso.
        - Weasley gostaria de ganhar uma foto autografada, Potter.
- riu-se Malfoy. - Valeria mais do que a casa inteira da famlia dele...
Rony brandiu a varinha emendada, mas Hermione fechou
o        Viagens com vampiros com um estalo e cochichou:
        - Cuidado!
        - Que est acontecendo, que est acontecendo? - Gilderoy Lockhart vinha 
em passos largos em direo  aglomerao,
suas vestes turquesa rodopiando para trs.
        - Quem  que est distribuindo fotos autografadas?
        Harry comeou a falar mas foi interrompido por Lockhart
que passou um brao pelos seus ombros e trovejou jovial:
        - No devia ter perguntado! Nos encontramos outra vez, Harry!
        Preso contra o corpo de Lockhart e ardendo de humilhao, Harry viu 
Malfoy sair de
fininho, rindo-se, para junto dos
outros colegas.
        - Vamos ento, Sr. Creevey - disse Lockhart, sorrindo para o garoto. - 
Uma foto dupla, nada melhor, e ns dois podemos autograf-la para o senhor.
        Colin ajeitou a mquina e tirou a foto na hora em que a
sineta tocava s costas do grupo, sinalizando o incio das aulas
da tarde.
        - Est na hora, vamos andando vocs a - gritou Lockhart para os alunos 
e voltou ao castelo com Harry, que teve vontade de conhecer um bom feitio para
desaparecer, ainda preso ao professor.
        - Uma palavra para o bom entendedor, Harry - disse Lockhart 
paternalmente quando entravam no castelo por uma porta lateral. - Dei cobertura 
a voc l com
o jovem Creevey, se ele estivesse me fotografando, tambm, os seus colegas no 
iriam pensar que voc est se dando ares...
        Surdo aos murmrios hesitantes de Harry, Lockhart
arrebatou-o por um corredor ladeado por estudantes de olhos arregalados e subiu 
uma escada.
        - Devo dizer que distribuir fotos autografadas nessa altura de sua
carreira no  sensato, parece meio presunoso, Harry, para ser franco. Haver 
um dia
em que, como eu, voc vai precisar ter uma pilha de fotos  mo onde quer que 
v, mas - ele deu uma risadinha - acho que voc ainda no chegou l.
        Ao chegarem  sala de aula de Lockhart ele finalmente soltou Harry. O 
garoto endireitou as vestes e se dirigiu a uma carteira bem no fundo da sala, 
onde
se ocupou em empilhar os sete livros de Lockhart diante dele, de modo que 
pudesse evitar olhar para o autor em carne e osso.
        O resto da classe entrou fazendo barulho, e Rony e Hermione se sentaram 
um de cada lado de Harry.
        - Voc podia ter fritado um ovo na cara - comentou Rony.
-         melhor rezar para Creevey no conhecer a Gina, ou os
        dois vo comear um f-clube do Harry Potter.
        - Cale a boca - disse Harry rspido. - A ltima coisa que precisava era 
que
Lockhart ouvisse a frase "f-clube do Harry Potter".
        Quando a classe inteira se sentou, Lockhart pigatreou alto e fez-se 
silncio. Ele esticou o brao, apanhou o exemplar de Viagens com
trasgos de Neville Longbottom e ergueu-o para mostrar a prpria foto na capa, 
piscando o olho.
        - Eu - disse apontando a foto e piscando tambm. - Gildcroy Lockhart, 
Ordem de Merlin, Terceira Classe, Membro Honorrio da Liga de Defesa contra as 
Foras
do Mal e vencedor do Prmio Sorriso mais Atraente da revista Semanrio dos 
Bruxos cinco vezes seguidas, mas no falo disso. No me livrei do esprito 
agourento de
Bandon sorrindo para ela.
        Ficou esperando que sorrissem; alguns poucos deram um
        sorrisinho amarelo.
        - Vejo que todos compraram a coleo completa dos meus livros, muito 
bem. Pensei em comearmos hoje com um pequeno teste. Nada para se preocuparem, 
s quero
verificar se vocs leram os livros com ateno, o quanto assimilaram...
        Depois de distribuir os testes ele voltou  frente da classe
e falou:
        - Vocs tm trinta minutos... comear, agora!
        Harry olhou para o teste e leu:
1. Qual  a cor favorita de Gilderoy Lockhart?
2. Qual  a ambio secreta de Lockhart?
3. Qual   na sua opinio a maior realizao de Gilderoy Lockhart
at o momento?
        E as perguntas continuavam, ocupando trs pginas, at a
ltima:
        54. Quando  o aniversrio de Gilderoy Lockhart e qual seria o presente 
ideal para ele?
        Meia hora depois, Lockhart recolheu os testes e folheou-os
diante da classe.
        - Tsk, tsk, quase ningum se lembrou que a minha cor favorita 
Ms. Digo isto no Um ano com o Ieti. E alguns de vocs precisam ler
Passeios com lobisomens
com mais ateno, afirmo claramente no captulo doze que o presente de 
aniversrio ideal para mim seria a harmonia entre os povos mgicos e no-
mgicos, embora eu
no recuse um garrafo do Velho Usque de Fogo Ogden!
        E deu outra piscadela travessa para os alunos. Rony fitava Lockhart com 
uma expresso de incredulidade no rosto; Simas Finnigan e Dino Thomas, que 
estavam
sentados  frente, sacudiam-se de riso silencioso. Hermione, por outro lado, 
escutava
Lockhart embevecida e atenta e se assustou quando o ouviu mencionar seu nome.
        mas a Srta. Hermione Granger sabia que a minha ambio secreta era 
livrar o mundo do mal e comercializar a minha prpria linha de poes para os 
cabelos,
boa menina! Na realidade - ele virou o teste - ela acertou tudo! Onde est a 
Srta.
Hermione Granger?
        Hermione levantou a mo trmula.
        - Excelente! - disse o sorridente Lockhart. - Excelente mesmo! Dez 
pontos para a
Grifinria! E agora, ao trabalho...
        Virou-se para a mesa e depositou nela uma grande gaiola
 coberta.
        - Agora, fiquem prevenidos!  meu dever ensin-los a se
defender contra a pior criatura que se conhece no mundo da magia! Vocs podem 
estar diante dos seus maiores medos aqui nesta sala. Saibam que nenhum mal vai 
lhes
acontecer enquanto eu estiver aqui. S peo que fiquem calmos.
        Sem querer, Harry se curvou para um lado da pilha de livros que erguera
para dar uma olhada melhor na gaiola. Lockhart colocou a mo na cobertura.
Dino e Simas pararam de rir agora. Neville se afundou em sua carteira na 
primeira fila.
        -        Peo que no gritem - recomendou Lockhart em voz baixa. - Pode 
provoc-los.
        E a classe inteira prendeu a respirao. Lockhart puxou a
cobertura com um gesto largo.
        -        Sim, senhores -disse teatralmente. - Diabretes da
Cornualha  recm-capturados.
        Simas Finnigan no conseguiu se controlar. Deixou escapar uma risada 
pelo nariz que nem mesmo
Lockhart poderia confundir com um grito de terror.
        -        Que foi? - Ele sorriu para Simas.
        -        Bem, eles no sao... nao so muito... perigosos, so? - 
engasgou-se Simas.
        -        No tenha tanta certeza assim! - disse Lockhart, sacudindo um 
dedo, aborrecido, para Simas. - Esses bandidinhos
podem ser diabolicamente astutos!
        Os diabretes eram azul-eltrico e tinham uns vinte centmetros de 
altura, os rostos finos e as vozes to agudas que pareciam um bando de 
periquitos fazendo
algazarra. No instante em que a cobertura foi retirada, eles comearam a falar e 
a voar de maneira rpida e excitada, a sacudir as grades e a fazer caras 
esquisitas
para as pessoas mais prximas.
        -        Certo, ento - disse Lockhart em voz alta. - Vamos ver o que 
vocs acham deles! - E abriu a gaiola.
        Foi um pandemnio. Os diabretes disparavam em todas as direes como 
foguetes. Dois deles agarraram Neville pelas orelhas e o ergueram no ar, Vrios 
outros
voaram direto pelas janelas fazendo cair uma chuva de estilhaos de vidro no 
canteiro. Os demais se puseram a destruir a sala de aula com mais eficincia do 
que
um rinoceronte desembestado. Agarraram tinteiros e salpicaram a sala de
tinta, picaram livros e papis,
arrancaram quadros das paredes, viraram a cesta de lixo, pegaram as mochilas e 
livros e os atiraram contra as vidraas quebradas; em poucos minutos, metade da 
classe
estava abrigada embaixo das carteiras e, Neville, pendurado no teto pelo lustre 
de ferro.
        -        Vamos, vamos, renam eles, renam eles, so apenas diabretes - 
gritou
Lockhart.
        Ele enrolou as mangas, brandiu a varinha e berrou:
- Peskipiksi ksi pesternomi!
        As palavras nao produziam efeito algum; um dos diabretes se apoderou da 
varinha e atirou-a tambm pela janela.
Lockhart engoliu em seco e mergulhou embaixo
da mesa, escapando por pouco de ser esmagado por Neville, que despencou um 
segundo depois quando o lustre cedeu.
        A sineta tocou, e todos desembestaram para a sada. Na
calma relativa que se seguiu, Lockhart levantou-se, viu Harry,
Rony e Hermione, que estavam quase na porta, e disse:
        -        Bem, vou pedir a vocs que enfiem rapidamente os restantes de 
volta na gaiola. - E, passando pelos trs, fechou a
porta depressa.
        -        D para acreditar? - rugiu Rony quando um dos diabretes 
restantes lhe deu uma dolorosa mordida na orelha.
        -        Ele s quer nos dar uma experincia direta - disse Hermione, 
imobilizando dois diabretes ao mesmo tempo com
um inventivo Feitio Congelante e enfiando-os de volta na gaiola.
        -        Direta? - disse Harry, que estava tentando agarrar um diabrete 
que danava fora do seu alcance dando-lhe lngua. -
Mione, ele no tinha a menor
idia do que estava fazendo...
        -        Bobagem. Voc leu os livros dele, v s todas as coisas 
incrveis que ele fez...
        -        Que ele diz que fez - murmurou Rony.


*****


        -        CAPTULO SETE -
SANGUE RUIM

Harry dedicou muito tempo, nos dias seguintes, a desaparecer de vista sempre que
Gilderoy Lockhart aparecia andando por um corredor. Mais difcil foi evitar 
Colin
Creevey, que parecia ter decorado o seu horrio. Pelo visto nada dava maior 
alegria a Colin do que dizer: "Tudo bem, Harry?" seis ou sete vezes por dia e 
ouvir:
"Oi, CoLin", em resposta, por maior irritao que Harry demonstrasse ao dizer 
isso.
Edwiges continuava aborrecida com Harry por causa da
desastrada viagem de carro e a varinha de Rony continuava a
,funcionar mal, superando os prprios limites na sexta-feira na
aula de Feitios, ao se atirar da mo de Rony e atingir o  FlitwickProf.
        bem no meio dos olhos, produzindo um grande furnculo verde e Latejante 
no
lugar em que bateu. Assim entre uma coisa e outra, Harry ficou muito contente
ao ver chegar o fim de semana. Ele, Rony e Mione estavam planejando visitar
Hagrid no sbado de manh. Harry, porm, foi acordado muito antes da hora que 
pretendera
pelas sacudidas de Olvio Wood, capito do time de quadribol da Grifinria.
        - Que foi? - perguntou Harry tonto de sono.
        - Prtica de quadriboL! - disse Wood. -Vamos!
        Harry espiou pela janela apertando os olhos. Havia uma nvoa rala 
cobrindo o cu rosa e dourado. Agora que acordara, ele
no conseguia entender como podia
estar dormindo
 com a algazarra que os passarinhos faziam.
        -        Olvio - disse ele com a voz rouca. - O dia ainda est 
amanhecendo.
        -        Exato - respondeu Wood. Ele era um sextanista alto e forte e, 
naquele instante, seus olhos brilhavam de fantico entusiasmo. - Faz parte do 
nosso
novo programa de treinamento. Ande, pegue a vassoura e vamos - disse Wood 
animado. - Nenhum dos times comeou a treinar ainda; vamos ser os primeiros a 
dar a partida
este ano...
        Aos bocejos e tremores, Harry saiu da cama e tentou encontrar as vestes 
de quadribol.
        -        Muito bem - disse Wood. - Te encontro no campo daqui a quinze 
minutos.
        Depois de procurar o uniforme vermelho do time e vestir uma capa para se 
aquecer, Harry rabiscou um bilhete para Rony explicando onde fora e desceu a 
escada
em caracol at a sala comunal, a Nimbus 2000 ao ombro. Acabara de chegar ao 
buraco do retrato quando ouviu um estardalhao s suas costas, e Colin
Cteevey apareceu
correndo escada abaixo, a mquina fotogrfica balanando feito louca ao pescoo 
e alguma coisa segura na mao.
        -        Ouvi algum dizer o seu nome na escada, Harry! Olhe s o que 
tenho aqui! Mandei revelar, queria lhe mostrar...
        Harry examinou confuso a foto que Colin sacudia debaixo
do seu nariz.
        Numa foto preto-e-branco, um Lockhart em movimento puxava com fora um 
brao que Harry reconhecia como seu. Ficou satisfeito ao ver que o seu eu 
fotogrfico
resistia bravamente e recusava a se deixar arrastar para dentro da foto. 
Enquanto Harry observava,
Lockhart desistiu e se largou, ofegante, contra a margem branca
da foto.
        -        Voc autografa? - perguntou Colin, ansioso.
        -        No - disse Harry sem rodeios, olhando para os lados para 
verificar se a sala estava realmente deserta. - Desculpe,
Colin, estou com pressa, prtica de quadribol...
        E atravessou o buraco do retrato.
        -        Uau! Espere por mim! Nunca -vi um jogo de quadribol
 antes!
        Colin subiu pelo buraco atrs de Harry.
        -        Vai ser bem chato - disse Harry depressa, mas o garoto no lhe 
deu ateno, seu rosto iluminava-se de excitao.
        -        Voc foi o jogador da casa mais novo em cem anos, no foi, 
Harry? No foi? - perguntou
Collin, caminhando ao lado dele. - Voc deve ser genial. Eu
nunca voei. E fcil? Esta vassoura  sua? E a melhor que existe?
        Harry no sabia como se livrar do coleguinha. Era como
ter uma sombra extremamente tagarela.
        -        Eu no entendo bem de quadribol - disse Colin sem flego. -  
verdade que tem quatro bolas? E duas ficam voando em volta dos jogadores 
tentando
tir-los de cima dasvassouras?
        -         - disse Harry a contragosto, conformado em explicar as regras 
complicadas do quadribol. - Chamam-se balaos. H dois batedores em cada time 
armados
de bastes para rebater os balaos para longe do seu time. Fred e Jorge Weasley 
batem pela
Grifinria.
        -        E para que servem as outras bolas? - perguntou Colin, 
derrapando dois degraus porque olhava boquiaberto para Harry.
        -        Bem, a goles, a bola vermelha meio grande,  a que faz os
gols. Trs apanhadores em cada time atiram a goles um para o outro e tentam 
met-La entre
as balizas na extremidade do campo, so trs postes compridos com aros na ponta.
        -        E a quarta bola...
        -        ...  o pomo de ouro - disse Harry -, e  muito pequena, muito 
veloz e difcil de agarrar. Mas  isso que o apanhador tem que fazer, porque um 
jogo
de quadribol no termina at o pomo ser capturado. E o apanhador que agarra o 
pomo para o time ganha cento e cinqenta pontos a mais.
        -        E voc  o apanhador da Grifinria, no  - perguntou Colin 
cheio de admirao e respeito.
        -        Sou - respondeu Harry enquanto deixavam o castelo e comeavam a 
atravessar o gramado encharcado de orvalho. - E tem o goleiro tambm. Ele guarda
as balizas.  isso, em resumo.
        Mas Colin no parou de interrogar Harry o tempo todo,
desde o gramado ondulante at o campo de quadribol, e Harry
s conseguiu se desvencilhar dele quando chegou aos vestirios; Colin ainda 
gritou com sua voz fina quando ele se afastava.
        -        Vou pegar um bom lugar, Harry! - e correu para as 
arquibancadas.
        Os outros jogadores do time da Grifinria j estavam no vestirio. Wood 
era o nico que parecia realmente acordado. Fred e Jorge estavam sentados, os 
olhos
inchados e os cabelos despenteados, ao lado de uma quartanista, Alicia
Spinnet, que parecia estar cabeceando contra a parede em que se encostara. As 
outras
artilheiras,
suas companheiras, Katie Bell e Angelina Johnson, bocejavam lado a lado de 
frente para eles.
        -        At que enfim, Harry, por que demorou? - perguntou Wood 
eficiente. - Agora, eu queria ter uma
conversinha com vocs antes de irmos para o campo,
porque passei o vero imaginando um programa de treinamento completamente novo, 
que acho que vai fazer toda a diferena...
        Wood ergueu um grande diagrama de um campo de quadribol, em que estavam 
desenhadas muitas linhas, setas e cruzes em tinta de cores diversas. Depois, 
puxou
a varinha, deu uma batidinha no desenho, e as flechas comearam a se deslocar 
pelo diagrama como lagartas. Quando Wood deslanchou um discurso sobre as novas 
tticas,
a cabea de Fred Weasley despencou no ombro de Alicia Aspinnet e ele comeou a 
roncar.
        O primeiro quadro levou quase vinte minutos para ser explicado, mas 
havia outro por baixo daquele, e um terceiro por baixo do segundo. Harry 
mergulhou num
estupor durante a falao interminvel de Wood.
        -        Ento - disse Wood, finalmente, arrancando Harry de uma 
irrealizvel fantasia sobre o que estaria comendo no caf da manh, naquele 
instante, no
castelo.- Ficou claro? Alguma pergunta?
        -        Tenho uma pergunta, Olivio - disse Jorge, que acordara 
assustado. - Voc no podia ter explicado tudo isso ontem
quando a gente estava acordado?
        Wood no gostou.
 - Agora, ouam aqui, vocs todos - disse, amarrando a cara.
- Ns devamos ter ganho a taa de quadribol no ano passado.
Somos sem favor nenhum o melhor time da escola. Mas, infelizmente, devido a
circunstncias fora do nosso controle...
        Harry se mexeu cheio de culpa no banco. Estivera inconsciente na ala 
hospitalar no ltimo jogo do ano anterior, o que significava que a
Grifinria tivera
um jogador a menos e sofrera sua pior derrota em trezentos anos.
        Wood esperou um instante para recuperar o prprio controle. A ltima 
derrota, visivelmente, continuava a tortur-lo.
        - Ento, este ano, vamos treinar mais do que jamais treinamos... Muito 
bem, vamos colocar as nossas teorias em prtica! - gritou Wood, agarrando a 
vassoura
e saindo do vestirio. As pernas dormentes e, ainda bocejando, o time o 
acompanhou.
        Tinham passado tanto tempo no vestirio que o sol j estava todo de 
fora, embora ainda se vissem restos de nvoa sobre o gramado do estdio. Quando 
Harry
entrou em campo, viu Rony e Mione sentados nas arquibancadas.
        - Vocs ainda no acabaram? - gritou Rony surpreso.
        - Nem comeamos - respondeu Harry, olhando com inveja a torrada com 
gelia que Rony e
Mione tinham trazido do
Salo. -Wood esteve ensinando novas jogadas ao time.
        Ele montou na vassoura, meteu o p no cho para dar impulso e saiu 
voando, O ar frio da manh bateu em seu rosto, acordando-o com muito mais 
eficincia do
que a longa conversa de Wood. Era uma sensao maravilhosa estar de volta a
um campo de quadribol. Harry sobrevoou o estdio a toda
velocidade, apostando corrida com Fred e Jorge.
        - Que clique-clique esquisito  esse? - gritou Fred enquanto faziam uma 
volta rpida.
        Harry olhou para as arquibancadas. Colin estava sentado em um dos 
lugares mais altos, a mquina fotogrfica levantada, tirando fotos seguidas, o 
som estranhamente
ampliado no estdio deserto.
        - Olhe para c, Harry! Para c! - gritava se esganiando.
        - Quem  aquele? - perguntou Fred.
        - No fao a menor idia - mentiu Harry dando uma bombeada na vassoura 
que o levou o mais longe possvel de Colin.
        - Que  que est acontecendo? - perguntou Wood,
franzindo a testa, enquanto cortava o ar em direo a eles. - Por
que aquele aluninho de primeiro ano est tirando fotos? No gosto disto. Pode 
ser um espio da
Sonserina, tentando descobrir o nosso novo programa de treinamento.
        -        Ele  da Grifinria - informou Harry depressa.
        -        E o pessoal da Sonserina no precisa de espio, Olivio - 
acrescentou Jorge.
        -        Por que voc est dizendo isso? - perguntou Wood irritado.
        -        Porque eles vieram pessoalmente - respondeu Jorge apontando.
        Vrios alunos de vestes verdes estavam entrando em campo, de vassouras 
na mao.
        -        Eu no acredito! - sibilou Wood indignado. - Reservei o campo 
para hoje! Vamos cuidar disso.
        Wood mergulhou at o cho, aterrissando em sua raiva,
com muito mais fora do que pretendia, e cambaleou um pouco ao desmontar. Harry, 
Fred e Jorge o acompanharam.
   -             Flint! - berrou Wood para o capito da Sonserina. - Est na 
hora do nosso treino! Levantamos especialmente para isso!
Pode ir dando o fora!
        Marcos Flint era ainda mais corpulento do que Hood. Tinha uma expresso 
de
trasgo astucioso quando respondeu:
        -        Tem bastante espao para todos ns, Wood.
        Angelina, Alicia e Katie tinham se aproximado tambm. No havia mulheres 
no time da
Sonserina, para ficarem, ombro a ombro, com ar de desdm, encarando os
jogadores da Grifinria.
        -        Mas eu reservei o campo! - disse Wood, praticamente cuspindo de 
raiva. - Eu reservei!
        -        Ah, mas tenho um papel aqui assinado pelo Prof. Snape.
"Eu, Prof. Snape, dei ao time da Sonserina permisso para praticar hoje no campo 
de quadribol,
face  necessidade de treinarem o seu novo apanhador."
        -        Vocs tm um novo apanhador? - perguntou Wood, distrado. - 
Onde?
        E por trs dos seis jogadores grandalhes surgiu diante
 deles um stimo, menor, com um sorriso que se irradiava por
todo o rosto plido e fino. Era Draco Malfoy!
        -        Voc no  o filho do Lcio Malfoy? - perguntou Fred, olhando 
Draco com ar de desagrado.
        -        Engraado voc mencionar o pai do Draco - disse Flint
        enquanto o time inteiro da Sonserina sorria com mais prazer.
        - Deixe eu mostrar a vocs o presente generoso que ele deu
        ao time da Sonserina.
        Os sete mostraram as vassouras. Sete cabos polidos, novos em folha, e 
sete
conjuntos de letras douradas, formando as palavras Nimbus 2001, reluziam sob os
narizes dos jogadores da Grifinria, ao sol do amanhecer.
        -        ltimo modelo. Saiu no ms passado - disse Sint displicente, 
tirando um gro de poeira da ponta de sua vassoura com um peteleco. - Acho que 
bate
de longe a srie antiga das 2000. Quanto s velhas Cleansweep - e sorriu de modo 
desagradvel para Fred e Jorge, que seguravam esse tipo de vassoura -, varram o
placar com elas.
        Nenhum dos jogadores da Grifmria conseguiu pensar em
        nada para dizer naquele instante. Draco exibia um sorriso to
        grande que seus olhos frios estavam reduzidos a fendas.
        -        Ah, olha ali - disse Sint. - Uma invaso de campo.
        Rony e Mione vinham atravessando o gramado para ver o
        que estava acontecendo.
        -        Que  que est havendo? - perguntou Rony a Harry. - Por que 
vocs no esto jogando? E que  que ele est fazendo aqui?
        Olhava para Draco, reparando nas vestes de quadribol com
        as cores da Sonserina que o garoto usava.
        -        Sou o novo apanhador da Sonserina, Weasley - disse Draco, 
presunoso. - O pessoal aqui est admitando as vassouras que meu pai comprou 
para o nosso
time.
        Rony olhou, boquiaberto, as sete magnficas vassouras
diante dele.
        - Boas, no so? - disse Draco com a voz macia. - Mas quem sabe o time 
da
Grifinria pode levantar um ourinho e comprar vassouras novas, tambm. Voc 
podia
fazer uma rifa dessas Cleansweep 5; imagino que um museu talvez queira compr-
las.
        O time da Sonserina dava gargalhadas.
         - Pelo menos ningum do time da Grifinria teve de pagar
para entrar - disse Mione com aspereza. - Entraram por puro talento.
        O ar presunoso de Draco pareceu oscilar.
- Ningum pediu sua opinio, sua sujeitinha de sangue ruim.
- xingou ele.
        Harry percebeu na hora que Draco dissera uma coisa realmente ofensiva, 
porque houve um tumulto
instantneo em seguida s suas palavras. Flint teve que
mergulhar na frente de Draco para impedir que Fred e Jorge se atirassem contra 
ele. Alicia gritou com voz aguda:
        -        Como  que voc se atreve! - e Rony mergulhou a mo nas vestes, 
puxou a varinha e gritou:
        - Voc vai me pagar! - e apontou a varinha, furioso, para a cara e 
Draco, por baixo do brao de Flint.
        Um estrondo muito forte ecoou pelo estdio, e um jorro
de luz verde saiu da ponta oposta da varinha de Rony, atingiu-o
na barriga e o atirou de costas na grama.
        - Rony! Rony! Voc est bem? - gritou Mione.
        Rony abriu a boca para falar, mas no saiu nada. Em vez
disso, ele soltou um poderoso arroto e vrias lesmas caram de
sua boca para o colo.
        O time da Sonserina ficou paralisado de tanto rir. Flint, dobrado pela 
cintura, tentava se apoiar na vassoura nova. Draco cara de quatro, dando murros 
no
cho. Os alunos da Grifinria agrupavam-se em torno de Rony, que no parava de 
arrotar lesmas enormes. Ningum parecia querer tocar nele.
        -  melhor levarmos o Rony para a casa de Hagrid,  mais perto - disse 
Harry a
Mione, que concordou cheia de coragem, e os dois levantaram o amigo pelos
braos.
        - Que aconteceu, Harry? Que aconteceu? Ele est doente? Mas voc pode 
cur-lo, no pode? - Colin descera correndo das arquibancadas e agora danava em 
volta
dos meninos que saam de campo. Rony deu um enorme suspiro e mais lesmas rolaram 
pelo seu peito.
        - "Aaah", exclamou Colin, fascinado, erguendo a mquina
fotogrfica. "Pode manter ele parado, Harry?"
        - Sai da frente, Colin! - disse Harry com raiva. Ele e Mione
carregaram Rony para fora do estdio e atravessaram os jardins em direo  orla 
da floresta.
        - Estamos quase l, Rony - disse Mione quando a cabana do guarda-caa 
tornou-se visvel. - Voc vai ficar bom num
instante, estamos quase chegando...
        Estavam a uns cinco metros da casa de Hagrid quando a
porta de entrada se abriu, mas no foi Hagrid que apareceu.
Gilderoy Lockhart, hoje com vestes lils clarinho, vinha saindo.
        Depressa, aqui atrs - sibilou Harry, arrastando Rony para
trs de uma moita prxima. Mione seguiu-o, um tanto relutante.
        -         muito simples se voc sabe o que est fazendo! - Lockhart 
dizia em voz alta a
Hagrid. - Se precisar de ajuda, voce sabe onde estou! Vou-lhe dar
uma cpia do meu livro. Estou surpreso que ainda no o tenha comprado: vou 
autografar um exemplar hoje  noite e mandar para voc. Bom, adeus. - E saiu em 
direo
ao castelo.
        Harry esperou at Lockhart desaparecer de vista, ento puxou Rony da 
moita at a porta de
Hagrid. Bateram apressados.
        Hagrid abriu na mesma hora, parecendo muito rabugento,
mas seu rosto se iluminou quando viu quem era.
        -        Estive pensando quando  que vocs viriam me ver, entrem, 
entrem, achei que podia ser o Prof.
Lockhart outra vez...
        Harry e Mione ajudaram Rony a entrar na cabana sala-equarto, que tinha 
uma cama enorme em um canto, uma lareira com um fogo vivo no outro.
Hagrid no pareceu
perturbado com o problema das lesmas de Rony, que Harry explicou em poucas 
palavras enquanto baixava o amigo em uma cadeira.
        - Melhor para fora do que para dentro - disse Hagrid amimado, baixando 
com ruido uma grande bacia de cobre na frente
do menino. - Ponha todas para fora, Rony.
        - Acho que no h nada a fazer exceto esperar que a coisa
passe - disse Mione ansiosa, observando Rony se debruar na bacia. -  um 
feitio difcil de fazer em condies ideais, ainda mais com uma varinha 
quebrada...
        Hagrid ocupou-se pela cabana preparando ch para os meninos. Seu co de 
caar javalis, Canino, fazia festas a Harry,
sujando-o todo.
        - Que  que Lockhart querria com voc, Hagrid? - perguntou Harry, 
coando as orelhas de Canino.
        - Estava me dando conselhos para manter um poo livre
de algas - rosnou Hagrid, tirando um galo meio depenado de cima da mesa bem 
esfregada e pousando nela o bule de ch. - Como se eu no soubesse. E ainda fez 
farol
sobre um esprito agourento que ele espantou. Se uma nica palavra do que disse 
for verdade eu como a minha chaleira.
        No era hbito de Hagrid criticar professores de Hogwarts,
e harry olhou-o surpreso. Mione, porm, disse num tom mais
alto do que de costume:
        -        Acho que voc est sendo injusto.  bvio que o Prof.
Dumbledore achou que ele era o melhor candidato para a vaga...
        -        Ele era o nico candidato - disse Hagrid, oferecendo-lhes um 
prato de
quadradinhos de chocolate, enquanto Rony tossia e vomitava na bacia. - E quero
dizer o nico mesmo. Est ficando muito difcil encontrar algum para ensinar 
Artes das Trevas. As pessoas no andam muito animadas
para assumir esta funo. Esto
comeando a achar que esta enfeitiada. Ultimamente ningum demorou muito nela. 
Agora me contem - disse
hagrid, indicando Rony com a cabea. - Quem  que ele estava
tentando enfeitiar?
        -        Malfoy chamou Mione de alguma coisa, deve ter sido muito ruim 
porque ele ficou furioso.
        -        Foi ruim - disse Rony, rouco, erguendo-se, lvido e suado, at 
a superfcie da mesa. - Malfoy chamou Mione de sangue ruim,
Hagrid...
        Rony tornou a sumir debaixo da mesa e um novo jorro de
lesmas caiu. Hagrid pareceu indignado.
        -        Ele no fez isso!
        - Fez sim - confirmou Mione. - Mas eu no sei o que significa. Percebi 
que era uma grosseria muito grande,  claro...
        -         praticamente a coisa mais ofensiva que ele podia dizer
- ofegou Rony, voltando. - Sangue ruim  o pior nome para algum que nasceu 
trouxa, sabe, que no tem pais bruxos. Existem uns bruxos, como os da famlia de 
Malfoy,
que se acham melhores do que todo mundo porque tm o que as pessoas chamam de 
sangue puro. - Ele deu
um pequeno arroto, e uma nica lesma caiu em sua mo estendida.
Ele a atirou  bacia e continuou: - Quero dizer, ns sabemos que isso no faz a
menor
diferena. Olha s o Neville Longbottom, ele tem sangue
puro e sequer consegue pr um caldeiro em p do lado certo.
        - E ainda no inventaram um feitio que a nossa Mione no saiba fazer - 
disse
Hagrid orgulhoso, fazendo Mione ficar
prpura de to corada.
        -   uma coisa revoltante chamar algum de...- comeou Rony, enxugando 
a testa suada com a mo trmula - sangue sujo, sabe. Sangue comum.  ridculo. A
maioria dos bruxos hoje em dia  mestia. Se no tivssemos casado com trouxas 
teramos desaparecido da terra.
        Ele teve uma nsia de vmito e tornou a desaparecer de
vista.
        - Bem, no posso censur-lo por querer enfeitiar Draco
-        disse Hagrid alto para encobrir o barulho das lesmas que caam na 
bacia. - Mas talvez tenha sido bom a sua varinha ter errado. Acho que Lcio 
Malfoy viria
na mesma hora  escola se voc tivesse enfeitiado o filho dele. Pelo menos voc 
no se meteu em apuros.
        Harry teria gostado de lembrar que o apuro no podia ser pior do que ter 
lesmas saindo da boca, mas no pde; os quadradinhos de chocolate de
Hagrid tinham
grudado seus maxilares.
        - Harry - disse Hagrid abruptamente como se tivesse lhe ocorrido um 
pensamento repentino. - Tenho
uma reclamao sobre voc. Ouvi falar que andou distribuindo
fotos autografadas. Como  que no ganhei nenhuma?
        Furioso, Harry desgrudou os dentes.
        - No andei distribuindo fotos autografadas - disse alterado. - Se
Lockhart continua a espalhar este boato...
        Mas, ento, ele viu que Hagrid estava rindo.
        - S estou brincando - disse, dando palmadinhas amigveis nas costas de
harry, fazendo-o enfiar a cara na mesa. - Eu sabia que no tinha dado. Eu disse
a Lockhart que voce nao precisava fazer isso. Voc  mais famoso do que ele sem 
fazer a menor fora.
        - Aposto como ele no gostou disso - comentou Harry
erguendo a cabea e esfregando o queixo.
        - Acho que no - respondeu Hagrid, com os olhos cintilando. - E ento 
falei que nunca tinha lido um livro dele e ele resolveu ir embora. Quadradinhos 
de
chocolate, Rony? - acrescentou,
ao ver Rony reaparecer.
 -    No, obrigado - disse o menino, fraco. -  melhor no.
        - Venham ver o que andei plantando - convidou Hagrid quando Harry e
Mione terminaram de beber o ch.
        Na pequena horta nos fundos da casa havia uma dzia das
maiores abboras que Harry j vira. Cada uma tinha o tamanho de um pedregulho.
        - Esto crescendo bem, no acha? - perguntou Hagrid alegre. - Para a 
Festa das Bruxas... at l j devem estar bem grandes.
        - Que  que voc est pondo na terra? - perguntou Harry.
        Hagrid espiou por cima do ombro para ver se estavam
sozinhos.
        - Bom, tenho dado, sabe, uma ajudinha...
        Harry reparou no guarda-chuva florido de Hagrid encostado na parede dos 
fundos da cabana. Harry sempre tivera razes para acreditar at aquele momento 
que
aquele guardachuva no era bem o que parecia; na verdade, tinha a forte 
impresso de que a velha varinha escolar de
Hagrid se escondia dentro dele. O guarda-caa
fora expulso de Hogwarts no terceiro ano, mas Harry nunca descobrira a razo - 
era so mencionar o assunto, e ele pigarreava alto e se tornava misteriosamente 
surdo
at que se mudasse de assunto.
        - Um feitio de engorda? - perguntou Mione, num tom de quem se diverte e 
desaprova. - Bem, voc fez um bom trabalho.
        - Foi o que a sua irmzinha disse - comentou Hagrid, fazendo sinal a 
Rony. - Encontrei-a ainda ontem -
Hagrid olhou de esguelha para Harry, a barba mexendo.
- Ela me disse que estava s dando uma olhada pelos jardins, mas eu calculo que 
estava na esperana de encontrar algum na minha casa. - E piscou para Harry. - 
Se
algum me perguntasse, ela  uma que no recusaria uma foto...
        - Ah, cala a boca - disse Harry. Rony deu uma risada abafada e o cho 
ficou cheio de lesmas.
        - Cuidado! - rugiu Hagrid, puxando Rony para longe das suas preciosas 
abboras.
Era quase hora do almoo e como Harry s comera uns
 quadradinhos de chocolate desde o amanhecer, estava doido
        para voltar  escola e almoar. Eles se despediram de Hagrid e
regressaram ao castelo. Rony tossia de vez em quando, mas s
        vomitou duas lesminhas.
        Mal tinham entrado no saguo quando ouviram uma voz.
        - A esto vocs, Potter, Weasley. - A Profa. McGonagall veio em direo 
a eles, com a cara sria. - Vocs dois vo cumprir suas detenes hoje  noite.
        -        O que ns fizemos, professora? - perguntou Rony, contendo, 
nervoso, um arroto.
        -        Voc vai polir as pratas na sala de trofus com o Sr. Filch. E 
nada de magia, Weasley, no muque.
        Rony engoliu em seco. Argo Filch, o zelador, era detestado por todos os 
alunos da escola.
        - E voc, Potter, vai ajudar o Prof. Lockhart a responder as cartas dos
fs.
        - Ah, no.., professora, no posso ir tambm para a sala de trofus? - 
perguntou Harry desesperado.
        -  claro que no - respondeu ela, erguendo as sobrancelhas. - O Prof.
Lockhart fez questo de que fosse voc. Oito horas em ponto, os dois.
        Harry e Rony entraram curvados no Salo Principal, no pior estado de 
nimo possvel,
Hermione atrs deles, com aquela expresso
hom-vocs-desobedeceram-o-regulamento.
harry nem apreciou o empado tanto quanto pretendera. Os dois, ele e Rony, 
acharam que tinham se dado muito mal.
        - Filch vai me prender l a noite inteira - disse Rony, com a voz 
deprimida. - Nada de
magia! Deve ter umas cem taas naquela sala. No entendo nada de limpeza
de trouxas.
        - Eu trocaria com voc numa boa - disse Harry num tom cavo. - Treinei um 
bocado com os
Dursley. Responder as cartas dos fs de Lockhart... ele vai ser um pesadelo...
        A tarde de sbado pareceu se evaporar no que pareceu um segundo, j eram 
cinco para as oito, e Harry j ia se arrastando pelo corredor do segundo andar 
em
direo  sala de Lockhart. Cerrou os dentes e bateu na porta.
        A porta se escancarou na mesma hora. Lockhart sorria para ele.
        - Ah, aqui temos o bagunceiro! - exclamou. - Entre, Harry,
        Rebrilhando nas paredes,  luz das muitas velas, havia uma quantidade de 
fotografias emolduradas de
Lockhart. Havia at algumas autografadas. Outra grande
pilha aguardava sobre a mesa.
        - Voc pode enderear os envelopes! - disse Lockhart a Harry como se 
isso fosse um prmio. - O primeiro vai para
Gladys Gudgeon, que Deus a abenoe, uma grande fminha...
        Os minutos se arrastaram. Harry deixou a voz de Lockhart passar por ele, 
respondendo ocasionalmente "Hum" e "Certo" e "Sim". Vez por outra, ele captava 
uma
frase do tipo "A fama  um amigo infiel, Harry" ou "A celebridade  o que ela 
faz, lembre-se disto".
        As velas foram se consumindo, fazendo a luz danar sobre os muitos 
rostos de
Lockhart que o observavam. Harry estendeu a mo dolorida para o que lhe pareceu
ser o milsimo envelope, e escreveu o endereo de Veronica Smethley. Deve estar 
quase na hora de
sair pensou
Harry infeliz, porfavor, tomara que esteja quase na
hora...
        Ento ele ouviu uma coisa - uma coisa muito diferente do
rudo das velas que espirravam j no finzinho e a tagarelice de
Lockhart sobre os fs.
        Foi uma voz, uma voz de congelar o tutano dos ossos,
uma voz venenosa e glida de tirar o flego.
        - Venha... venha para mim... Me deixe rasg-lo... Me deixe
romp-lo... Me deixe mat-lo...
        Harry deu um enorme pulo e, com isso, fez aparecer um
enorme borro na rua de Veronica Smethley.
        -Que! - exclamou em voz alta.
        - Eu sei! - disse Lockhart. - Seis meses inteiros encabeando a lista 
dos livros mais vendidos! Bati todos os recordes!
        - No - disse Harry assustado. - Essa voz!
        - Perdo? - disse Lockhart, parecendo intrigado. - Que voz?
                  - Aquela, a voz que disse, o senhor no ouviu?
                  Lockhart estava olhando para Harry muito surpreso.
                  - Do que que voc est falando, Harry? Talvez voc
esteja
ficando com sono? Nossa, olhe s a hora! Estamos aqui h
        -        quase quatro horas! Eu nunca teria acreditado, o tempo voou,
                no acha?
        Harry no respondeu. Apurava os ouvidos para captar no vamente a voz, 
mas no havia som algum exceto
Lockhart a lhe dizer que no devia esperar uma moleza
como aquela todas as vezes que pegasse uma deteno. Sentindo-se atordoado, 
Harry foi-se embora.
        Era to tarde que a sala comunal da Grifinria estava quase vazia.
Harry subiu direto ao dormitrio. Rony ainda no voltara. Harry vestiu o pijama, 
meteu-se
na cama e esperou. Meia hora depois, Rony apareceu, aconchegando o brao direito 
e trazendo um forte cheiro de liquido de polimento para o quarto escuro.
        -        Os meus msculos esto em cibra - gemeu, afundando-se na cama. 
- Catorze vezes ele me fez dar brilho naquela taa de
quadribol antes de ficar satisfeito.
 E tive mais um acesso de lesmas em cima de um prmio especial por servios 
prestados  escola. Levou sculos para retirar as lesmas... Como foi com o
Lockhart?
        Em voz baixa para no acordar Neville, Dino e Simas, Harry
contou a Rony exatamente o que ouvira.
        -        E Lockhart disse que no estava ouvindo nada? - perguntou Rony.
Harry podia at v-lo franzindo a testa ao luar. - Voc acha que ele estava
mentimdo?
Mas no entendo, mesmo algum invisvel teria tido que abrir a porta.
        -        Eu sei - disse Harry, recostando-se na cama de colunas e 
fixando o olhar no dossel. - Eu tambm no entendo.

*****


        CAPTULO OITO -
A festa do aniversrio de morte


Outubro chegou, espalhando, pelos jardins, uma friagem umida que entrava pelo 
castelo. Madame
Pomfrey, a enfermeira, esteve multo ocupada com uma repentina onda
de gripe entre professores, funcionrios e alunos. Sua poo renimadora fazia 
efeito instantneo, embora deixasse quem a bebia fumegando pelas orelhas durante 
muitas
horas. Gina Weasley, que andava plida, foi intimada por Percy a tomar a poo. 
A fumaa saindo por baixo dos seus cabelos muito vivos dava a impresso de que 
a
cabea inteira estava em chamas.
        Gotas de chuva do tamanho de balas de revlver fustigavam as janelas do 
castelo durante dias seguidos; as guas do lago subiram, os canteiros de flores 
viraram
um rio lamacento, e as abboras de Hagrid ficaram do tamanho de um barraco. O 
entusiasmo de Olvio
Wood pelas sesses de
treinamento regulares, no entanto, nao
esfriou, razao por que Harry ode ser encontrado, no fim de uma tarde de sbado 
tempestuosa, nas vsperas do Dia das Bruxas, voltando  torre da
Grifinria, encharcado
at os ossos e coberto de lama.
        Mesmo tirando a chuva e o vento no fora um treino alegre. Fred eJorge, 
que tinham andado espionando o time da
Sonserina, tinham visto com os prprios olhos
a velocidade das novas Nimbus 2001. Eles comentaram que o time da Sonserina 
parecia sete borrezinhos cortando o cu com a velocidade de
msseis.
        Quando Harry vinha acabrunhado pelo corredor deserto
 encontrou algum que parecia to preocupado quanto ele. Nick
Quase Sem Cabea, o fantasma da torre da Grifinria, olhava desanimado
 pela janela, murmurando para si mesmo "... nao satisfaz os requisitos... pouco 
mais de um centmetro, se tanto..."
        -Oi, Nick - cumprimentou Harry.
        Ol, ol - assustou-se ele olhando para os lados. Usava um elegante 
chapu emplumado sobre a longa cabeleira crespa e uma tnica com rufos, que 
escondia
o fato do seu pescoo estar quase completamente separado da cabea. Nick era 
transparente como fumaa, e Harry via atravs dele o
cu escuro e a chuva torrencial 
l fora.
        "Voc parece preocupado, jovem Potter", disse Nick, dobrando, ao falar, 
uma carta transparente e guardando-a no
interior do gibo.
        -        Voc tambm - disse Harry.
        -        Ah - Nick Quase Sem Cabea fez um aceno com a mo elegante
- uma questo de menor importncia... No  que eu queira realmente entrar... 
Achei
que devia me candidatar, mas pelo visto "no satisfao as exigncias"...
        Apesar do seu tom leve, tinha no rosto uma expresso de
muita amargura.
        -        Mas a pessoa pensaria, no  - disse ele de repente, tirando 
mais uma vez a carta do bolso - que ter levado quarenta e cinco golpes de 
machado
cego no pescoo qualificaria algum a entrar para a Caa Sem Cabea?
        -        Ah, sim - respondeu Harry, que obviamente deveria concordar.
        -        Quero dizer, ningum gostaria mais do que eu que o corte 
tivesse sido rpido e limpo, e que minha cabea tivesse realmente cado, quero 
dizer, teria
me poupado muita dor e ridculo. No entanto... - Nick Quase Sem Cabea abriu a 
carta com uma sacudidela e leu furioso:

"S podemos aceitar caadores cufjas cabeas tenham se separado dos corpos. O 
senhor
compreender que, do contrrio, seria impossvel os scios participarem das 
atividades
de caa como Balano de Cabea a Cavalo e Polo de Cabea.  
com o maior pesar, portanto, que devemos informar-lhe que o senhor no satisfaz 
as nossas
exigncias.
Com os nossos cumprimentos, Sir Patrcio Delanqy-Podmore."
109
        Espumando de raiva, Nick Quase sem cabea guardou a carta.
Pouco mais de um centitnetro, se tanto..." de pele..."  e um tendo seguram 
minha cabea, Harry! A maioria das pessoas acharia que fui decapitado, mas ah, 
no, no
 o bastante para o Sr. Realmente Decapitado Podmore.
        Nick Quase Sem Cabea respirou fundo vrias vezes e
ento disse, num tom muito mais calmo:
        -        Ento... o que  que o est preocupando? Tem alguma coisa que 
eu possa fazer?
        -        No - disse Harry. - A no ser que saiba onde podemos arranjar 
sete Nimbus 2001 de graa
para o nosso jogo contra
Sonse...
        O        resto da frase de Harry foi abafado por um miado agudo de 
algum junto aos seus calcanhares. Ele olhou e deu com um par de olhos amarelos 
que mais
pareciam globos de luz. Era Madame Nor-r-ra, a gata esqueltica e cinzenta que o 
zelador,
Argo Filch, usava como uma espcie de delegada na sua luta incansvel contra
os estudantes.
                -  melhor voc sair daqui, Harry - disse Nick depressa. -
Filch no est de bom humor, pegou a gripe, e uns alunos do terceiro ano sem 
querer
grudaram miolos de sapo pelo teto da masmorra cinco. Ele esteve limpando a manh 
inteira e se vir voc pingando lama para todo lado...
        -        Certo - disse Harry se afastando do olhar acusador de Madame
Nor-r-ra, mas no foi suficientemente rpido. Atrado ao local pela fora 
misteriosa
que parecia lig-lo quela gata nojenta, Argo Filch irrompeu de repente pela 
tapearia  direita de Harry, chiando furioso  procura do infrator. Trazia um 
leno
de grossa l escocesa amarrado  cabea e seu nariz
estava estranhamente purpreo.
        -        Sujeira! - gritou, os maxilares tremendo, os olhos 
assustadoramente saltados, apontando a poa de lama que pingava  das vestes de 
quadribol de
Harry. - Baguna e sujeira por toda parte! Para mim, chega,  o que lhe digo. 
Venha comigo, Potter!
        Ento Harry acenou um triste adeus a Nick Quase Sem
Cabea e acompanhou Filch ao andar de baixo, duplicando o
nmero de pegadas de lama no assoalho.
Harry nunca estivera no interior da sala de Filch antes; era
um lugar que a maioria dos estudantes evitava, O local era
        encardido e escuro, sem janelas, iluminado por uma nica lmpada
 de leo pendurada no teto baixo. Um leve cheiro de peixe frito impregnava a 
sala. Arquivos de madeira estavam dispostos ao longo das paredes; pelas 
etiquetas,
Harry pde ver que continham detalhes sobre cada aluno que Filch j castigara. 
Fred e Jorge Weasley tinham uma gaveta separada. Uma coleo muitssimo polida 
de 
correntes e algemas estava pendurada na parede atrs da mesa de Filch. Era do
conhecimento geral que ele estava sempre pedindo a Dumbledore que o deixasse 
pendurar 
os alunos no teto pelos tornozelos.
        Filch pegou uma pena no tinteiro em cima da mesa e co
        meou a procurar um pergaminho.       
        - Bosta - resmungou furioso -, bosta frita de dragao... miolos de 
sapos... tripas de ratos... Para
mim j chega... vou
fazer disto um exemplo... onde est o formulrio... aqui...
        Ele retirou um grande rolo de pergaminho da gaveta da
escrivaninha e abriu-o  sua frente, mergulhando a longa pena
negra no tinteiro.
        - Nome... Harry Potter. Crime...
        - Foi s um pouquinho de lama! - exclamou Harry.
        - Foi s um pouquinho de lama para voc, moleque, mas para mim  mais 
uma hora de limpeza! - gritou
Filch, uma gota nojenta estremecendo na ponta do nariz 
de bolota. - Crime... sujar o castelo.., sentena sugerida..
        Filch, secando o nariz sempre a pingar, lanou um olhar
desagradvel a Harry, que esperava prendendo a respirao, a
sentena desabar sobre sua cabea.
        Mas quando Filch baixou a pena, ouvi-se um forte estampido no teto da 
sala, que fez a lmpada a leo chocalhar.
        - PIRRAA! - rugiu Filch, atirando a pena no cho num assomo de raiva.- 
Desta vez eu te pego, eu te pego!
        E sem nem olhar para Harry, Filch saiu correndo da sala,
com Madame Nor-r-ra do lado.
        Pirraa era o poltergeist da escola, uma ameaa area e sorridente que 
vivia a provocar desordem e aflio. Harry no gostava muito do Pirraa, mas no 
pde
deixar de se sentir grato pelo seu senso de oportunidade. Era de esperar, seja o 
que for que Pirraa tivesse feito (e parecia que desta vez estragara alguma 
coisa
muito importante), desviasse a ateno de Filch de Harry.
        Achando que devia provavelmente esperar Filch voltar, Harry
afundou em uma cadeira comida por traas ao lado da escrivaninha. Sobre ela s 
havia uma coisa alm do formulrio incompleto: um envelope roxo, grande e 
brilhante
com letras prateadas na face. Com uma olhada rpida  porta para ver se
Filch j estava voltando, Harry apanhou o envelope e leu:
FEITICEXPRESSO
Um curso de magia por correspondncia para principiantes

Intrigado, Harry sacudio o envelope aberto e puxou o mao de pergaminhos que 
havia dentro, com inscries prateadas dizendo:

Voc se sente antiquado no mundo da magia moderna? V-se
inventando desculpas para no executar feitios simples?
Ouve caoadas por manejar to mal uma varinha de condo?
Feiticexpresso  um curso inteiramente novo, que garante resultados
rpidos e fcil assimilao.
Centenas de bruxos e bruxas j se beneficiaram com o mtodo do
Feiticexpresso!

Madame Z. Nettles of Topsham nos escreve:
"Eu no tinha memria para guardar encantamentos e minhas
poes eram motivo de riso na famlia!
Agora, depois do curso Feiticexpresso, sou o centro das atenes
nas festas, e meus amigos me pedem a receita da Minha Soluo Cintilante!"

Bruxo D. J. Prod of Didsbury nos conta:
"Minha mulher costumava caoar dos meus feitios pouco eficientes,
mas depois de um ms no seu fabuloso Feiticexpresso consegui
transform-la num iaque! Muito obrigado, Feiticexpresso!

        Fascinado, Harry correu os dedos pelo resto do contedo
 do envelope. Para que na vida Filch queria um curso
feiticexpresso? Ser que isto queria dizer que ele no era um
bruxo formado? Harry estava comeando a ler a "Lio Um:
Como segurar sua varinha (Algumas dicas teis)" quando o rudo de passos 
arrastados pelo corredor lhe avisara que
Filch estava voltando. Harry enfiou o pergaminho
de volta no envelope e atirou-o sobre a mesa pouco antes da porta se abrir.
        Filch exibia um ar triunfante.
        - Aquele armrio que desaparece foi muitssimo valioso! - disse todo 
alegre 
Madame Nor-r-ra. - Vamos acabar com o
Pirraa desta vez, minha doce...
        Seus olhos pousaram em Harry e da correram para o envelope do
Feiticexpresso que, o garoto percebeu tarde demais,
fora colocado meio metro mais longe do que estava antes.
        A cara cerosa de Filch ficou vermelho-tijolo. Harry se preparou para uma 
mar de fria.
Filch capengou at a escrivaninha, agarrou o envelope e jogou-o dentro
de uma gaveta.
        -Voc... vocleu...?-gaguejou.
        - No - mentiu Harry depressa.
        Filch torcia as mos nodosas.
        - Se eu sonhar que voc leu a minha, minha no, a correspondncia de um 
amigo, seja como for, mas...
        Harry olhava fixo para ele, assustado; Filch nunca parecera mais 
furioso. Seus olhos saltavam, um tique nervoso estremecia sua bochecha mole, e o 
leno
escoces nao melhorava sua aparncia.
        - Muito bem, pode ir, e no diga uma palavra, no que... mas, se voc 
no leu, v logo, tenho que fazer o relatrio sobre o Pirraa, va...
        Espantado com a sua sorte, Harry saiu correndo da sala e
tomou o corredor de volta para o saguo. Escapar da sala de Filch
sem castigo provavelmente era uma espcie de recorde na escola.
        - Harry! Harry! Funcionou?
        Nick Quase Sem Cabea saiu deslizando de uma sala de aula. Atrs dele, 
Harry pde ver os destroos de um grande armrio preto e dourado que parecia ter
sido jogado de uma grande altura.
        - Convenci Pirraa a larg-lo bem em cima da sala de Filch
- disse Nick ansioso. - Achei que iria distra-lo...
        - Aquilo foi voc? - perguntou Harry, grato. - Funcionou
sim, eu no peguei nem uma deteno. Obrigado, Nick!
        Os dois sairam juntos pelo corredor. Nick Quase Sem Cabea, Harry 
reparou, ainda segurava a carta de recusa de Sir
Patrcio.
        -        Eu gostaria de poder fazer alguma coisa sobre a Nick
Quase Sem Cabea - comentou Harry.
        Nick Quase Sem Cabea parou de repente, e Harry passou
por dentro dele. Gostaria de no ter feito isso; era como entrar
embaixo de um chuveiro gelado.
        -        Mas tem uma coisa que voc pode fazer por mim- disse Nick 
animado. - Harry, seria pedir muito, mas, no, voce nao iria...
        -        Aonde?
        -        Bem, este Dia das Bruxas ser o meu qingentsimo aniversrio 
de morte - disse Nick Quase Sem Cabea, empertigando-se com o ar solene.
        -        Ah - exclamou Harry, sem saber se devia fazer cara triste ou 
alegre com a notcia. - Certo.
        -        Estou dando uma festa em uma das masmorras maiores. Vm amigos 
de todo o pas. Seria uma honra to grande se voce pudesse comparecer! O Sr. 
Weasley
e a Srta. Granger tambm seriam muito bem-vindos,  claro, mas voce no vai 
preferir comparecer  festa da escola? - Ele observava Harry cheio de dedos.
        -        No - disse Harry depressa-, eu vou...
        -        Meu caro rapaz! Harry Potter no meu aniversrio de morte! E... 
- hesitou, parecendo agitado - voc acha que seria possvel mencionar a Sir 
Patrcio
que me acha muito assustador e impressionante?
        -        Claro... claro.
        O rosto de Nick Quase Sem Cabea se abriu num grande sorriso.
- Uma festa de aniversrio de morte? - disse Hermione muito interessada quando
Harry finalmente trocou de roupa e foi-se reunir a ela e a Rony na sala comunal.
- Aposto que no existe muita gente viva que possa dizer que foi a uma festa 
dessas, vai ser fascinante!
    - Por que algum iria querer comemorar o dia em que
morreu? - exclamou Rony, que estava quase terminando o dever
de Poes, maHhumorado. - Me parece uma coisa mortalmente deprimente...
        A chuva continuava a aoitar as janelas, que agora estavam pretas feito 
tinta, mas dentro da sala tudo parecia claro e alegre. As chamas da lareira 
iluminavam
as inmeras poltronas fofas onde os alunos estavam sentados lendo, conversando, 
fazendo o dever de casa ou, no caso de Fred e Jorge Weasley, tentando descobrir 
o
que aconteceria se a pessoa fizesse uma salamandra comer um fogo Filibusteiro. 
Fted "salvara" o lagarto de couro laranja, que vive no fogo, de uma aula de O 
Trato
das Criaturas Mgicas, e ele agora fumegava suavemente em cima de uma mesa 
rodeada de meninos curiosos.
        Harry ia comear a contar a Rony e Mione sobre Filch e o curso
Feiticexpresso quando, de repente, a salamandra saiu rodopiando descontrolada 
pelo ar, soltando
fagulhas e estampidos. A viso de Percy berrando de ficar rouco com Fred e 
Jorge, a exibio espetacular de estrelas cor de tangerina que jorravam da boca 
da salamandra
e sua fuga para a lareira, acompanhada de exploses, afugentaram Filch e o 
envelope do
Feiticexpresso da cabea de Harry.

At chegar o Dia das Bruxas, Harry j se arrependera de sua promessa precipitada 
de ir  festa do aniversrio de morte. O resto da escola estava animado com a 
proximidade
da Festa das Bruxas; o Salo Principal fora decorado com os morcegos vivos de 
sempre, as enormes abboras de
Hagrid tinham sido recortadas para fazer lanternas to
grandes que cabiam trs homens dentro, e havia boatos de que Dumbledore 
contratara uma trupe de esqueletos
danarios para divertir o pessoal.
        - Promessa  dvida - Mione lembrou a Hlarry com ar de mandona. - Voc 
disse que iria ao aniversrio de morte.
        Ento, s sete horas, Harry, Rony e Mione passaram direto pela porta do 
Salo Principal apinhado de gente, que brilhava convidativo com pratos de ouro e
velas, e tomaram o caminho das masmorras.
        O corredor que levava  festa de Nick Quase Sem Cabea tinha sido 
iluminado, tambm, com velas em toda a sua
extenso,
 embora o efeito no fosse nada alegre: eram velas longas, finas e pretas, de 
luz azul, que projetavam uma claridade fantasmagrica mesmo nos rostos de gente
viva. A temperatura caa a cada passo que davam. Quando Harry estremeceu e puxou 
as vestes mais para junto do corpo, ouviu um som que lembrava mil unhas 
arranhando
um imenso quadro-negro.
        -        Ser que isso  msica? - cochichou Rony. Eles dobraram um 
canto e viram Nick Quase Sem Cabea parado em um
portal adornado com reposteiros de veludo negro.
        -        Meus caros amigos - disse ele pesaroso. - Sejam bemvindos, 
sejam
bem-vindos... fico to contente que tenham podido vir...
        E tirou o chapu emplumado fazendo uma reverncia e
indicando a porta.
        Era uma cena incrvel. A masmorra continha centenas de pessoas 
esbranquiadas e translcidas, a maioria deslizando por uma pista de dana, 
valsando ao som
medonho de trinta serrotes musicais, tocados por uma orquestra reunida em cima 
de uma plataforma drapeada de negro. Um lustre no alto projetava uma luz
azulmeia-noite com outras mil velas negras. A respirao dos garotos se 
condensava, formando uma nvoa  frente deles; parecia que estavam entrando em 
uma cmara
frigorfica.
        -        Vamos dar uma circulada? - sugeriu Harry, querendo esquentar os 
ps.
        -        Cuidado para no atravessar ningum - recomendou Rony, nervoso, 
e os trs saram contornando a pista de dana. Passaram por um grupo de freiras
soturnas, um homem vestido de trapos que usava correntes e o Frade Gordo, um 
alegre fantasma da Lufa-Lufa, que conversava com um cavalheiro que tinha uma 
flecha
espetada na testa. Harry no se surpreendeu ao ver que os outros fantasmas davam 
distncia ao Baro Sangrento, um fantasma da
Sonserina, muito magro, de olhos arregalados
e coberto de manchas de sangue prateado.
        -        Ah, no - exclamou Mione, parando de repente. - Dem meia-
volta, dem meia-volta, no quero falar com a
Murta Que
Geme...
                - Quem? - perguntou Harry ao retrocederem.
        - Ela assombra um boxe no banheiro das meninas no primeiro
 andar - disse Mione.
        -        Ela assombra um boxe?
        -        . O boxe esteve quebrado o ano inteiro porque ela no pra de 
ter acessos de raiva e inundar o banheiro. Eu nunca entrei l sempre que pude 
evitar;
 horrvel tentar fazer xixi com ela gemendo do lado...
        -        Olhem, comida! - exclamou Rony.
        Do lado oposto da masmorra havia uma longa mesa, tambm coberta de 
veludo negro. Eles se aproximaram pressurosos mas no instante seguinte pararam 
de chofre,
horrorizados. O cheiro era bem desagradvel. Grandes peixes podres estavam 
dispostos em belas travessas de prata; bolos carboinzados estavam arrumados em 
salvas;
havia uma grande terrina de picadinho de midos de carneiro cheio de vermes, um 
pedao de queijo coberto de uma camada de mofo esverdeado e, o orgulho do buf, 
um
enorme bolo cinzento em forma de sepultura, com os dizeres em glac de asfalto:
SIR NicoLAs DE MIMsy-PORPINGTON
FALECIDO EM 31 DE OUTUBRO DE 1492.
        Harry observou, espantado, um fantasma imponente se aproximar da mesa, 
abaixar-se e atravess-la, a boca aberta de modo a engolir um salmo fedorento.
        -        O senhor pode provar a comida quando a atravessa? - perguntou-
lhe Harry.
        -        Quase - respondeu o fantasma triste e se afastou.
        -        Imagino que tenham deixado o peixe apodrecer para acentuar o 
gosto - disse
Mione em tom de quem sabe das coisas, apertando o nariz e se debruando
para examinar o picadinho ptrido.
        -        Podemos ir andando? Estou me sentindo enjoado - disse Rony.
        Nem bem tinham se virado, porm, quando um homenzinho saiu voando de 
repente de debaixo da mesa e parou no ar
diante deles.
        -        Al, Pirraa - cumprimentou Harry cauteloso.
        Ao contrrio dos fantasmas  volta, Pirraa, o poltergeist era o oposto 
de plido e transparente. Usava um chapu de
festa laranja-vivo, uma gravata-borboleta giratria e exibia um
largo sorriso no rosto largo e maldoso.
        -        Aperitivos - disse simptico, oferecendo aos garotos uma tigela 
de amendoins cobertos de fungo.
        -        No, muito obrigada - disse Mione.
        -        Ouvi voc falando da coitada da Murta - disse Pirraa, os olhos 
danando. - Que grosseria com a coitada. - Ele tomou
flego e berrou: -Oi! MURTA!
        -        Ah, no, Pirraa, no conte a ela o que eu disse, ela vai ficar 
realmente chateada - cochichou
Mione frentica. - No
falei por mal, ela no me incomoda, ah, al, Murta.
        o        fantasma atarracado de uma moa deslizou at eles. Tinha a cara 
mais triste que Harry j vira, meio oculta por cabelos escorridos e espessos, e
culos perolados.
        -        Que foi? - perguntou aborrecida.
        -        Como vai, Murta? - cumprimentou Mione fingindo animao. - Que 
bom ver voc fora do banheiro.
    Murta fungou.
        -        A Srta. Granger estava mesmo falando em voc... - disse Pirraa
sonsamente ao ouvido da Murta.
        -        S estava dizendo... dizendo... como voce est bopita esta 
noite - completou
Mione, fechando a cara para Pirraa.
        Murta olhou para Mione desconfiada.
        -        Voc est caoando de mim - disse, lgrimas prateadas marejando 
rapidamente os seus olhos penetrantes.
        -        No, srio, eu no acabei de falar como a Murta est bonita? - 
falou
Mione, cutucando dolorosamente Harry e Rony
nas costelas.
        -        Ah, claro...
        -Falou...
        -        No mintam para mim - exclamou Murta, as lgrimas agora 
escorrendo livremente pelo rosto, enquanto Pirraa, feliz, dava risadinhas por 
cima do ombro
dela. - Vocs acham que no sei como as pessoas me chamam pelas costas?
Murta Gorda! Murta Feiosa! Murta infeliz, chorona, aptica!
        - Voc esqueceu do espinhenta - sibilou Pirraa ao ouvido dela.
        A Murta Que Geme prorrompeu em soluos aflitos e fugiu
da masmorra. Pirraa disparou atrs dela, jogando amendons mofados e gritando:
- Espinhenta! Espinhenta!
        -        Ah, meu Deus! - lamentou-se Hermtone.
        Nick Quase Sem Cabea agora deslizava por entre os convidados em direo 
aos garotos.
        -        Esto se divertindo?
        -        Ah, claro - mentiram.
        -        Um nmero de convidados bem grande - disse Nick Quase Sem 
Cabea, orgulhoso. - A
rainha viva veio l de Kent... Est quase na hora do meu discurso,
 melhor eu ir avisar a orquestra...
        A orquestra, porm, parou de tocar naquele exato instante. E, todas as 
pessoas na masmorra se calaram, olhando
para
os lados excitadas, ao ouvirem uma trompa de caa.
        -        Ah, l vamos ns - disse Nick Quase Sem Cabea amargurado.
        Pelas paredes da masmorra irromperam doze cavalos fantasmas, cada um 
montado por
um cavaleiro sem cabea. Os convidados aplaudiram calorosamente. Harry
comeou a aplaudir, tambm, mas parou depressa ao ver a cara de Nick.
        Os cavalos galoparam at o meio da pista de dana e pararam, levantando 
e baixando as patas dianteiras. A frente da cavalgada havia um fantasma 
corpulento
que segurava a cabea sob o brao, posiao de onde ele tocava a trompa. O 
fantasma apeou, levantou a cabea no ar de modo que pudesse ver as pessoas 
(todos riram)
e se dirigiu a Nick Quase Sem Cabea, recolocando a cabea sobre o pescoo.
        -        Nick! - rugiu. - Como vai? A cabea ainda pendurada?
        Ele soltou uma gargalhada cordial e deu uma palmadinha
no ombro de Nick Quase Sem Cabea.
        -        Seja bem-vindo, Patrcio - disse Nick secamente.
        -        Gente viva! - exclamou Sir Patrcio, vendo Harry, Rony e
Mione, e dando um grande pulo fingindo espanto, de modo
que sua cabea tornou a cair (os convidados gargalharam).
        -        Muito engraado - disse Nick Quase Sem Cabea com ferocidade.
        -        No liguem para o Nick! - gritou a cabea de Sir Patrcio
l do cho. - Ainda est aborrecido porque no o deixamos se associar  Caada! 
Mas quero dizer... olhem s para ele...
        - Acho - disse Harry depressa, a um olhar significativo de Nick -, Nick 
 muito... assustador e...
        - Ha! - gritou a cabea de Sir Patrcio. - Aposto como ele lhe pediu 
para dizer isso!
        - Se todos pudessem me dar ateno, est na hora do meu discurso! - 
avisou Nick Quase Sem Cabea em voz alta,
caminhando com firmeza at o pdio e tomando
posio sob a luz de um refletor azulgelo.
        "Meus saudosos cavalheiros, damas e senhores, tenho o
grande pesar...
        Mas ningum ouviu muito mais do que isso. Sir Patrcio e os Caadores 
Sem Cabea comearam uma partida de hquei de cabea e as pessoas foram se 
virando
para assistir. Nick Quase Sem Cabea tentou em vo reconquistar sua platia, mas 
desistiu quando a cabea de
Sir Patrcio passou navegando por ele em meio aos berros
de vivas.
        Harry, por esta altura, estava sentindo muito frio, para no
falar na fome.
        - No d para agentar muito mais que isso - murmurou Rony, os dentes 
batendo, quando a orquestra tornou a entrar em ao, e os fantasmas voltaram  
pista
de dana.
        - Vamos - concordou Harry.
        Os trs sairam em direo  porta, acenando com a cabea
e sorrindo para todos que olhavam, e um minuto depois estavam andando depressa 
pelo corredor cheio de velas.
        - Talvez o pudim ainda no tenha acabado - disse Rony esperanoso, 
seguindo  frente em direo  escada do saguo de entrada.
        E ento Harry ouviu.
" rasgar... romper... matar.."
        Era a mesma voz, a mesma voz glida e assassina que ouvira na sala de
Lockhart.
        Ele parou quase tropeando, apoiando-se na parede de pedra, escutando 
com toda a ateno, olhando para os lados, apertando os olhos para ver nos dois 
sentidos
do corredor mal iluminado.
        - Harry, que  que voc...?
-  aquela voz de novo, fiquem quietos um minuto... "tanta fome... tanto 
tempo..."
        - Ouam! - disse Harry com urgncia, e Rony e Mione pararam, observando-
o.
" matar.. hora de matar..."
        A voz foi ficando mais fraca. Harry tinha certeza de que estava se 
afastando - se afastando
para o alto. Uma mistura de medo e excitao se apoderou dele
ao fixar o olhar no teto escuro; como  que ela podia estar se afastando para o 
alto? Seria um fantasma, para quem tetos de pedra no faziam diferena?
        - Por aqui - gritou ele e comeou a subir correndo as escadas para o 
saguo. No adiantava querer ouvir nada ali, o vozerio na festa do Salo 
Principal ecoava
pelo saguo. Harry subiu correndo a escadaria de mrmore at o primeiro andar, 
com Rony e
Mione nos seus calcanhares.
        - Harry, que  que estamos...
-PSIU!
        Harry apurou os ouvidos. Longe, vinda do andar de cima, cada vez mais 
fraca, ele ouviu a voz:
        ".. Sinto cheiro de sangue... SINTO CHEIRO DE SANGUE!" Sentiu um aperto 
no estmago...
        - Vai matar algum! - gritou ele, e sem dar ateno aos rostos perplexos 
de Rony e
Mione,0 subiu correndo o lance seguinte de escada, trs degraus de cada
vez, tentando escutar apesar do barulho que seus passos faziam...
        Harry precipitou-se pelo segundo andar, Rony e Mione ofegantes atrs 
dele, e no parou at entrar no ltimo corredor deserto.
        - Harry, do que  que voc estava falando? - perguntou Rony, enxugando o 
suor do rosto. - Eu no ouvi nada...
        Mas Mione soltou uma sbita exclamao, apontando para o corredor.
        - Olhem!
        Alguma coisa brilhava na parede em frente. Eles se aproximaram
devagarinho, apertando os olhos para ver na penumbra. Algum tinha pintado 
palavras de uns
trinta centmetros na parede entre as duas janelas, que refulgiam  luz das 
chamas das tochas.
A CMARA DOS SEGREDOS FOI ABERTA.
INIMIGOS DO HERDEIRo CUIDADO.
        - Que coisa  aquela, pendurada ali embaixo? - perguntou Rony, com um 
ligeiro tremor na voz.
        Ao se aproximarem, Harry quase escorregou - havia uma grande poa de 
gua no
cho; Rony e Mione o seguraram, e continuaram a avanar devagar at a mensagem,
os olhos fixos na sombra escura embaixo. Os trs logo perceberam o que era e 
deram um salto para trs espalhando gua.
        Madame Nor-r-ra, a gata do zelador, estava pendurada pelo
        rabo em um suporte de tocha. Estava dura como um pau, os
        olhos arregalados e fixos.
        Durante alguns segundos eles no se mexeram. Ento Rony
        falou:
        - Vamos daro fora daqui.
        - Ser que no devamos tentar ajudar... - comeou a dizer Harry, sem 
jeito.
        - Confie em mim - disse Rony. - No podemos ser encontrados aqui.
        Mas era tarde demais. Um ronco, como o de um trovo distante, informou-
lhes que a festa terminara naquele instante. De cada ponta do corredor onde 
estavam,
ouviram o barulho de centenas de ps que subiam as escadas, e a conversa alta e 
alegre de gente bem alimentada; no instante seguinte os alunos entravam aos 
encontres
pelos dois lados do corredor.
        A conversa, o bulcio, o barulho morreu de repente quando os garotos que 
vinham  frente viram o gato
pendurado. Harry, Rony e Mione estavam sozinhos no meio
do corredor e os estudantes que se empurravam para ver a cena macabra se 
calaram.
        Ento algum gritou em meio ao silncio.
        - Inimigos do herdeiro, cuidado! Vocs vo ser os prximos, sangues 
ruins!
        Era Draco Malfoy. Ele abrira caminho at a frente dos alunos, seus olhos 
frios muito intensos, seu rosto, em geral plido, corara, e ele ria diante do 
gato
pendurado imvel.

*****



-CAPTULO NOVE-
A pichao na parede

- Que est acontecendo aqui? Que est acontecendo?
        Atrado, sem dvida, pelo grito de Draco, Argo Filch apareceu, abrindo 
caminho com os ombros por entre os alunos aglomerados. Ento ele viu Madame
Nor-r-ra
e recuou, levando as mos ao rosto horrorizado.
        - Minha gata? Minha gata! Que aconteceu a Madame Norr-ra? .-. gritou 
ele.
        E seus olhos saltados pousaram em Harry.
        - Voc!- gritou. - Voc! Voc assassinou a minha gata? Voc a matou! Vou 
mat-lo! Vou...
        -Argo!
        Dumbledore chegara  cena, seguido de vrios professores. Em segundos, 
passou por Harry, Rony e
Hermione e soltou Madame Nor-r-ra do porta-archote.
        - Venha comigo, Argo - disse a Filch. - Os senhores tambm,
Sr. Potter, Sr. Weasley e Stta. Granger.
        Lockhart deu um passo  frente pressuroso.
        - A minha sala fica mais prxima, diretor, logo aqui em cima, por favor, 
fique  vontade...
        - Muito obrigado, Gilderoy - disse Dumbledore.
        Os presentes se afastaram para os lados em silncio para deix-los 
passar.
Lockhart, com o ar agitado e importante, acompanhou Dumbledore, apressado; o 
mesmo
fizeram a Profa. McGonagall e o Prof. Snape.
        Ao entrarem na sala escura de Lockhart, ouviram uma agitao
passar pelas paredes; Harry viu vrios Lockharts nas molduras se esconderem, com 
os cabelos presos em rolinhos. O verdadeiro
Lockhart acendeu as velas sobre
a escrivaninha e se afastou um pouco. Dumbledore ps Madame Nor-r-ra na 
superfcie polida e comeou a examin-la. Harry, Rony e
Hermione trocaram olhares tensos
e se sentaram, observando, em cadeiras fora do crculo iluminado pelas velas.
        A ponta do nariz comprido e curvo de Dumbledore estava a menos de trs 
centmetros do plo de Madame
Nor-r-ra. Ele a examinou atentamente atravs dos culos
de meia-lua, apalpou-a e cutucou-a com os dedos longos. A Profa.
McGonagall estava curvada quase to prxima, os olhos apertados.
Snape esticava-se por trs deles,
meio na sombra, com uma expresso estranhssima no rosto: era como se estivesse 
fazendo fora para nao sorrir. E
Lockhart andava  volta do grupo, oferecendo sugestes.
        - Decididamente foi um feitio que a matou, provavelmente a Tortura
Transmogrifiana. J a usaram muitas vezes, que pena que eu no estava presente, 
conheo
exatamente o contrafeitio que a teria salvado...
        Os comentrios de Lockhart eram pontuados pelos soluos secos e 
violentos de
Filch. Ele se afundara em uma cadeira ao lado da escrivaninha, incapaz de olhar
para Madame Nor-rra, o rosto coberto com as mos. Por mais que detestasse
Filch, Harry no pde deixar de sentir uma certa pena dele, embora no tanta 
quanto a que
sentia de si mesmo. Se Dumbledore acreditasse em Filch, o garoto com certeza
seria expulso.
        Dumbledore agora murmurava palavras estranhas para si mesmo, tocando 
Madame
Nor-r-ra com a varinha mas nada aconteceu: ela continuava parecendo que fora
empalhada recentemente.
        Lembro-me de algo muito parecido que aconteceu em Ouagadogou - disse
Lockhart -, uma srie de ataques, a histria completa se encontra na minha 
autobiografia,
naquela ocasio pude fornecer aos habitantes da cidade vrios amuletos, que 
resolveram imediatamente o problema...
        As fotografias de Lockhart na parede concordavam com a
 cabea quando ele falava. Uma delas se esquecera de tirar a
rede dos cabelos.
        Finalmente Dumbledore se ergueu.
        -        A gata no est morta, Argo - disse ele baixinho.
        Lockhart parou imediatamente de contar o nmero de assassinatos que 
evitara.
        - No est morta? - engasgou-se Filch, olhando por entre os dedos para 
Madame
Nor-r-ra. - Ento por que  que ela
        est toda... toda dura e gelada?
        -        Ela foi petrificada - disse Dumbledore ("Ah Eu bem que achei!", 
disse
Lockhart.) - Mas de que forma, eu no sei dizer..
        -        Pergunte a ele! - gritou Filch, virando o rosto manchado e 
escorrido de lgrimas para Harry.
        -        Nenhum aluno de segundo ano poderia ter feito isto - disse
Dumbledore com firmeza. - Seria preciso conhecer Magia Negra avanadssima...
        - Foi ele, foi ele! - cuspiu Filch, o rosto balofo congestionado. - O 
senhor viu o que ele escreveu na parede! Ele encontrou... no meu escritrio.., 
ele
sabe que eu sou um... sou um...
-        O rosto de Filch se contorceu de modo horrendo. - Ele sabe que sou um 
aborto! - terminou.
        -Jamais encostei o dedo em Madame Nor-r-ra! - disse Harry em voz alta, 
sentindo-se incomodado por saber que todos o olhavam, inclusive todos os
Lockharrt
nas paredes. - Nem mesmo sei o que  um aborto.
        -        Mentira! - rosnou Filch. - Ele viu a carta do Feiticexpresso!
        -        Se me permite falar, diretor - disse Snape de seu lugar nas 
sombras, e Harry sentiu seus maus pressentimentos aumentarem; tinha certeza de 
que nada
que Snape tivesse a dizer iria benefici-lo.
        "Talvez Potter e seus amigos simplesmente estivessem no lugar errado na 
hora errada", disse ele, um ligeiro trejeito de desdm lhe encrespando a boca 
como
se duvidasse do que dizia. "Mas temos um conjunto de circunstncias suspeitas 
neste caso. Por que  que estavam no corredor do andar superior? Por que no 
estavam
na Festa das Bruxas?"
        Harry, Rony e Hermione, todos desataram a dar explicaes sobre a festa 
do aniversrio de morte.
        -        ... havia centenas de fantasmas na festa, que podero confirmar 
que estvamos l...
-        Mas por que no foram depois para a Festa das Bruxas?
- perguntou Snape, os olhos negros faiscando  luz das velas.
- Por que subir quele corredor?
        Rony e Hermione olharam para Harry.
        -        Porque... porque... - disse Harry, o corao disparado; alguma 
coisa lhe disse que seria muito difcil eles acreditarem se confessasse que fora
levado por uma voz sem corpo que ningum, exceto ele, tinha podido ouvir - 
porque estvamos cansados e queramos nos deitar.
        - Sem jantar? - disse Snape, um sorriso vitorioso perpassou o seu rosto 
magro. - Eu no sabia que nas festas os fantasmas ofereciam comida prpria para 
consumo 
de gente viva.
        -        No estvamos com fome - disse Rony em voz alta ao mesmo tempo 
que sua barriga dava um enorme ronco.
        O sorriso maldoso de Snape se ampliou.
        -        Suspeito, diretor, que Potter no esteja dizendo toda a 
verdade. Talvez fosse uma boa idia priv-lo de certos privilgios at que 
esteja disposto 
a nos contar tudo. Pessoalmente, acho que deveria ser suspenso do time de
quadribol da Grifinria at que se disponha a ser honesto.
        - Francamente, Severo - disse a Profa. McGonagall com aspereza -, no 
vejo razo para impedir o menino de jogar quadribol. Esta gata no foi 
enfeitiada 
com
um golpe de vassoura. No h qualquer evidncia de que Potter tenha feito algo 
errado.
        Dumbledore lanou a Harry um olhar penetrante. Seus olhos
azuis cintilantes faziam Harry sentir que estava sendo radiografado.
-        Inocente at que se prove o contrrio, Severo - disse com firmeza.
Snape pareceu furioso. E Filch tambm.
        - Minha gata foi petrificada! - gritou, os olhos esbugalhados. - Quero 
ver algum ser
castigado!
        -        Vamos cur-la, Argo - disse Dumbledore, paciente. - A
Prof. Sprout recentemente obteve umas mandrgoras. Assim que elas crescerem, vou 
mandar fazer
uma poo que ressuscitar Madame Nor-r-ra.
        - Eu fao - Lockhart entrou na conversa. - Devo ter feito
 isto centenas de vezes. Seria capaz de preparar um Tnico Restaurador de 
Mandrgora at dormindo...
E-
        -        Desculpe-me - disse Snape num tom gelado. - Mas creio que sou o 
professor de Poes aqui nesta escola.
        Houve uma pausa muito incmoda.
        -        Vocs podem ir - disse Dumbledote a Harry, Rony e Hermione.
        Os trs saram o mais depressa que puderam sem chegar a correr. Quando 
estavam um andar acima da sala de Lockhart, entraram em uma sala de aula e 
fecharam
a porta silenciosamente. Harry procurou enxergar o rosto dos amigos no escuro.
        - Vocs acham que eu devia ter falado a eles daquela voz que ouvi?
        -        No - respondeu Rony sem hesitar. - Ouvir vozes que ningum 
mais ouve no  bom sinal, mesmo no mundo da magia.
        Alguma coisa na voz de Rony fez Harry perguntar:
        -        Voc acredita em mim, no ?
        -        Claro que acredito - respondeu Rony depressa. - Mas... voce vai 
concordar que  estranho...
        -        Eu sei que  estranho - disse Harry. - A coisa toda  estranha. 
O que era aquela pichao na parede? A Cmara Secreta foi aberta... Que ser que
significa isso?
        -        Sabe, me lembra alguma coisa - disse Rony lentamente.
- Acho que algum certa vez me contou uma histria de uma camara secreta em
Hogwarts... talvez tenha sido o Gui...
        -        E afinal o que  um aborto? - perguntou Harry.
        Para sua surpresa, Rony sufocou uma nsadinha.
        - Bem... no  realmente engraado... mas  o que Filch  - disse ele. - 
Um aborto  algum que nasceu em uma famlia de bruxos mas no tem poderes 
mgicos.
De certa forma  o oposto do bruxo que nasceu trouxa, mas os abortos so muito 
raros. Se Filch est tentando aprender magia em um curso
Feiticexpresso, imagino que
ele seja um aborto. Isto explicaria muita coisa. Por exemplo a razo por que ele 
odeia tanto os alunos.
-        Rony deu um sorriso de satisfao. -  um amargurado. Um relgio bateu 
as horas em algum lugar.
        -        Meia-noite - disse Harry -  melhor irmos deitar antes que 
Snape aparea e tente nos culpar de outra coisa qualquer.
Durante alguns dias, a escola praticamente nao conseguiu falar de outra coisa a 
no ser do ataque
 Madame Nor-r-ra. Filch o manteve vivo na lembrana de todos,
perambulando pelo lugar onde ela fora atacada, como se achasse que o atacante 
poderia voltar. Harry o vira esfregando a mensagem na parede com Removedor 
Mgico Multiuso
Skower, mas sem resultado; as palavras continuavam a brilhar na pedra, mais 
fortes que nunca. Quando Filch no estava guardando a cena do crime, esquivava-
se pelos
corredores, os olhos vermelhos, investindo contra estudantes distrados e 
tentando impingirlhes uma deteno por coisas do tipo "respirar fazendo barulho" 
e "parecer
feliz".
        Gina Weasley parecia ter ficado muito perturbada com o
destino de Madame Nor-r-ra. Segundo Rony, ela adorava gatos.
        - Mas voc nem chegou a conhecer Madame Nor-r-ra direito - disse Rony 
animando-a. - Francamente, estamos muito melhor sem ela. - Os lbios de Gina 
tremeram.
- Coisas assim no acontecem todo dia em Hogwarts - tranqutlizou-a Rony. - Vo 
pegar o manaco que fez isso e mand-lo embora daqui na hora. S espero que ele 
tenha
tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso. Brincadeirinha... - 
acrescentou Rony depressa, ao ver Gina
empalidecer.
        O ataque tambm afetara Mione. Tornou-se comum ela passar muito tempo 
lendo, mas agora no fazia quase mais nada. Nem Harry e Rony tampouco obtinham 
alguma
resposta quando lhe perguntavam o que pretendia fazer, e somente na quarta-feira 
seguinte ficaram sabendo.
        Harry se demorara na sala de Poes, onde Snape o retivera depois da 
aula para raspar os vermes deixados em cima das carteiras. Depois de um almoo 
apressado,
ele foi ao encontro de Rony na biblioteca e viu Justino Finch-Fletchley, o 
garoto da Lufa-Lufa que tinham conhecido na aula de Herbologia, vindo em sua 
direo.
Harry acabara de abrir a boca para dizer "Ol" quando Justino o viu, virou-se 
abruptamente e saiu correndo na direo oposta.
        Harry encontrou Rony no fundo da biblioteca, medindo o
dever de Histria da Magia. O Prof. Binns tinha pedido uma
redao de um metro sobre o "Congresso Medieval de Bruxos
Europeus".
        - No acredito que ainda faltem vinte centmetros... - disse Rony 
furioso, largando o pergaminho, que tornou a se enrolar. - E Mione escreveu um 
metro e
vinte e oito e a letra dela  miudinha.
        - Onde  que ela est agora? - perguntou Harry, pegando a fita mtrica e 
desenrolando a prpria redao.
        - Ali adiante - disse Rony indicando as estantes. - Procurando outro 
livro. Acho que est tentando ler a biblioteca inteira antes do Natal.
        Harry contou a Rony que Justino Finch-Fletchley fugira dele.
        -No sei por que voc se importa - disse Rony escrevendo sem parar, 
fazendo a caligrafia o maior possvel. - Toda
aquela baboseira sobre a importncia de Lockhart...
        Hermione saiu do meio das estantes. Tinha um ar irritado
mas parecia, finalmente, disposta a falar com eles.
        -        Todos os exemplares de Hogwarts: uma histria foram retirados - 
anunciou ela, sentando-se com Harry e Rony. - E tem uma lista de espera de duas
semanas. Eu gostaria de no ter deixado o meu exemplar em casa, mas no consegui 
enfi-lo no malo com todos os livros de Lockhart.
        - Para que voc quer a histria? - perguntou Harry.
        - Pela mesma razo que todo mundo quer: para ler a lenda da Cmara 
Secreta.
        - Que vem a ser isso? - perguntou Harry depressa.
        - Esta  a questo. No consigo me lembrar - disse Mione, mordendo o 
lbio. - E no consigo encontrar a histria em
lugar nenhum...
        - Mione, me deixe ler a sua redao - pediu Rony desesperado, 
consultando o relgio de pulso.
        - No, deixo no - disse a garota com severidade. - Voc teve dez dias 
para termin-la...
        - Eu s preciso de mais cinco centmetros, deixe, vai...
        A sineta tocou. Rony e Mione se dirigiram  aula de Histria da Magia, 
discutindo.
        A Histria da Magia era a matria mais sem graa do programa. O
Prof. Binns, encarregado de ensin-la, era o nico professor fantasma, e a coisa 
mais excitante
que acontecia em suas aulas era ele entrar em classe atravessando o
quadro-negro.
 Velhssimo e enrugado, muita gente dizia que ainda no percebera que estava 
morto. Um belo dia ele simplesmente se levantara para dar aula e deixara o corpo
sentado numa poltrona diante da lareira da sala de professores; sua rotina no 
se alterara nem um pingo desde ento.
        Hoje estava chato como sempre. O Prof. Binns abriu seus apontamentos e 
comeou a ler num tom montono como um aspirador de p velho, at que quase 
todos
os alunos na sala caram num estupor profundo, de que emergiam ocasionalmente o 
tempo suficiente de copiar um nome ou uma data e, em seguida, tornar a 
adormecer. 
Estava falando havia meia hora quando aconteceu uma coisa que nunca acontecera 
antes. Hermione levantou a mo.
        O        Prof. Binns ergueu os olhos no meio de um discurso mortalmente 
maante sobre a Conveno Internacional de Bruxos de 1289 e fez uma cara 
surpresa.
        - Senhorita... ah...?
        -        Granger, professor Eu gostaria de saber se o senhor poderia nos 
contar alguma coisa sobre a Cmara Secreta - pediu Mione com voz clara.
        Dino Thomas, que estivera sentado com a boca aberta, espiando para fora 
da janela, acordou de repente do seu transe; a cabea de
Lil Brown deitada sobre
os braos se ergueu e o cotovelo de Neville Longbottom escorregou da carteira.
        O        Prof. Binns pestanejou.
        -        Minha matria  Histria da Magia - disse ele naquela voz seca 
e asmtica. - Lido comfatos, Srta. Granger, no com mitos nem com lendas. - Ele 
pigarreou
fazendo um barulhinho como o de um giz que se parte e continuou. - Em setembro 
daquele ano, um subcomit de bruxos sardos...
        O        professor gaguejou antes de parar. A mo de Mione estava outra 
vez no ar.
        -        Srta. Granger?
        -        Por favor, professor, as lendas no se baseiam sempre em fatos?
        O        Prof. Binns olhou-a com tal espanto, que Harry teve
certeza de que nenhum aluno, vivo ou morto, jamais o interrompera antes.
-a
        -        Bem - disse o Prof. Binns lentamente -,  um argumento vlido, 
suponho. - Ele estudou Mione como se nunca antes
tivesse olhado direito para um aluno. - Contudo, a lenda de
que a senhorita fala  to sensacionalista e at to absurda que...
        A classe inteira ficou pendurada em cada palavra que o professor dizia. 
Ele correu um olhar mope por todos, rosto por rosto virado em sua direo. 
Harry 
percebeu que ele estava completamente desconcertado por aquela manifestao 
incomum de interesse.
        -        Ah, muito bem - disse vagarosamente. - Vejamos... a Cmara 
Secreta...
        "Os senhores todos sabem,  claro, que Hogwarts foi fundada h mais de 
mil anos... a data exata  incerta... pelos quatro maiores bruxos e bruxas da 
poca.
As quatro casas da escola foram batizadas em homenagem a eles: Godrico
Gryffindor, Helga Hufflepuff, Rowena Ravenclaw e Salazar Slytherin. Eles 
construram este
castelo juntos, longe dos olhares curiosos dos trouxas, porque era uma poca em 
que a magia era temida pelas pessoas comuns, e os bruxos e bruxas sofriam muitas
perseguies."
        Ele fez uma pausa, percorreu a sala com os olhos lacrimejantes e 
continuou:
        -        Durante alguns anos, os fundadores trabalharam juntos, em 
harmonia, procurando jovens que revelassem sinais de talento em magia e 
trazendo-os para
serem educados no castelo. Mas ento surgiram os desentendimentos. Ocorreu uma 
ciso entre
Slytherin e os outros. Slytherin queria ser mais seletivo com relao aos
estudantes admitidos. Ele acreditava que o aprendizado de magia devia ser 
mantido no mbito das famlias inteiramente mgicas. Desagradava-lhe admitir 
alunos de
pais trouxas, pois os achava pouco dignos de confiana. Passado algum tempo 
houve uma sria discusso sobre o assunto entre Slytherin e Gryfflndor, e
Slytherin abandonou
a escola.
        O        Prof. Binns parou de novo, contraindo os lbios, parecendo uma 
velha tartaruga enrugada.
        -  o que nos contam as fontes histricas confiveis. Mas estes fatos 
honestos foram obscurecidos pela lenda fantasiosa
da Cmara Secreta. Segundo ela, Slytherin construiu uma
cmara secreta no castelo, da qual os outros nada sabiam.
        "Slytherin teria selado a Cmara Secreta de modo que ningum pudesse 
abri-la at que o seu legtimo herdeiro chegasse a escola. Somente o herdeiro 
seria
capaz de abrir a Cmara Secreta, libertar o horror que ela encerrava e us-lo 
para
expurgar a escola de todos que no fossem dignos de estudar magia."
        Fez-se silncio quando ele acabou de contar a histria, mas no foi o de 
sempre, o silncio modorrento que dominava as aulas do Prof.
Binns. Havia no ar
um certo constrangimento enquanto todos continuavam a olh-lo, esperando mais. O
Prof. Binns fez um ar ligeiramente aborrecido.
        -        A histria inteira  um perfeito absurdo,  claro. 
Naturalmente, a escola foi revistada  procura de provas da existncia dessa 
cmara, muitas vezes,
pelos bruxos e bruxas mais cultos. Ela no existe. Uma histria contada para 
assustar os crdulos.
        A mo de Mione voltou a se erguer.
        -        Professor.. o que foi exatamente que o senhor quis dizer com "o 
horror que a cmara
encerra"?
        -        Acredita-se que haja algum tipo de monstro, que somente o 
herdeiro de
Slytherin pode controlar - respondeu o Prof.
        Binns com sua voz seca e esganiada.
        Os alunos trocaram olhares nervosos.
        -        Afirmo que a coisa no existe - disse ele folheando suas 
anotaes. -No h Cmara alguma e monstro algum.
        -        Mas, professor - perguntou Simas Finnigan -, se a Cmara s 
pode ser aberta pelo verdadeiro herdeiro
de Slytherin,
        ningum mais seria capaz de encontr-la, no ?
        -        Bobagem, Flaherty - disse o Prof. Binns, num tom irritado. - Se 
uma longa sucesso de diretores e diretoras de
        Hogwarts no encontraram a coisa...
        -        Mas, professor - ouviu-se a voz fina de Parvati Pal -, a 
pessoa provavelmente ter de usar Magia Negra para abri-la...
        -        S porque um bruxo mo usa Magia Negra no significa que no 
possa, senhorita
Pennyfeather - retrucou oProf. Binns.
        - Eu repito, se uma pessoa como Dumbledore...
        -        Mas talvez a pessoa tenha que ser parente de Slytherin, por 
isso Dumbledore no poderia... - comeou Dino Thomas,
mas para o professor aquilo j era demais.
        -        Basta - disse com rispidez. -  um mito! No existe!
No h a mnima prova de que Slytherin tenha algum dia construdo sequer um 
armrio secreto de vassouras!
Arrependo-me de ter contado aos senhores uma histria to
tola. Vamos voltar, faam-me o favor,  histria, aos fatos slidos, criveis e
verificveis!
        E em cinco minutos a classe voltara a mergulhar em seu
torpor habitual.
- Eu sempre soube que Salazar Slytherin era um velho maluco e tortuoso - contou 
Rony a Harry e Mione enquanto tentavam passar pelo corredor apinhado de alunos 
ao
fim das aulas, para guardarem as mochilas antes do jantar - Mas no sabia que 
ele  quem tinha comeado toda essa histria de puro sangue. Eu no ficaria na 
casa
dele nem que me pagassem. Francamente, se o Chapu Seletor tivesse tentado me 
mandar para
Sonserina, eu teria tomado o trem de volta para casa...
        Mione concordou fervorosamente, mas Harry no disse
nada. Sentira o estmago afundar e o comentrio lhe causara
mal estar.
        Harry nunca contara a Rony e Mione que o Chapu Seletor considerara 
seriamente
mand-lo para Sonserina. Ainda lembrava, como se fosse ontem, a vozinha que
lhe falara ao ouvido quando no ano anterior ele colocara o chapu na cabea:
Voc poder ser grande, sabe, est tudo a em sua cabea, e Sonserina o
ajudaria a galgar o caminho para a grandeza, no h dvida...
        Mas Harry, que j ouvira falar da reputao que tinha Sonserina de 
produzir bruxos das trevas, pensou desesperado:
"Sonserina, no!" e o chapu lhe respondera: "Bom, se voc tem certeza... ento 
 melhor
Grifinria...
        Enquanto se deslocavam pela multido, Colin Creevey
passou.
- Oi, Harry!
        - Ol, Colin - respondeu Harry automaticamente.
        - Harry, Harry, um garoto da minha classe anda dizendo que voce...
        Mas Colin era to pequeno que no conseguiu resistir 
mar de gente que o empurrava em direo ao Salo Principal;
eles ouviram sua voz pequenininha:
        -        Vejo voc depois, Harry! - e desapareceu.
        -        O que ser que um garoto da classe dele anda dizendo de voc? - 
perguntou Mione.
        -        Que sou o herdeiro de Slytherin, imagino - disse Harry, o 
estmago afundando mais uns dois centmetros e ele, de repente, lembrou-se de 
Justino 
Finch-Fletchey fugindo dele na hora do almoo.
        -        O pessoal daqui acredita em qualquer coisa - disse Rony 
desgostoso.
        A multido foi-se esgarando e eles puderam subir a escada seguinte sem 
dificuldade.
        -        Voc naturalmente acha que existe uma Cmara Secreta? - 
perguntou Rony a Mione.
        -        No sei - respondeu ela franzindo a testa. - Dumbledore no 
conseguiu curar Madame Nor-r-ra, e isto me faz pensar
que aquilo que a atacou talvez nao fosse... bem... humano.
        Ao falar, eles dobraram um canto e se viram no fim do mesmssimo 
corredor em que ocorrera o ataque. Pararam e olharam. A cena era exatamente a 
daquela noite,
exceto que no havia nenhum gato duro pendurado no porta-archote, e havia uma 
cadeira encostada na parede em que se lia a mensagem "A Cmara Secreta foi 
Aberta".
        -        E onde Filch tem estado de guarda - murmurou Rony.
        Eles se entreolharam. O corredor estava deserto.
        -        No faria mal algum dar uma espiada por a - disse Harry, 
largando a mochila e ficando de quatro de modo a poder
engatinhar  procura de pistas.
        -        Marcas de fogo! - disse. - Aqui... e aqui...
        -        Venham s dar uma espiada nisso! - chamou Mione. - Que coisa 
engraada...
        Harry se levantou e foi at a janela junto  mensagem na parede. Mione 
estava apontando o caixilho superior da janela, onde havia umas vinte aranhas 
correndo 
e brigando para entrar em uma pequena fenda. Um fio longo e prateado estava 
pendurado como uma corda, como se todas o tivessem usado na pressa de sair.
 - Vocs j viram aranhas se comportarem assim? - perguntou Mione pensativa.
        -        No - disse Harry -, e voc, Rony? Rony?
        Ele olhou por cima do ombro. Rony estava parado bem
longe e parecia lutar contra o impulso de correr.
        -        Que aconteceu?-  perguntou Harry.
        -        Eu... nao... gosto... de aranhas - disse Rony muito tenso.
        -        Eu nunca soube disso - comentou Mione, olhando para Rony 
surpresa. - Voc usou aranhas na aula de Poes um
monte de vezes...
        -        No me importo quando esto mortas - explicou Rony, que tomava 
o cuidado de olhar para todo lado menos para a
janela. - No gosto do jeito como elas andam...
        Hermione riu.
        -        No tem graa - disse Rony, furioso. - Se precisa mesmo saber, 
quando eu tinha trs anos, Fred transformou o meu...
meu ursinho numa enorme aranha nojenta porque eu quebrei a vassoura de brinquedo 
dele... Voce tambem
detestaria aranhas se estivesse segurando um urso e de repente 
ele ganhasse um monte de pernas e...
        Ele estremeceu, sem terminar a frase. Mione continuava
obviamente a fazer fora para no rir. Harry, achando que era
melhor mudarem de assunto, disse:
        -        Vocs se lembram daquela gua toda no cho? De onde ter vindo? 
Algum a enxugou.
        -        Estava mais ou menos por aqui - disse Rony, recobrando-se para 
andar at um pouco alm da cadeira de Filch e apontar.
- Na altura desta porta.
        Ele levou a mo  maaneta de lato mas, de repente, puxou a mo como se 
tivesse se queimado.
        -        Que foi? - perguntou Harry.
        -        No posso entrar a - explicou impaciente. -  o banheiro das 
garotas.
        -        Ah, Rony, no vai ter ningum ai - disse Mione, ficando em p e 
se aproximando. -
 o lugar da Murta Que Geme.
Vamos, vamos dar uma olhada.
        E desconsiderando o grande aviso de INTERDITADO,
ela abriu a porta.
        Era o banheiro mais escuro, mais deprimente em que Harry
j entrara. O piso estava molhado e refletia a luz fraca dos
tocos de vela que brilhavam nos castiais: as portas de madeira dos boxes 
estavam descascadas e arranhadas e uma delas se soltara das dobradias.
        Mione levou o dedo aos lbios e se encaminhou para o
ltimo boxe. Ao chegar, disse:
        - Ol, Murta, como vai?
        Harry e Rony foram olhar. A Murta Que Geme estava flutuando acima da 
caixa de descarga do vaso, cutucando uma
manchinha no queixo.
        -        Isto aqui  um banheiro de garotas - disse ela, olhando 
desconfiada para Rony e Harry. -
Eles no so garotas.
        -        No - concordou Mione. - Eu s queria mostrar a eles como... 
ah.,.  bonitinho aqui.
        Ela fez um gesto vago indicando o velho espelho sujo e o
piso molhado.
        -        Pergunte a ela se viu alguma coisa - pediu Harry disfarando.
        -        Que  que voc est cochichando? - perguntou Murta, encarando-
o.
        -        Nada - disse Harry depressa. - Queramos perguntar...
        -        Eu gostaria que as pessoas parassem de falar s minhas costas! 
-. disse
Murta numa voz engasgada de choro. - Eu tenho sentimentos, sabe, mesmo que
 morta...
        -        Murta, ningum quer aborrec-la- disse Mione. - Harry
s...
        -        Ningum quer me aborrecer! Essa  boa! - uivou Murta.
- Minha vida foi uma infelicidade s neste lugar, e agora as pessoas aparecem 
para estragar a minha morte!
        -        Ns queramos perguntar se voc viu alguma coisa esquisita 
ultimamente - falou Mione depressa. - Porque uma gata foi
atacada bem ali na porta de entrada, no Dia das Bruxas.
        -        Voc viu algum por aqui naquela noite? - perguntou Harry.
        -        Eu no estava prestando ateno - respondeu a Murta 
teatralmente. - Pirraa me aborreceu tanto que entrei aqui e
tentei me matar. Depois,  claro, lembrei-me que j estou.,. que
estou...
        -        Morta - disse Rony querendo ajudar.
        Murta soltou um soluo trgico, subiu no ar, deu uma cambalhota e 
mergulhou de cabea no vaso, espalhando gua neles e desaparecendo de vista, 
embora pela
direo dos seus soluos abafados, devesse ter ido pousar em algum ponto da 
curva em U.
        Harry e Rony ficaram boquiabertos, mas Mione deu de
ombros cansada e disse:
        -        Francamente, vindo da Murta isto foi quase animador... Vamos, 
vamos embora.
        Harry mal fechara aporta, abafando os soluos gargarejantes
de Murta, quando uma voz alta fez os trs darem um salto.
-RONY!
        Percy Weasley tinha estacado de repente no alto da escada,
a insgnia de monitor reluzindo e uma expresso de absoluto
choque no rosto.
        -        Isto  um banheiro de garotas! Que  que voc...?
        -        S estava dando uma olhada - Rony sacudiu os ombros.
- Pistas, sabe...
        Percy inchou de um jeito que lembrou a Harry, com eloqncia, a Sra. 
Weasley.
        -        Suma... daqui... - disse Percy, caminhando em direo a eles e 
comeando a afugent-los, agitando os braos. - Vocs nao se
mportam com o que
isto parece? Voltarem aqui enquanto todos esto jantando...
        -        Por que no deveramos estar aqui? - retrucou Rony exaltado, 
parando de repente para encarar Percy. - Olhe aqui, nunca
pusemos um dedo naquela gata!
        -        Foi o que eu disse a Gina - respondeu Percy com ferocidade -, 
mas ainda assim ela parece pensar que voc vai ser expulso, nunca a vi to 
perturbada, 
chorando de se acabar, voc poderia pensar nela, todos os alunos de primeiro ano 
esto excitadssimos com essa histria...
        -        Voc nem se importa com a Gina - disse Rony, cujas
orelhas agora estavam vermelhas. - Voc s est preocupado
que eu estrague suas chances de se tornar monitor-chefe...
        -        Cinco pontos a menos para a Grifinria! - disse Percy concisa e 
autoritariamente, levando a mo  insgnia de monitor.
- E espero que isto seja uma lio para vocs! Nada de trabalho do detetive ou 
vou escrever para a mame!
r
        E saiu a passos firmes, a nuca to vermelha quanto as orelhas de Rony.
quela noite, Harry, Rony e Mione escolheram poltronas na sala comunal o mais 
afastado possvel de Percy. Rony continuava de muito mau humor e no parava de 
borrar
com a pena o dever de Feitios. Quando ele esticou a mo distraidamente para 
remover os borres, ela tocou fogo no pergaminho. Fumegando quase tanto quanto o 
seu
dever, Rony fechou com estrondo o Livro padrao de feitios, 20 srie. Para 
surpresa de Harry Mione fez o mesmo.
        -        Mas quem  que pode ser? - perguntou ela baixinho, como se 
estivesse continuando uma conversa j iniciada. - Quem
iria querer afugentar todos os abortos e trouxas de Hogwatts?
        - Vamos pensar - disse Rony fingindo-se intrigado. - Quem  que 
conhecemos que acha que os que nascem trouxas so
escria?
        Ele olhou para Mione. Mione retribuiu o olhar sem se convencer.
        -        Se voc est pensando no Draco...
        -        Claro que estou! - exclamou Rony. - Voc ouviu quando ele 
disse:
    -"    Voc ser o prximo, Sangue Ruim!", vem c, a gente s precisa
olharpara aquela cara nojenta de rato para saber que  de...
        -        Draco, o herdeiro de Slytherin? - disse Mione cetica.
        -        Olha s a famlia dele - disse Harry, fechando os livros 
tambm. - Todos foram da
Sonserina; ele est sempre se gabando disso. Podiam muito bem
ser descendentes de Slytherin. O pai dele decididamente  bem malvado.
        -        Eles poderiam ter guardado a chave para a Cmara Secreta 
durante sculos! - disse Rony. - Passando-a de pai para
filho...
        -        Bem - disse Mione, cautelosa -, suponhamos que seja possvel...
        -        Mas como vamos provar isso? - disse Harry deprimido.
        - Talvez haja um jeito - disse Mione pausadamente, baixando
a voz ainda mais e lanando um breve olhar a Percy do
outro lado da sala. - Claro que seria difcil. E perigoso, muito
perigoso. Estaramos desrespeitando umas cinqenta normas da escola, acho...
        -        Se, dentro de mais ou menos um ms, voc tiver vontade de 
explicar, voc nos avisa, no ? - disse Rony, irritado.
        -        Muito bem - disse Mione friamente. - O que precisamos  entrar 
na sala comunal da
Sonserina e fazer umas perguntas a Draco, sem ele perceber que 
somos nos.
        -        Mas isto  impossvel - exclamou Harry enquanto Rony dava 
risada.
        -        No, no  - disse Mione. - S precisaramos de um pouco de 
Poo
Polissuco.
        -        Que  isso? - indagaram Rony e Harry juntos.
        -        Snape mencionou essa poo na aula h umas semanas...
        -        Voc acha que no temos nada melhor a fazer na aula de Poes 
do que prestar ateno a Snape? - resmungou Rony.
        -        Ela transforma voc em outra pessoa. Pense s nisso! Poderamos 
nos transformar em alunos da
Sonserina. Ningum saberia que somos ns. Draco provavelmente
nos contaria qualquer coisa. Provavelmente anda se gabando disso na sala comunal 
da
Sonserina neste instante, se ao menos pudssemos ouvi-lo.
        -        Essa histria de Polissuco me parece meio suspeita - disse 
Rony, franzindo a testa. - E se a gente acabasse parecendo trs alunos da
Sonserina para
sempre?
        -        Sai depois de algum tempo - disse Mione, fazendo um gesto de 
impacincia. - Mas conseguir arranjar a receita vai ser muito difcil. Snape 
falou
que estava em um livro chamado Pociones muy potentes e vai ver est na Seo 
Reservada da biblioteca.
        S havia um jeito de retirar um livro da Seo Reservada:
o aluno precisava de uma permisso escrita do professor.
        -        Vai ser difcil entender por que queremos o livro - disse Rony 
-, se no temos inteno de preparar uma das poes.
        -        Acho - disse Mione - que se fizermos parecer que s estamos 
interessados na teoria, talvez haja uma chance...
        -        Ah, qual , nenhum professor vai cair nessa - disse Rony.
- Teria que ser muito tapado...

*****

- CAPTULO DEZ -
O balao errante

Desde o desastroso episdio com os diabretes, o Prof. Lockhart no trouxera mais 
seres vivos para a aula. Em vez disso, lia trechos dos seus livros para os 
alunos,
e, por vezes, dramatizava algumas passagens mais pitorescas. Em geral ele 
escolhia Harry para ajud-lo nessas dramatizaes; at aquele momento o garoto 
fora obrigado
a representar um campons simplrio da Transilvnia, de quem Lockhart curara um 
feitio de gagueira, um iti com um resfriado na cabea e um vampiro que se 
tornara 
incapaz de comer outra coisa a no ser alface, depois que Lockhart dera um jeito 
nele.
        Harry foi chamado  frente da classe na aula seguinte de Defesa contra 
as Artes das Trevas, desta vez para representar um lobisomem. Se no tivesse uma 
boa 
razo para deixar Lockhart de bom humor, ele teria se recusado.
        - Um belo uivo, Harry, exato, e ento, queiram acreditar, eu saltei 
sobre ele, assim,joguei-o contra a porta, assim, consegui cont-lo com uma das 
mos,
com a outra apontei a varinha para o pescoo dele, e ento reuni toda a fora 
que me restava e lancei o Feitio
Homorfo, muitssimo complicado, e ele soltou um gemido
de dar pena... vamos, Harry mais alto, bom, o plo dele desapareceu, as presas 
encurtaram, e ele voltou a virar homem. Simples, mas eficiente, e mais uma 
aldeia
que se lembrar de mim para sempre como o heri que os salvou do terror
 dos ataques de lobisomem.
        A sineta tocou e Lockhart ficou em p.
        - Dever de casa... compor um poema sobre a minha vitria sobre o 
lobisomem de
Wagga Wagga! Exemplares autografados de O meu eu mgico para o autor do melhor
trabalho!
        Os alunos comearam a sair. Harry voltou ao fundo da
sala, onde Rony e Mione esperavam.
        - Prontos? - murmurou Harry.
        - Espere at todos sairem - pediu Mione nervosa. - Certo...
        Ela se aproximou da mesa de Lockhart, um papelzinlio seguro firmemente 
na mo, Harry e Rony logo atrs.
        - Ah... Prof. Lockhart? - gaguejou Mione. - Eu queria... retirar este 
livro da biblioteca. S para ter uma idia geral do assunto. - Ela estendeu o 
papelzinho,
a mo ligeiramente trmula. - Mas o problema  que ele  guardado na Seo 
Reservada da biblioteca, ento preciso que um professor autorize, tenho certeza 
de que
o livro me ajudaria a entender o que o senhor diz em Como se divertir com 
vampiros sobre os venenos de ao retardada...
        - Ah, Como se divertir com vampiros!- exclamou Lockhart apanhando o 
papelzinho de Hermione e lhe dando um grande sorriso. - Possivelmente  o livro 
de que 
mais gosto. Voc gostou?
        - Gostei - disse Hermione depressa. - Muito esperto o modo com que o 
senhor apanhou aquele ltimo, com o coador de ch...
        - Bem, tenho certeza de que ningum vai se importar que eu d  melhor 
aluna do ano uma ajudinha extra - disse Lockhart calorosamente, e puxou uma 
enorme 
pena de pavio. - Bonita, no ? - disse ele, interpretando mal a expresso de 
indignao no rosto de Rony. - Em geral eu a uso para autografar livros.
        Ele rabiscou uma enorme assinatura cheia de floreios no
papel e devolveu-o a Hermione.
        - Ento, Harry - disse Lockhart, enquanto Hermione dobrava o papel com 
dedos nervosos e o guardava na mochila. - Creio que amanh  a primeira partida 
de
quadribol da temporada. Grifinria contra Sonserina, no ? Ouvi dizer que voce
 um jogador muito til. Eu tambm fui apanhador. Convidaram-me para tentar a 
seleo
nacional, mas preferi dedicar minha vida  erradicao das Foras das Trevas. 
Ainda assim, se algum dia voc achar que precisa de um treino pessoal, no 
hesite em 
me pedir. Fico sempre feliz de passar minha experincia a jogadores menos 
capazes...
        Harry fez um barulhinho discreto na garganta e saiu correndo atrs de 
Rony e Hermione.
        -        Eu no acredito - disse ele quando os trs examinaram a 
assinatura no papel. - Ele nem olhou o nome do livro que
queramos.
        -         porque ele  um panaca desmiolado - disse Rony. - Mas quem se 
importa, temos o que precisvamos...
        -        Ele no  um panaca desmiolado - disse Hermione em voz alta 
quando se dirigiam quase correndo  biblioteca.
        -        S porque ele disse que voc  a melhor aluna do ano...
        Eles baixaram a voz ao entrar na quietude abafada da biblioteca. Madame
Pince, a bibliotecria, era uma  mulher magra e irritvel que parecia um urubu 
subnutrido.
        - Pociones muy potentes?- repetiu ela desconfiada, tentando tirar a 
autorizao da mo de Hermione; mas a garota no deixou.
        -        Eu pensei que talvez pudesse guardar a autorizao - disse 
Hermione ofegante.
        - Ah, qual ? - protestou Rony, arrancando a autorizao da mo dela e 
entregando-a  Madame Pince. - Ns lhe arranjamos outro autgrafo. Lockhart 
assina
qualquer coisa que fique parada tempo suficiente.
        Madame Pince ergueu o papel contra a luz, como se estivesse decidida a 
descobrir uma falsificao, mas a autorizao passou no teste. Ela desapareceu 
silenciosamente
entre as estantes altas e voltou vrios minutos depois trazendo um livro grande 
de aparncia mofada. Hermione guardou-o cuidadosamente na mochila e os trs 
foram
embora, procurando no andar demasiado rpido nem parecer muito culpados.
        Cinco minutos depois, estavam barricados mais uma vez no banheiro 
interditado da
Murta Que Geme. Hermione tinha vencido as objees de Rony lembrando que
seria o ltimo lugar em que algum sensato Iria, e com isso garantiram alguma 
privacidade. Murta Que Geme chorava alto no seu boxe, mas eles no lhe prestavam 
ateno 
nem a fantasma aos garotos.
        Hermione abriu o Pociones muy potentes com cuidado, e os trs
se debruaram sobre as pginas manchadas de umidade. Era
claro, ao primeiro olhar, a razo por que o livro pertencia 
Seo Reservada. Algumas das poes produziam efeitos medonhos
demais s de se imaginar, e havia algumas ilustraes muito impressionantes, que 
incluam um homem que parecia ter virado do avesso e uma bruxa com vrios
pares de brao que saam da cabea.
        - Aqui - exclamou, excitada, ao encontrar a pgina intitulada A Poo 
Polissuco. Estava decotada com desenhos de pessoas a meio caminho de se 
transformarem
em outras. Harry sinceramente desejou que as expresses de dor intensa em seus 
rostos fossem imaginao do artista.
        - Esta  a poo mais complicada que j vi - disse Hermione quando 
examinavam a receita. -
Hemerbios, sanguessugas, descutainia e sanguinria - murmurou
ela, correndo o dedo pela lista de ingredientes. - Bem, esses so bem fceis, 
esto no armario dos alunos, podemos tirar o que precisarmos...
Ah, olhem s isso,
p de chifre de bicrnio, no sei onde vamos arranjar isso... pele de
ararambia picada, essa vai ser uma fria tambm... e,  claro, um pedacinho da 
pessoa em quem
quisermos nos transformar.
        - D para repetir isso? - pediu Rony rspido. - Que  que voc quer 
dizer com um pedacinho da pessoa em quem quisermos nos transformar? No vou 
tomar nada
que tenha unhas do p de Crabbe dentro...
        Herrnione continuou como se no tivesse ouvido o amigo.
        - Ainda no temos que nos preocupar com isso, porque os pedacinhos s 
entram no fim...
        Rony virou-se, sem fala, para Harry, que tinha outra preocupao.
        - Voc percebe quanta coisa vamos ter que roubar, Mione? Pele de 
aratambia picada, decididamente no est no armrio dos alunos. Que vamos 
fazer, assaltar
o estoque particular de Snape? No sei se  uma boa idia...
        Hermione fechou o livro com fora.
        - Bem, se voces dois vao amarelar, otimo. - Seu rosto se
malhara de vermelho vivo e os olhos cintilavam mais do que o
normal. - Eu no quero desrespeitar o regulamento, vocs sabem muito bem. Acho 
que ameaar gente que nasceu trouxa e
muito mais srio do que preparar uma poo difcil. Mas se
vocs no querem descobrir se  o Draco, eu vou direto 
Madame Pince agora mesmo e devolvo o livro, e...
        -        Eu nunca pensei que veria o dia em que voc nos convenceria a 
desrespeitar o regulamento - disse Rony - Muito bem, ns topamos. Mas unhas dos 
ps
no, est bem?
        -        E quanto tempo vai levar para preparar a poo? - perguntou 
Harry, de cara feliz, quando Hermione reabriu o livro.
        -        Bom, uma vez que a descurainia tem que ser colhida na lua cheia 
e os
hemerbios precisam cozinhar durante vinte e um dias... eu diria que vai levar
mais ou menos um ms para ficar pronta, se conseguirmos todos os ingredientes.
        -        Um ms? - exclamou Rony. - At l, Draco poderia
atacar metade dos nascidos trouxas na escola! - Mas os olhos de Hermione 
tornaram a se estreitar
perigosamente e ela acrescentou depressa:
        -        Mas  o melhor plano que temos, portanto, vamos tocar
para a frente a todo vapor! 
        No entanto, quando Hermione foi verificar se a barra estava limpa para 
eles sairem do banheiro, Rony cochichou para
Harry:
        -        Daria muito menos trabalho se voc simplesmente derrubasse 
Draco da vassoura amanh.
Harry acordou cedo no sbado e continuou deitado por algum tempo, pensando na 
partida de quadribol que se aproximava. Estava nervoso, principalmente quando 
pensava
no que Wood diria se a Grifinria perdesse, mas tambm com a idia de enfrentar 
um time montado nas vassouras de corrida mais velozes que o ouro podia comprar.
Nunca
tivera tanta vontade de vencer a Sonserina. Depois de passar meia hora deitado 
ali com as tripas dando ns, ele se levantou, se vestiu e desceu logo para tomar
caf
e j encontrou o testo dos jogadores da Grifinria sentados juntos  mesa 
comprida e vazia, todos parecendo nervosos e falando muito pouco.
         medida que as onze horas se aproximaram, a escola inteira comeou a 
tomar o caminho do estdio de quadribol.
        Fazia um dia mormacento com sinais de trovoada no ar. Rony
e Hermione vieram correndo desejar a Rarry boa sorte quando ele ia entrando no
vestirio. O time vestiu os uniformes
vermelhos da Grifinria e depois se sentou para ouvir a preleo que Wood sempre 
fazia antes do jogo.
        -        Hoje, Sonserina tem vassouras melhores que ns - comeou ele. - 
No adianta negar. Mas ns temos jogadores melhores nas nossas vassouras. 
Treinamos
com maior garra do que eles, estivemos no ar fosse qual fosse o tempo... ("Quem 
duvida", murmurou Jorge Weasley. "No sei o que 
estar seco desde agosto")... e 
vamos fazer com que eles se arrependam do dia em que deixaram aquele trapaceiro 
do Draco pagar para entrar no time.
        O peito arfando de emoo, Wood virou-se para Harry.
        -        Vai dependerde voc, Harry, mostrar a eles que um apanhador tem 
que ter mais do que um pai rico. Chegue ao pomo antes de Draco ou morra 
tentando,
porque temos que vencer hoje,  muito simples.
        -        Por isso nada de pression-lo, Harry - disse Fred piscando o 
olho.
        Quando entraram no campo, foram saudados por um vozerio, muitos vivas, 
porque a
Corvinal e a Lufa-Lufa estavam ansiosas para ver a Sonserina derrotada, mas
os alunos da Sonserina nas arquibancadas vaiaram e assobiaram, tambm. Madame
Hooch, a professora de quadribol, mandou Flint e Wood se apertarem as mos, o 
que eles
fizeram, lanando um ao outro olhares ameaadores e pondo mais fora no aperto 
que era necessrio.
        -        Quando eu apitar - disse Madame hooch. -Trs... dois... um...
        Com um rugido de incentivo das arquibancadas, os catorze jogadores 
subiram em direo ao cu carregado. Harry foi mais alto do que qualquer outro, 
apertando 
os olhos  procura do pomo.
        -        Tudo bem a,  Cicatriz? - berrou Draco, passando por baixo 
dele como se quisesse mostrar a velocidade de sua vassoura.
        Harry no teve tempo de responder. Naquele mesmo instante, um pesado 
balao negro veio voando a toda em sua direo; ele o evitou por to pouco que 
sentiu
o balao arrepiar seus cabelos ao passar.
        -        Esse foi por um triz, Harry! - dissejorge, emparelhando
com ele de basto na mo, pronto para rebater o balao para os lados de um 
jogador da
Sonserina. HarryviuJorge dar uma forte bastonada na direo de Adriano
Pucey,
mas o balao mudou de rumo em pleno ar e tornou a voar direto para Harry.
        O garoto mergulhou depressa para evit-lo, e Jorge conseguiu atingir o 
balao com fora na direo de Draco. Mais uma vez, o balao voltou como um 
bumerangue 
e disparou contra a cabea de Harry.
        Harry imprimiu velocidade  vassoura e voou para o outro extremo do 
campo. Ouvia o assobio do balao vindo em seu encalo. Que estava acontecendo? 
Os
balaos
nunca se concentravam em um unico jogador; sua funo era tentar desmontar o 
maior nmero possvel de jogadores...
        Fred Weasley aguardava o balao no outro extremo. Harry
se abaixou quando Fred rebateu o balao com toda fora, desviando-o de curso.
        - Peguei voc! - berrou Fred alegremente, mas estava enganado; como se 
estivesse magneticamente atrado para Harry,
o balao saiu atrs dele outra vez, e o garoto foi forado a voar
a toda velocidade.
        Comeara a chover; Harry sentiu grossos pingos de chuva carem em seu 
rosto, molhando seus culos. No tinha a menor idia do que estava acontecendo 
no jogo 
at ouvir Lino Jordan, locutor da partida, dizer: "Sonserina na liderana, 
sessenta a
zero..."
        As vassouras superiores da Sonserina obviamente estavam dando conta do 
recado, enquanto o balao furioso estava fazendo o possvel para tirar Harry do 
ar.
Fred e Jorge agora voavam to junto dele, um de cada lado, que Harry no via 
nada exceto braos se agitando no ar e no tinha chance de procurar o pomo, 
muito menos 
de apanh-lo.
        - Algum... alterou... esse... balao... - rosnou Fred, brandindo o 
basto com toda fora quando o balao desfechou
um novo ataque contra Harry.
        - Precisamos de tempo - disse Jorge, tentando simultaneamente fazer 
sinal a
Wood e impedir o balao de quebrar o
nariz de Harry.
        Wood obviamente entendera o sinal. O apito de Madame
Hooch soou e Harry, Fred e Jorge mergulharam at o cho, ainda tentando evitar o 
balao maluco.
        - Que est acontecendo? - perguntou Wood quando o time da Grifinria se 
reuniu  sua volta ao som das vaias da
Sonserina.
- Estamos sendo arrasados. Pred, Jorge, onde  que voces estavam quando aquele 
balao impediu Angelina de fazer gol?
        - Estvamos seis metros acima dela, impedindo outro balao de matar 
Harry, Olivio - respondeu Jorge aborrecido. - Algum alterou aquele balao, ele 
no deixa
o Harry em paz.
E no tentou pegar mais ningum o tempo todo. O pessoal da
Sonserina deve ter feito alguma coisa com ele.
        -        Mas os balaos estiveram trancados na sala de Madame Hooch 
desde o nosso ltimo treino, e no havia nada errado
com eles... - disse Wood, ansioso.
        Madame Hooch veio andando em direo ao grupo. Por
cima do ombro Harry viu o time da Sonserina caoando e
apontando para ele.
        -        Escutem - disse Harry ao v-la chegar cada vez mais perto -, 
com vocs dois voando em volta de mim o tempo todo o nico jeito de apanhar 
aquele
pomo  ele entrar voando na minha manga. Se juntem ao resto do time e deixem que 
eu cuido do balao errante.
        - No seja burro - disse Fred. - Ele vai arrancar sua cabea.
        Wood olhava de Harry para os Weasley.
        -        Olivio, isso  loucura - disse Alicia Spinnet zangada. - Voc 
no pode deixar o Harry enfrentar aquela coisa sozinho.
Vamos pedir uma investigao...
        -        Se pararmos agora, perderemos a partida! - disse Harry.
- E no vamos perder para a Sonserina s por causa de um balao maluco! Anda, 
Olivio, diz para eles me deixarem em paz!
        -        Isto  tudo culpa sua - disse Jorge furioso com Wood. -
"Apanhe o pomo ou morra tentando", que coisa idiota para
dizer a ele...
        Madame Hooch se reunira aos jogadores.
        -        Esto prontos para recomear a partida? - perguntou a
        Wood.
        Wood olhou para a expresso decidida no rosto de Harry.
        - Muito bem. Fred, Jorge, vocs ouviram o que Harry disse, deixem-no em 
paz e deixem que ele cuide do balao sozinho.
        A chuva caa mais pesada agora. Ao apito de Madame Hooch, Harry deu um 
forte impulso para o alto e ouviu o assobio que indicava que o balao vinha 
atrs
dele. Ganhou cada vez mais altura; fez loops e subiu, espiralou, ziguezagueou e 
balanou. Mesmo ligeiramente tonto, mantinha os olhos bem abertos, a chuva 
molhando 
seus culos e entrando por suas narinas quando ele voava de barriga para cima, 
evitando outro mergulho furioso do balao. Ele ouvia as risadas do pblico; 
sabia
que devia estar parecendo muito idiota, mas o balao errante era pesado e no 
podia mudar de direo to rpido quanto Harry; o garoto comeou a voar pela 
orla do
estdio como se estivesse em uma montanha-russa, procurando ver as balizas da
Grifinria atravs da cortina prateada de chuva. Adrian Pucey tentava 
ultrapassar
Wood...
        Um assobio no ouvido de Harry lhe disse que o balao
        deixara de acert-lo por pouco outra vez; ele imediatamente
        deu meia-volta e disparou na direo oposta.
        - Est treinando para fazer bal, Potter? - berrou Draco quando Harry 
foi obrigado a dar uma volta ridcula em pleno ar para evitar o balao e fugir, 
o balao
rastreando-o a pouco mais de um metro; e ento, virando-se para olhar Draco 
cheio de dio ele viu.., o pomo de ouro. Pairava poucos centmetros acima da 
orelha esquerda
de Draco, e o garoto, ocupado em rir-se de Harry, no o vira.
        Por um momento de agonia, Harry imobilizou-se no ar,
        sem ousar voar na direo de Draco, com medo de que ele
        olhasse para cima e visse o pomo.
       PAM.
        Permanecera parado um segundo a mais. O balao finalmente atingi-o, 
bateu no seu cotovelo e Harry sentiu o brao rachar. Sem enxergar direito, 
atordoado
pela terrvel dor no brao, escorregou para um lado da vassoura encharcada, um 
joelho ainda enganchando-a por baixo, o brao direito pendurado intil - o 
balao
retornava a toda para um segundo ataque, desta vez mirando o seu rosto -, Harry 
desviou-se, uma idia alojada
com firmeza no crebro entorpecido: chegar at Draco.
Atravs da nvoa de chuva e dor, ele mergulhou em direo
 cara debochada abaixo dele e viu os olhos de Draco se arregalarem de medo. O 
garoto achou que Harry ia atac-lo.
        -        Que di...- exclamou, inclinando-se para longe de
harry.
        Harry tirou a mo boa da vassoura e tentou agarrar o pomo s cegas; 
sentiu os dedos se fecharem sobre a bola fria mas agora s estava preso  
vassoura pelas
pernas, e ouviu-se um urro das arquibancadas quando ele rumou direto para o 
cho, tentando por tudo no desmaiar.
        Ele bateu no cho, levantando lama, e rolou para o lado para desmontar 
da vassoura. Seu brao estava pendurado num ngulo muito estranho; varado de 
dor,
ele ouviu, como se fosse  grande distncia, muitos assobios e gritos. Focalizou 
o pomo seguro na mo boa.
        -        Aha - disse vagamente. - Ganhamos.
E desmaiou.
        Voltou a si, a chuva batendo no rosto, ainda deitado no campo, com 
algum debruado sobre ele. Viu um brilho de dentes.
        -        Ah, o senhor, no -gemeu.
        -        Ele no sabe o que est dizendo - falou Lockhart em voz alta 
para o ajuntamento de alunos da
Grifinria que cercavam ansiosos os dois. - No se
preocupe, Harry. J vou endireitar o seu brao.
        -        No! -exclamou Harry. -Vou ficar com ele assim, obrigado...
        O garoto tentou se sentar, mas a dor foi terrvel. Ele ouviu um
clique conhecido ali por perto.
        -        No quero uma foto deste momento, Colin - disse em voz alta.
        -        Deite-se, Harry - mandou Lockhart acalmando-o. -  um feitio 
muito simples que j usei
muitssimas vezes...
        -Por que no posso simplesmente ir para a ala hospitalar?
- disse Harry com os dentes cerrados.
        -Ele devia mesmo, professor -. disse um enlameado Wood, que no pde 
deixar de sorrir mesmo com o seu apanhador machucado. - Grande captura, Harry, 
realmente
espetacular, a melhor que j fez, eu diria...
        Por entre a floresta de pernas  sua volta, Harry viu Fred e
Jorge Weasley, lutando para enfiar o balao errante numa caixa. A bola 
continuava a resistir ferozmente.
        - Afastem-se - pediu Lockhart, enrolando as mangas de suas vestes verde-
jade.
        No... no faa isso... - disse Harry com a voz fraca, mas
Lockhart agitava a varinha e um segundo depois apontou-a
diretamente para o brao de Harry.
        Uma sensao estranha e desagradvel surgiu no ombro de Harry e se 
espalhou at a ponta dos dedos da mo. Era como se o brao estivesse se 
esvaziando. Ele
nem se atreveu a verificar o que estava acontecendo. Fechara os olhos, virara o 
rosto para longe do brao, mas os seus piores
temores se confirmaram, as pessoas
em volta exclamaram e Colin Creevey comeou a fotografar furiosamente. Seu brao 
no doa mais
- e nem de longe se parecia com um brao.
        - Ah - disse Lockhart. - , s vezes isso pode acontecer. Mas o 
importante  que os ossos no esto mais fraturados. Isto  o que se precisa ter 
em mente. 
Ento, Harry, v, d uma chegada na ala hospitalar, ah, Sr. Weasley, Srta. 
Granger, podem acompanh-lo?, e Madame
Pomfrey poder... hum... dar um jeito nisso.
        Quando Harry se levantou, sentiu-se estranhamente inclinado para um 
lado. Tomando flego, olhou para baixo, para o
brao direito. O que ele viu quase o fez desmaiar de novo.
        Pela manga das vestes saa uma coisa que lembrava uma
grossa luva de borracha cor de pele. Ele tentou mexer os dedos. Nada aconteceu.
        Lockhart no emendara os ossos de Harry Ele os removera.
Madame Pomfrey no ficou nada satisfeita.
        - Voc deveria ter vindo me procurar diretamente! - dizia furiosa, 
erguendo a lamentvel sobra do que fora, meia hora antes, um brao til. - Posso 
emendar 
ossos num segundo, mas faz-los crescer outra vez...
        - A senhora vai conseguir, no ? - perguntou Harry desesperado.
        -        Claro que vou, mas vai ser doloroso - disse Madame
Pomfrey sombriamente, atirando um pijama para Harry. -Voc
vai ter que passar a noite...
        Hermione esperava do outro lado da cortina que fora fechada em torno da 
cama de Harry, enquanto Rony
ajudava a vestir o pijama. Levou algum tempo para enfiar na manga o
brao mole e sem ossos.
        -        Como  que voc consegue defender o Lockhart agora, Hermione, 
hein? - Rony perguntou atravs da cortina enquanto puxava os dedos inertes de 
Harry
pelo punho da manga. - Se Harry quisesse ser desossado ele teria pedido.
        -        Qualquer um pode se enganar - respondeu Hermione. - E no est 
doendo mais, est Harry?
        -        No - disse Harry, entrando na cama. - Mas tambm nao faz mais 
nada.
        Quando ele se deitou, o brao balanou molemente.
        Hermione e Madame Pomfrey deram a volta  cortina.
Madame Pomfrey vinha segurando um garrafo de alguma coisa
rotulada Esquelesce.
        -        Voc vai enfrentar uma noite difcil - disse, servindo um copo 
grande de boca larga e fumegante e entregando-o a Harry.
- Fazer ossos crescerem de novo  uma coisa complicada. E tomar Esquelesce, 
tambm. O liquido queimou a boca e
a garganta de Harry e desceu, fazendo-o tossir e cuspir. Ainda lamentando os 
esportes perigosos e os professores ineptos, Madame
Pomfrey se retirou, deixando Rony
e Hermione ajudarem Harry a engolir um pouco de gua.
        -        Mas ganhamos - disse Rony, um grande sorriso se abrindo no 
rosto. - Foi uma captura e tanto a que voc fez. A cara
do Malfoy... ele parecia que ia matar algum...
        -        Eu queria saber como foi que ele alterou aquele balao - disse 
Hermione sombriamente.
        -        Podemos acrescentar mais esta  lista de perguntas que vamos 
fazer a ele quando tomarmos a Poo Polissuco - disse Harry deixando-se afundar 
nos
travesseiros. - Espero que tenha um gosto melhor do que esta coisa...
        -        Com pedacinhos de alunos da Sonserina dentro? Voc deve estar 
brincando - disse Rony.
        A porta do hospital se escancarou naquele momento. Imundos e 
encharcados, os demais jogadores da
Grifinria chega
        ram para ver Harry.
        -        Incrvel aquele vo, Harry - disse Jorge. - Acabei de ver
Marcos Flint berrando com Draco. Estava falando alguma coisa sobre ter o pomo 
sobre a cabea e nem notar. Draco no parecia muito feliz.
        Os jogadores tinham trazido bolos, doces e garrafas de suco de
abbora que arrumaram em volta da cama de Harry e davam incio ao que prometia 
ser uma festana,
quando Madame Pomfrey apareceu como um tufo, gritando:
        -        Esse menino precisa de descanso, precisa fazer crescer trinta e 
trs ossos! Fora! FORA!
        E Harry foi deixado sozinho, sem nada para distra-lo da
dor horrvel no brao inerte.
Muitas horas depois, Harry acordou de repente numa escurido de breu e deu um 
ligeiro ganido de dor: o brao agora parecia cheio de grandes lascas. Por um 
segundo
ele pensou que fora isso que o acordara. Ento, com um choque de terror, 
percebeu que algum estava passando uma esponja em sua testa.
        -        Fora daqui! - gritou ele alto e em seguida. - Dobby!
        Os olhos arregalados, parecendo bolas de tnis, do elfo
domstico espiavam Harry na escurido. Uma lgrima solitria escorria pelo seu 
nariz longo e fino.
        -        Harry Potter voltou para a escola - murmurou ele infeliz. - 
Dobby avisou e tornou a avisar Harry Potter. Ah, meu senhor, por que no prestou 
ateno
em Dobby? Por que Harry Potter no voltou para casa quando perdeu o trem?
        Harry se ergueu, apoiando-se nos travesseiros e empurrou
para longe a esponja de Dobby.
        -        Que  que voc est fazendo aqui? - perguntou. - E como sabe 
que perdi o trem?
        O lbio de Dobby tremeu, e harry foi assaltado por uma repentina 
suspeita.
        -        Foi voc! - disse lentamente. - Voc impediu a barreira de nos 
deixar passar!
        -        Com certeza, meu senhor - Dobby confirmou vigorosamente
com a cabea, as orelhas abanando. - Dobby se
escondeu e esperou Harry Potter e selou o porto, e Dobby
teve que passar as mos a ferro depois - mostrou a Harry os dez dedos compridos 
enfaixados -, mas Dobby no se importou, meu senhor, porque pensou que Harry 
Potter
estava seguro, e Dobby nunca sonhou que Harry Potter fosse chegar a escola por 
outro meio!
        O        elfo se balanava para a frente e para trs, sacudindo a cabea 
feia.
        -        Dobby ficou to chocado quando soube que Harry Potter tinha 
voltado a Hogwarts que deixou o jantar do seu dono
queimar! Dobby nunca foi to aoitado, meu senhor...
        Harry afundou de volta nos travesseiros.
        -        Voc quase fez com que Rony e eu fssemos expulsos - disse 
furioso. -  melhor desaparecer antes que os meus ossos
voltem, Dobby, ou eu ainda estrangulo voc.
        Dobby deu um leve sorriso.
        -        Dobby est acostumado com ameaas de morte, meu senhor. Em 
casa, Dobby as recebe cinco vezes por dia.
        O        elfo assoou o nariz numa ponta da fronha imunda que usava, 
parecendo to pattico, que
Harry sentiu a raiva se esvair contra a sua vontade.
        -        Por que voc usa isso, Dobby? - perguntou curioso.
        -        Isso, meu senhor? - disse Dobby, puxando a fronha. - Isto  a 
marca de escravido do elfo domstico, meu senhor. Dobby s pode ser libertado 
se
seus donos o presentearem com roupas, meu senhorr. A famlia toma cuidado para 
no passar a Dobby nem mesmo uma meia, meu senhor, se no ele fica livre para 
deixar
a casa para sempre.
        Dobby enxugou os olhos saltados e disse de repente:
        - Harry Potterprecisa ir para casa! Dobby achou que o balao dele seria 
suficiente para
fazer..
        - O seu balao? - disse Harry, a raiva tornando a subir-lhe a cabea. - 
Que  que voc quer dizer com o seu balao?
Voc fez aquele balao tentar me matar?
        - No matar, meu senhor, nunca mat-lo! - disse Dobby, chocado. - Dobby 
quer salvar a vida de Harry Potter! Melhor mand-lo para casa, seriamente 
machucado,
do que ficar aqui, meu senhor! Dobby s queria que Harry Potter se machucasse
o bastante para ser mandado para casa!
        - S isso? - exclamou Harry furioso. - Suponho que voce no vai me 
contar por que queria me mandar para casa aos
pedaos?
        - Ah, se ao menos Harry Potter soubesse! - gemeu Dobby, mais lgrimas 
escorrendo pela fronha esfarrapada. - Se ele soubesse o que significa para ns, 
para
os humildes, para os escravizados, para nos escria do mundo mgico! Dobby se 
lembra de como era quando Ele-Que-No-Deve-Ser-Nomeado estava no auge dos seus 
poderes,
meu senhor! Ns, elfos domsticos, ramos tratados como vermes, meu senhor!  
claro que Dobby ainda  tratado assim, meu senhor - admitiu, enxugando o rosto 
na fronha.
- Mas em geral, meu senhor, a vida melhorou para gente como eu desde que o 
senhor venceu EleQue-No-Deve-Ser-Nomeado. Harry Potter sobreviveu, e o poder do 
Lord
das Trevas foi subjugado, e ralou uma nova alvorada, meu senhor, e Harry Potter 
brilhou como um farol de esperana para todos ns que achvamos que os dias de 
trevas
nunca terminariam, meu senhor... E agora, em Hogwarts, coisas terrveis vo 
acontecer, talvez j
estejam acontecendo, e Dobby no pode deixar Harry Potter ficar
aqui, agora que a histria vai se repetir, agora que a Cmara Secreta foi 
reaberta...
        Dobby congelou, tomado de horror, e agarrou a jarra de gua de Harry 
sobre a mesa-de-cabeceira e quebrou-a na propria cabea, desaparecendo de vista. 
Um
segundo depois, tornou a subir na cama, vesgo, murmurando: "Dobby ruim, Dobby 
muito ruim
        - Ento h uma Cmara Secreta! - sussurrou Harry. - E... voc est me 
dizendo que ela j foi aberta antes? Me conte, Dobby?
        Ele agarrou o elfo pelo pulso ossudo quando viu a mo dele
tornar a se aproximar devagarinho da jarra de gua. - Mas eu
no nasci trouxa, como posso estar ameaado pela Cmara?
        - Ah, meu senhor, no pergunte mais nada ao pobre Dobby.
-        gaguejou o elfo, os olhos enormes na escurido. - Feitos tenebrosos 
esto sendo tramados em Hogwarts, mas Harry Potter no deve estar aqui quando 
acontecerem,
v para casa, Harry Potter, v para casa. Harry Potter no deve se meter
nisso, meu senhor,  perigoso demais...
        - Quem , Dobby? - perguntou Harry, mantendo o pulso
de Dobby preso para impedi-lo de bater outra vez na cabea com o jarro de gua. 
- Quem abriu a Cmara? Quem a abriu da outra vez?
        - Dobby no pode, meu senhor, Dobby no pode, Dobby nao deve falar! - 
guinchou o elfo. - V para casa, Harry Poter,
v para casa!
        - Eu no vou a lugar nenhum! - respondeu Harry com ferocidade. - Uma das 
minhas melhores amigas nasceu trouxa;
ela ser a primeira da lista se a Cmara realmente foi aberta...
        - Harry Potter arrisca aprpria vida pelos amigos! - gemeu Dobby numa 
espcie de xtase de infelicidade. -. To nobre! To valente! Mas ele precisa se 
salvar,
deve, Harry Pottet, no deve...
        Dobby de repente congelou, suas orelhas de morcego estremeceram. Harry 
ouviu, tambm. Havia rudo de passos no
corredor.
        - Dobby tem que ir! - suspirou o elfo, aterrorizado. Houve um estalo 
alto, e o punho de Harry subitamente no estava segurando mais nada. Ele tornou 
a afundar
na cama, os olhos fixos no portal escuro da ala hospitalar enquanto os passos se 
aproximavam.
        No momento seguinte, Dumbledore entrou de costas no dormitrio, usando 
uma longa camisola de l e uma touca de dormir. Carregava uma extremidade de 
alguma
coisa que parecia uma esttua. A Profa. McGonagall apareceu um segundo depois, 
carregando os ps. Juntos, eles depositaram a carga sobre uma cama.
        - Chame Madame Pomfrey - sussurrou Dumbledore, e a Profa. McGonagall 
desapareceu rapidamente de vista, passando pelos ps da cama de Harry. O garoto 
ficou
deitado muito quieto, fingindo que dormia. Ouviu vozes urgentes e ento a
Profa. McGonagall reapareceu, seguida de perto por Madame Pomfrey, que vestia um 
casaquinho
por cima da camisola. Ele ouviu algum inspirar com fora.
        - Que aconteceu? - cochichou Madame Pomfrey para Dumbledore, debruando-
se sobre a esttua na cama.
        - Mais um ataque - respondeu Dumbledore. - Minerva encontrou-o na 
escada.
        - Havia um cacho de uvas ao lado dele - disse a professora. - Achamos 
que ele estava tentando chegar aqui escondido
para visitar Pottet
        O estmago de Harry deu um tremendo salto. Lenta e cuidadosamente, ele 
se ergueu alguns centmetros para poder ver a esttua na cama. Um raio de luar 
iluminava
o rosto de expresso fixa.
        Era Colin Creevey. Seus olhos estavam arregalados e, as
mos, erguidas diante dele, segurando a mquina fotogrfica.
        - Petrificado? - sussurrou Madame Pomfrey.
        - Est - respondeu a Profa. McGonagall. - Mas estremeo de pensar... Se
Alvo no estivesse descendo para tomar um
chocolate quente... quem sabe o que poderia...
        Os trs contemplaram Colin. Ento Dumbledore se curvou e tirou a mquina
fotogrfica das mos rgidas do menino.
        Voc acha que ele conseguiu bater uma foto do atacante? - perguntou a 
professora, ansiosa.
        Dumbledore no respondeu. Abriu a mquina.
        - Meu Deus! - exclamou Madame Pomfrey.
        Um jato de vapor saiu sibilando da mquina. Harry, a trs camas de 
distncia, sentiu o cheiro acre do plastico queimado.
        - Derretidas - disse Madame Pomfrey pensativa. - Todas derretidas...
        - O que significa isto, Alvo? - perguntou pressurosa a Prof. McGonagall.
        - Significa que de fato a Cmara Secreta foi reaberta. Madame Pomfrey 
levou a mo  boca.
McGonagall arregalou os olhos para Dumbledore.
        - Mas, Alvo.., com certeza.., quem?
        - A pergunta no  quem - disse Dumbledore, com os olhos postos em 
Colin. - A pergunta , como...
        E pelo que Harry pde ver do rosto sombreado da Profa.
McGonagall, ela no entendia muito mais que ele.

*****


- CAPTULO ONZE
O clube dos duelos

Harry acordou no domingo de manh e deparou com o dormitrio iluminado pela luz 
do sol de inverno e seu brao curado, embora ainda muito duro. Sentou-se 
depressa
e olhou para a cama de Colin, mas tinham-na escondido com a cortina alta por 
trs da qual Harry trocara de roupa no dia anterior. Ao ver que o paciente 
acordara,
Madame Pomfrey entrou apressada, trazendo uma bandeja com o caf da manh e 
ento comeou a dobrar e a esticar o brao e os dedos dele.
        - Tudo em ordem - disse enquanto ele comia mingau, desajeitado, com a 
mo esquerda. - Quando terminar de comer
pode ir.
        Harry se vestiu o mais rpido que pde e correu a torre da
Grifinria, doido para contar a Rony e Hermione o que acontecera com Colin e 
Dobby, mas no os
encontrou l. Saiu de novo a procur-los, imaginando aonde poderiam ter 
precisado ir, e se sentindo um pouco magoado que os amigos no estivessem 
interessados se
ele recuperara ou no os ossos.
        Quando passou pela porta da biblioteca, Percy Weasley ia
saindo, com a cara muito mais animada do que na ltima vez
que tinham se encontrado.
        - Ah, al, Harry. Vo excelente ontem, realmente excelente.
Grifinria acabou de assumir a liderana na disputa da
Taa das Casas, voc marcou cinqenta pontos!
        - Voc no viu o Rony ou a Mione, viu? - perguntou Harry.
        - No - respondeu Percy, o sorriso desaparecendo do rosto.
 - Espero que Rony no esteja metido em outro banheiro de meninas...
        Harry forou uma risada, esperou Percy desaparecer de vista e em seguida 
rumou direto para o banheiro de Murta Que Geme. Nao
conseguindo entender por que Rony
e Hermione estariam l de novo e, depois de se certificar que nem Filch nem 
outros monitores andavam por ali, abriu a porta e ouviu vozes que vinham de um 
boxe trancado.
        -        Sou eu - disse, fechando a porta. Ouviu um estrpito, gua se 
espalhando e uma exclamao no interior de um boxe e vislumbrou os olhos de 
Mione
espiando pelo buraco da fechadura.
        -        Harry Voc nos deu um baita susto, entre, como est o seu 
brao?
        -        timo - respondeu Harry espremendo-se dentro do boxe. Havia um 
velho caldeiro encarrapitado em cima do vaso e uma srie de estalos informaram 
a
Harry que os amigos tinham acendido um fogo embaixo. Conjurar fogos portteis,  
prova de gua, era uma especialidade de Hermione.
        -        Pretendamos ir ao seu encontro, mas decidimos comear a Poo 
Polissuco - explicou Rony enquanto Harry, com dificuldade, tornava a trancar o 
boxe.
- Decidimos que este era o lugar mais seguro para escond-la.
        Harry comeou a contar aos dois o que acontecera com
Colin, mas Hermione o interrompeu.
        -J sabemos, ouvimos a Profa. McGonagall contar ao Prof. Flitwick hoje 
de manh. Foi por isso que decidimos comear...
        -        Quanto mais cedo a gente obtiver uma confisso de Draco, melhor 
- rosnou Rony. - Sabem o que  que eu penso? Ele estava to furioso depois'do 
jogo
de quadribol, que descontou no Colin.
        -        Mas h outra coisa - disse Harry, observando Hermione picar 
feixes de sanguinrias e jog-los na poo. - Dobby veio
me visitar no meio da noite.
        Rony e Hermione ergueram a cabea, espantados. Harry
contou tudo que Dobby dissera - ou deixara .de contar a ele.
Os dois escutaram boquiabertos.
        -        A Cmara Secreta j foi aberta antes? - exclamou Hermione.
        -        Isso esclarece tudo - disse Rony em tom triunfante. - Lcio 
Malfoy deve ter aberto a Cmara quando esteve aqui na escola e agora ensinou ao 
nosso
querido Draco como fazer o mesmo.  bvio. Mas eu bem gostaria que Dobby tivesse 
lhe dito que tipo de monstro tem
l dentro. Quero saber como  que ningum reparou
nele rondando a escola.
        -        Talvez ele consiga ficar invisvel - disse Hermione, empurrando 
as sanguessugas para o fundo do caldeiro. - Ou talvez possa se disfarar, 
fingir
que  uma armadura ou uma coisa qualquer, j li a respeito de vampiros-
camalees...
        -        Voc l demais, Hermione - disse Rony, despejando os hemerbios 
mortos por cima das sanguessugas.
Amassou o saco vazio e olhou para Harry.
        "Ento o Dobby impediu a gente de pegar o trem e quebrou o seu brao..." 
Ele abanou a cabea. "Sabe de uma coisa, Harry? Se ele no parar de tentar 
salvar
a sua vida vai acabar matando voc."
A noticia de que Colin Creevey fora atacado e agora se achava deitado como morto 
na ala hospitalar espalhou-se pela escola inteira at a manh de domingo. A 
atmosfera
carregou-se de boatos e suspeitas. Os alunos do primeiro ano agora andavam pelo 
castelo em grupos unidos, como se tivessem medo de ser atacados, caso se 
aventurassem
a andar sozinhos.
        Gina Weasley, que se sentava ao lado de Colin Creevey na aula de 
Feitios, parecia atormentada, mas Harry achou que era porque Fred e Jorge 
estavam tentando
anim-la do jeito errado. Revezavam-se para assalt-la pelas costas, cheios de 
plos e pstulas. S pararam quando Percy, apopltico, ameaou escrever  Sra. 
Weasley
e contar que Gina estava tendo pesadelos.
        Nesse meio tempo, escondido dos professores, assolava a escola um 
prspero comrcio de talisms, amuletos e outras mandingas protetoras. Neville
Longbottom
j comprara um cebolo verde e malcheiroso, um cristal pontiagudo e prpura e um 
rabo podre de lagarto, quando os outros alunos da
Grifinria lhe lembraram que ele
no corria perigo; era puro sangue e, portanto, uma vtima pouco provvel.
        -        Eles foram atrs de Filch primeiro - disse Neville, seu rosto 
redondo cheio de medo. - E todo mundo sabe que sou
quase uma aberrao.
Na segunda semana de dezembro a Profa. McGonagall veio, como sempre fazia, 
anotar os nomes dos alunos que continuariam na escola durante as festas de
Natal. Harry,
Rony e Hermione assinaram a lista; ouviram dizer que Draco ia ficar tambm, o 
que acharam muito suspeito. As festas seriam o momento perfeito
para usar a Poo Polissuco
e tentar extrair do garoto uma confisso.
        Infelizmente a poo ainda estava na metade. Precisavam do chifre de 
bicrnio e da pele de ararambia, e o nico lugar onde poderiam obt-los era no 
estoque 
particular de Snape. Pessoalmente Harry achava que era prefervel encarar o 
monstro lendrio da
Sonserina a deixar Snape apanh-lo assaltando sua sala.
        - O que precisamos - disse Hermione, eficiente, quando se aproximava a 
aula dupla de Poes na quinta-feira  tarde -  de uma diverso. Ento um de 
ns 
pode entrar escondido na sala de Snape e tirar o que for preciso.
        Harry e Rony olharam para ela, nervosos.
        - Acho que  melhor eu fazer o roubo propriamente dito
-        continuou Hermione num tom trivial. - Vocs dois vo ser
        expulsos caso se metam em mais uma encrenca, mas eu tenho
        a ficha limpa. Ento s o que tm a fazer  causar bastante
        confuso para distrair Snape por uns cinco minutos.
        Harry deu um leve sorriso. Provocar confuso na aula de
        Poes de Snape era quase to seguro quando espetar o olho
        de um drago adormecido.
        A aula de Poes era dada em uma das masmorras maiores. A de quinta-
feira  tarde transcorreu como sempre. Vinte caldeires fumegavam entre as 
carteiras 
de madeira, sobre as quais havia balanas e frascos de ingredientes. Snape 
andava por entre os vapores, fazendo comentrios mordazes sobre o
trabalho dos alunos da Grifinria, enquanto os da Sonserina

        davam risadinhas de aprovao. Draco Malfoy, que era o alu
no favorito de Snape, no parava de mostrar olhos de peixe baiacu para Rony e 
Harry, que sabiam que se revidassem receberiam uma deteno mais rpido do que 
conseguiriam
dizer "injustia".
        A Soluo para Fazer Inchar que Harry preparou ficou muito rala, mas ele 
tinha coisas mais importantes em que pensar. Estava  espera do sinal de 
Hermione, 
e mal ouviu quando Snape parou para caoar do ponto de sua poo. Quando Snape 
deu as costas para implicar com Neville, Hermione olhou para Harry e fez um 
aceno 
com a cabea.
        Harry se abaixou depressa por trs do prprio caldeiro, tirou do bolso 
um dos fogos Filibusteiro de Fred e deu-lhe um leve toque com a
varinha. O fogo comeou 
a borbulhar e a queimar. Sabendo que s dispunha de segundos, Harry se levantou, 
mirou e atirou o fogo no ar; ele caiu dentro do caldeiro de
Boyle.
        A poo de Goyle explodiu, chovendo sobre a classe inteira. Os alunos 
gritaram quando os borrifos da Soluo para Fazer Inchar caiu neles. Draco ficou 
com
a cara coberta de poo e seu nariz comeou a inchar como um balo; Goyle saiu 
esbarrando nas coisas, as mos cobrindo os olhos, que tinham inchado at atingir 
o 
tamanho de um prato - Snape tentava restaurar a calma e descobrir o que estava 
acontecendo. Na confuso, Harry viu Hermione entrar discretamente na sala do 
professor.
        - Silncio! SILENCIO! - rugiu Snape. - Os que receberam borrifos, venham 
aqui tomar uma Poo para Fazer Desinchar, quando eu descobrir quem foi o autor 
disso...
        Harry procurou no rir ao ver Draco correr para a frente da sala, a 
cabea pendurada por causa do peso de um nariz do tamanho de um melo. Enquanto 
metade 
da classe se arrastava at a mesa de Snape, alguns sobrecarregados com braos 
grossos como bastes, outros com os lbios to inchados que no conseguiam 
falar, Harry 
viu Hermione tornar a entrar, sorrateiramente, na masmorra, com a frente das 
vestes estufada.
        Depois que todos tomaram uma dose do antdoto e seus
mchaos murcharam, Snape foi at o caldeiro de Goyle e pescou
os restos retorcidos e negros do fogo de artifcio. Fez-se um silncio 
repentino.
- Se eu um dia descobrir quem jogou isso - sussurrou Snape
- vou garantir que esse aluno seja expulso.
Harry tomou o cuidado de fazer cara de espanto. Snape
        olhava diretamente para ele, e a sineta que tocou dez minutos
        depois no poderia ter sido mais bem-vinda.
        -        Ele sabia que fui eu - disse Harry a Rony e a Hermione enquanto 
corriam para o banheiro da Murta Que Geme. - Eu
        senti.
        Hermione jogou os novos ingredientes no caldeiro e comeou a mistur-
los febrilmente.
        - Vai ficar pronto daqui a duas semanas - anunciou alegremente.
        - Snape no pode provar que foi voc - disse Rony.tranqutliz ando Harry. 
- Que  que ele pode fazer?
        - Conhecendo Snape, uma maldade - disse Harry, enquanto a poo espumava 
e borbulhava.
Uma semana mais tarde, Harry, Rony e Hermione iam atravessando o saguo de 
entrada quando viram uma pequena aglomerao em
torno do quadro de avisos, os alunos liam
um pergaminho que acabara de ser afixado. Simas Finnigan e Dino Thomas fizeram 
sinal para eles se aproximarem, com ar excitado.
        - Vo reabrir o Clube dos Duelos! - disse Simas. - A primeira reunio  
hoje  noite! Eu no me importaria de tomar
aulas de duelo; poderiam vir a calhar um dia desses...
        - Qu, voc acha que o monstro da Sonserina sabe duelar?
        -        perguntou Rony, mas tambm leu o aviso com interesse.
        - Poderia vir a calhar - disse ele a Harry e Hermione quando entraram 
para jantar. - Vamos?
        Harry e Hermione foram a favor do clube. Assim, s oito horas daquela 
noite os trs voltaram correndo para o Salo Principal. As longas mesas de 
jantar tinham
desaparecido e surgira um palco dourado encostado a uma parede, cuja iluminao 
era produzida por milhares de velas que flutuavam no alto. O teto voltara a ser 
um
veludo negro, e a maior parte da
 escola parecia estar reunida sob ele, as varinhas na mo e as

caras animadas.
        -        Quem ser que vai ser o professor? - disse Hermione enquanto se 
reuniam aos alunos que tagarelavam sem
parar. - Algum me disse que Flitwick foi
campeo de duelos quando era moo, talvez seja ele.
        -        Desde que no seja... - Harry comeou, mas terminou com um 
gemido:
Gilderoy Lockhart vinha entrando no palco, resplandecente em suas vestes ameixa-
escuras,
acompanhado por ningum mais do que Snape, em sua roupa preta habitual.
        Lockhart acenou um brao pedindo silncio e disse em
voz alta:
        -        Aproximem-se, aproximem-se! Todos esto me vendo? Todos esto 
me ouvindo? Excelente!
        "O Prof Dumbledore me deu permisso para comear um pequeno clube de 
duelos, para trein-los, caso um dia precisem se defender, como eu prprio j 
precisei 
fazer em inmeras ocasies, quem quiser conhecer os detalhes, leia os livros que 
publiquei.
        "Deixem-me apresentar a voces o meu assistente, Prof. Snape", disse 
Lockhart, dando um largo sorriso. "Ele me conta que sabe alguma coisa de duelos 
e desportivamente 
concordou em me ajudar a fazer uma breve demonstrao antes de comearmos. 
Agora, no quero que nenhum de vocs se preocupe, continuaro a ter o seu 
professor de 
Poes mesmo depois de eu o derrotar, no precisam ter medo!"
        -        No seria bom se os dois acabassem um com o outro? - cochichou 
Rony ao ouvido de Harry.
        O        lbio superior de Snape crispou-se. Harry ficou imaginando por 
que Lockhart continuava a sorrir; se Snape estivesse olhando para
ele daquele jeito,
Harry j estaria correndo o mais depressa que pudesse na direo oposta.
        Lockhart e Snape se viraram um para o outro e se cumprimentaram com uma 
reverncia; pelo menos, Lockhart cumprimentou com muitos meneios, enquanto
Snape
curvou a cabea, irritado. Em seguida, os dois ergueram as varinhas como se 
empunhassem espadas.
        -        Como voces vem, estamos segurando nossas varinhas na posio 
de combate normalmente adotada - disse Lockhart
        aos alunos em silncio - Quando contarmos trs, lanaremos
os primeiros feitios. Nenhum de ns est pretendendo matar,  claro.
        - Eu no teria certeza disso - murmurou Harry, observando Snape 
arreganhar os dentes.
        -        Um... dois... tres...
        Os dois ergueram as varinhas acima da cabea e as apontaram para o 
oponente; Snape exclamou:
        - Expelliarmus! - Viram um lampejo vermelho ofuscante e Lockhart foi 
lanado para o alto: voou
para os fundos do palco, colidiu com a parede, foi escorregando
e acabou estatelado no cho.
        Draco e outros alunos da Sonserina deram vivas. Hermtone
        danava nas pontas dos dedos para ver melhor.
        -        Vocs acham que ele est bem? - guinchou tampando a boca com a 
mo.
        - Quem se importa? - responderam Harry e Rony juntos.
        Lockhart foi-se levantando tonto. Seu chapu cara e os
cabelos ondulados estavam em p.
        -        Muito bem! - disse, cambaleando de volta ao palco. - Isto foi 
um Feitio de Desarmamento, como viram, perdi minha varinha, ah, muito obrigado, 
Srta.
Brown... sim, foi uma excelente demonstrao, Prof. Snape, mas se no se importa 
que eu diga, ficou muito bvio o que o senhor ia fazer, Se eu tivesse querido 
det-lo
teria sido muito fcil, mas achei mais instrutivo deix-los ver...
        Snape tinha uma expresso assassina no rosto. Lockhatt
        possivelmente notou porque acrescentou:
        -        Chega de demonstraes! Vou me reunir a vocs agora e separ-
los aos pares.
prof. Snape, se o senhor quiser me ajudar...
        Os dois caminharam entre os alunos, formando os pares.
        Lockhart juntou Neville comJustino Finch-Fletchley, mas Snape
        chegou at Harry e Rony primeiro.
        -        Acho que est na hora de separar a equipe dos sonhos - caoou. 
- Weasley voc luta com Finnigan.
Potter...
        Harry virou-se automaticamente para Hermmone.
        -        Acho que no - disse Snape, sorrindo estranhamente. - Sr. 
Malfoy, venha c. Vamos ver o que o senhor faz com o
famoso Potter. E a senhorita, pode fazer par com a Stta.
Bulstrode.
        Draco se aproximou com arrogncia, sorrindo. Atrs dele caminhava uma 
garota da
Sonserina, que lembrava a Harry uma foto que vira em Frias com bruxas malvadas.
Era grande e atarracada, e seu queixo pesado se projetava para a frente, 
agressivamente.
Hermione lhe deu um breve sorriso que ela no retribuiu.
        - De frente para os seus parceiros! - mandou Lockhart, de volta ao 
tablado. - E faam
muma reverncia!
        Harry e Draco mal inclinaram as cabeas, e no tiraram os
olhos um do outro.
        - Preparar as varinhas! - gritou Lockhart. - Quando eu contar trs, 
lancem seus feitios para desarmar os oponentes, apenas
para desarm-los, no queremos acidentes, um... dois... trs...
        Harry ergueu a varinha bem alto, mas Draco comeara no "dois": seu 
feitio atingiu Harry com tanta fora que parecia que ele levara uma 
frigideirada na
cabea. Ele cambaleou, mas tudo parecia estar em ordem, e, sem perder mais 
tempo, Harry apontou a varinha direto para Draco e gritou:
-        Rictusempra!
        Um jorro de luz prateada atingiu Draco no estmago e ele
se dobrou, com dificuldade de respirar.
        -        Eu disse desarmar apenas! - gritou Lockhart assustado por cima 
das cabeas dos combatentes, quando Draco caiu de joelhos; Earry o golpeara com 
o
Feitio das Ccegas, e ele mal conseguia se mexer de tanto rir. Harry recuou, 
com a vaga impresso de que seria pouco esportivo enfeitiar Draco ainda no 
cho, mas
isso foi um erro; tomando flego, Draco apontou a varinha para os joelhos de 
Harry, e disse engasgado:
"Tarantallegra!", e no segundo seguinte as pernas de Harry comearam
a sacudir descontroladas numa espcie de marcha rpida.
        - Parem! Parem! - berrou Lockhart, mas Snape assumiu o controle.
        - Finite Incantatem! - gritou ele; os ps de Harry pararam de danar. 
Draco parou de rir e eles puderam erguer a cabea.
        Uma nvoa de fumaa verde pairava sobre a cena. Neville
e Justino estavam cados no cho, ofegantes; Rony estava segurando um Simas 
branco feito papel, pedindo desculpas pelo
que sua varinha quebrada pudesse ter feito; mas Hermione e
Emlia Bulstrode ainda lutavam; Emilia dera uma chave de cabea
 em Hermione, que choramingava de dor; as varinhas das duas jaziam esquecidas no 
cho.
Harry deu um salto  frente e fez Emilia soltar Hermione. Foi difcil:
a garota era muito maior do que ele.
        -        Ai, ai-ai, ai-ai - exclamou Lockhart, passando por entre os 
duelistas, para ver o resultado das lutas. - Levante,
Macmillan... Cuidado, Miss Fawcett...
Aperte com fora, vai parar de sangrar em um segundo, Boot...
        "Acho que  melhor ensinar aos senhores como se bloqueia feitios 
hostis", disse Lockhart, parando no meio do
salo. Ele olhou para Snape, cujos olhos negros
brilhavam, e desviou rpido o seu olhar. "Vamos arranjar um par voluntrio, 
Longbottom e Finch-Fletchley, que tal vocs..."
        -        Uma m idia, Prof. Lockhart - disse Snape, deslizando at ele 
como um enorme morcego malvolo. - Longbottom causa devastao at com o feitio
mais simples. Vamos ter que mandar o que sobrar de Finch-Fletchley para a ala 
hospitalar em uma caixa de fsforos. - O
rosto redondo e rosado de Neviile ficou ainda
mais rosado. - Que tal Malfoy e Potter?
-        sugeriu Snape com um sornso enviesado.
        -        tima idia! - disse Lockhart, fazendo um gesto para Harry e 
Draco irem para o meio do salo, enquanto os demais
alunos se afastavam para lhes dar espao.
        -        Agora, Harry - disse Lockhart. - Quando Draco apontar a varinha 
para
voc, voc faz isto.
        Ele ergueu a prpria varinha, tentou um complicado floreio e deixou-a 
cair. Snape abriu um sorriso quando Lockhart
a apanhou depressa, dizendo:
        -        Epa, minha varinha est um tanto excitada demais...
        Snape aproximou-se de Draco, curvou-se e sussurrou alguma
coisa em seu ouvido. O garoto riu tambm. Harry ergueu os olhos, nervoso, para 
Lockhart e disse:
        - Professor, podia me mostrar outra vez como se bloqueia?
        -        Apavorado? - murmurou Draco, falando baixo para Lockhart no 
poder ouvi-lo.
        -        Querias! - respondeu hatry pelo canto da boca.
        Lockhart deu uma palmada bem-humorada no ombro de
Harry.
-        Faa exatamente como fiz, Harry!
        - O qu, deixar cair a varinha?
        Mas Lockhart no estava mais escutando.
        - Trs... dois... um... agora! - gritou ele.
        Draco ergueu a varinha depressa e berrou:
-        Serpensortia!
        A ponta de sua varinha explodiu. Harry observou, perplexo, uma comprida 
cobra preta se materializar, cair pesadamente no cho entre os dois e se erguer,
pronta para atacar. Os alunos gritaram recuando rapidamente, abrindo espao.
        - No se mexa, Potter - disse Snape tranquilamente, sentindo visvel 
prazer de ver Harry parado imvel, cara a cara
com a cobra irritada. - Vou dar um fim nela...
        - Permita-me! - gritou Lockhart. E brandiu a varinha para a cobra, ao 
que se ouviu um grande baque; a cobra, em lugar de desaparecer, voou trs metros 
no
ar e tornou a cair no cho com um estrondo. Enraivecida, sibilando furiosamente, 
ela deslizou direto para Justino Finch-Fletchley e se levantou de novo, as 
presas
expostas, armada para o bote.
        Harry no teve certeza do que o fez agir assim. Nem ao menos teve 
conscincia de decidir fazer o que fez. A nica coisa que soube foi que suas 
pernas o
impeliram para a frente como se ele estivesse sobre rodinhas e que gritou 
tolamente para a cobra "Deixe-o em paz!" E milagrosamente - inexplicavelmente - 
a cobra
desabou no cho, dcil como uma mangueira grossa e preta de jardim, seus olhos 
agora em Harry. Ele sentiu o medo dissolver-se. Sabia que a cobra no atacaria 
ningum
agora, embora no pudesse explicar como o sabia.
        Harry olhou para Justino, sorrindo, esperando o colega parecer aliviado, 
intrigado ou at grato - mas certamente no
zangado nem apavorado.
        - De que  que voc acha que est brincando? - gritou, e antes que Harry 
pudesse responder alguma coisa,
Justino virou-lhe as costas e saiu do salo enfurecido.
        Snape se adiantou, acenou a varinha e a cobra desapareceu
com uma pequena baforada de fumaa preta. Snape, tambm, olhou Harry de modo 
inesperado: era um olhar astuto e calculista e
Harry no gostou. Teve tambm
uma vaga conscincia
dos cochichos sinistros que percorriam o salo. Ento sentiu
algum pux-lo pelas vestes.
        -        Vamos - disse a voz de Rony ao seu ouvido. - Mexa-se, vamos...
        Rony guiou-o para fora do salo, Hermione corria para acompanh-los. 
Quando atravessaram o portal, as pessoas de cada lado recuaram como se tivessem 
medo
de apanhar uma doena. Harry no tinha a menor idia do que estava acontecendo, 
e nem Rony nem Hermione explicaram nada at terem arrastado o amigo at a
sala comunal
da Grifinria, naquele momento vazia. Ento Rony empurrou Harry para uma 
poltrona e disse:
-        Voc  um ofidioglota. Por que no nos contou?
-        Eu sou o qu? - perguntou Harry.
        -        Um ofidioglota! - disse Rony. - Voc  capaz de falar com as 
cobras!
        -        Eu sei. Quero dizer,  a segunda vez que fao isso. Uma vez no 
zoolgico
aulei, por acaso, uma jibia contra o meu primo Duda, uma longa histria...
ela estava me contando que nunca tinha estado no Brasil e eu meio que a soltei 
sem querer, isso foi antes de saber que era bruxo.
        -        Uma jibia contou a voc que nunca tinha ido ao Brasil?
-        repetiu Rony baixinho.
        -        E da? Aposto que um monte de gente aqui pode fazer isso.
        -        Ah, no. De jeito nenhum. Isto no  um dom muito comum.
Harry, isto no  legal.
        -        O que no  legal? - disse Harry comeando a ficar com muita 
raiva. - Qual  o problema com todo mundo? Escuta
aqui, se eu no tivesse dito quela cobra para no atacarJustino...
        -        Ah, ento foi isso que voc disse?
        -        Que quer dizer com isso? Vocs estavam l, vocs me ouviram...
        -        Ouvi voc falar esquisito - disse Rony. - Lngua de cobra. Voc 
podia ter dito qualquer coisa, no admira que ojustino tenha entrado em pnico,
parecia que voc estava convencendo a cobra a fazer alguma coisa, deu arrepios, 
sabe...
        Harry ficou de boca aberta.
        -        Eu falei uma lngua diferente? Mas, eu no percebi, como

posso falar uma lngua sem saber que posso fal-la?
        Rony sacudiu a cabea. Tanto ele quanto Hermione faziam
cara de enterro. Harry no conseguia entender o que havia de to horrvel.
        -        Querem me dizer o que h de errado em impedir uma enorme cobra 
de arrancar a cabea do Justino? Que diferena faz como foi que eu fiz isso, 
desde
que o Justino no precise se associar ao clube dos Caadores Sem Cabea?
        -        Faz diferena, sim - disse Hermione, falando, afinal, num
tom abafado -, porque a capacidade de falar com cobras foi o
dom que tornou Salazar Slytherin famoso.  por isso que o
smbolo da Sonserina  uma serpente.
O queixo de Harry caiu.
        -        Exatamente - confirmou Rony. - E agora a escola inteira vai 
pensar que voc  o tetra-tetra-tetra-tetra-neto ou coisa parecida...
        -        Mas eu no sou - disse Harry, sentindo um pnico que no 
conseguia explicar.
        -        Voc vai achar dificil provar isso - falou Hermione. - Ele 
viveu h mil anos; pelo que se sabe, voc podia muito bem
ser descendente dele.
Harry ficou horas acordado quela noite. Por uma fresta no
cortinado em volta da cama de colunas ele observou a neve
comear a cair em floquinhos diante da janela da torre e ficou  imaginando...
 imaginando...
        Ser quepodia ser descendente de Salazar Slytherin? Afinal
no sabia nada sobre a famlia do seu pai. Os Dursley sempre
o proibiram de fazer perguntas sobre parentes bruxos. Silenciosamente, Harry 
tentou dizer alguma coisa na lngua das cobras. As palavras no saram. Parecia 
que
tinha de estar cara a cara com uma cobra para isso.
Mas eu estou na Grifinria, pensou Harry. O Chapu Seeletor
no teria me posto aqui se eu tivesse sangue de Slytherin...
        Ah, disse uma vozinha perversa em seu crebro, mas o Chapu 
Seletorqueriapr voc na
Sonserina, no se lembra?
        Harry se virou na cama. Encontraria Justino no dia seguinte na aula de 
Herbologia, e explicaria que detivera a cobra e no a instigara, o que (pensou 
com
raiva, socando o travesseiro) qualquer idiota teria percebido.
Mas na manh seguinte, a neve que comeara a cair de noite se transformara numa 
nevasca to densa que a ltima aula de Herbologa do perodo letivo foi
cancelada.
A Profa. Sprout queria pr meias e echarpes nas mandrgoras, uma operao 
melindrosa que ela no
confiaria a mais ningum, agora que era to importante as mandrgoras
crescerem depressa para ressuscitar Madame Nor-r-ra e Colin Creevey.
Harry preocupava-se com isso sentado junto  lareira na
sala comunal da Grifinria, enquanto Rony e Hermione aproveitavam o tempo para 
jogar uma partida de xadrez de bruxo.
        -        Pelo amor de Deus, Harry - disse Hermione exasperada, quando um 
bispo de Rony desmontou um cavalo dela e o
arrastou para fora do tabuleiro. - V procurar o Justino se isso 
to importante para voc.
Ento Harry se levantou e saiu pelo buraco do retrato,
imaginando onde Justino poderia estar.
O castelo estava mais escuro do que normalmente era durante o dia, por causa da 
neve grossa e
cizenta que descia rodopiando pelo lado de fora das janelas. Transido
de frio, Harry passou por salas onde havia aulas, captando vislumbres do que
acontecia l dentro. A Profa. McGonagall gritava com algum que, pelo
que parecia, tinha transformado o colega em um texugo. Harry passou adiante, 
resistindo ao impulso
de espiar para dentro e, lembrando que Justino talvez estivesse usando o tempo 
livre para tirar o atraso em alguma matria, decidiu verificar primeiro na 
biblioteca.
        Vrios alunos da Lufa-Lufa que deviam estar na aula de Herbologia se 
achavam de fato sentados no fundo da biblioteca, mas no pareciam estar 
trabalhando.
Entre as longas fileiras de estantes, Harry podia ver que suas cabeas estavam 
muito juntas e que aparentemente mantinham uma conversa absorvente. No 
conseguia
ver se Justino estava no grupo. Foi andando em direo a eles e, quando comeou 
a ouvir alguma coisa do que diziam, parou
para escutar melhor, escondido na
 seo da Invisibilidade.
Ento, em todo o caso - falava um menino forte -, eu
disse ao Justino para se esconder no nosso dormitrio. Quero
dizer, se Potter o escolheu para sua prxima vtima,  melhor ele ficar pouco 
visvel por uns tempos.
 claro que o Justino estava esperando uma coisa dessas acontecer
desde que deixou escapar para o Potter que vinha de famlia trouxa. Justino 
chegou at a contar que os
pais tinham feito reserva para ele em Eton. Isto no  o tipo
de coisa que se fale assim, com o herdeiro de Slytherin  solta, no  mesmo?
        -        Ento decididamente voc acha que  o Potter, Ernie? - 
perguntou, ansiosa, uma menina loura de marias-chiquinhas.
        -        Ana - disse o garoto forte, solenemente -, ele  um
ofidioglota. Todo mundo sabe que isso  a marca do bruxo das trevas. Voc
j ouviu falar de
um bruxo decente que soubesse falar com cobras? Chamavam o prprio Slytherin de 
lngua de serpente.
        Seguiram-se muitos murmrios depois disso e Ernie continuou:
        -        Lembram o que estava escrito na parede? Inimigos do herdeiro, 
cuidado. Potter teve um problema com o Filch. Logo em seguida a gata de Filch  
atacada.
Aquele aluno do primeiro ano, o Creevey, estava aborrecendo Potter no jogo de 
quadribol, tirando fotos dele estirado na lama. Logo em seguida,
Creevey foi atacado.
        -        Mas ele sempre pareceu to gentil - disse Ana em dvida -, e 
foi quem fez Voc-Sabe-Quem desaparecer. Ele no
pode ser to ruim assim, pode?
        Ernie baixou a voz, misterioso, os alunos da Lufa-Lufa se
curvaram mais para a frente, e Harry se aproximou mais para
poder captar as palavras de Ernie.
        -        Ningum sabe como foi que ele sobreviveu quele ataque do Voc-
Sabe-Quem, quero dizer, ele era s um beb quando a coisa toda aconteceu. Devia 
ter
explodido em pedacinhos. S um mago das trevas realmente poderoso poderia ter 
sobrevivido a um ataque daqueles. - E baixando a voz at quase um sussurro, 
continuou:
- Vai ver  por isso que Voc-Sabe-Quem queria mat-lo para comear. No
queria outro bruxo das trevas concorrendo com ele. Que outros poderes ser que o 
Potter anda
escondendo?
        Harry no conseguiu agentar mais. Pigarreando alto, saiu
de trs das estantes. Se no estivesse to zangado, teria achado
engraada a cena que o aguardava: cada aluno da Lufa-Lufa parecia ter se 
petriftcado
s dev-lo, e a cor foi se esvaindo do rosto de Ernie.
        -        Ol - disse Harry. - Estou procurando o Justino FinchFie 
tchley.
        Os receios dos garotos da Lufa-Lufa claramente se confirmaram. Todos 
olharam cheios de medo para Ernie.
        -        Que  que voc quer com ele? - perguntou Ernie com a voz 
trmula.
Eu queria dizer a ele o que realmente aconteceu com
aquela cobra no Clube dos Duelos.
        Ernie mordeu os lbios brancos, tomou flego e disse:
        -        Ns estvamos todos l. Vimos o que aconteceu.
        -        Ento vocs repararam que depois que falei com a cobra ela 
recuou? - perguntou Harry.
        -        S o que eu vi - disse Ernie, insistente, embora tremesse 
enquanto falava - foi voc falando em lngua de cobra e
aulando o bicho para cima de Justino.
        -        Eu no aulei a cobra para cima dele! - protestou
Harry a voz trmula de raiva. - A cobra nem encostou nele!
        -        Por pouco. E caso voc esteja tendo novas idias - acrescentou 
depressa -,  melhor eu inform-lo que pode investigar minha famlia por nove 
geraes
de bruxos, e que o meu sangue  to puro quanto o de qualquer outro, portanto...
        -        No ligo a mnima para o tipo de sangue que voc tem!
- tornou Harry furioso. - Por que eu iria querer atacar pessoas que nasceram 
trouxas?
        -        Ouvi falar que voc detesta os trouxas com quem mora
- disse Ernie na mesma hora.
        -         impossvel morar com os Dursley e no detest-los. Eu 
gostaria de ver voc no meu
lugar.
E dando meia-volta, saiu furioso da biblioteca, ganhando
um olhar de reprovao de Madame Pince, que estava lustrando a capa dourada de 
um grande livro de feitios.
        Harry saiu pelo corredor s tontas, mal reparando aonde
a, tal era a sua fria. O resultado foi que bateu em alguma
coisa muito grande e slida, que o derrubou no cho.
- Ah, ol, Hagrid - disse erguendo a cabea.
                O rosto de Hagrid estava inteiramente oculto pelo gorro
de l esbranquiado de neve, mas no podia ser mais ningum pois ele 
praticamente ocupava o corredor com aquele seu
casaco
de pele de toupeira. Um galo morto pendia de suas enorme
maos enluvadas.
        - Tudo bem, Harry? - perguntou ele, empurrando o gorro para trs para 
poder falar. - Voc no est em aula?
        - Cancelada - disse Harry, levantando-se. -. Que  que voc est fazendo 
aqui?
        Hargrid ergueu o galo inerte.
        -  o segundo que matam neste perodo letivo - explicou. - Ou  raposa 
ou bicho-papo e preciso permisso do
diretor para lanar um feitio em volta do galinheiro.
        Por debaixo das sobrancelhas grossas e salpicadas de neve,
ele examinou Harry com mais ateno.
        - Voc tem certeza de que est bem? Est cheio de calor e zanga...
        Harry no conseguiu se forar a repetir o que Ernie e o
resto dos garotos da Lufa-Lufa tinham andado dizendo.
        - No  nada.  melhor eu ir andando, Hagrid, a prxima aula  
Transformaes e tenho que apanhar meus livros.
        Ele se afastou, a cabea inchada com o que Ernie dissera a
seu respeito.
        Harry subiu a escada batendo os ps e entrou em outro corredor que 
estava particularmente escuro; os archotes tinham sido apagados por
uma corrente de ar
forte e gelada que entrava por uma vidraa solta. Estava na metade do corredor 
quando caiu estendido em cima de uma coisa que havia no cho.
        Virou-se para ver melhor em cima do que cara e sentiu o
estmago derreter.
        Justino Finch-Fletchley jazia no cho, duro e frio, uma expresso de 
choque fixa no rosto, os olhos, sem viso, voltados para o teto. E no era tudo. 
Ao
lado dele outro vulto, a viso mais estranha que Harry j encontrara.
        Era Nick Quase Sem Cabea, que agora deixara de ser branco-prola e 
transparente e se tornara preto e fumegante,
e que estava imvel na horizontal, a mais de um metro e meio do
cho. Sua cabea estava quase inteiramente solta, e seu rosto tinha uma 
expresso de choque idntica  de
Justino.
        Harry ficou em p, a respirao rpida e superficial, o corao 
produzindo uma espcie de rufo de tambor em suas costelas. Fora de si, olhou 
para um lado
do corredor deserto e para o outro e viu uma fila de aranhas que se afastava o 
mais depressa possvel dos corpos. Os nicos sons que ouvia eram as vozes 
abafadas
dos professores nas salas de aula de cada lado.
        Poderia correr e ningum saberia que estivera ali. Mas no
podia simplesmente deix-los cados... Tinha que procurar ajuda.
Algum acreditaria que ele no tivera nada a ver com aquilo?
        Enquanto estava parado, cheio de pnico, uma porta se abriu
com uma batida. Pirraa o poltergeist saiu em disparada.
        - Ora,  o Potter Pirado! - zombou ele, entortando os culos de Harry ao 
passar por ele. - Que  que o Potter est
aprontando? Por que  que o Potter est rondando...
        Pirraa parou no meio de uma cambalhota no ar De cabea para baixo, 
deparou com Justino e Nick Quase Sem Cabea. Desvirou-se na mesma hora, encheu 
os pulmes
de ar e, antes que Harry pudesse impedi-lo, gritou:
        - ATAQUEI ATAQUE! MAIS UM ATAQUE! NEM MORTAL NEM FANTASMA ESTO SEGUROS! 
SALVEM SUAS
VIDAS! ATAAAAQUE!
        Bam - bam - bam - porta atrs de porta se escancarou ao longo do 
corredor que foi invadido por um mundo de gente. Durante vrios minutos, a cena 
era de
tal confuso que Justino correu o risco de ser esmagado, e as pessoas no 
paravam de passar atravs de Nick Quase Sem Cabea. Harry se viu imprensado 
contra a parede
enquanto os professores gritavam pedindo calma. A Profa. McGonagall veio 
correndo, seguida por seus alunos em sua cola, um dos quais ainda tinha os 
cabelos listrados
de preto e branco. Ela usou a varinha para produzir um alto estampido e 
restaurar o silncio, e mandou todos de volta para as salas de aula. Nem bem o 
corredor se
esvaziara um pouco quando Ernie, o garoto da Lufa-Lufa chegou,
ofegante,  cena.
Apanhado na cena do crime! - berrou Ernie, o rosto lvido,
apontando dramaticamente para Harry.
-        Agora j chega, Macmillan! - disse a professora rispida. Pirraa subia 
e descia no ar, e agora sorria malvadamente
observando a cena; adorava o caos. Enquanto os professores
        se curvavam sobre Justino e Nick Quase Sem Cabea,
examinando-os,
 Pirraa comeou a cantar:
Ah, Potter, podre, veja o que voc fiez
Matar alunos no  nada corts...
J chega, Pirraa! -vociferou a Profa. McGonagall e Pirraa
saiu voando
de costas e estirando a lngua para Harry.
        Justino foi levado para a ala hospitalar pelo Prof. Flitwick e o Prof.
Sinistra, do departamento de astronomia, mas ningum sabia o que fazer com Nick 
Quase
Sem cabea. Por fim, a Profa. McGonagall conjurou um grande leque de ar, e 
entregou-o a Ernie com instrues para abanar Nick Quase Sem Cabea at o andar 
de cima.
Ernie obedeceu e abanou Nick como se fosse um aeroflio silencioso. Assim Harry 
e a professora ficaram a
ss.
        -        Por aqui, Potter - falou ela.
        -        Professora - disse Harry depressa - , eu juro que no...
        -        Isto no est mais em minhas mos, Potter - interrompeu ela 
secamente.
        Os dois caminharam em silncio, viraram um canto e ela
parou diante de uma grgula de pedra fessima.
        -        Gota de limo! - disse. Era evidentemente uma senha, porque a 
grgula logo ganhou vida e afastou-se para o lado, ao mesmo tempo que a parede 
atrs
dela se abria em dois. Mesmo temendo o que o aguardava, Harry no pde deixar de 
se admirar. Atrs da parede havia uma escada em caracol que subia suavemente, 
como
uma escada rolante. Nem bem ele e a Profa. McGonagall pisaram nela, Harry ouviu 
a parede fazer um barulho seco e se fechar s costas dos dois. Subiram em 
crculos,
cada vez mais altos, at que por fim, ligeiramente tonto, Harry viu uma porta de 
carvalho reluzindo  sua frente, com uma aldrava em forma de grifo.
        Soube ento aonde tinha sido levado. Ali devia ser a residncia de 
Dumbledore.

*****



- CAPTULO DOZE-
A Poo Polissuco

No alto da escada eles desceram, a Profa. McGonagall bateu a
uma porta que se abriu silenciosamente, e eles entraram. A
professora disse a Harry que esperasse e o deixou ali, sozinho.
        Harry olhou  volta. Uma coisa era certa: de todas as salas de 
professores que visitara at aquele dia, a de Dumbledore era de longe a mais 
interessante.
Se no estivesse apavorado com a iminncia de ser expulso da escola, ele teria 
ficado muito feliz com a oportunidade de examin-la.
        Era uma sala bonita e circular, cheia de rudos engraados. Havia vrios 
instrumentos de prata curiosos sobre mesas de pernas finas, que giravam e 
soltavam
pequenas baforadas de fumaa. As paredes estavam cobertas de retratos de antigos 
diretores e diretoras, todos eles cochilavam tranqilamente em suas molduras. 
Havia
tambm uma enorme escrivaninha de ps de garra, e, pousado sobre uma prateleira 
atrs- dela, um chapu de bruxo surrado e roto - o Chapu
Seletor.
        Harry hesitou. Lanou um olhar desconfiado s bruxas e bruxos que 
dormiam nas paredes. Certamente no faria mal se ele apanhasse o chapu e o 
experimentasse
outra vez? S para ver.. s para se certificar de que ele o pusera na casa 
certa...
        Sem fazer barulho, deu a volta  escrivaninha, tirou o chapu da 
prateleira e colocou-o devagarinho na cabea. Era largo demais e lhe cobriu os 
olhos, exatamente
como acontecera da primeira vez em que o experimentara. Harry ficou olhando
a escurido dentro do chapu,  espera. Ento uma vozinha disse em seu ouvido 
"Caraminholas na cabea, Harry Potter?"
        -        Ah,  - murmurou Harry. - Ah, desculpe incomodlo, eu queria 
perguntar...
        -        Voc anda se perguntando se o coloquei na casa certa - disse o 
chapu inteligente. - Sei... voc foi particularmente
difcil de classificar. Mas mantenho o que disse antes - o coraao de Harry deu 
um salto -, voc teria se dado bem na
Sonserina...
        O        estmago de Harry afundou. Agarrou a ponta do chapu e o tirou. 
Ele pendeu inerte em sua mo, encardido e desbotado. Harry o devolveu  
prateleira,
sentindo-se mal.
        -        Voc est enganado - disse em voz alta para o chapu
imvel e silencioso que no se mexeu. Harry recuou, observando-o. Ento, um 
ruido estranho
e sufocado atrs dele o fez virar.
        Afimal no estava sozinho. Encarapitado em um poleiro dourado, atrs da 
porta, achava-se
um pssaro de aparncia decrpita que lembrava um peru meio depenado.
Harry o encarou, e o pssaro sustentou funestamente o seu olhar, tornando a 
fazer o mesmo rudo sufocado. Harry achou que ele parecia muito doente. Seus 
olhos estavam
opacos e, mesmo enquanto Harry o observava, caram mais algumas penas de sua 
cauda.
        Harry estava pensando que s o que lhe faltava era o pssaro de 
estimao de Dumbledore morrer, enquanto estavam
sozinhos ali na sala, quando o pssaro pegou fogo.
        Harry gritou chocado e se afastou da mesa. Olhou ansioso em volta para 
ver se encontrava um copo de gua em algum lugar mas no viu nenhum; o pssaro, 
entrementes,
transformara-se numa bola de fogo; o pssaro deu um grito alto e no segundo 
seguinte no restava nada dele, exceto um monte de cinzas fumegantes no cho.
        A porta da sala se abriu. Dumbledore entrou com o ar
muito grave.
        -        Professor - ofegou Harry. - Seu pssaro, eu no pude fazer 
nada, ele simplesmente pegou fogo...
        Para surpresa de Harry, Dumbledore sorriu.
        -        J no era sem tempo. Ele tem andado com uma aparncia
medonha h dias; e venho dizendo a ele para se apressar.
E deu uma risadinha ao ver a cara de espanto de Harry.
        -        Fawkes  uma fnix, Harry As fnix pegam fogo quando chega a 
hora de morrer e tornar a renascer das cinzas. Olhe ele...
Harry olhou em tempo de ver um pssaro minsculo,
amarrotado, recm-nascido botar a cabea para fora das cinzas. Era to feio 
quanto o anterior.
        -         uma pena que voc a tenha visto no dia em que queimou - disse
Dumbledore, sentando-se na
escrivaninha. - Na realidade ela  muito bonita quase
o tempo todo, tem uma plumagem vermelha e dourada. Criaturas fascinantes, as 
fnixes. So capazes de sustentar cargas pesadssimas, suas lgrimas tm poderes 
curativos
e so animais de estimao muitssimofiis.
        No choque de ver Fawkes pegando fogo, Harry se esquecera por que estava 
ali, mas tudo voltou  lembrana quando Dumbledore se acomodou no cadeiro  
mesa
e o encarou com aqueles seus olhos azul-claros e penetrantes.
        Mas antes que Dumbledore pudesse dizer outra palavra, a porta da sala se 
escancarou com estrondo, e
Hagrid entrou, um olhar selvagem nos olhos, o gorro encarrapitado
no alto da cabea desgrenhada e o galo morto ainda balanando em uma das mos.
        -        No foi Harry Prof. Dumbledore! - disse Hagrid pressuroso. - Eu 
estava falando com ele segundos antes daquele garoto ser encontrado, ele nunca 
teria
tido tempo, meu senhor..
        Dumbledote tentou dizer alguma coisa, mas Hagrid continuou falando, 
sacudindo o galo, agitado, fazendo voar penas
para todo o lado.
        -        ... nao pode ter sido ele, eu juro at na frente do Ministro da 
Magia se
precisar..
Hagrid, eu...
        -        ... o senhor pegou o garoto errado, meu senhor, eu sei que 
Harry jamais...
        -        Hagrid.' - disse Dumbledore em voz alta. - Eu no acho que 
Harry tenha atacado essas pessoas.
        -        Ah - acalmou-se Hagrid, o galo pendurado imvel a um
        lado. - Certo. Ento vou esperar l fora, diretor.
E saiu num repelo, parecendo constrangido.
        - O senhor no acha que fui eu, professor? - repetiu Harry
esperanoso enquanto Dumbledore espanava as penas de galo de cima de sua 
escrivaninha.
        - No, Harry, no acho - seu rosto novamente grave. - Mas ainda assim 
quero falar com voce.
        Harry esperou nervoso enquanto Dutnbledore o estudava, as pontas dos 
seus longos dedos juntas.
        - Preciso lhe perguntar, Harry, se tem alguma coisa que voce gostaria de 
me perguntar - disse gentilmente. - Qualquer coisa.
        Harry no soube o que dizer. Pensou em Draco gritando:
"Vocs vo ser os primeiros, seus sangues-ruins!"e na Poo de Polissuco que 
estava cozinhando no banheiro da Murta Que Geme. Depois pensou na voz sem corpo 
que 
ouvira
duas vezes e se lembrou do que Rony comentara: "Ouvir vozes que ningum mais 
ouve no  bom sinal, nem mesmo no mundo dos bruxos." Pensou ainda no que todos 
andavam
dizendo dele, e seu pavor crescente era que estivesse de alguma forma ligado a 
Salazar
Slytherin...
        - No - disse Harry. - No tem nada, no, professor..
O ataque duplo a Justino e a Nick Quase Sem Cabea transformou o que at ali 
fora nervosismo em verdadeiro
pnico. Curiosamente, era o destino do fantasma que
mais parecia preocupar as pessoas. O que poderia fazer aquilo a um fantasma? 
elas perguntavam umas s outras; que poder terrvel poderia fazer mal a algum 
que j
estava morto? Houve quase uma corrida para reservar lugares no Expresso de 
Hogwarts que iria levar os alunos para casa no Natal.
        - Nesse ritmo, seremos os nicos a ficar para trs - disse Rony a Harry 
e Hermione. - Ns, Draco,
Crabbe e Goyle. Que beleza de frias vamos ter!
        Crabbe e Goyle, que sempre acompanhavam o que Draco fazia, tinham se 
inscrito para permanecer na escola durante as frias tambm. Mas Harry ficou 
contente
de que a maioria das pessoas estivesse partindo. Estava cansado de ser evitado 
nos corredores, como se achassem que lhe fossem crescer presas e pudesse cuspir 
veneno
a qualquer momento; cansado de ser comentado, de ser apontado, de levar vaias ao
passatr
         Fred e Jorge, porm, achavam muita graa em tudo. Saiam do caminho para 
andar  frente de Harry nos corredores, gritando: "Abram caminho para o herdeiro
de Slytherin, um bruxo realmente maligno vai passar...
        Percy desaprovava inteiramente esse comportamento.
        -        No  motivo para graas - disse friamente.
        -        Ah, sai do caminho, Percy. Harry est com pressa.
        -        E, ele est indo para a Cmara Secreta tomar uma xcara de ch 
com seu criado de caninos afiados - disse Jorge,
dando uma risadinha debochada.
        Gina tambm no achou graa nenhuma.
        -        Ah, no faam isso - choramingava todas as vezes que Fred 
perguntava a Harry em voz alta quem ele pretendia atacar a seguir, ou quando 
Jorge, ao
encontrar Harry fingia afugentlo com um grande dente de alho.
Harry no se importava; sentia-se melhor que ao menos Fred e Jorge achassem a 
idia de ele ser herdeiro de
Slytherin muito ridcula. Mas as brincadeiras
dos gmeos pareciam estar irritando Draco, que amarrava cada vez mais a cara 
sempre que os via aprontando.
        -         porque est morrendo de vontade de dizer que o herdeiro  ele 
- disse Rony com ar de quem sabe das coisas. - Vocs sabem que Draco detesta 
quando
algum o supera em alguma coisa, e voc est recebendo todo o crdito pelo 
trabalho sujo que ele fez.
        -        No ser por muito tempo - anunciou Hermione com um tom de 
satisfao. - A Poo Polissuco est quase pronta.
Vamos extrair a verdade dele a qualquer momento.
Enfim o perodo letivo terminou, e um silncio profundo como a neve desceu sobre 
o castelo. Harry achou que o lugar ficara tranqilo, em vez de sombrio, e gostou
do fato de que ele, Hermione e os Weasley tivessem a Torre da Grifinria s para 
eles, assim podiam brincar de
snape explosivo  vontade sem incomodar ningum e praticar
duelos sozinhos. Fred, Jorge e
Gina tinham preferido ficar na escola a visitar Gui no Egito
com o Sr. e a Sra. Weasley. Percy, que desaprovava o que chamava-
de comportamento infantil dos gmeos, no passava muito tempo na sala comunal da
Grifinria. Tinha declarado pomposamente que ele s ficara para o Natal porque
era seu dever, como monitor, ajudar os professores em tempos to tempestuosos.
        A manh de Natal despontou fria e branca. Harry e Rony, os nicos que 
tinham restado no dormitrio, foram acordados muito cedo por Hermione, que 
entrou de
repente, completamente vestida, trazendo presentes para os dois.
        -        Acordem - disse em voz alta, afastando as cortinas da janela.
                - Mione, voc no podia estar aqui... - disse Rony, protegendo
os olhos da claridade.
        -        Feliz Natal para voc tambm - disse a garota lhe atirando um 
presente. - Estou de p h quase uma hora, acrescentando
hemerbios  poo. Est pronta.
Harry se sentou, de repente muito acordado.
        -        Tem certeza?
                  - Positivo - disse Hermione, empurrando Perebas, o rato,
                para poder se sentar na beirada da cama de Rony. - Se vamos
                us-la, eu diria que deve ser hoje  noite.
                  Naquele momento, Edwiges entrou voando no quarto, trazendo
um pequeno pacote no bico.
                  - Ol - disse Harry alegremente quando a coruja pousou
                na cama dele. - Voc voltou a falar comigo?
                  Edwiges deu umas bicadinhas carinhosas na orelha dele, o
                que foi um presente muito melhor do que o que lhe trouxera,
                e que ele descobriu ser uma encomenda dos Dursley. Eles
tinham enviado a Harry um palito e um bilhete pedindo a ele
                que verificasse se no poderia ficar em Hogwarts durante as
                frias de vero tambm.
                  Os outros presentes que ganhara de Natal foram bem
melhores.
 Hagrid lhe mandou uma grande lata de bolinhos de
                chocolate, que Harry decidiu deixar amolecer junto  lareira
                antes de comer; Rony lhe deu um livro chamado Voando com os
                campees, um livro de fatos interessantes sobre o seu time, de
                quadribol favorito, e Hermione lhe comprou uma caneta de
                luxo de pena de guia. Harry abriu o ltimo presente e encontrou
 um suter tricotado pela Sra. Weasley e um grande bolo de Natal. Leu o carto 
dela com uma nova onda de remorsos, pensando no carro do
Sr-. Weasley (que no
era visto desde a coliso com o Salgueiro Lutador), e a nova srie de 
indisciplinas que ele e Rony estavam planejando.
Ningum, nem mesmo algum morto de medo de tomar a Poo Polissuco, dali a 
pouco, poderia deixar de se alegrar com o almoo de Natal em Hogwarts.
        O Salo Principal estava magnfico. No s tinha uma dzia de rvores de 
Natal cobertas de cristais de gelo e largas guirlandas de visco e azevinho que 
cruzavam
o teto, como tambm caa uma neve encantada, morna e seca. Dumbledore puxou o 
coro de algumas de suas msicas de Natal preferidas.
Hagrid cantava cada vez mais
alto a cada taa de gemada de vinho quente que consumia. Percy, que no reparou 
que Fred havia enfeitiado o seu distintivo de monitor - agora com os dizeres 
"Cabea
de Alfinete" - , no parava de perguntar aos garotos por que ficavam dando 
risadinhas. Harry nem ligou que Draco Malfoy, sentado  mesa da
Sonserina, estivesse fazendo
comentrios altos e debochados sobre seu novo suter. Com um pouco de sorte, ele 
receberia o troco dentro de algumas horas.
Harry e Rony mal tinham acabado de comer o terceiro
prato de pudim de Natal quando Hermione os levou para fora
do Salo para finalizar os planos para aquela noite.
        - Ainda precisamos de uns pedacinhos das pessoas em que queremos nos 
transformar - disse Hermione num tom trivial, como se estivesse mandando os 
garotos
ao supermercado comprar detergente. - E  claro que ser melhor se pudermos 
conseguir alguma coisa de
Crabbe e Goyle; eles so os melhores amigos de Malfoy, que
contar aos dois qualquer coisa. E tambm temos que garantir que os verdadeiros
Goyle e Crabbe no apaream de repente enquanto interrogamos Draco.
"J tenho tudo resolvido", continuou ela calmamente, no
dando ateno s caras espantadas de Harry e Rony. E mostrou dois pedaos de 
bolo de chocolate. "Recheei estes dois
com uma simples Poo do Sono. Vocs s precisam se certificar de que Crabbe e
Goyle encontrem os bolos. Sabem como sao esganados, com certeza vo querer com-
los.
Depois que carem no sono, arranquem uns fios de cabelo deles e escondam os dois 
num armrio de vassouras."
        Harry e Rony se entreolharam, incrdulos
        -        Mione, acho que isso nao...
        -        Poderia dar tudo errado...
        Mas Hermione tinha um brilho de ao nos olhos, muito semelhante ao que a
Profa. McGonagall s vezes exibia.
        -        A poo ser intil sem os fios de cabelo de Crabbe e
Goyle - disse a garota com severidade. - Vocs querem investigar Malfoy, no ?
        -        Ah, est bem, est bem - disse Harry. - Mas, e voc? Vai 
arrancar o cabelo de quem?
        -J tenho o meu! - disse Hermione, animada, tirando um frasquinho do 
bolso e mostrando aos dois um nico fio de cabelo dentro. - Lembram que a Emilia
Bulstrode
lutou comigo no Clube do Duelo? Ela deixou o fio de cabelo nas minhas vestes 
quando estava tentando me estrangular! E como foi passar o Natal em casa... 
ento s
preciso dizer ao pessoal da Sonserina que resolvi voltar.
        Quando Hermione saiu apressada para verificar outra vez
a Poo Polissuco, Rony se virou para Harry com uma expresso de fim de mundo no 
rosto.
        -        Voc j ouviu falar de um plano em que tantas coisas pudessem 
dar errado?
Mas para completa surpresa de Harry e Rony, a primeira etapa da operao 
transcorreu suavemente, conforme
fHertnione previra. Eles ficaram rondando o saguo deserto
depois do ch de Natal, esperando Crabbe e Goyle que tinham sido deixados 
sozinhos  mesa da
Sonserina, devorando o quarto prato de po-de-l com calda de vinho.
Harry equilibrara os bolos de chocolate na ponta do corrimo. Quando viram
Crabbe e Goyle
saindo do Salo Principal, ele e Rony se esconderam depressa
atrs de uma armadura prxima  porta de entrada.

        -        Como se pode ser to tapado? - Rony cochichou em xtase quando
Crabbe apontou alegremente os bolos para Goyle e os pegou. Sorrindo, 
idiotamente,
enfiaram os bolos inteiros nas bocas enormes. Por um momento, os dois mastigaram
vorazes, com expresses de triunfo no rosto. Depois, sem a menor mudana de 
expresso,
desmontaram de costas no cho.
        De longe, a parte mais difcil foi escond-Los no armrio do outro Lado 
do saguo. Quando estavam guardados em segurana entre baldes e esfreges, Harry
arrancou uns fios do cabelo curto e duro que cobria a testa de Goyle, e Rony 
arrancou
vrios fios do cabelo de !Crabbe. Roubaram tambm os sapatos, porque os seus
eram, em comparao, demasiado pequenos. Depois, ainda aturdidos com o que 
tinham acabado de fazer, correram escada acima para o banheiro da Murta Que 
Geme.
        Mal conseguiam enxergar devido  fumaa que saia do boxe
em que Hermione mexia o caldeiro. Puxando as vestes para
proteger o rosto, Harry e Rony bateram de leve na porta.
        -        Mione?
        Ouviram um barulho de chave e Hermione apareceu, o rosto brilhando, 
cheia de ansiedade. Atrs dela ouvia-se oglubeglube da poo viscosa que 
borbulhava.
Havia trs clices preparados sobre a tampa do vaso sanitrio.
        -        Vocs conseguiram? - perguntou Hermione sem flego. Harry 
mostrou os fios de cabelo de Goyle.
        -        timo. E eu tirei escondido estas vestes da lavanderia - disse 
Hermione, mostrando um pequeno saco. - Vocs precisaro de nmeros maiores 
porque
vo ser Crabbe e Goyle.
        Os trs espiaram dentro do caldeiro. De perto, a poo
parecia uma lama escura e espessa que borbulhava devagar.
        -        Tenho certeza de que fiz tudo direito - disse Hermione, 
nervosa, relendo a pgina manchada de
Pociones  muy potentes. - Parece que o livro diz que
deve.., depois que bebermos a poo, teremos exatamente uma hora antes de 
voltarmos a ser ns mesmos.
        -        E agora? - sussurrou Rony.
        -        Separamos a poo nos trs clices e acrescentamos os
cabelos.
ceHermione serviu grandes conchas da poo em cada clice.
 Depois, com a mo trmula, sacudiu o fio de cabelo de Emilia Bulstrode do 
frasco para dentro do primeiro clice.
        A poo assobiou alto como uma chaleira fervendo e espumou feito louca. 
Um segundo depois, mudou de cor para
um amarelo doentio.
        - Grrr, essncia de Emilia Bulstrode - disse Rony, olhandoa com nojo. - 
Aposto que tem um gosto horrvel.
        -        Ponha os fios na sua, ento - disse Hermione.
        Harry deixou cair os fios de cabelo de Goyle no clice do meio, e Rony 
ps os de
Crabbe no ltimo. Os dois clices assobiaram e espumaram: o de Goyle mudou
para um cqui cor de piolho, e o de Crabbe para um castanho encardido e escuro.
        -        Calma a - disse Harry quando Rony e Hermione estenderam a mo 
para os clices. -
 melhor no bebermos tudo aqui.. Quando nos transformarmos em
Crabbe e Goyle no vamos caber no boxe. E Emilia Bulstrode no  nenhuma 
fadinha.
        -        Bem pensado - disse Rony, destrancando a porta. - Ficaremos em 
boxes separados.
        Tomando cuidado para no derramar nem uma gota de
Poo Polissuco, Harry entrou no boxe do meio.
        -        Pronto? - perguntou.
        -        Pronto - responderam as vozes de Rony e Mione.
        -        Um... dois... tres...
        Apertando o nariz, Harry bebeu a poo em dois grandes goles. Tinha 
gosto de repolho passado do ponto de cozimento.
        Imediatamente seu estmago comeou a revirar como se ele tivesse acabado 
de engolir duas cobras - dobrado ao meio, ele se perguntou se ia enjoar-, depois
uma sensao de quetmao se espalhou rapidamente da barriga at as pontinhas 
dos dedos dos ps e das mos - em seguida, ele caiu de quatro, sem ar e teve a 
sensao
de que estava se derretendo, quando a pele de todo o seu corpo borbulhou como 
cera quente - e, antes que seus olhos e mos comeassem a crescer, os dedos 
engrossaram,
as unhas alargaram, os ns dos dedos se estufaram como parafusos de cabea de 
lentilha - os ombros se esticaram dolorosamente e um formigamento na testa lhe 
informou
que seus cabelos estavam crescendo em direo s sobrancelhas -
as vestes se rasgaram quando o peito se alargou
como uma barrica rompendo os aros - os ps se tornaram um suplicio dentro dos 
sapatos quatro nmeros menor...
        To de repente quanto comeara, tudo cessou. Harry estava deitado de 
borco
no piso frio como pedra, ouvindo Murta gargarejar mal-humorada no boxe da ponta.
Com dificuldade, sacudiu fora os sapatos e ficou em p. Ento era assim que a 
pessoa se
sentia, na pele de Goyle. Com a mo enorme tremendo, ele despiu as vestes
antigas, que estavam agora no meio das canelas, vestiu as novas e amarrou os 
sapatos abotinados de
Goyle. Ergueu a mo para afastar os cabelos dos olhos e s encontrou
fios duros e curtos, que vinham at o meio da testa. Ento percebeu que os 
culos estavam anuviando sua viso porque
Goyle obviamente no precisava deles, tirou-os
e perguntou: - Vocs dois esto bem? - a voz baixa e irritante de Goyle saiu de
sua boca.
- Estou - veio o rosnado profundo de Crabbe da sua direita. Harry destrancou a 
porta e foi at o espelho rachado.
Goyle
o encarou com aqueles olhos opacos e fundos. Harry coou a orelha. Goyle tambm.
A porta de Rony se abriu. Eles se entreolharam. Exceto
que parecia plido e chocado, Rony era indistinguvel de Crabbe,
do corte de cabelo em cuia at os braos compridos de gorila.
        -        Isso  incrvel - disse Rony, aproximando-se do espelho e 
cutucando o nariz chato de
Crabbe. - Incrvel.
        -        E melhor irmos andando - disse Harry, afrouxando o relgio que 
ficara apertadssimo no pulso grosso de Goyle. - Ainda temos que descobrir onde 
fica
a sala comunal da Sonserina. S espero que a gente encontre algum para 
seguir...
Rony, que estivera observando Harry, disse:
        -        Voc no sabe como  esquisito ver o Goyle pensando. - Bateu 
ento na porta de Hermione. - Vamos, precisamos ir...
Uma voz aguda respondeu.
        -        Eu... eu acho que afinal no vou. Vo indo sem mim.
        -        Mione, ns sabemos que a Emilia Bulstrode  feia, mngum vai 
saber que  voce...
        -        No... verdade.., acho que no vou. Vocs andem de
pressa, esto perdendo tempo...
Harry olhou para Rony intrigado.
        -        AssiM voc est mais parecido com o Goyle.  assim que ele fica 
toda vez que um professor faz uma pergunta.
        -        Mione, voc est bem? - perguntou Harry atravs da porta.
        -        Muito bem... muito bem... vo andando...
        Harry consultou o relgio. Cinco dos preciosos sessenta
minutos j se tinham passado.
        -        Na volta nos encontramos aqui, est bem? - falou ele.
        Os dois garotos abriram a porta do banheiro com cautela,
verificaram se a barra estava limpa e sairam.
        -        No balance os braos desse jeito - murmurou Harry para o 
amigo.
- Hem?
        -        Crabbe mantm os braos meio duxos...
        -        Que tal assim?
        -        , assim est melhor...
        Os dois desceram a escada de mrmore. S precisavam agora que aparecesse 
um aluno da
Sonserina para o seguirem at o
salo comunal da casa, mas no havia ningum por perto.
        -        Alguma idia? - murmurou Harry.
        - Os alunos da Sonserina sempre vm daquela direo para
tomar caf da manh - disse Rony indicando com a cabea a
entrada para as masmorras. Mal as palavras saram de sua boca e
uma menina de cabelos longos e crespos saiu pela entrada.
        -        Desculpe - disse Rony, correndo para ela. - Esquecemos qual  o 
caminho para o nosso salo comunal.
        - Como? - perguntou a garota empertigada. - Nosso salo comunal? Eu sou 
da
Corvinal.
        E se afastou olhando desconfiada para os dois.
        Harry e Rony desceram os degraus de pedra mergulhando na escurido, seus 
passos ecoando particularmente altos a medida que os enormes ps de Crabbe e 
Goyle
batiam no cho, sentindo que a coisa no ia ser to fcil quanto tinham 
esperanas que fosse.
        Os corredores que lembravam labirintos estavam desertos. Eles foram se 
internando cada vez mais fundo por baixo da escola, verificando constantemente 
os
relgios para ver quanto
tempo ainda lhes sobrava. Passados quinze minutos, quando
iam comeando a se desesperar, ouviram um movimento repentino no alto.
        -        Arre! - gritou Rony excitado. - A vem um deles agora!
        O vulto vinha saindo de um aposento lateral. Ao se aproximarem, porm, 
sentiram um aperto no corao. No era um
aluno da Sonserina, era Percy.
        -        Que  que voc est fazendo aqui em baixo? - perguntou Rony 
surpreso.
        Percy fez cara de afrontado.
        -        Isto - disse se empertigando - no  da sua conta. E o Crabbe, 
no ?
        -        Que, ah, sim - disse Rony.
        - Muito bem, j para os seus dormitrios - disse Percy com severidade. - 
No  seguro ficar andando por corredores
escuros hoje em dia.
        -        Mas como  que voc est andando? - lembrou Rony.
        -        Eu - disse Percy empertigando-se - sou monitor Nada vai me 
atacar.
        De repente ecoou uma voz atrs de Harry e Rony. Draco
Malfoy vinha em direo ao grupo e, pela primeira vez na vida,
Harry teve prazer em v-lo.
        -        A, at que enfim - disse ele com voz arrastada, olhando para 
os dois. - Estiveram se empapuando no Salo Principal esse tempo todo? Andei 
procurando
vocs; quero que vejam uma coisa realmente engraada.
        Malfoy lanou um olhar mortfero a Percy.
        -        E o que  que voc est fazendo aqui em baixo, Weasley?
-        perguntou com desdm.
        Percy parecia indignado.
        -        Vocs precisam mostrar um pouco mais de respeito por um monitor 
da escola! - disse. - No gosto de sua atitude!
        Malfoy riu debochado e fez sinal para Harry e Rony o seguirem.
        Harry quase pediu desculpas a Percy mas se conteve bem
em tempo. Ele e Rony correram atrs de Draco, que disse assim que viraram o 
corredor:
        -        Esse Peter Weasley...
- Percy - Rony corrigiu-o automaticamente.
        -        O que seja. Tenho visto ele rondando por aqui um bcadoo
ultimamente. E aposto como sei o que est aprontando. Acha que vai pegar o 
herdeiro
de Slytherin sozinho.
        Draco deu uma risada curta e debochada. Harry e Rony se
entreolharam animados.
        O garoto parou junto a um trecho da parede de pedra, liso e timido.
        -        Como  mesmo a senha? - perguntou a Harry.
        -        Ah... - hesitou Harry.
        -        Ah, j sei... puro-sangue! - disse Draco, sem parar para ouvir, 
e uma porta de pedra escondida na parede deslizou. Draco
entrou e Harry e Rony o seguiram.
        A sala comunal da Sonserina era um aposento comprido e subterrneo com 
paredes de pedra rstica, de cujo teto pendiam correntes com luzes redondas e 
esverdeadas.
Um fogo ardia na lareira emcimada por um console de madeira esculpida e ao seu 
redor viam-se as silhuetas de vrios alunos da
Sonserina em cadeiras de espaldar alto.
        -        Esperem aqui - disse Draco a Harry e Rony, indicando duas 
cadeiras vazias mais afastadas da lareira. - Vou buscar, meu pai acabou de me 
mandar...
        Imaginando o que Draco iria lhes mostrar, Harry e Rony
se sentaram, fazendo o possvel para parecer  vontade.
        Draco voltou um minuto depois trazendo um papel que
parecia ser um recorte de jornal. Enfiou-o na cara de Rony.
        -        Isso vai fazer vocs darem uma boa gargalhada.
        Harry viu os olhos de Rony se arregalarem de choque. Ele leu
o recorte depressa, deu uma risada forada e o entregou a Harry. A notcia fora 
recortada do Profeta
Dirio e dizia:

INQURITO NO MINISTRIO DA MAGIA
        Arthur Weasley, Chefe da Seo de Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas foi 
multado hoje em cinqenta galees,
por enfeitiar um carro dos trouxas.
        O Sr. Lcio Malfoy, membro da diretoria da Escola de Magia e Bruxaria de 
Hogwarts, onde o carro enfeitiado bateu no incio deste ano, pediu hoje a 
demisso
do Sr. Weasley.
        "Weasley desmoralizou o Ministrio" - declarou o Sr.
Malfoy ao nosso reprter. "Ficou claro que ele no est
qualificado para legislar, e o seu projeto de lei para proteger os trouxas 
deveria ser imediatamente
esquecido."
        O        Sr. Weasley no foi encontrado para comentar essas declaraes, 
embora sua mulher tenha dito aos reprteres para se afastarem da casa e ameaado
mandar o vampiro da famlia atac-los.
        - E a? - perguntou Draco impaciente quando Harry devolveu
o recorte. - Vocs no acham engraado?
        - Ah, ah a, hah - riu Harry desanimado.
        - Atthur Weasley gosta tanto de trouxas que devia partir a
varinha e ir se juntar a eles - disse Draco desdenhoso. - Pela
maneira como se comportam, nem d para dizer que os Weasley
so puros-sangues.
        A cara de Rony - ou melhor de Crabbe - se contorceu  de fria.de
        - Qual  o problema, Crabbe? - perguntou Draco com
rispidez.
        - Dor de estmago - grunhiu Rony.
        - Ento v para a ala hospitalar e d um chute naqueles sangues-ruins 
por mim-disse Draco sufocando o riso. - Sabe,
estou admirado que o Profeta Dirio ainda
no tenha noticiado todos esses ataques - continuou, pensativo. - Suponho que
Dumbledore esteja tentando abafar o caso. Ele vai ser despedido se isso no 
parar logo.
Meu pai diz que Dumbledore foi a pior coisa que j aconteceu a Hogwarts.
Ele adora trouxas. Um diretor decente nunca deixaria escria como o Creevey
entrar.
        Draco comeou a tirar fotografias com uma mquina imaginria e fez uma 
imitao cruel mas exata de Colin:
"Potter, posso  bater uma foto sua, Potter! Pode
me dar o seu autgraFo? Posso lamber os seus sapatos, por favor, Potter?"
        Ele deixou cair as mos e olhou para Harry e Rony.
        - Que  que h com vocs dois?
        Em atraso, Harry e Rony foraram uma risada, mas Draco pareceu 
satisfeito; talvez
Crabbe e Goyle sempre fossem lentos para entender as coisas.
        - So Potter, o amigo dos sangues ruins - disse Draco
lentamente. - Ele  outro que no tem esprito de bruxo, ou no andaria por a 
com aquela Granger sangue-ruim metida a besta. E tem gente que acha que ele
 o herdeiro de Slytherin!
        Harry e Rony esperaram com a respirao suspensa: Draco
estava certamente a segundos de contar que era ele - mas ento...
        -        Eu bem gostaria de saber quem  - disse com petulncia. -At 
poderia ajudar.
        O        queixo de Rony caiu de um jeito que Crabbe pareceu ainda mais 
tapado do que de costume. Felizmente, Draco no
reparou e Harry, pensando rpido, disse:
        - Voc deve ter uma idia de quem est por trs disso tudo...
        -        Voc sabe que no tenho, Goyle. Quantas vezes preciso lhe dizer 
isso? - retrucou Draco com maus modos. - E meu pai no quer me contar nada sobre
a ltima vez que a Cmara foi aberta, tampouco. E claro, foi h cinqenta anos, 
antes do tempo dele, mas ele sabe tudo que aconteceu e diz que o caso foi 
abafado
e que vai levantar suspeitas se eu souber de muita coisa. Mas uma coisa eu sei, 
a ltima vez que a Cmara Secreta foi aberta, um sangue-ruim morreu. Ento 
aposto
que  uma questao de tempo at um deles ser morto... espero que seja a Granger - 
disse com
prazer.
        Rony crispava os punhos enormes de Crabbe. Harry, sentindo que o amigo 
poderia se denunciar se avanasse em Draco,
lanou a Rony um olhar de alerta e disse:
        -        Voc sabe se a pessoa que abriu a Cmara na ltima vez foi 
apanhada?
        -        Ah,  claro.., seja l o que for foi expulso - disse Draco.
- Com certeza ainda est em Azkaban.
        -        Azkaban? - perguntou Harry intrigado.
        -        Azkaban, a priso de bruxos, Goyle - disse Draco, olhando para 
ele incrdulo. - Sinceramente, se voc fosse mais devagar, andaria para trs.
        Mexeu-se inquieto na cadeira e continuou:
        - Meu pai diz para eu ficar na minha e deixar o herdeiro de Slytherin 
fazer o trabalho. Diz que a escola precisa se livrar de toda a sujeira dos 
sangues-ruins,
mas para eu no me meter.  claro que ele est com as mos cheias nesse momento. 
Sabem
que o Ministrio da Magia revistou a nossa propriedade na
191
semana passada?
        Harry tentou botar na cara de Goyle unia expresso de preocupao.
        -        E... - disse Draco. - Felizmente no encontraram muita coisa. 
Papai tem um material para Artes das Trevas muito valioso. Mas felizmente, temos 
a
nossa camara secreta embaixo da sala de visitas...
        -        Ho! - exclamou Rony.
        Draco olhou. O mesmo fez Harry. Rony corou. At seus cabelos comeavam a 
ficar vertnelhos. O nariz tambm estava crescendo - o tempo deles se esgotara e
Rony comeava a voltar ao normal e, pelo olhar de horror que de repente lanou a 
Harry, devia estar acontecendo o mesmo com o amigo.
        Os dois se levantaram depressa.
        -        O remdio para o meu estmago - rosnou Rony e, sem mais demora, 
atravessou correndo toda a extenso do salo da
Sonserina, atirou-se  parede de
pedra e saiu pelo corredor na esperana de que Draco no tivesse notado nada. 
Harry sentiu os ps derraparem nos enormes sapatos de Goyle e teve que levantar 
as
vestes  medida que iam encolhendo; os dois se precipitaram pelas escadas que 
levavam ao saguo de entrada, onde se ouviam as batidas abafadas que vinham do 
armrio
em que haviam trancado Crabbe e Goyle. Deixando os sapatos ao lado da porta eles 
subiram de meias e a toda velocidade a escada de mrmore em direo ao banheiro
da Murta Que Geme.
        -        Bom, no foi uma perda total de tempo - ofegou Rony, fechando a 
porta do banheiro ao passarem. - Sei que no descobrimos quem  o atacante, mas
vou escrever a papai amanh e dizer para ele revistar embaixo da sala de visitas 
de Malfoy.
        Harry contemplou seu rosto no espelho rachado. Voltara
ao normal. Colocou os culos enquanto Rony socava a porta
do boxe de Hermtone.
        -        Mione, saia da, temos um monte de coisas para lhe contar...
        -        Vo embora! - disse Hermione esganiada.
        Harry e Rony se entreolharam.
        - Qual  o problema? - perguntou Rony. - Voc j deve ter voltado ao 
normal agora, ns...
Mas a Murta Que Geme atravessou de repente a porta do
boxe. Harry nunca a vira com a cara to feliz.
        -        Aaaaaah, esperem at ver. Que horrvel...
        Eles ouviram o trinco se abrir e Hermione saiu, soluando, as vestes 
cobrindo a cabea.
        -        Que foi que houve? - perguntou Rony inseguro. - Voc continua 
com o nariz da Emilia ou coisa assim?
        Hermione deixou as vestes carem e Rony recuou contra a
pia.
        O rosto da garota estava coberto de plos negros. Os olhos tinham virado 
amarelos e orelhas compridas e pontudas espetavam para fora dos cabelos.
        -        Era um plo de gato! Emilia Bulstrode deve ter um gato! E a 
poo no deve ser usada para transformar animais!
        -        Uau! - exclamou Rony.
        -        Vo caoar de voc horrores - exclamou Murta, feliz.
        -        Tudo bem, Mione - disse Harry depressa. - Levamos voce para a 
ala hospitalar. Madame
Pomfrey nunca faz muitas
perguntas...
        Levou muito tempo para persuadirem Hermione a deixar
o        banheiro. Murta Que Geme despediu-se dos garotos com uma risada gaiata.
        -        Espere at todo mundo descobrir que voc tem rabo!

*****


-CAPTULO TREZE-
O dirio secretssimo

Hermione permaneceu na ala hospitalar vrias semanas. Houve uma boataria sobre o 
seu sumio quando o resto da escola voltou das frias de Natal, porque 
naturalmente
todos pensaram que ela fora atacada. Foram tantos os alunos que passaram pela 
ala hospitalar tentando dar uma olhada nela que Madame
Pomfrey pegou outra vez as cortinas
e pendurou-as em torno da cama da garota, para lhe poupar a vergonha de ser 
vista com a
cara peluda.
        Harry e Rony iam visita-la toda tarde. Quando o novo perodo
letivo comeou, eles lhe levavam os deveres de casa do dia.
        -        Se tivessem crescido bigodes de gato em mim, eu teria tirado 
umas frias dos deveres - disse Rony, certa noite, despejando uma pilha de 
livros na
mesa-de-cabeceira de Mione.
        -        Pare de ser bobo, Rony, tenho que me manter em dia - disse 
Mione decidida, Seu estado de nimo melhorara muito desde que todos os plos 
desapareceram
do seu rosto, e os olhos estavam voltando lentamente  cor castanha. - Suponho 
que no encontraram nenhuma pista nova? - acrescentou aos sussurros, de modo que 
Madame
Pomfrey no a escutasse.
        -        Nada - respondeu Harry, desanimado.
        -        Eu tinha tanta certeza de que era Draco - disse Rony, pela 
centsima vez.
        - Que  isso? - perguntou Harry, apontando para alguma
coisa dourada que aparecia por baixo do travesseiro de Mione.
        -  s um carto desejando que eu fique boa logo - disse
Mione depressa, tentando escond-lo, mas Rony foi mais rpido. Puxou o carto, 
abriu-o e leu em voz alta:
        A senhorita Granger desejo uma rpida convalescena, seu professor 
preocupado
Gilderoy Lockhart Ordem de Merlin, Terceira Classe, Membro Honorrio da
Liga de Defesa contra as Foras das Trevas, cinco vezes vencedor do Prmio do 
Sorriso Mais Simptico do Mundo do Semanario dos Bruxos.
        Rony olhou para Mione, enojado.
        - Voc dorme com isso debaixo do travesseiro?
        Mas Mione no precisou responder porque Madame Pomfrey apareceu para lhe 
dar a medicao noturna.
        - O Lockhart  o cara mais populista que voc j conheceu ou o qu? - 
perguntou Rony a
Harry ao sarem da enfermaria e comearem a subir a escada que levava
 Torre da Grifinria. Snape passara tanto dever de casa, que Harry achou que 
provavelmente estaria na sexta srie quando terminasse tudo. Rony estava 
acabando 
de
comentar que gostaria de ter perguntado a Mione quantos rabos de rato devia usar 
na Poo de Arrepiar Cabelos quando um vozerio no andar de cima chegou aos 
ouvidos
dos dois.
        -  o Filch - murmurou Harry enquanto subiam depressa a escada e 
paravam, escondidos, apurando os ouvidos.
        - Voc acha que mais algum foi atacado? - perguntou Rony tenso.
        Os dois ficaram quietos, as cabeas inclinadas na direo
da voz de Filch, que parecia um tanto histrica.
        -        ... sempre mais trabalho para mim! Enxugando o cho a noite 
inteira, como sej no tivesse o suficiente para fazer! No, isto  a ltima
gota, vou procurar o Dutnbledore...
        Os passos dele cessaram e os meninos ouviram uma porta
bater  distncia.
        Os garotos esticaram as cabeas para espiar mais alm do canto. Filch, 
pelo que viam, estivera em seu posto de vigia habitual: estavam mais uma vez no 
local
em que Madame Norr-ra fora atacada. Viram imediatamente a razo dos gritos de 
Filch. Uma grande inundao se espalhava por metade do corredor e aparentemente 
a gua
ainda no parara de correr por baixo da porta do banheiro da Murta Que Geme. 
Quando Filch
parou de gritar, eles puderam ouvir os lamentos da Murta ecoando pelas paredes 
do banheiro.
        -Agora o que ser que ela tem? - exclamou Rony.
        - Vamos at l ver - disse Harry e, levantando as vestes bem acima dos 
tornozelos, os dois atravessaram aquela ageira at a porta com o letreiro 
INTERDITADO,
no lhe deram ateno, como sempre, eentraram.
        Murta Que Geme chorava, se  que isso era possvel, cada vez mais alto e 
com mais vontade do que nunca. Parecia ter-se escondido no seu boxe habitual. 
Estava
escuro no banheiro porque as velas haviam se apagado com a grande inundao que 
deixara as paredes e o piso encharcados.
        - Que foi, Murta?- perguntou Harry.
        - Quem ? - engrolou Murta, infeliz. - Vm jogar mais alguma coisa em 
mim?
        Harry meteu os ps na gua at o boxe dela.
        -Por que eu iria jogar alguma coisa em voc?
        -  a mim que voc pergunta! - gritou Murta, surgindo em meio a mais uma 
onda liquida, que se espalhou pelo cho j molhado. - Estou aqui cuidando da 
minha
vida e algum acha que  engraado jogar um livro em mim...
        - Mas no deve machucar se algum joga um livro em voc - argumentou 
Harry. - Quero dizer, ele atravessa voc,
no  mesmo?
        Disse a coisa errada. Murta se estufou e gritou com voz
aguda:
        - Vamos todos jogar livros na Murta, porque ela no  capaz de sentir! 
Dez pontos se voc fizer o livro atravessar a barriga
dela! Muito bem, ha, ha, ha! Que timo jogo, eu no acho!
        - Mas afinal quem jogou o livro em voc? - perguntou Harry.
        - Eu no sei... Eu estava sentada na curva do corredor, pensando na 
morte, e o livro atravessou a minha cabea - disse Murta olhando feio para os 
garotos.
- Est l, foi levado pela gua...
        Harry e Rony espiaram embaixo da pia para onde Murta
apontava. Havia um livro pequeno e fino cado ali. Tinha uma
capa preta e gasta e estava molhado como tudo o mais naquele
banheiro. Harry adiantou-se para apanh-lo, mas Rony de repente esticou o brao 
para impedi-lo.
        - Que foi?
        - Voc est maluco - disse Rony. - Pode ser perigoso.
        - Perigoso? - perguntou Harry rindo. - Deixe disso, de que jeito poderia 
ser perigoso?
        - Voc ficaria surpreso - disse Rony, olhando apreensivo para o livro. - 
Os livros que o Ministrio da Magia tem confiscado, papai me contou, tinha um 
que
queimava os olhos da pessoa. E todo mundo que leu Sonetos de um bruxo passou a 
falar em rima para o resto da vida. E uma velha bruxa em Bath tinha um livro que 
a
pessoa no conseguia parar de ler.  Passava a andar com a cara no livro, 
tentando fazer tudo com uma mo so. E...
        - Est bem, j entendi.
        O livrinho continuava no chao, empapado e indefinivel.
        - Bem, no vamos descobrir se no dermos uma olhada - falou Harry. 
Abaixou-se para se
desvencilhar de Rony e apanhou o livro do cho.
        Harry viu num instante que era um dirio, e o ano meio desbotado na capa 
lhe informou que tinha cinqenta anos de idade.
Abriu-o ansioso. Na primeira pagina,
mal e mal, conseguiu ler o nome "T. S. . Riddle", em tinta borrada.
        - Calma a - disse Rony, que se aproximara cautelosamente e espiava por 
cima do ombro do amigo. - Conheo esse nome... T.
S. Riddle recebeu um prmio por
servios especiais prestados  escola h cinqenta anos.
        - Como  que voc sabe? - perguntou Harry admirado.
        - Porque Filch me fez polir o escudo desse homem umas cinqenta vezes 
durante a minha deteno - disse Rony com raiva. - Daquela vez que arrotei 
lesmas para
todo o lado. Se voc tivesse tirado lesmas de um nome durante uma hora, voce 
tambm se lembraria.
        Harry separou as paginas molhadas. Estavam completamente em branco. No 
havia o menor vestgio de escrita em
nenhuma delas, nem mesmo Aniversrio de tia Magda ou dentista
s trs e meia.
        - No entendo por que algum quis se descartar dele -
comentou Rony, curioso.
        Harry virou as costas do livro e viu impresso o nome de uma papelaria na 
rua
Vauxhall, em Londres.
        - O dono deve ter nascido trouxa - disse Harry pensativo.
- Para ter comprado um dirio na rua Vauxhall...
        - Bom, no vai servir para voc - disse Rony. E baixando a voz: - 
Cinqenta pontos se voc conseguir fazer ele atravessar o nariz da Murta.
        Harry, porm, meteu o dirio no bolso.
Hermione deixou a ala hospitalar, sem bigodes, sem rabo, sem plos, no incio de 
fevereiro. Na primeira noite de volta  Torte da Grifinria, Harry lhe mostrou o
dirio de T. S. Riddle e lhe contou como o tinham encontrado.
        - Aaah, talvez tenha poderes secretos - disse a garota, entusiasmada, 
apanhando o dirio e examinando-o com ateno.
        - Se tiver, deve estar escondendo esses poderes muito bem
- disse Rony. - Vai ver  tmido. No sei por que voc no joga esse dirio 
fora, Harry.
        - Eu queria saber por que algum tentoujog-lo fora. E tambm gostaria 
de saber por que foi que
Riddle recebeu um prmio por servios especiais prestados
a Hogwarts.
        - Pode ter sido por qualquer coisa - disse Rony. - Talvez tenha ganho 
trinta corujas ou salvou um professor dos tentculos de uma lula gigante. Talvez 
tenha
assassinado a Murta; isso teria sido um favor para todo mundo...
        Mas Harry podia dizer pela expresso parada no rosto de
Mione que ela estava pensando o que ele estava pensando.
        - Que foi? - perguntou Rony olhando de um para outro.
        - Bom, a Cmara Secreta foi aberta h cinqenta anos, no foi? Foi o que 
Draco disse.
        - E... - disse Rony lentamente.
        - E este dirio tem cinqenta anos - disse Hermione, tamborilando os 
dedos nele, agitada.
-E da?
        - Ah, Rony, v se acorda - retrucou a garota. - Sabemos
que quem abriu a Cmara da ltima vez foi expulso h cinqenta anos. Sabemos que 
T.
S. Riddle recebeu um prmio por servios
especiais prestados  escola h cinqenta anos. Muito bem,
e se Riddle recebeu o prmio por ter pego o herdeiro de Slytherin?
                O dirio dele provavelmente nos contaria tudo, onde fica a
                Cmara, como abri-la, que tipo de criatura mora l, e a pessoa
                que est por trs desses ataques desta vez no gostaria de ver o
                dirio rolando por a, no ?
                  -  uma teoria brilhante, Mione - disse Rony -, s tem um
                furinho pequenininho. No tem nada escrito no dirio.
                  Mas Hermione estava tirando a varinha de dentro da
mochila.
                  - Talvez a tinta seja invisvel! - sussurrou.
                  A garota deu trs toques no dirio e disse: Aparedum!
                  Nada aconteceu. Sem desanimar, Mione meteu outra vez a
                mo na mochila e tirou uma coisa que parecia uma borracha
                vermelho-berrante.
                  -  um revelador que comprei no Beco Diagonal -
explicou.
                  Ela esfregou a borracha com fora em primeiro de janeiro.
                Nada aconteceu.
                  - Estou dizendo que no tem nada a para se achar - falou
                Rony. - Riddle simplesmente ganhou um dirio de Natal e
                no se deu o trabalho de us-lo.
Harry no conseguiu explicar, nem para si mesmo, por que simplesmente no jogou 
fora o dirio de
Riddle. O fato era que, mesmo sabendo que o dirio estava em branco,
no parava de peg-lo distraidamente e de folhe-lo, como se fosse uma histria 
que ele quisesse terminar. E embora tivesse certeza de que nunca ouvira falar em
T. S. Riddle antes, ainda assim o nome parecia significar alguma coisa para ele, 
quase como se
Riddle fosse um amigo que tivera quando era muito pequeno, e meio
que esquecera. Mas isto era absurdo. Nunca tivera amigos antes de Hogwarts. Duda 
cuidara disso.
        Ainda assim, Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle. Por 
isso, prximo ao amanhecer, rumou para a sala de trofus para examinar o prmio 
especial
de Riddle, acompanhado por uma Mione interessada e um Rony completamente
descrente, que disse aos dois que j vira a sala de trofus o
suficiente para uma vida inteira.
        O        escudo dourado de Riddle estava guardado em um armrio de 
canto. No continha detalhes sobre as razes por que fora concedido ("Ainda bem, 
porque
seria maior e eu ainda estaria polindo essa coisa", disse Rony.) Mas eles 
encontraram o nome de
Riddle em uma velha medalha de Mrito em Magia e em uma lista de
antigos monitores-chefes.
        -        Ele at parece o Percy - disse Rony, torcendo o nariz enojado. 
- Monitor, monitor-chefe... provavelmente o primeiro aluno em todas as 
classes...
        -        Voc fala isso como se fosse uma coisa ruim - disse Hermione 
num tom ligeiramente magoado.
O        sol agora voltara a brilhar palidamente sobre Hogwarts. No interior do 
castelo, as pessoas se sentiam mais esperanosas. No houvera mais ataques desde
os de Justino e Nick Sem Cabea, e Madame Pomfrey tinha o prazer de informar que 
as mandrgoras estavam ficando imprevisveis e cheias de segredinhos, o que 
significava
que iam deixando depressa a infncia.
        -        Quando desaparecer a acne delas, estaro prontas para serem 
reenvasadas - Harry ouviu-a dizer gentilmente ao Filch uma certa tarde. - E 
depois disso,
iremos cort-las e cozinhlas. Num instante voc ter a sua Madame Nor-r-ra de 
volta.
        Talvez o herdeiro de Slytherin tenha perdido a coragem, pensou Harry. 
Devia estar-se tornando cada vez mais arriscado abrir a Cmara Secreta, com a 
escola
to atenta e desconfiada. Talvez o monstro, fosse o que fosse, estivesse neste 
mesmo momento se aninhando para hibernar outros cinqenta anos...
        Ernie Memillan da Lufa-Lufa no concordava com essa viso otimista. 
Continuava convencido de que Harry era o culpado, que ele "se
denunciara" no Clube dos
Duelos. Pirraa no estava ajudando nada; a toda hora aparecia nos corredores
cheios de alunos, cantando: "Ah, Potter podre...", agora com
um nmero de dana para acompanhar.
        Gilderoy Lockhart parecia pensar que, sozinho, fizera os ataques 
pararem. Harry ouviu-o dizer isso 
Profa. McGonagall quando os alunos da Grifmria faziam
fila para ir  aula de Transformaes.
        - Acho que no vai haver mais problemas, Minerva - disse ele dando um 
tapinha no nariz e uma piscadela com ar de quem sabe das coisas. - Acho que a 
Cmara
foi fechada para sempre desta vez. O culpado deve ter sentido que era apenas uma 
questo de tempo at
ns o pegarmos. Achou mais sensato parar agora, antes que eu
o liquidasse.
        "Sabe, o que a escola precisa agora  de uma injeo no
moral. Esquecer as lembranas do perodo passado! No vou
dizer mais nada por ora, mas acho que sei exatamente o que...
        E dando outra pancadinha no nariz se afastou decidido.
        A idia que Lockhart fazia de uma injeo no moral tornou-se clara no 
caf da manh de catorze de fevereiro. Harry no
dormira o suficiente por causa de
um treino de quadribol at tarde, na vspera, e correu para o Salo Principal, 
um pouco atrasado. Pensou, por um momento, que tivesse entrado na porta errada.
        As paredes estavam cobertas com grandes flores rosa-berrante. E pior 
ainda, de um teto azul-celeste caa confete em feitio de corao. Harry dirigiu-
se  
mesa da Grifinria, onde Rony estava sentado com cara de enjo, e Hermione 
parecia no conseguir parar de rir.
        - Que  que est acontecendo? - perguntou Harry aos dois, sentando-se e 
limpando o confete do bacon.
        Rony apontou para a mesa dos professores, aparentemente nauseado demais 
para falar. Lockhart, usando vestes rosaberrante, para combinar com a decorao,
gesticulava pedindo silncio. Os professores, de cada lado dele, estavam 
impassveis. De onde se sentara, Harry podia ver um msculo tremendo na bochecha 
da
Profa. McGonagall. Snape parecia que tinha acabado de tomar um grande copo de
Esquelecresce.
        - Feliz Dia dos Namorados! - exclamou Lockhart. - E ser que posso 
agradecer s quarenta e seis pessoas que me
mandaram cartes at o momento? Claro, tomei a liberdade
de fazer esta surpresinha para vocs, e ela no acaba aqui!
        Lockhart bateu palmas e, pela porta que abria para o saguo de entrada, 
entraram onze anes de cara amarrada. Mas no eram uns anes quaisquer. Lockhart 
mandara-os usar asas douradas e trazer harpas.
        -        Os meus cupilos, entregadores de cartes! - sorriu Lockhart. - 
Eles vo circular pela escola durante o dia de hoje entregando os cartes dos 
namorados.
E a brincadeira no termina a! Tenho certeza de que os meus colegas vo querer 
entrar no esprito festivo da data! Por que no pedir ao Prof.
Snape- para lhes ensinar
a preparar uma Poo de Amor! E por falar nisso, o Prof. Flitwick conhece mais 
Feitios de Fascinao do que qualquer outro mago que eu conhea, o santinho!
        O        Prof. Flitwick escondeu o rosto nas mos. Snape fez cara de que 
obrigaria a beber veneno o primeiro aluno que lhe
pedisse uma Poo de Amor.
        -        Por favor, Mione, me diga que voc no foi uma das quarenta e 
seis - disse Rony ao deixarem o Salo Principal para assistir  primeira aula. A 
garota
de repente ficou muito interessada em procurar na mochila o seu horrio e no 
respondeu.
        O        dia inteiro, os anes no pararam de invadir as salas de aula e 
entregar cartes, para irritao dos professores e, no fim daquela tarde, quando
os alunos da Grifinria iam subindo para a aula de Feitios, um dos anes 
alcanou
Harry.
        -        Oi, voc! "Arry" Potter! - gritou um ano particularmente mal-
encarado, que abria caminho s cotoveladas para
chegar at Harry.
        Cheio de calores s de pensar em receber um carto do dia dos namorados 
na frente de uma fileira de alunos de
primeiro ano, que por acaso inclua Gina Weasley.
Harry tentou escapar. O ano, porm, meteu-se por entre a garotada chutando as 
canelas de todos e o alcanou antes que o garoto pudesse se afastar dois passos.
        -        Tenho um carto musical para entregar a "Arry" Potter em pessoa 
- disse, empunhando a harpa de um jeito meio assustador.
        -Aqui no - sibilou Harry, tentando escapar.
Fiqueparado! - grunhiu o ano, agarrando a mochila de
Harry e puxando-o de volta.
- Me solta! - rosnou o garoto, puxando
        Com um barulho de pano rasgado, a mochila se rompeu ao meio. Os livros, 
a varinha, o pergaminho e a pena se espalharam pelo
cho, e o vidro de tinta se
derramou por cima de tudo.
        Harry virou-se para todos os lados, tentando reunir tudo antes que o 
ano comeasse a cantar, causando um certo engarrafamento no corredor.
        -        Que  que est acontecendo aqui? - ouviu-se a voz fria e 
arrastada de Draco Malfoy. Harry comeou a enfiar tudo febrilmente na mochila 
rasgada,
desesperado para sair dali antes que Draco pudesse ouvir o carto musical.
        -        Que confuso  essa? - perguntou outra voz conhecida. Era Percy 
Weasley que se aproximava.
        Perdendo a cabea, Harry tentou correr, mas o ano o agarrou pelos 
joelhos e o derrubou com estrondo no cho.
        -        Muito bem - disse ele, sentando-se em cima dos calcanhares de 
Harry. -Vamos ao seu carto cantado:
        Teus olhos so verdes como sapinhos cozidos, Teus cabelos, negros como 
um quadro de
aula. Queria que tu fosses meu, garoto divino, Heri que venceu o malvado
Lord das Trevas.
        Harry teria dado todo o ouro de Gringotes para se evaporar na hora. 
Fazendo um grande esforo para rir com os colegas, ele se levantou, os ps 
dormentes
com o peso do ano, enquanto Percy Weasley fazia o possvel para dispersar os 
alunos, alguns chorando de tanto rir.
        -        Vo andando, vo andando, a sineta tocou h cinco minutos, j 
para a aula - disse o monitor, espantando os alunos mais novos. -E voc, 
Malfoy...
        Harry, erguendo a cabea, viu Draco se abaixar e apanhar alguma coisa. 
Mostrou-a, debochando, a Crabbe e Goyle, e Harry percebeu que ele se apossara do 
dirio
de Riddle.
        -        Devolva isso aqui - disse Harry controlado.
        -        Que ser que Potter andou escrevendo nisso? - disse Draco, que 
obviamente no reparara na data impressa na capa e pensava que era o dirio de 
Harry.
Fez-se silncio entre os presentes. Gina olhava do dirio para Harry, com cara 
de
terror.
        -        Devolva, Malfoy - disse Percy com severidade.
        -        Depois que eu olhar - disse Draco, agitando o dirio no ar
para enraivecer harry.
        Percy falou:
        -        Como monitor... - mas harry perdera a pacincia. Puxou a 
varinha e gritou:
"Expelliarmus!" e do mesmo jeito que Snape desarmara Lockhatt, Draco
viu o dirio sair voando de sua mo. Rony, com um grande sorriso, apanhou-o.
        -        Harry! - disse Percy em voz alta. - Nada de mgica nos 
corredores. Vou ter que reportar isso, sabe!
        Mas Harry no se importou, ganhara uma vez de Draco e isso valia cinco 
pontos da
Grifinria em qualquer dia. Draco ficou furioso e, quando Gina passou por
ele para entrar na sala de aula, gritou despeitado:
        -        Acho que Potter no gostou muito do seu carto!
        Gina cobriu o rosto com as mos e correu para dentro da sala. Rosnando, 
Rony puxou a varinha tambm, mas Ratry agarrou-o para afast-lo. O amigo no 
precisava
passar a aula de Feitios inteira arrotando lesmas.
        Somente quando chegaram  sala de aula do Prof. Flitwick foi que
Harry notou uma coisa muito estranha no dirio de Riddle. Todos os seus livros 
estavam
ensopados de tinta vermelha. O dirio, porm, continuava to limpo como antes do 
tinteiro quebrar em cima dele. Tentou dizer isto a Rony, que estava enfrentando
novos problemas com a varinha; grandes bolhas saiam da ponta, e ele no estava 
muito interessado em nada mais.
Harry se recolheu ao dormitorio antes dos colegas quela noite. Em parte era 
porque achava que no ia conseguir agentar Fred e Jorge cantando "Teus olhos 
so verdes
como sapinhos cozidos" mais uma vez, e em parte porque queria examinar o dirio 
de
Riddle e sabia que Rony achava que era uma perda de tempo.
        Harry sentou-se na cama de colunas e folheou as pginas
em branco, nenhuma das quais tinha sequer vestgio de tinta
vermelha. Ento tirou um tinteiro novo do armrio ao lado da
cama, molhou a pena e deixou cair um pingo na primeira pgina do dirio.
        A tinta brilhou intensamente no papel durante um segundo e, em seguida, 
como se estivesse sendo chupada pela pgina, desapareceu. Excitado, Harry tornou
a molhar a pena uma segunda vez e escreveu: "Meu nome  Harry Potter."
        As palavras brilharam momentaneamente na pgina e tambm desapareceram 
sem deixar vestgios. Ento, finalmente,
aconteceu uma coisa.
        Filtrando-se de volta  pgina, com a prpria tinta de Harry,
surgiram palavras que ele nunca escrevera.
"Ol, Harry Potter! Meu nome  Tom Riddle. Como foi que voc
encontrou o meu dirio?"
        Essas palavras tambm se dissolveram, mas no antes de
Harry recomear a escrever.
        "Algum tentou se desfazer dele no vaso sanitrio."
        Ele esperou, ansioso, pela resposta de Riddle.
        "Que sorte que registrei minhas memrias em algo mais durvel que a 
tinta. Mas sempre soube que haveria gente que no ia querer que este
dirio fosse lido."
        "Que quer dizer com isso?", escreveu Harry. borrando a
pgina de tanta excitao.
"Quero dizer que este dirio guarda memrias de coisas terrveis.
Coisas que foram abafadas. Coisas que aconteceram na Escola de Magia e Bruxaria 
de Hogwarts."
        " onde eu estou agora", respondeu Harry depressa. "Estou
 em Hogwarts e coisas terrveis esto acontecendo. Sabe
alguma coisa sobre a Cmara Secreta?"
        Seu corao batia forte. A resposta de Riddle veio depressa, a 
caligrafia mais desleixada, como se estivesse correndo
para contar tudo o que sabia.
        "Claro que sei alguma coisa sobre a Cmara Secreta. No meu tempo, 
disseram
 gente que era uma lenda, que no existia. Mas era uma
mentira. No meu quinto ano, a Cmara foi aberta e o monstro atacou
vrios alunos e finalmente matou um. Peguei apessoa que tinha aberto a
Cmara e ela foi expulsa. Mas o diretor, Prof. Dippet, constrangido
porque uma coisa dessas acontecera em Hogwarts, proibiu-me de contar
a verdade. A histria que foi divulgada  que a menina morrera em um
acidente imprevisvel. Eles me deram um trofu bonito, reluzente e gravado, pelo 
meu trabalho, e me avisaram para ficar de
boca fechada. O monstro continuou vivo,
e aquele que tinha o poder de libert-lo no foi preso."
        Harry quase derrubou o tinteiro na pressa de responder.
        "Est acontecendo outra vez agora. Houve trs ataques, e
ningum parece saber quem est por trs deles. Quem foi da
ltima vez?"
"Posso lhe mostrar, se voc' quiser". veio a resposta de Riddle.
"Voc' no precisa acreditar no que digo. Posso lev-lo  minha lembrana da 
noite em que opeguei."
        Harry hesitou, a pena suspensa sobre o dirio. Que  que Riddle queria 
dizer? Como  que ele podia
ser levado para dentro da lembrana de outra pessoa? Olhou,
nervoso, para a porta do dormitrio que estava ficando escuro. Quando tornou a 
olhar para o dirio, viu novas palavras se formando.
"Deixe eu lhe mostrar"
        Harry parou por uma frao de segundo e em seguida escreveu duas letras:
        "OK."
        As pginas do dirio comearam a virar como se tivessem sido apanhadas 
por um vendaval e pararam na metade do ms de junho. Boquiaberto, Harry viu que 
o
quadradinho correspondente ao dia treze de junho parecia ter-se transformado 
numa telinha de televiso. Com as mos ligeiramente tremulas, ele ergueu o livro 
paa
encostar o olho na janelinha e antes que entendesse o que estava acontecendo, 
viu-se inclinando para a frente; a janela foi se alargando, ele sentiu o corpo 
abandonar
a cama e mergulhar de cabea na abertura da pgina, num rodamoinho de cores e 
sombras.
        Depois, sentiu o p bater em cho firme e ficou parado,
trmulo, e as formas borradas  sua volta entraram de repente
em foco.
        Soube imediatamente onde se achava. Essa sala circular com os retratos 
que cochilavam era o escritrio de Dumbledore
-        mas no era Dumbledore quem se sentava  escrivaninha. Um bruxo mirrado 
e frgil, careca, exceto por alguns fiapos de
cabelos brancos, lia uma carta  luz da vela. Harry nunca vira
esse homem antes.
        -        Sinto muito - disse, trmulo -, no tive inteno de entrar 
assim...
        Mas o bruxo no ergueu a cabea. Continuou a ler, franzindo ligeiramente 
a testa.
Harry se aproximou mais da escrivaninha e gaguejou:
        -        Hum... vou me retirar, posso?
        O        bruxo continuou a no lhe dar ateno. Nem parecia tlo ouvido. 
Achando que o bruxo talvez fosse surdo, Harry falou mais alto.
        -        Sinto muito se o incomodei. Vou-me embora agora - falou quase 
gritando.
        O        bruxo dobrou a carta com um suspiro, levantou-se, passou por 
Harry sem olh-Lo e foi abrir as cortinas da janela.
        O        cu l fora estava cor de rubi; parecia ser o pr-do-sol. O 
bruxo voltou  escrivaninha, sentou-se e ficou girando os polegares, de olho na 
porta.
        Harry correu o olhar pela sala. No havia Fawkes, a fnix
- nem mecanismos barulhentos de prata. Era a Hogwarts que Riddle conhecera, o 
que significava que este bruxo desconhecido era o diretor em vez de Durnbledore, 
e 
que
ele, Harry, era pouco mais do que um fantasma, completamente invisvel s 
pessoas de cinqenta anos atras.
        Algum bateu  porta da sala.
- Entre - disse o velho bruxo com a voz fraca.
        Um menino de uns dezesseis anos entrou tirando o chapu cnico. Um 
distintivo de monitor brilhava em seu peito. Ele era mais alto do que Harry, mas 
seus
cabelos tambm eram muito negros.
        -        Ah, Riddle - exclamou o diretor.
        -        O senhor queria me ver, Prof. Duet - disse o garoto, que 
parecia nervoso.
        -        Sente-se - convidou Dippet. - Acabei de ler a carta que voc me 
mandou.
        -        Ah - disse Riddle, e se sentou apertando as mos com fora.
        -        Meu caro rapaz - disse Dippet bondosamente. - No posso deix-
lo permanecer na escola durante o vero. Com certeza voc quer ir para a casa 
passar
as frias?
        - No -respondeu Riddle na mesma hora. - Preferia continuar em
Hogwarts do que voltar para aquele... aquele...
        Voc mora num otfanato de trouxas nas frias, no ? - perguntou
Dippet, curioso.
        - Moro, sim, senhor - respondeu Riddle, corando ligeiramente.
        - Voc nasceu frouxa?
        - Mestio. Pai trouxa e me bruxa.
        - E seus pais...
        - Minha me morreu logo depois que eu nasci. Me disseram no orfanato que 
ela s viveu o tempo suficiente para me dar um nome... Tom, em homenagem ao meu
pai, Servolo, ou meu avo.
        Dippet deu um muxoxo de simpatia.
        - O problema , Tom - suspirou ele -, que talvez pudssemos tomar 
providncias para acomod-lo, mas nas atuais circunstncias.
        - O senhor se refere aos ataques? - perguntou Riddle, e o corao de 
Harry deu um salto, ao que ele se aproximou mais,
com medo de perder alguma palavra.
        - Precisamente - disse o diretor. - Meu rapaz, voc deve entender que 
seria muito insensato de minha parte permitir que voc permanea no castelo 
quando
terminar o ano letivo. Principalmente  luz da recente tragdia... a morte 
daquela pobre menininha. . .Voc estar muito mais seguro no seu orfanato. 
Alis, o Ministrio
da Magia est neste momento falando em fechar a escola, No estamos nem perto de 
identificar a... hum... fonte de todos esses contratempos...
        Os olhos de Riddle se arregalaram.
        - Diretor, se a pessoa fosse apanhada, se tudo isso acabasse...
         - Que quer dizer? - perguntou Dippet esganiando a voz e aprumando-se 
na cadeira. - Riddle, voc est me dizendo
que sabe alguma coisa sobre esses ataques?
        -No, senhor-respondeu Riddle depressa.
        Mas Harry teve certeza de que era o mesmo tipo de "no"
que ele prprio dissera a Dumbledore.
        Dippet se recostou parecendo ligeiramente desapontado.
        - Pode ir, Tom...
        Riddle se levantou escorregando para fora da cadeira e saiu acabrunhado 
da sala. Harry acompanhou-o.
        Eles desceram pela escada em caracol e saram ao lado da grgula no 
corredor que escurecia. Riddle parou, e Harry fez o mesmo, observando-o. Era 
visvel
que Riddle estava pensando em coisas serias. Mordia o lbio e franzia a testa.
        Ento, como se tivesse repentinamente chegado a uma deciso, afastou-se 
depressa, e Harry deslizou silenciosamente atrs dele. No viram mais ningum 
at
chegarem ao saguo de entrada, onde um bruxo alto, com barba e longos cabelos 
acajus que cascateavam pelos seus ombros, chamou Riddle da escadaria de mrmore.
        - Que  que voc est fazendo, andando por ai to tarde, Tom?
        Harry boquiabriu-se ao ver o bruxo. No era outro se no
Dumbledore, cinqenta anos mais novo.
        - Tive que ir ver o diretor.
        - Ento v logo para a cama - disse flumbledore, fixando em Riddle 
exatamente o tipo de olhar penetrante que Harry conhecia to bem. -
 melhor no perambular
pelos corredores hoje em dia. No desde que...
        Ele soltou um pesado suspiro, desejou boa noite a Riddle e foi-se 
embora. Riddle observou-o desaparecer de vista e ento, andando depressa, rumou 
direto 
para a escada de pedra que levava s masmorras, com Harry nos seus calcanhares.
        Mas para desapontamento de Harry, Riddle no o levou nem a um corredor 
oculto nem a um tnel secreto, mas a mesmlssima masmorra em que Harry tinha aula 
de 
Poes com Snape. Os archotes no tinham sido acesos e, quando Riddle empurrou a 
porta quase fechada,
Harry s conseguiu distinguir que ele parara imvel  porta,
vigiando o corredor.
        Pareceu a Harry que ficaram ali no mnimo uma hora. S o que ele via era 
o vulto de Riddle  porta, espiando pela fresta, esperando como uma esttua. E 
quando 
Harry esqueceu a ansiedade e a tenso e comeou a desejar voltar ao presente, 
ouviu alguma coisa do lado de fora da porta.
        Algum estava andando sorrateiramente pelo corredor.
Ouviu esse algum passar pela masmorra em que ele e Riddle 
estavam escondidos. Riddle, silencioso como uma sombra, esgueirou-se
pela porta e seguiu a pessoa, Harry acompanhou-o nas ponas dos ps, esquecido de 
que ningum podia ouvi-lo.
        Por uns cinco minutos, talvez, os dois seguiram as pegadas, at que 
Riddle parou subitatnente, a cabea inclinada, atento a novos rudos. Harry 
ouviu uma
porta se abrir com um rangido, e algum falar num sussurro rouco.
        -        Vamos... preciso sair daqui... Vamos logo.., para a caixa...
        Havia alguma coisa familiar naquela voz...
        De um salto Riddle contornou um canto. Harry foi atrs. Via a silhueta
escura de um garoto enorme, agachado diante
de uma porta aberta, com uma grande caixa ao lado.
        -        Noite, Rubeo - disse Riddle rispidamente.
        O garoto bateu a porta e se levantou.
        -        Que  que voc est fazendo aqui em baixo, Tom?
        Riddle se aproximou.
        -        Acabou - disse. - Vou ter que entreg-lo, Rbeo. Esto falando 
em fechar Hogwarts se os ataques no pararem.
Que  que...
        -        Acho que voc no teve inteno de matar ningum. Mas monstros 
no so bichinhos de estimao. Imagino que
voc o tenha soltado para fazer exercicio e...
        -        Ele nunca mataria ningum! - disse o garoto, recuando contra a 
porta fechada. Atrs dele, Harry podia ouvir uns rumores e uns
cliques esquisitos.
        -        Vamos, Rbeo - falou Riddle, aproximando-se ainda mais.
- Os pais da garota morta estaro aqui amanh. O mnimo que Hogwarts pode fazer 
 garantir que a coisa que matou a filha deles seja abatida...
        -        No foi ele! - rugiu o garoto, a voz ecoando no corredor 
escuro. - Ele no faria isso! Nunca!
        -        Afaste-se - disse Riddle, puxando a varinha.
        Seu feitio iluminou repentinamente o corredor com uma luz flamejante. A 
porta atrs do garoto se escancarou com tal fora que o empurrou contra a 
parede 
oposta. E pelo vo saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito comprido e 
penetrante que ningum ouviu...
        210
        Um cotpanzil baixo e peludo e um emaranhado de pernas
pretas; um brilho de muitos olhos e um par de pinas afiadssimas
-        Riddle tornou a erguer a varinha, mas demorou demais. A coisa derrubou-
o e fugiu, desembestou pelo corredor e desapareceu de vista. Riddle levantou-se 
correndo,
procurando a coisa; ergueu a varinha, mas o garoto pulou em cinta dele, tirou-
lhe a varinha e o derrubou de novo no cho gritando:
"NAAAAO!"
        A cena girou, a escurido foi total; Harry sentiu-se caindo e, com um 
baque, aterrissou de braos e pernas abertas em sua cama de colunas no 
dormitrio da
Grifinria, com o dirio de Riddle aberto sobre a barriga.
Antes que tivesse tempo de recuperar o flego, a porta do
dormitrio se abriu e Rony entrou.
        -        Ah,  aqui que voc est! - disse.
        Harry se sentou. Estava suado e trmulo.
        -        Que aconteceu? - perguntou Rony, olhando-o preocupado.
        -        Foi Hagrid, Rony. Hagrid abriu a porta da Cmara Secreta h 
cinqenta anos.

*****


CAPTULO CATORZE
Cornlio Fudge

Harry, Rony e Mione sempre souberam que Hagrid tinha uma lamentvel queda por 
criaturas grandes e monstruosas. Durante o primeiro ano em Hogwarts, ele tentara 
criar
um drago em sua casinha de madeira, e levaria muito tempo para os garotos 
esquecerem o gigantesco cachorto de trs cabeas a que ele dera o nome de 
"Fofo". E se,
quando era criana, hagrid tivesse ouvido falar que havia um monstro escondido 
em algum lugar do castelo, Harry tinha certeza de que ele teria feito o possvel
para dar uma espiada. E provavelmente pensaria que era uma vergonha o monstro 
ficar preso tanto tempo e que merecia uma oportunidade de esticar as pernas; 
Harry
bem podia imaginar o Hagrid de treze anos tentando pr uma coleira e uma guia no
bicho Mas tinha igualmente certeza de que hagrid jamais quisera matar algum.
        Chegou a desejar que no tivesse descoberto como trabalhar com o dirio 
de Riddle. Rony e Mione o fizeram repetir vrias vezes o que vira, at ele ficar
cheio de contar e cheio das conversas compridas e tortuosas que se seguiam  sua 
historia.
        - Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse Mione. - Talvez fosse 
outro o monstro que estava atacando as pessoas..
        - Quantos monstros vocs acham que cabem aqui no castelo? - perguntou 
Rony abobado.
        -Sempre soubemos que Hagrid foi expulso - disse Harry,
infeliz. - E os ataques devem ter parado depois que o mandaram embora. Do 
contrrio, Riddle
no teria ganho um prmio.
Rony tentou um ngulo diferente.
        -        Riddle se parece com o Percy, afinal quem pediu a ele para 
dedurar o
Hagrd?
        -        Mas o monstro tinha matado algum, Rony - lembrou Mione.
        -        E Riddle ia voltar para um orfanato de trouxas se fechassem
Hogwarts - disse harry. - No posso culp-lo por querer ficar aqui...
        -        Voc encontrou o Hagrid na Travessa do Tranco, no foi, Harry?
        -        Ele estava comprando um repelente para lesmas carnivoras - 
respondeu
harry depressa.
        Os trs se calaram. Passado muito tempo Mione deu voz  pergunta mais 
cabeluda num tom hesitante.
        -        Vocs acham que devemos perguntar ao Hagrid o que aconteceu?
        -        Ia ser uma visita animada - disse Rony. - "Ol, Hagrid. Conte
para a gente, voc andou soltando alguma coisa selvagem e peluda no castelo, 
ultimamente?"
        Por fim, eles resolveram no dizer nada a Ragrid a no ser que houvesse 
outro ataque e, como muitos e muitos dias se passaram sem sequer um sussurro da 
voz
invisvel, comearam a alimentar esperanas de que nunca precisariam perguntar a 
ele os motivos de sua expulso. Fazia agora quase quatro meses desde que Justino
e Nick Quase Sem Cabea tinham sido petrifiicados, e quase todo mundo parecia 
pensar que o atacante, fosse quem fosse, tinha se retirado para sempre. Pirraa 
finalmente
se cansara do seu refro "Ah, Potter podre", Ernie Mactniilan pediu certo dia a
Harry, com muita educao, para lhe passar um balde de sapos saltitantes na aula
de Herbologia, e em maro vrias mandrgoras deram uma festa de arromba na 
estufa trs,o que deixou a
Prof. Sprout muito feliz.
        -        Na hora em que comearem a tentar se mudar para os vasos umas 
das outras ento saberemos que esto completamente adultas - explicou ela a 
Harry.
- Ento poderemos ressuscitar aqueles pobrezinhos na ala hospitalar.
Os alunos do segundo ano receberam algo novo em que pensar durante os feriados 
de Pscoa. Chegara a hora de escolher as matrias para o terceiro ano, um 
assunto
que pelo menos Mione levou muito a srio.
        -        Pode afetar todo o nosso futuro - disse a Harry e Rony enquanto 
examinavam as listas das novas matrias, marcando-as
com tiques.
        -        Eu s quero desistir de Poes - falou Harry
        -        No podemos - contraps Rony desanimado. - Continuamos com 
todas as matrias antigas ou eu teria descartado
Defesa contra as Artes das trevas.
        Mas essa  muito importante! - exclamou Mione chocada.
        -        No do jeito que o Lockhart ensina - disse Rony. - Eu nao 
aprendi nada com ele a no ser que  perigoso deixar diabretes soltos.
        Neville Longbottom recebera cartas de todos os bruxos e bruxas da 
famlia, cada um deles lhe dando um conselho diferente sobre o que escolher. 
Confuso e
preocupado, ele se sentou para ler as listas de matrias, com a lngua de fora, 
perguntando s pessoas se achavam que
Aritinancia parecia mais difcil do que o estudo
das Runas Antigas. Dino Thomas que, como Harry, crescera entre trouxas, por fim 
fechou os olhos e ia apontando a varinha
para a lista e escolhendo as matrias em 
que ela tocava. Mione no pediu conselho de ningum, matriculou-se em todas.
        Harry sorriu constrangido em pensar o que o tio Vlter e a tia Petnia 
diriam se ele tentasse discutir sua carreira de bruxo com os dois. No que ele 
no 
recebesse nenhuma orientao:
Percy Weasley estava ansioso para partilhar.com ele a experincia que tinha.
        -        Depende onde voc quer chegar Harry - disse. - Nunca e cedo 
demais para pensar no futuro, por isso eu recomendo Adivinhao. As pessoas 
dizem que
Estudo dos Trouxas  moleza, e pessoalmente acho que os bruxos deviam ter uma 
compreenso total da comunidade no-mgica, particularmente se esto pensando em 
trabalhar
em contato com eles, olhe s o
meu pai, tem que tratar de assuntos dos trouxas o tempo todo.
Meu irmo Carlinhos sempre foi uma pessoa que gostou do ar
livre, por isso se especializou na Criao de Criaturas Mgicas. Favorea suas 
inclinaes, Harry.
        Mas a nica coisa em que Harry se achava muito bom era no quadribol. Por 
fim ele acabou escolhendo as mesmas
matrias novas que Rony, achando que se fosse
mal, pelo menos teria um amigo para ajud-lo.
O prximo jogo da Grifinria seria contra a Lufa-Lufa. Wood insistia em fazer 
treinos todas as noites depois do jantar, de modo que Harry mal tinha tempo para 
mais
nada, exceto o quadribol e os deveres de casa. Entretanto, os treinos estavam 
mais amenos, ou pelo menos estavam mais secos e, na vspera do jogo de sbado, 
ele 
foi ao dormitrio guardar a vassoura, sentindo que as chances da Grifinria para 
a taa de Quadribol nunca tinham sido maiores.
        Mas sua animao no durou muito. No alto da escada
para o dormitrio, ele encontrou Neville Longbottom, que parecia transtornado.
        - Harry, no sei quem fez aquilo, acabei de encontrar...
        Olhando para Harry amedrontado, Neville abriu a porta.
        O contedo do malo de Harry estava espalhado por todos os lados. Sua 
capa estava rasgada no cho. As roupas de cama tinham sido arrancadas, e a 
gaveta puxada 
do armrio ao lado da cama, e seu contedo espalhado em cima do colcho.
        Harry aproximou-se da cama, boquiaberto, pisando em cima de umas pginas 
soltas de Viagens com
trasgos. Enquanto ele e Neville rearrumavam a cama, Rony, 
Dino e Simas entraram. Dino disse um palavro em voz alta.
        - Que aconteceu, Harry?
        - No fao idia - disse Harry. Mas Rony examinava as vestes de Harry. 
Todos os bolsos tinham sido revirados.
        - Algum andou procurando alguma coisa - disse Rony. - Tem alguma coisa 
faltando?
        Harry comeou a apanhar as coisas e a atir-las para dentro do malo. 
Somente quando ele atirou o ltimo livro de
Lockhart foi que se deu conta do que estava faltando.
        -        O dirio de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a Rony.

        Harry indicou com a cabea a porta do dormitrio, e Rony o seguiu para 
fora. Juntos desceram correndo at a sala comunal da
Grifinria, quase vazia quela 
hora, e se reuniram a Mione, que estava sentada sozinha, lendo um livro chamado 
Runas antigas sem mistrios.
        Mione ficou perplexa com as notcias.
        -        Mas... s outro aluno da Grifinria poderia ter roubado, 
ningum mais sabe a senha...
        -        Exatamente - disse Harry.
Eles acordaram na manh seguinte com um sol radioso e uma
brisa leve e fresca.
        -        Condies perfeitas para o quadriboll - exclamou Wood, 
entusiasmado,  mesa da
Grifinria, enchendo os pratos dos jogadores com ovos mexidos. - 
Harry, 
mexa-se, voc precisa de um caf da manh decente.
        Harry estivera observando a mesa da Griflnria, cheia de alunos, 
imaginando se o novo dono do dirio de Riddlle estaria ali, bem diante dos seus 
olhos. 
Mione
andou insistindo que ele comunicasse o roubo, mas Harry no gostou da idia. 
Teria que contar a um professor tudo que sabia sobre o dirio, e quantas pessoas 
sabiam
por que Hagrid fora expulso h cinqenta anos? No queria ser a pessoa a trazer 
tudo  tona de novo.
        Quando saiu do Salo Principal com Rony e Mione para ir apanhar o 
equipamento de quadribol, mais uma preocupao muito sria se somou  sua lista 
crescente. 
Tinha acabado de pr o p na escadaria de mrmore quando ouviu outra vez...
"Matar desta vez.., me deixe cortar.. estraalhar.."
        Ele deu um grito alto e Rony e Mione saltaram para longe
assustados.
        -        A voz! - disse Harry, espiando por cima do ombro. - Acabei de 
ouvi-la de novo, vocs no ouviram?
Rony sacudiu a cabea, os olhos arregalados. Mione, porm, deu uma palmada na 
testa.
        - Harry, acho que acabei de entender uma coisa! Tenho de ir at a 
biblioteca!
        E, deixando os amigos, subiu as escadas correndo.
        -Que que ela entendeu? - perguntou harry distrado, ainda olhando  
volta, tentando descobrir de onde vinha a voz.
        - Muito mais do que eu - disse Rony, sacudindo a cabea.
- Mas por que ela tem de ir  biblioteca?
        - Porque  isso que Mione faz - disse Rony sacudindo os ombros. - Quando 
tiver uma dvida, v  biblioteca.
        Harry ficou parado, indeciso, tentando ouvir a voz novamente, mas os 
alunos agora vinham saindo do Salo Principal as suas costas, falando alto, 
dirigindo-se
 porta da frente a caminho do campo de quadribol.
        -  melhor voc ir andando - disse Rony. - So quase onze horas, o 
jogo...
        Harry correu at a Torre da Grifinria , apanhou sua Nimbus 2000 e se 
juntou  multido que atravessava os jardins, mas sua cabea continuava no 
castelo 
com
a voz invisvel e, enquanto vestia o uniforme vermelho no vestirio, seu nico 
consolo era que todo mundo estava l fora para assistir ao jogo.
        Os times entraram em campo sob aplausos estrondosos. Olivioo Wood 
decolou para um vo de aquecimento em volta das balizas; Madame
Hooch lanou as bolas. Os 
jogadores da Lufa-Lufa, que jogavam de amarelo-canrio, estavam amontoados num 
bolinho, discutindo tticas de ltima hora.
        Harry ia montar a vassoura quando viu a Profa. McGonagall vir decidida 
em sua direo, quase correndo, com um enorme megafone
prpura na mao.
        O corao de Harry sofreu um baque violento.
        - O jogo foi cancelado - a Profa. McGonagall anunciou pelo megafone, 
dirigindo-se ao estdio. Ouviram-se vaias e gritos.
Olvio Wood, arrasado, pousou e correu
para a professora sem desmontar da vassoura.
        - Mas, professora! - gritou. - Temos que jogar, a taa,
Grifinria...
        McGonagall no lhe deu ateno e continuou a falar pelo megafone:
        - Todos os alunos devem se dirigir s salas comunais de
suas casas, onde os diretores das casas daro maiores informaes. O mais rpido 
que puderem, por favor!
        Ento, baixou o megafone e chamou Harry.
- Potter, acho que  melhor voc vir comigo...
        Imaginando como  que ela poderia suspeitar dele desta vez, Harry viu 
Rony se separar da multido que reclamava; correu para os dois que j iam a 
caminho 
do castelo. Para surpresa de Harry, a professora no fez objeo.
        - , talvez seja melhor voc vir tambm, Weasley...
        Alguns alunos que caminhavam perto deles reclamavam
do cancelamento do jogo; outros pareciam preocupados. Harry
e Rony acompanharam a Profa. McGonagall de volta  escola
e subiram a escadaria de mrmore. Mas no foram levados 
sala de ningum desta vez.
        - Vai ser um pouco chocante para vocs - disse a Profa. McGonagall, num 
tom surpreendentemente gentil quando se aproximavam da enfermaria. - Houve mais 
um
ataque... mais um ataque duplo.
        As entranhas de Harry deram uma terrvel cambalhota. A
professora abriu aporta e ele e Rony entraram.
        Madame Pomfrey estava curvada sobre uma menina do quinto ano, de cabelos 
longos e crespos. Harry reconheceu a aluna da
Corvinal a quem por acaso perguntaram
onde ficava a sala da Sonserina. E na cama ao lado achava-se...
        - Mione! - gemeu Rony.
        Mione estava deitada absolutamente imvel, os olhos abertos
e vidrados.
        - Elas foram encontradas perto da biblioteca - disse a Profa. 
McGonagall. - Suponho que nenhum dos dois tenha uma explicao para isto. Estava 
no cho ao
lado delas...
        Segurava um pequeno espelho circular.
        Harry e Rony balanaram a cabea, com os olhos fixos em
Mione.
        - Vou acompanh-los de volta  Torre da Grifinoria - continuou a 
professora deprimida. - Tenho mesmo que falar com
        os alunos.
- Todos os alunos devem voltar  sala comunal de suas casas at as seis horas da 
tarde. Nenhum aluno deve sair dos dormitrios depois dessa hora. Um professor os
acompanhar a cada aula. Nenhum aluno deve usar o banheiro a no ser escoltado 
por um
professor. Todos os treinos e jogos de quadribol esto adiados. No haver mais
atividades noturnas.
        Os alunos da Grifinria aglomerados na sala comunal ouviram a professora 
em silncio. Ela enrolou o pergaminho que
acabara de ler e disse com a voz um tanto embargada:
        - No preciso acrescentar que raramente me senti to aflita.  provvel 
que fechem a escola a no ser que o autor desses ataques seja apanhado. Eu 
pediria
a quem achar que talvez saiba alguma coisa que me procure.
        Foi ela sair um tanto desajeitada pelo buraco do retrato e
os alunos comearem a falar imediatamente.
        - So dois alunos da Grifinria atacados, sem contar o nosso fantasma, 
um aluno da
Corvinal e um da Lufa-Lufa - disse o amigo dos gmeos Weasley, Lino Jordan, 
contando nos dedos. - Ser que nenhum professor reparou que os alunos da 
Sonserina no foram tocados? No  bvio que essa coisa toda est vindo da 
Sonserina? O 
herdeiro de Slytherin, o monstro da Sonserina, por que  que eles no mandam 
embora todo o pessoal da Sonserina? - vociferou ele, em meio a acenos de 
concordncia 
e aplausos.
        Percy Weasley estava sentado em uma poltrona atrs de
Lino, mas desta vez no parecia ansioso para dizer o que pensava. Parecia plido 
e atordoado.
        - Percy ficou em estado de choque - disse Jorge a Harry, baixinho. - 
Aquela menina da
Corvinal, Penelope Clearwater,  monitora. Acho que ele no pensou 
que o monstro se atrevesse a atacar um monitor.
        Mas Harry s estava ouvindo com metade da ateno. No estava 
conseguindo se livrar da viso de Mione deitada na cama de hospital como se 
tivesse sido talhada
em pedra. E se o culpado no fosse apanhado logo, o que o aguardava era uma vida 
com os
Dursley. Tom Riddle entregara Hagrid porque
teria que enfrentar um orfanato de trouxas se a escola fechasse.
Harry agora sabia exatamente o que ele sentira.
        - Que  que vamos fazer? - perguntou Rony baixinho ao ouvido de Harry. - 
Voc acha que eles suspeitam de
Hagrid?
        - Precisamos ir falar com ele - disse Harry decidindo-se. - No posso 
acreditar que desta vez ele seja o culpado, mas se soltou o monstro da ltima 
vez saber 
como entrar na Cmara Secreta, e isto  um comeo.
        - Mas McGonagall disse para ficarmos em nossa torre a no ser na hora 
das aulas...
        - Acho - disse Harry, mais baixinho ainda - que est na hora de tirar 
outra vez da mala a velha capa do meu pai.
arry herdara somente uma coisa do pai: uma longa capa de invisibilidade 
prateada. Era a nica chance que tinham de sair escondidos da escola para 
visitar Hagrid,
sem ningum ficar sabendo. Assim, foram se deitar na hora de costume, esperaram 
at Neville, Dino e Simas pararem de discutir sobre a Cmara Secreta e irem 
finalmente
dormir, ento se levantaram, vestiram-se outra vez e jogaram a capa por cima dos 
dois.
        A viagem pelos corredores escuros e desertos do castelo no foi um 
prazer. Harry, que perambulara pelo castelo  noite vrias vezes antes, nunca os 
vira 
to cheios depois do pr-dosol. Professores, monitores e fantasmas andavam pelos 
corredores aos pares, olhando tudo atentamente,  procura de alguma atividade 
incomum. 
A capa da invisibilidade no os impedia de fazer barulho, e houve um momento 
particularmente tenso em que Rony deu uma topada a poucos metros do lugar onde 
Snape 
estava montando guarda. Felizmente, Snape espirrou quase ao mesmo tempo que Rony 
xingou. Foi com alivio que chegaram s portas de entrada e as abriram 
devagarinho.
        Fazia uma noite clara e estrelada. Eles correram em direo s janelas 
iluminadas da casa de
Hagrid e despiram a capa
somente quando estavam  sua porta de entrada.
        Segundos depois de terem batido, Hagrid escancarou a porta.
Eles deram de cara com um arco que o amigo apontava. Canino, o co de caar 
javalis, o acompanhava dando fortes latidos.
 - Ah - exclamou ele, baixando a arma e encarando os meninos. - Que  que vocs 
esto fazendo aqui?
        - Para que  isso? - perguntou Harry, ao entrarem, apontando para o 
arco.
        - Nada... nada... - murmurou Hagrid. - Estava esperando... no faz 
mal... Sentem... Vou preparar um ch...
        Ele parecia no saber muito bem o que estava fazendo. Quase apagou a 
lareira ao derramar gua da chaleira e em seguida amassou o bule com um 
movimento nervoso 
da mo enorme.
        - Voc est bem, Hagrid? - perguntou Harry. - Soube do que aconteceu com 
a Mione?
        - Ah, soube, soube, sim - respondeu Hagrid, com a voz ligeiramente 
falha.
        Ele no parava de olhar nervoso para as janelas. Serviu aos meninos dois 
caneces de gua fervendo (esquecera-se de pr ch na chaleira) e ia servindo 
uma
fatia de bolo de frutas num prato quando ouviram uma forte batida na porta.
        Hagrid deixou cair o bolo de frutas. Harry e Rony se entreolharam em
pnico, mas logo se cobriram com a capa e se retiraram para um canto. Hagrid se 
certificou
de que os garotos estavam escondidos, apanhou o arco e escancarou mais uma vez a 
porta.
        - Boa-noite, Hagrid.
        Era Dumbledore. Ele entrou, parecendo mortalmente srio e vinha 
acompanhado por um homem de aspecto muito esquisito.
        O estranho tinha os cabelos grisalhos despenteados, uma expresso 
ansiosa e usava uma estranha combinao de roupas: terno de risca de giz, 
gravata vermelha,
uma longa capa preta e botas roxas de bico fino. Sob o brao carregava um
chapu-coco cor de limo.
        -  o chefe do papai! - cochichou Rony. - Cornlio Fudge, Ministro da 
Magia!
        Harry deu uma forte cotovelada em Rony para faz-lo calar-se.
        Hagrid empalidecera e suava. Deixou-se cair em uma cadeira e olhava de 
Dumbledore para Cornlio
Fudge.
        - Problema srio, Hagrid - disse Fudge em tom seco. - Problema muito 
srio. Tive que vir. Quatro ataques em alunos nascidos trouxas. As coisas foram 
longe
demais. O Ministrio teve que agir.
        -        Eu nunca - disse Hagrid, olhando suplicante para Dumbledore. - 
O senhor sabe que eu nunca, Prof. Dutnbledore...
        -        Quero que fique entendido, Cornlio, que Hagrid goza de minha 
inteira confiana - disse Dumbledore fechando a
cara para Fudge.
        -        Olhe, Alvo - respondeu Fudge, constrangido. - A ficha de Hagrid 
depe contra ele. O Ministrio teve que fazer alguma coisa, o conselho diretor 
da
escola entrou em contato...
        -        Contudo, Cornlio, continuo a afirmar que levar Hagrid no vai 
resolver nada - disse Dumbledore. Seus olhos azuis
tinham uma intensidade que Harry nunca vira antes.
        -        Procure entender o meu ponto de vista - disse Fudge, manuseando 
o chapu-coco. - Estou sofrendo muita presso. Precisam ver que estou fazendo 
alguma
coisa. Se descobrirmos que no foi Hagrid, ele voltar e no se fala mais no 
assunto. Mas tenho que lev-lo. Tenho. No estaria cumprindo o meu dever...
        -        Me levar? - perguntou Hagrid, comeando a tremer. - Me levar 
aonde?
        -        S por um tempo - disse Fudge sem encarar Hagrid nos olhos. - 
No  um castigo, Hagrid,  mais uma precauo. Se outra pessoa for apanhada, 
voc
ser solto com as nossas desculpas...
        -        No para Azkaban? - lamentou Hagrid, rouco.
        Antes que Fudge pudesse responder, ouviram outra batida forte na porta.
        Dumbledore atendeu-a. Foi a vez de Harry levar uma cotovelada
nas costelas; deixara escapar uma exclamao audvel.
        O        Sr. Lcio Malfoy entrou decidido na cabana de Hagrid, envolto 
em uma longa capa de viagem, com um sorriso frio e
satisfeito. Canino comeou a rosnar.
        -J est aqui, fudge - disse em tom de aprovao. - Muito bem...
        -        Que  que o senhor est fazendo aqui? - perguntou
Hagrid furioso. - Saia da tninha casa!
        -        Meu caro, por favor acredite em mim, no me d nenhum
prazer estar no seu... hum... voc chama isso de casa?- disse Lcio Malfoy, 
desdenhoso,
correndo os olhos pela pequena
cabana. - Simplesmente vim  escola e me disseram que o diretor se encontrava 
aqui.
        -        E o que era exatamente que voc queria comigo, Lcio?
- perguntou Dumbledore. Falou com cortesia mas a intensidade ainda encandecia os 
seus olhos azuis.
        -         Lamentvel, Dutnbledore - disse Malfoy sem pressa, puxando um 
rolo de pergaminho -, mas os conselheiros acham que est na hora de voce se
retirar.
Tenho aqui uma Ordem de Suspenso, com as doze assinaturas. Receio que o 
Conselho pense que voc est perdendo o jeito. Quantos ataques houve at agora? 
Mais dois
hoje  tarde, no foi? Nesse ritmo, no sobraro alunos nascidos trouxas em 
Hogwarts, e todos sabemos que perda
horrvel isto seria para a escola.
        -        Ah, olhe aqui, Lcio - disse Fudge, parecendo assustado
-, Dutnbledore suspenso, no, no, a ltima coisa que queremos neste momento...
        -        A nomeao, ou a suspenso de um diretor  assunto do Conselho,
Fudge - disse o Sr. Malfoy suavemente. - E como
Dutnbledore no conseguiu fazer parar os ataques...
        -        Olhe aqui, Malfoy, se Dumbledore no consegue faz-los parar - 
disse
Fudge, cujo lbio superior estava mido de suor
-, eu pergunto, quem vai conseguir?
        -        Isto resta ver - disse o Sr. Malfoy com um sorriso 
desagradvel. - Mas como todo o Conselho votou...
        Hagrid levantou-se de um salto, a cabea desgrenhada raspando o teto.
        -        E quantos voc precisou ameaar e chantagear para concordarem 
hein, Malfoy? - vociferou.
        -        Ai, ai, ai, sabe, esse seu mau gnio ainda vai lhe causar 
problemas um dia desses, Hagrid - disse o
Sr. Malfoy. - Eu aconselharia voc a no gritar
assim com os guardas de Azkaban, eles no vo gostar nadinha.
        -        Voc no pode afastar flumbledore! - gritou Hagrid, fazendo 
Canino se agachar e choramingar no cesto de dormir.
- Afaste ele, e os alunos nascidos trouxas no tero a menor chance. Vai haver 
mortes em seguida.
        -        Acalme-se, Hagrid - ordenou Dumbledore. Virou-se ento
para Lcio Malfoy.
        -        Se o Conselho quer que eu me afaste, Lcio, naturalmente eu vou 
obedecer...
        -        Mas... - gaguejou Fudge.
        - No!- disse Hagrid com raiva.
        Dumbledore no tirara seus olhos azuis cintilantes dos olhos frios e 
cinzentos de Lcio Malfoy.
        -        Porm - continuou ele, falando muito lenta e claramente de modo 
que ningum perdesse uma s palavra -, voc vai descobrir que s terei realmente 
deixado a escola quando ningum mais aqui for leal a mim. Voc tambm vai 
descobrir que Hogwarts sempre ajudar aqueles que a ela recorrerem.
        Por um segundo Harry teve quase certeza de que os olhos
de Dumbledore piscaram em direo ao canto em que ele e
Rony estavam escondidos.
        - Admirveis sentimentos - disse Malfoy fazendo uma reverncia. -Todos 
sentiremos falta do seu... hum... modo muito pessoal de dirigir as coisas, Alvo, 
e 
s espero que o seu sucessor consiga impedir... ah... matanas.
        E dirigiu-se  porta da cabana, abriu-a, fez um gesto largo indicando a 
porta para Dumbledore.
Fudge, manuseando seu chapu-coco, espetou Hagrid passar 
sua frente, mas Hagrid continuou firme, inspirou profundamente e disse com 
clareza:
        - Se algum quiser descobrir alguma coisa,  s seguir as aranhas. Elas 
indicariam o caminho certo!
 s o que digo.
        Rudge olhou-o muito admirado.
        - Tudo bem, estou indo - disse Hagrid, vestindo o casaco de pele de 
toupeira. Mas quando ia saindo para acompanhar
Fudge, ele parou outra vez e disse em
voz alta: - Algum vai ter que dar comida a Canino enquanto eu estiver fora.
        A porta se fechou com fora e Rony tirou a capa da
mvisibilidade.
        -        Estamos enrascados agora - disse ele rouco. - Dumbledore foi-se 
embora. Seria melhor que fechassem a escola hoje  noite.
Com a sada dele haver um ataque por dia.
        Canino comeou a uivar, arranhando a porta fechada.


*****


CAPTULO QUINZE
Aragogue

O vero espalhou-se lentamente pelos jardins que cercavam o castelo; o cu e o 
lago, os dois, ficaram azul-clarinhos, e flores do tamanho de repolhos se 
abriram
repentinamente nas estufas. Mas sem a viso de agrid caminhando pelos jardins 
com Canino nos calcanhares, a paisagem vista das janelas do castelo no parecia
normal para Harry; alis, era pouco melhor do que o interior do castelo, onde as 
coisas pareciam terrivelmente erradas.
        Harry e Rony tentaram visitar Mione, mas as visitas  ala
hospitalar agora no eram permitidas.
        - No queremos mais nos arriscar - disse Madame Pomfrey, com severidade, 
por uma fresta na porta da enfermaria. - No, sinto muito, h grande 
possibilidade 
de o atacante voltar para liquidar os pacientes...
        Com a sada de Dumbledore, o medo se espalhou como nunca antes, de modo 
que o sol que aquecia as paredes do castelo por fora parecia se deter nas 
janelas 
de caixilhos. Quase no se via na escola um rosto que no parecesse preocupado e 
tenso, e qualquer risada que ecoasse pelos corredores soava aguda e artificial e 
era rapidamente abafada.
        Harry repetia constantemente para si mesmo as ultimas palavras de 
Dumbledore "S terei realmente deixado a escola quando ningum mais aqui for 
leal a mim... 
Hogwarts sempre ajudar aqueles que a ela recorrerem. "Mas de que adiantavam 
essas palavras?
A quem exatamente pediriam ajuda quando todos estavam to 
confusos e apavorados quanto eles?
        A dica de Ragrid sobre as aranhas era muito mais fcil de entender - o 
problema era que no parecia ter restado uma nica aranha no castelo para se 
seguir. 
Harry procurava por todo lado aonde ia, com a ajuda (um tanto relutante) de 
Rony. Eles eram atrapalhados,  claro, pelo fato de no poderem andar sozinhos, 
tinham
que se deslocar pelo castelo com um grupo de alunos da Grifinria. A maioria dos 
seus colegas parecia satisfeita em ser acompanhada de aula em aula por 
professores, 
mas Harry achava isso muito aborrecido.
        Havia porm uma pessoa que parecia estar se divertindo muito com a 
atmosfera de terror e suspeita. Draco Malfoy andava se pavoneando pela escola 
como se 
tivesse acabado de ser nomeado monitor-chefe. Harry no entendeu por que andava 
to satisfeito at a aula de
Poes, duas semanas depois de Dumbledore e Hagrid terem 
ido embora, quando, sentado atrs de Malfoy, Harry ouviu-o se gabar para Crabbe 
e Goyle.
        -        Eu sempre achei que meu pai era a pessoa que iria se livrar de 
Dumbledore - disse sem se preocupar em manter a voz baixa. - Falei com voces que 
ele achava que Dumbledore era o pior diretor que a escola j tinha tido. Talvez 
a gente tenha um diretor decente agora. Algum que no queira manter a Cmara 
Secreta 
fechada. McGonagall no vai durar muito tempo, ela s est substituindo...
        Snape passou por Harry, sem fazer comentrios sobre a
cadeira e o caldeiro vazios de Mione.
        -        Professor - perguntou Draco em voz alta. - Professor, por que  
que o senhor no se candidata ao lugar de diretor?
        -        Vamos, Malfoy - respondeu Snape, embora no conseguisse refrear 
um sorrisinho. - O
Prof. Dumbledore foi apenas suspenso pelo Conselho. Quero crer 
que estar de volta conosco logo, logo.
        - , claro - disse Draco, rindo-se. - Acho que o senhor teria o voto do 
meu pai,
professor, se quisesse se candidatar, vou dizer ao meu pai que o senhor
 o melhor professor que temos, professor...
Snape sorriu enquanto andava pela masmorra, felizmente
sem ter visto que Simas Finnigan fingia vomitar no caldeiro.
- Fico surpreso que os sangues-ruins no tenham feito as
malas - continuou Draco. - Aposto cinco galees que o proximo vai morrer. Pena 
que no tenha sido a Granger...
        A sineta tocou nesse instante, o que foi uma sorte; ao ouvir as ltimas 
palavras de Draco, Rony tinha saltado do banquinho e, na agitao para reunirem 
mochilas 
e livros, seus esforos para se atracar com Draco passaram despercebidos.
        - Me deixe agarrar ele - rosnou Rony, enquanto Harry e Dino o seguravam 
pelos braos. - Nem estou ligando, no preciso da minha varinha, vou matar ele 
com 
as maos...
        - Vamos depressa, tenho de lev-los  aula de Herbologia - disse 
rispidamente Snape  classe e logo saram, com
Harry, Rony e Dino fechando a fila, Rony
ainda tentando se desvencilhar. Os amigos s acharam que era seguro solt-lo 
quando Snape j levara a turma para fora do castelo e estavam atravessando a 
horta em 
direo s estufas.
        A aula de Herbologia foi muito tranqila; faltavam agora dois alunos na 
classe: Justino e Mione.
        A ProC Sprout mandou todos podarem figueiras custicas da Abissnia. 
Harry foi despejar uma braada de galhos mortos na composteira e deu de cara com 
Ernie 
Maemillan. Ernie tomou flego e disse, muito formal:
        - Eu s quero dizer, Harry, que lamento muito ter suspeitado de voc. 
Sei que voc nunca atacaria Mione Granger e peo desculpas por tudo que disse. 
Estamos 
todos no mesmo barco agora, e, bom...
        Ele estendeu a mo gorducha e Harry a apertou.
        Ernie e sua amiga Ana vieram trabalhar na mesma figueira que Harry e 
Rony.
        - Aquele tal de Draco Malfoy - disse Ernie quebrando galhinhos secos - 
parece muito satisfeito com tudo isso, no ? Sabe, eu acho que ele bem poderia 
ser
o herdeiro de Slytherin.
        - Voc  to inteligente! - disse Rony, que pelo jeito no perdoara 
Ernie to depressa quanto Harry.
        - Voc acha que foi Malfoy, Harry? - perguntou Ernie.
        - No - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Ana arregalaram os 
olhos.
        Segundos depois. Harry viu uma coisa.
Vrias aranhas de bom tamanho estavam andando pelo
cho do lado de fora da vidraa, deslocando-se numa estranha linha reta como se 
tomassem o caminho mais curto para ir a um encontro combinado. Harry bateu na 
mo
de Rony com a tesoura de poda.
        -Ai! Que  que voc...
        Harry apontou para as aranhas, seguindo o trajeto que faziam com os 
olhos apertados contra o sol.
        - Ah,  - exclamou Rony, tentando parecer satisfeito, sem conseguir. - 
Mas no podemos segui-las agora...
        Ernie e Ana ouviam curiosos.
        Os olhos de Harry se apertaram e ele focalizou as aranhas.
Se elas prosseguissem naquele curso, no havia dvida onde
iriam parar.
        - Parece que esto indo para a Floresta Proibida...
        E Rony pareceu ainda mais infeliz com essa idia.
        Ao fim da aula a Prof. Sprout acompanhou os alunos ate a aula de Defesa 
Contra as Artes das Trevas. Harry e Rony deixaram-se ficar para trs para poder 
falar 
sem serem ouvidos.
        - Teremos que usar a capa da invisibilidade outra vez - disse Harry a 
Rony. - Podemos levar Canino conosco. Ele est acostumado a entrar na floresta 
com 
Hagrid, talvez possa ajudar.
        - Certo - concordou Rony, que revirava a varinha nos dedos, nervoso. - 
Hum... no dizem que tem... no
dizem que tem lobisomens na floresta? - acrescentou 
quando se sentavam nos lugares de sempre, no fundo da classe de Lockhart.
        Preferindo no responder quela pergunta, Harry disse:
        - Mas l tambm tem coisas boas. Os centauros so legais, e os 
unicrnios...
        Rony nunca estivera na Floresta Proibida antes. Harry entrara somente 
uma vez e alimentava esperanas de no repetir
a experincia.
        Lockhart entrou aos saltos na sala, e a classe ficou olhando para ele. 
Todos os outros professores na escola pareciam mais srios do que o normal, mas 
Lockhart 
estava, no mimmo, animado e confiante.
 - Vamos, garotos - exclamou, sorrindo para todos os lados. - Por que essas 
caras tristes?
        Os garotos trocaram olhares exasperados, mas ningum respondeu.
        -        Vocs no percebem - disse Lockhatt, falando lentamente, como 
se todos fossem um pouco retardados - que o
perigo passou! O culpado foi levado embora..
        -        Quem disse? - perguntou Dino em voz alta.
        -        Meu caro rapaz, o Ministro da Magia no teria levado Hagrid se 
no estivesse cem por cento convencido de que
era culpado - disse Lockhart, num tom 
de voz de algum que explica que um mais um so dois.
        -        Ah, teria levado, sim - disse Rony, ainda mais alto do que
Dino.
        - Me lisonjeia dizer que sei um tantinho mais sobre a priso de Hagrid 
do que o senhor,
W Weasley - disse Lockhart num
tom presunoso.
        Rony comeou a dizer que achava que no, mas parou no
meio da frase quando Harry o chutou com fora por baixo da
carteira.
        -        No estvamos l, lembra? - resmungou Harry. Mas a animao 
desagradvel de Lockhart, suas insinuaes de que sempre
achara que Hagrid no prestava,
sua confiana de que a histria toda agora chegara ao fim, irritou tanto Harry 
que ele teve ganas de atirar Como se divertir com vampiros bem no meio da cara 
boba
do professor. Em vez disso contentou-se em rabiscar um bilhete para Rony: Vamos
hoje  noite.
        Rony leu o bilhete, engoliu com fora e olhou de esguelha para a 
carteira vazia em que Mione normalmente se sentava. A viso pareceu fortalecer 
sua deciso, 
e ele concordou com um aceno de cabea.
A sala comunal da Grifinria andava sempre muito cheia ultimamente, porque a 
partir das seis horas os alunos da casa no podiam ir a lugar algum. E, tambm, 
tinham
muito o que conversar, por isso a sala s se esvaziava depois da meia-noite.
        Harry foi buscar a capa da invisibilidade no malo logo
depois do jantar e passou a noite sentado em cima dela, esperando
a sala se esvaziar. Fred e Jorge desafiaram Harry e Rony para umas partidas de
snape explosivo, e Gina se sentou para apreciar, muito quieta na cadeira que
Hermione geralmente usava. Os dois amigos perdiam todas as partidas de 
propsito, tentando terminar o jogo depressa, mas mesmo assim, j era mais de 
meia-noite quando 
Fred, Jorge e Gina finalmente foram se deitar.
        Harry e Rony esperaram at ouvir os rudos distantes das
portas dos dormitrios se fechando antes de apanhar a capa,
atir-la sobre seus corpos e sair pelo buraco do retrato.
        Foi outra travessia difcil do castelo, evitando esbarrar nos 
professores. Finalmente chegaram ao saguo de entrada, puxaram o trinco das 
portas de carvalho, 
esgueiraram-se entre as duas folhas tentando impedir que elas rangessem e saram 
para os jardins banhados de luar
        - Claro - disse Rony abruptamente quando atravessavam o gramado -, 
podemos chegar na floresta e descobrir que no h nada para seguir. Aquelas 
aranhas talvez 
nem estivessem indo para l. Sei que parecia que se deslocavam naquela diteao 
geral, mas...
        A voz dele foi emudecendo cheia de esperana.
        Os garotos chegavam  casa de Hagrid, que parecia triste e pobre com as 
janelas s escuras. Quando Harry empurrou a porta, Canino ficou louco de alegria 
de v-los. Preocupados que ele pudesse acordar todo mundo no castelo com seus 
latidos fortes e ressonantes, eles lhe deram quadradinhos de chocolate, que 
grudava 
os maxilares, de uma lata em cima do console da lareira.
Harry deixou a capa da invisibilidade em cima da mesa de
Hagrid. No precisariam dela na floresta escura como breu.
        - Vamos, Canino, vamos dar um passeio - disse Harry dando palmadinhas na 
perna, e Canino saiu de casa dando saltos de felicidade atrs deles, correu para 
a orla da floresta e levantou a perna contra um enorme sicomoro.
Harry puxou a varinha, murmurou "Lumos!"e brilhou uma
luzinha na ponta, suficiente para deix-los ver o caminho 
procura das aranhas.
        - Bem pensado -disse Rony. - Eu acenderia a minha tam
bm, mas voce sabe, provavelmente iria explodir ou fazer outra maluquice 
qualquer..
        Harry bateu no ombro de Rony, apontando para o capim. Duas aranhas
solitrias corriam para longe da luz da varinha procurando a sombra das rvores.
        - Muito bem - suspirou Rony resignado com o pior. Estou pronto. Vamos.
        Ento, com Canino correndo  volta, cheirando razes e folhas de 
rvores, eles se embrenharam na floresta. Orientados pela luz da varinha de 
Harry, seguiram 
o fluxo constante de aranhas que iam pelo caminho. Seguiram-no por uns vinte 
minutos, sem falar, procurando ouvir outros rudos que no fossem os dos 
gravetos estalando 
ou das folhas rumorejando. Ento, quando o arvoredo se tornou mais denso que 
nunca, de modo que j no avistavam as estrelas no alto, e a varinha de Harry 
brilhava
solitria num mar de trevas, eles viram as aranhas que os guiavam abandonarem o 
caminho.
        Harry parou, tentando ver aonde as aranhas estavam indo, mas tudo fora 
do seu pequeno crculo de luz estava escurssimo. Ele nunca se embrenhara to 
fundo 
na floresta. Lembrava-se vivamente de Hagrid aconselhando-o a no se afastar do 
caminho da floresta da ltima vez que estivera ali. Mas o guardacaa se achava a
quilmetros de distncia, provavelmente sentado em uma cela de Azkaban, e tambm 
lhe dissera para seguir as aranhas.
        Alguma coisa mida encostou na mo de Harry, e ele deu um pulo para 
trs, esmagando o p de Rony, mas era apenas o nariz de Canino.
        - Que  que voc acha? - perguntou Harry a Rony, cujos olhos ele mal 
conseguia vislumbrar, refletindo a luz de sua varinha.
        -J chegamos at aqui - disse Rony.
        Ento os dois acompanharam as sombras velozes das aranhas entrando pelo 
meio das rvores. No podiam mais andar muito depressa; havia razes e tocos de 
rvores 
no caminho, pouco visveis na escurido quase total. Harry sentia o hlito 
quente de Canino em sua mo. Mais de uma vez tiveram que
parar para que Harry pudesse se agachar procurando as aranhas.
        Caminharam pelo que pareceu pelo menos meia hora, as vestes agarrando 
nos galhos baixos e espinheiros. Passado algum tempo, repararam que o cho 
parecia
estar descendo, embora o arvoredo estivesse mais denso que nunca.
        Ento Canino soltou de repente um latido que ecoou por
todos os lados, fazendo Harry e Rony darem um pulo de fazer
a alma se soltar do corpo.
        - Que foi? - perguntou Rony alto, olhando a escurido  volta e 
segurando o cotovelo de Harry com fora.
        - Tem alguma coisa se mexendo ali adiante - sussurrou Harry. - Escute... 
parece uma coisa grande...
        Eles escutaram. A uma certa distncia para a direita, a coisa grande 
estava partindo galhos  medida que abria caminho
por entre as rvores.
        - Ah, no - exclamou Rony. - Ah, no, ah, no, ah...
        - Cale a boca - mandou Harry muito nervoso. - A coisa vai ouvir voce.
        - Me ouvir? - exclamou Rony numa voz estranhamente aguda. - Ela j ouviu 
o Canino!
        A escurido parecia estar empurrando para dentro as rbitas
dos olhos deles enquanto aguardavam aterrorizados. Ouviram um ronco esquisito e 
em seguida o silncio.
        - Que acha que ela est fazendo? - perguntou Harry.
        - Provavelmente est se preparando para atacar.
        Os dois esperaram, tremendo, mal atrevendo a se mexer.
        - Voc acha que foi embora? - cocbichou Harry.
        - Sei l...
        Ento, para a direita, eles viram um claro repentino to intenso, na 
escurido, que os dois ergueram as mos para proteger os olhos. Canino latiu e 
tentou 
correr, mas ficou preso num emaranhado de espinhos e latiu ainda mais alto.
        - Harry! - gritou Rony, a voz esganiando de alivio. - Harry  o nosso 
carro!
        - Ande!
        Harry acompanhou o amigo como pde em direo  luz,
esbarrando e tropeando nas coisas e um instante depois saram numa clareira.
        O carro do Sr. Weasley estava parado, vazio, no meio de um crculo de 
rvores grossas sob uma ramagem densa, os faris acesos. Quando Rony avanou 
boquiaberto, 
ele foi ao encontro do garoto, exatamente como um canzarro turquesa 
cumprimentando o dono.
        - Estava aqui o tempo todo! - disse Rony encantado, andando  volta do 
carro. - Olhe s para ele. A floresta fez ele virar selvagem...
        As laterais do carro estavam arranhadas e sujas de lama. Pelo jeito ele 
passara a rodar na floresta sozinho. Canino pareceu no gostar nada do carro; 
ficou 
colado em Harry, que sentia o co tremer. A respirao mais calma outra vez, 
Harry guardou a varinha nas vestes.
        - E ns achamos que ele ia nos atacar! - disse Rony, apoiando-se no 
carro e lhe dando palmadinhas. - Fiquei muito tempo imaginando onde teria 
sumido!
        Harry apurou a vista  procura de sinais de aranhas no cho iluminado, 
mas todas fugiram da claridade dos faris.
        - Perdemos a pista. Vem, vamos tentar encontr-las.
        Rony ficou calado. Nem se mexeu. Tinha os olhos fixos em um ponto a uns 
trs metros acima do cho da floresta, logo atrs de Harry. Seu rosto estava 
lvido 
de terror.
        Harry nem teve tempo de se virar. Ouviu um som estalado e alto e de 
repente sentiu uma coisa comprida e peluda agarrlo pela cintura e ergu-lo do 
cho, 
deixando-o
de cara para baixo. Debatendo-se cheio de terror, ele ouviu o mesmo som e viu as 
pernas de Rony abandonarem o cho, tambm, e Canino choramingar e uivar - no 
instante
seguinte, ele estava sendo arrebatado para o meio das rvores escuras.
        A cabea pendurada, Harry viu que a coisa que o segurava andava sobre 
seis pernas imensamente compridas e peludas, as duas dianteiras agarravam-no com 
firmeza 
sob um par de pinas pretas e reluzentes. Atrs, ele ouvia outro bicho igual, 
sem dvida carregando Rony. Estavam entrando no corao da floresta. Harry ouvia 
Canino
lutando para se libertar de um terceiro monstro, ganindo alto, mas Harry no 
poderia ter berrado nem se tivesse querido; parecia ter deixado a voz no
carro
l na clareira.
        Ele nunca soube quanto tempo ficou nas garras do bicho; s soube que de 
repente a escurido diminuiu o suficiente
para deix-lo ver que o cho coberto de
folhas agora estava pululando de aranhas. Esticou o pescoo para o lado e 
percebeu que tinham chegado  borda de uma vasta depresso, uma depresso que 
fora desmatada, 
de modo que as estrelas iluminaram claramente a pior cena que ele Jamais vira.
        Aranhas, aranhinhas como aquelas que cobriam as folhas embaixo. Aranhas 
do tamanho de cavalos, com oito olhos, oito pernas, pretas, peludas, 
gigantescas. 
O macio espcimen que carregava Harry desceu uma encosta ngreme em direo a 
uma teia enevoada em forma de cpula, bem no meio da depresso, enquanto suas 
companheiras 
acorriam de todos os lados, batendo as pinas excitadas  vista do carregamento.
        Harry caiu no cho de quatro quando a aranha o soltou. Rony e Canino 
caram com um baque surdo ao lado dele. Canino no uivava mais, encolhia-se em 
silncio 
onde cara. Rony era a imagem exata do que Harry sentia. Tinha a boca 
arreganhada numa espcie de grito silencioso, e seus olhos saltavam das rbitas.
        O garoto de repente percebeu que a aranha que o soltara estava falando 
alguma coisa. Fora difcil entender, porque ela
batia as pinas a cada palavra.
        - Aragogue! - a aranha chamou. - Aragogue!
        E do meio da teia enevoada em forma de cpula, emergiu lentamente uma 
aranha do tamanho de um filhote de elefante. Havia fios cinzentos na pelagem do 
seu 
corpo e nas pernas negras, e cada olho, em sua feia cabea provida de pinas,
era  leitoso. A aranha era cega.
        - Que ? - disse, batendo rapidamente as pinas.
        - Homens - bateu a aranha que apanhara Harry.
        -  Hagrgrid? - perguntou a aranha aproximando-se, os oito olhos 
leitosos movendo-se vagamente.
        - Estranhos - bateu a aranha que trouxera Rony.
        - Mate-os - bateu
Aragogue preocupada. - Eu estava dormindo...
       - Somos amigos de Hagrid - gritou Harry. Seu corao
parecia ter saltado do peito e ido bater na garganta.
        Clique, clique, clique fizeram as pinas das aranhas por toda a 
depresso.
        Aragogue parou.
        -        Hagrid nunca mandou homens  depresso antes - disse 
lentamente.
        -        Hagrid est enrascado - disse Harry respirando muito rpido. - 
Foi por isso que viemos.
        -        Enrascado? - exclamou a aranha idosa, e Harry pensou ter 
sentido preocupao no
clique das pinas. - Mas por que o mandou?
        Harry pensou em se levantar mas decidiu o contrrio; achou que as pernas 
no o agentariam. Ento falou do cho, o mais calmo que pde.
        -        Na escola acham que Hagrid andou fazendo uma... uma coisa com 
os alunos. Levaram ele para
Azkaban.
        Aragogue bateu as pinas furiosamente, e a toda volta da depresso o som 
foi repetido pela multido de aranhas; era como um aplauso, exceto que, em 
geral, 
aplausos no faziam Harry sentir nuseas de medo.
        -        Mas isso foi h anos - disse Aragogue preocupada. - Anos e anos 
atrs. Lembro-me muito bem. Foi por isso que o fizeram sair da escola. 
Acreditaram 
que eu era o monstro que morava na chamada Cmara Secreta. Acharam que Hagrid 
tinha aberto a Cmara e me libertado.
        -        E voc.., voc no veio da Cmara Secreta? - perguntou Harry, 
que
sentia um suor frio na testa.
        Eu! - exclamou Aragogue, batendo as pinas zangada. - Eu no nasci no 
castelo. Vim de uma terra distante. Um viajante me deu de presente a Hagrid 
quando
eu ainda estava no ovo. Hagrid era s um garoto, mas cuidou de mim, me escondeu 
num armrio do castelo, me alimentou com restos da mesa. Hagrid  um bom amigo e 
um bom homem. Quando fui descoberta e responsabilizada pela morte da garota, ele 
me protegeu. Tenho vivido aqui na floresta desde ento, onde
Hagrid ainda me visita.
Ele at me arranjou uma esposa, Mosague, e voce est vendo como a nossa famlia 
cresceu, tudo graas a
bondade de Hagrid...        
   Harry reuniu o que restava de sua coragem.
        -        Ento voc nunca.., nunca atacou ningum?
        -        Nunca - falou rouca a aranha. - Teria sido o meu instinto, mas 
por respeito a
Hagrid, eu nunca fiz mal a um ser humano. No conheo parte alguma 
do castelo a no ser o armario em que cresci. A nossa espcie gosta do escuro e 
do silncio...
        -        Mas ento... Voc sabe o que matou aquela garota? - perguntou 
Harry. - Porque a coisa que matou est de volta
        atacando pessoas outra vez...
        Suas palavras foram abafadas por uma ecloso de cliques e
o rudo de muitas pernas longas a se agitar com raiva; grandes sombras
escuras moveram-se a toda volta.
        -        A coisa que mora no castelo - disse Aragogue -  um bicho que 
ns aranhas tememos mais do que qualquer outro. Lembro-me muito bem como 
supliquei
a Hagrid que me deixasse ir embora, quando senti a fera rondando pela escola.
        O que ? - perguntou Harry pressuroso.
        Mais cliques altos, mais movimentos; as aranhas pareciam
estar fechando o cerco.
        -        Ns no falamos nisso! - disse Aragogue com rispidez.
- No mencionamos seu nome! Eu nunca disse nem a Hagrid
o nome daquele temvel bicho, embora ele tenha me perguntado muitas vezes.
        Harry no quis insistir no assunto, no com as aranhas se aproximando 
por todos os lados.
Aragogue parecia ter-se cansado de falar. Estava recuando lentamente
para sua teia em forma de cpula, mas as outras aranhas continuaram a se 
aproximar devagarinho de
harry e Rony.
        -        Bem, ento vamos embora- falou Harry, desesperado, a Aragogue, 
ouvindo as folhas farfalharem s suas costas.
        -        Embora? - repetiu Aragogue lentamente. - Acho que nao...
        -        Mas.., mas...
        -        Meus filhos e minhas filhas no fazem mal a Hagrid, porque eu 
assim ordeno. Mas no posso negar a eles carne
        fresca, quando ela entra com tanta boa vontade em nosso ninho.
 Adeus, amigo de Hagrid.
Harry virou-se depressa. A poucos passos, erguendo-se acima
dele, havia uma parede macia de aranhas, dando cliques, os muitos olhos 
brilhando nas cabeas feias.
        Mesmo enquanto pegava a varinha, Harry percebeu que no ia adiantar. 
Havia aranhas demais, mas ao tentar se levantar, pronto para morrer lutando, 
ouviu uma 
nota alta e longa, e um claro de luz atravessou a depresso.
        O carro do Sr. Weasley roncou encosta abaixo, os faris acesos, a buzina 
tocando, derrubando aranhas
para os lados; vrias foram atiradas de costas, as mltiplas
pernas sacudindo no ar. O carro parou cantando os pneus diante dos garotos e as 
portas se abriram.
        - Apanhe o Canino! - gritou Harry, mergulhando no banco da frente; Rony 
agarrou o co
pela barriga e atirou-o, ganindo, no banco de trs, as portas se
fecharam.
Rony nem tocou no acelerador pois o carro no precisou disso; o motor roncou e 
eles partiram, atropelando mais aranhas. Subiram a encosta a toda velocidade, 
sairam
da depresso e logo estavam correndo pela floresta, os ramos fustigando as 
janelas do carro enquanto ele rodava com inteligncia pelos vos mais largos, 
seguindo 
um caminho que obviamente conhecia.
        Harry olhou de esguelha para Rony. A boca do amigo continuava aberta num 
grito silencioso, mas seus olhos no estavam mais arregalados.
        - Voc est bem?
        Rony olhava fixo para a frente, incapaz de responder.
        Eles rodaram pelo mato rasteiro, Canino uivando alto no banco de trs, e 
Harry viu o espelho lateral se partir ao tirarem um fino de um grande carvalho.
Depois de dez minutos de estrpito e saculejes, as rvores foram se espaando e 
Harry pde novamente ver pedaos do cu.
        O carro parou to de sbito que eles quase sairam pelo pra-brisa. 
Tinham chegado  orla da floresta. Canino
atirou-se contra a janela tal era a sua ansiedade 
para sair e quando Harry abriu a porta, ele disparou pot entre as rvores para a 
casa de Hagrid, o rabo entre as pernas. Harry desceu tambm e, passado pouco 
mais 
de um minuto, Rony pareceu recuperar
a sensibilidade nas pernas e o seguiu, ainda de pescoo duro e
 olhar fixo. Harry deu uma palmadinha de agradecimento no
carro enquanto ele dava marcha a r na floresta e desaparecia
de vista.
        Harry voltou  cabana de Hagrid para apanhar a capa da invisibilidade. 
Encontrou Canino tremendo debaixo de um cobertor no seu cesto. Quando Harry saiu 
de
novo, encontrou Rony vomitando violentamente na horta de abboras.
        - Siga as aranhas - disse Rony, fraco, limpando a boca na manga. - No 
vou perdoar o Hagrid nunca. Temos sorte de
estar vivos.
        - Aposto como ele pensou que Aragogue no faria mal a amigos dele.
        - Este  exatamente o problema de Hagrid! - retrucou Rony, dando murros 
na parede da cabana. - Ele sempre acha que os monstros no so maus por 
natureza,
e olhe onde  que ele foi parar! Numa cela em Azkaban! - Rony tremia sem parar 
agora. - Para que foi que ele nos mandou l? Que foi que descobrimos? Eu 
gostaria 
de saber.
        - Que Hagrid nunca abriu a Cmara Secreta - disse Harry, atirando a capa 
sobre Rony e cutucando-o no brao para fazlo andar. - Ele era inocente.
        Rony bufou. Evidentemente, criar Aragogue em um armrio no correspondia 
 idia que ele fazia de ser inocente.
        Quando o castelo surgiu mais prximo, Harry ajeitou a capa para ter 
certeza de que os ps dos dois estavam escondidos, depois entreabriu as portas 
de entrada, 
que sempre rangiatm. Atravessaram cautelosamente o saguo de entrada e subiram a
escada de mrmore, prendendo a respirao ao passar pelos corredores que as 
sentinelas
vigilantes percorriam. Finalmente alcanaram a segurana da sala comunal da 
Griflnria, onde o fogo da lareira se consumira at virar uma cinza luminosa. 
Tiraram
a capa e subiram a escada em caracol para o dormitrio.
        Rony caiu na cama sem se dar o trabalho de tirar a roupa.
Harry, porm, no sentia sono. Sentou-se na borda de sua cama
de colunas, pensando em tudo que Aragogue dissera.
        A coisa que se escondia em algum lugar do castelo, pensou, parecia uma 
espcie de monstro
Voldemmort - nem mesmo outros monstros gostavam de nome-lo. Mas
ele e Rony no estavam nem perto de descobrir o que era, nem como
petrificava suas vtimas. At mesmo Hagrid jamais soubera o que havia na Cmara 
Secreta.
        Harry puxou as pernas para cima da cama e se recostou nos travesseiros, 
espiando a lua brilhar para ele atravs da janela da torre.
        No conseguia ver o que mais poderiam fazer. Tinha encontrado becos sem 
saida por todos os lados. Riddle apanhara a pessoa errada, o herdeiro de
Slytherin
escapara, e ningum saberia dizer se era a mesma pessoa ou outra diferente, que 
abrira a Cmara desta vez. No havia mais ningum a quem perguntar. Harry ficou 
deitado,
ainda pensando no que Aragogue dissera.
        O sono vinha chegando quando o que lhe pareceu a ultimissima esperana 
lhe veio  cabea e ele de repente se sentou na cama.
        - Rony - sibilou no escuro - Rony...
        O amigo acordou com um ganido como o de Canino, correu os olhos 
arregalados  volta e viu Harry.
        - Rony, aquela garota que morreu. Aragogue disse que ela foi encontrada 
no banheiro - falou Harry sem dar ateno aos roncos fungados de Neviile que 
vinham 
de um canto. - E se ela nunca saiu do banheiro? E se ela continua l?
        Rony esfregou os olhos, franzindo a cara para a lua. E ento ele tambm 
entendeu.
        - Voc no acha que... no a Murta Que Geme?

******


CAPTULO DEZESSEIS
 A Cmara Secreta

- Tantas vezes estivemos naquele banheiro, e ela ah a apenas trs boxes de 
distancia - comentou Rony amargurado
 mesa do caf, na manha seguinte -, e poderamos 
ter perguntado a ela, e agora...
        Fora bastante dificil encontrar as aranhas. Fugir dos professores o 
tempo suficiente para entrar escondido em um banheiro
de meninas, e ainda por cima o banheiro de meninas bem ao
lado da cena do primeiro ataque, ia ser quase impossvel.
        Mas aconteceu uma coisa logo na primeira aula, Transformaes, que 
varreu a
Cmara Secreta para longe dos pensamentos dos dois garotos pela primeira vez 
em semanas. Minutos depois de entrarem em sala, a Profa. McGonagall avisou que 
os exames comeariam no dia primeiro de junho, dali a uma semana.
        - Exames?- gritou Simas Finnigan. - E vamos ter exames?
        Ouviram um estrondo atrs de Harry quando a varinha de Neville escapuliu 
e fez desaparecer um p de sua carteira. A professora restaurou-a com um aceno 
da
prpria varinha e se virou de cara amarrada para Simas.
        - A razo de se manter a escola aberta neste momento  vocs receberem 
educao - disse ela severamente. - Portanto, os exames vo se realizar 
normalmente,
e confio que voces
estejam estudando a srio.
        Estudando a srio! Jamais ocorrera a Harry que haveria
exames com o castelo naquela situao. Houve muitos mur
mrios de protesto na sala que fizeram a professora amarrar ainda mais a cara.
        -        As instrues que recebi do Prof. Dutnbledore foram no sentido 
de manter a escola funcionando o mais normalmente possvel. E isto, no preciso 
dizer,
significa descobrir o quanto os senhores aprenderam neste ano.
        Harry olhou para os dois coelhos que devia transformar em
chinelos. Que  que ele aprendera at ali naquele ano? No conseguia lembrar 
nada que lhe pudesse ser til em um exame.
        Rony parecia que tinha acabado de ser informado de que
seria obrigado a ir viver na Floresta Proibida.
        -        Voc pode me imaginar fazendo exames com isso? - perguntou ele 
a Harry, mostrando a varinha, que comeara a
assobiar alto.
Trs dias antes do primeiro exame, a Profa. McGonagall deu
outro aviso no caf da manh.
        -        Tenho boas notcias - disse, e os alunos no Salo, ao invs de 
se calarem, desataram a falar.
        -        Dumbledore vai voltar! - exclamaram de alegria vrios alunos.
        -        Apanharam o herdeiro de Slytherin - gritou, esganiada, uma 
menina na mesa da
Corvinal.
        -        Os jogos de quadribol vo recomear! - berrou Olivio excitado.
        Quando o vozerio diminuiu, a professora disse:
        -        A Prof. Sprout me informou que finalmente as mandrgoras esto 
prontas para serem colhidas. Hoje  noite, poderemos ressuscitar os alunos que 
foram 
petrificados. No ser preciso lembrar a todos que um deles talvez possa nos 
dizer quem ou o que os atacou. Tenho esperanas que este ano tenebroso terminar 
com 
a captura do culpado.
        Houve uma exploso de vivas. Harry olhou para a mesa da
Sonserina e no ficou nem um pouco surpreso ao ver que Draco
Malfoy no se alegrara. Rony, porm, parecia mais feliz do que
nos ltimos dias.
        -        Ento, no vai fazer diferena nunca termos perguntado
nada  Murta! - disse a Harry. - Mione provavelmente ter
todas as respostas quando a acordarem! E mais, vai endoidar quando descobrir que 
vamos ter exames dentro de trs dias. Ela no estudou.
Seria mais caridoso que a
deixassem onde est at os exames terminarem.
        Nesse instante Gina Weasley se aproximou e se sentou ao
lado de Rony. Parecia tensa e nervosa e Harry reparou que
torcia as mos no colo.
        -        Que foi que aconteceu? - perguntou Rony, servindo-se de mais 
mingau.
        Gina no disse nada, mas olhava de uma ponta a outra da mesa da 
Grifinria com uma expresso apavorada no rosto, que lembrou a Harry algum, 
embora ele no 
conseguisse atinar quem.
        -        Desembucha logo - disse Rony, observando-a. Harry de repente 
percebeu com quem Gina parecia. Estava se balanando para a frente e para trs 
na cadeira, 
exatamente como Dobby fazia quando estava hesitando, pouco antes de revelar a 
informao proibida.
        -        Tenho que lhe contar uma coisa - murmurou Gina, tomando cuidado 
para no olhar para Harry.
        -        O qu? - perguntou Harry.
        Giina fez cara de quem no consegue encontrar as palavras
certas.
        -Que ?- perguntou Rony.
        Gina abriu a boca, mas no saiu som algum. Harry se curvou para a frente 
e falou baixinho, de modo que somente Gina
e Rony pudessem ouvir.
        -  uma coisa sobre a Cmara Secreta? Voc viu alguma coisa? Algum se 
comportando estranhamente?
        Gina tomou flego e, naquele exato momento, Percy Weasley
apareceu, com a cara cansada e plida.
        -        Se voc j terminou de comer, fico com o seu lugar, Gina. Estou 
morto de fome. Acabei de ser liberado do servio
de vigilncia.
        Gina deu um pulo como se sua cadeira estivesse eletrificada, lanou a 
Percy um olhar rpido e amedrontado e saiu correndo, Percy se sentou e pegou uma 
caneca
no meio da mesa.
        - Percy! - disse Rony aborrecido. - Ela ia comear a nos
contar uma coisa importante!
        A meio caminho de beber um gole de ch, Percy se engasgou.
        -        Que tipo de coisa? - perguntou tossindo.
        -        Acabei de perguntar se tinha visto alguma coisa estranha e ela 
comeou a dizer...
        -        Ah, isso, no tem nada a ver com a Cmara Secreta - disse Percy 
na mesma hora.
        -        Como  que voc sabe? - perguntou Rony erguendo as 
sobrancelhas.
        -        Bem, se voc faz questo de saber, Gina, hum, esbarrou comigo 
no outro dia quando eu estava.., bem, no importa, a questo  que ela me viu 
fazendo
uma coisa e eu, hum, pedi a ela para no contar a ningum. Devo dizer que achei 
que ela ia cumprir a promessa. No  nada, verdade, s que eu preferia...
        Harry nunca vira Percy to constrangido.
        -        Que  que voc estava fazendo, Percy - perguntou Rony rindo. - 
Vamos, conte para a gente, no vamos rir.
        Percy no retribuiu o sorriso.
        -        Me passa esses pes, Harry, estou morto de fome.
Harry sabia que o mistrio todo poderia ser resolvido no dia seguinte sem ajuda 
deles, mas no ia deixar passar uma oportunidade de falar com Murta se 
aparecesse
uma - e para sua alegria apareceu, no meio da manh, quando a turma estava sendo 
levada para a aula de Histria da Magia por Gilderoy Lockhart.
        Lockhart, que tantas vezes os tranqurli zara dizendo que o perigo 
passara, para em seguida provar-se o contrrio, agora estava
inteiramente convencido de
que nem valia a pena levlos em segurana pelos corredores. Seus cabelos no 
estavam to sedosos quanto de costume; parecia que estivera acordado a maior 
parte da
noite, vigiando o quarto andar.
        - Marquem minhas palavras - disse, contornando um canto com os alunos. - 
As primeiras palavras que aqueles coitados petrificados vo dizer sero
"Foi Hagrid.
Francamente, estou pasmo que a Prof. McGonagall continue achando que
todas essas medidas de segurana so necessrias.
        - Concordo, professor - disse Harry, fazendo Rony derrubar os livros de 
surpresa.
        - Obrigado, Harry - disse Lockhart, gentilmente, enquanto esperavam uma 
longa fila de alunos da Lufa-Lufa passar. - Quero dizer, ns, professores, j 
temos
muito o que fazer sem ter que acompanhar alunos s aulas e ficar de guarda a 
noite
inteira...
        - Tem razo - disse Rony, percebendo a jogada. - Por que o senhor no 
nos deixa aqui, s temos mais um corredor pela frente...
        - Sabe, Weasley, acho que vou fazer isso. Preciso mesmo preparar a minha 
prxima aula...
        E se afastou depressa.
        - Preparar a aula - Rony caoou quando o professor se foi. -  mais 
provvel que v  enrolar os cabelos.
        Os dois amigos deixaram o resto dos colegas da Grifinria seguirem em 
frente, dispararam por uma passagem lateral e correram para o banheiro da Murta 
Que
Geme. Mas quando estavam se parabenizando pela jogada genial...
        - Potter! Weasley! Que  que os senhores esto fazendo?
        Era a Profa. McGonagall, e sua boca parecia um fio de linha de to fina.
        - Iamos... amos... - gaguejou Rony. - Iamos... ver..
        - Mione - disse Harry. Rony e a professora olharam para ele.
        "No a vemos h sculos, professora", continuou Harry depressa, pisando 
o p de Rony, "e pensamos em entrar sem sermos vistos na ala hospitalar, sabe, e 
contar a ela que as mandragoras j esto quase prontas e... para no se 
preocupar...'
        A Profa McGonagalf. continuou a olhar fixo para ele e por
um instante Harry achou que ela ia explodir, mas quando falou, tinha a voz 
estranhamente rouca.
        - Claro - disse, e Harry, espantado, viu uma lgrima brilhar nos seus 
olhos de contas. - Claro, compreendo que isto tenha sido mais duro para os 
amigos dos 
que foram... compreendo bem. Est bem, Potter,  claro que os senhores podem ir 
visitar a Srta. Granger. Vou informar ao Prof.
Binns onde foram. Diga a Madame Pomfrey 
que tm a minha permtssao.
        Harry e Rony se afastaram, mal ousando acreditar que tinham
evitado uma deteno. Quando dobraram o canto do
corredor, ouviram distintamente a professora assoar o nariz.
        -        Essa - disse Rony entusiasmado - foi a melhor histria que voc 
j inventou.
        No havia escolha agora seno ir  ala hospitalar e dizer 
Madame Pomfrey que tinham permisso da ProP McGonagall
para visitar Mione.
        Madame Pomfrey os deixou entrar, com relutncia.
        -        No tem sentido conversar com uma pessoa petrificada - disse 
ela, e os garotos tiveram que admitir que estava certa, depois de se sentarem ao 
lado
de Mione. Era evidente que Mione nem imaginava que tinha visitas, e que tanto 
fazia dizerem ao armrio de cabeceira para no se preocupar, tal era o bem que a 
conversa
poderia produzir.
        -        Mas eu me pergunto se ela ter visto o atacante - disse Rony, 
contemplando com tristeza o rosto rgido de Mione. - Porque se ele chegou sem 
ser
visto, ningum nunca vai saber...
        Mas Harry no estava olhando para o rosto de Mione. Estava mais 
interessado na mo direita da amiga. Estava fechada por cima das cobertas e ao 
chegar mais
perto ele viu que havia um pedao de papel amarrotado dentro dela.
        Verificando antes se Madame Pomfrei andava por perto,
ele apontou o papel para Rony.
        -        Tente tirar - cochichou Rony, mudando a posio da cadeira de 
modo a esconder Harry da vista de Madame Pomfrey.
        No foi nada fcil. A mo de Mione segurava o papel com tanta fora que 
Harry teve certeza de que ia rasg-lo. Enquanto Rony vigiava ele puxou e torceu 
e,
finalmente, depois de alguns minutos tensos, o papel saiu.
        Era uma pgina rasgada de um livro muito velho da biblioteca. Harry 
alisou-a ansioso, e Rony se curvou mais para ler
tambm.

Das muitas feras e monstros medonhos que vagam pela nossa terra no h nenhum 
mais curioso ou mortal do que o
basilisco, tambm conhecido como rei das serpentes.
Esta cobra, que pode alcanar um tamanho gigantesco e viver centenas de anos, 
nasce de um ovo de galinha, chocado por uma
r. Seus mtodos de matar so os mais espantosos,pois
alm das presas letais e venenosas, o basilisco tem um olhar mortfero, e todos 
que so fixados pelos seus olhos sofrem morte
instantnea. As aranhas fogem do basilisco,
pois  seu inimigo mortal e o basilisco foge apenas do canto do galo, que lhe 
fatal.
 E, no p da pgina, uma nica palavra fora escrita numa caligrafia que Harry 
reconheceu ser de Mione. Canos.

Era como se algum tivesse acabado de acender uma luz em seu crebro.
        - Rony - sussurrou. -  isso. Isso  a resposta. O monstro na Cmara  
um
basilisco, uma cobra gigantesca! E por isso que andei ouvindo a voz por todo 
lado,
e ningum mais ouvia.  porque entendo a lingua das cobras...
        Harry ergueu os olhos para as camas  sua volta.
        - O basilisco mata as pessoas com o olhar. Mas ningum morreu, porque 
ningum o encarou.
Colin viu o bicho atravs da lente da mquina fotogrfica. O basilisco
queimou o filme que havia dentro, mas Colhi s ficou petrificado. Justino... 
Justino deve ter visto o basilisco atravs do Nick Quase Sem Cabea! Nick 
recebeu todo
o impacto, mas no podia morrer novamente... e Mione e aquela monitora da
Corvinal foram encontradas com um espelho ao lado delas. Mione acabara de 
perceber que
o monstro era um basilisco. Aposto o que voc quiser que ela preveniu a primeira 
pessoa que encontrou para
 antes de virar um canto, primeiro olhar o outro lado com
um espelho! E aquela garota tirou o espelho da mochila... e...
        O queixo de Rony cara.
- E Madame Nor-r-ra? - perguntou, ansioso.
        Harry pensou bastante, imaginando a cena na noite da festa das bruxas.
        - A gua... - disse lentamente. - A inundao do banheiro da Murta Que 
Geme. Aposto como Madame Nor-r-ra s viu o reflexo...
        Harry examinou a pgina que tinha na mo, pressuroso.
Quanto mais lia, mais ela fazia sentido.
        -        "O canto do galo.., lhe  letal!"- leu ele em voz alta. - Os 
galos de Hagrid foram mortos! O herdeiro
de Slytherin no queria nenhum perto do castelo
quando a Cmara fosse aberta!
As aranhas fogem do baslisco!"Tudo se encaixa!
        - Mas como  que o basilisco anda circulando pelo castelo? - perguntou 
Rony. - Uma cobra gigantesca... Algum a
teria visto...
Harry, porm, apontou para a palavra que Mione escrevera no p da pgina.
                  - Canos. Canos... Rony, ela est usando os canos. Tenho
                ouvido aquela voz dentro das paredes...
                   Rony agarrou de repente o brao de Harry.
                   -A entrada para a Cmara Secreta! - disse com a voz
rouca.
 - E se for um banheiro? E se for o...
                  - Banheiro da Murta Que Geme - completou Harry.
                   Os dois ficaram sentados ali, a excitao circulando com
                rapidez pelo corpo, mal conseguindo acreditar.
                  - Isto significa - disse Harry - que no devo ser o nico a
                falar a lngua das cobras na escola. O herdeiro de Slytherin
                deve ser outro que fala tambm.  assim que ele controla o
                basilisco.
                  - Que vamos fazer? - perguntou Rony, cujos olhos
faiscavam.
 - Vamos direto  Profa. McGonagall?
                  - Vamos  sala dos professores - disse Harry, ficando de
                p de um salto. - Ela vai para l dentro de dez minutos. J est
                quase na hora do intervalo.
                   Os garotos correram para baixo. No querendo ser
encontrados
perambulando por outro corredor, foram diretamente
                 sala dos professores, ainda deserta. Era um aposento amplo,
                as paredes forradas com painis de madeira, as cadeiras de
                madeira escura. Harry e Rony ficaram andando de um lado
                para o outro, excitados demais para se sentar.
                   Mas a sineta do intervalo jamais tocou.
        -           Em vez disso, ecoando pelos corredores, ouviram a voz da
                Prof. McGonagall, magicamente amplificada.
                   "Todos os alunos voltem imediatamente aos dormitrios de suas
casas.
 Todos os professores voltem  sala de professores. Imediatamente, por
                favor"
                   Harry virou-se para encarar Rony.
                  - No outro ataque! No agora!
                  - Que vamos fazer? - disse Rony horrorizado. - Voltar ao
                dormitrio?
                  - No - disse Harry, olhando  sua volta. Havia um tipo
                feio de guarda-roupa  sua esquerda, onde guardavam as capas
                dos professores. - Ali dentro. Vamos ouvir o que foi. Depois
                podemos contar o que descobrimos.
                   Os garotos se esconderam dentro do armrio, escutando o
                barulho de centenas de pessoas andando no andar de cima e a
porta da sala de professores se abrir e bater. Do meio das dobras mofadas das 
capas, observaram os professores chegarem um a um. Alguns pareciam intrigados, 
outros
completamente apavorados. Ento chegou a Profa. McGonagall.
        - Aconteceu - disse ela na sala silenciosa. - Uma aluna foi levada pelo 
monstro.
Para a Cmara.
        O Prof. Flitwick deixou escapar um grito fino. A Prof. Sprout tampou a 
boca com as mos. Snape agarrou com muita fora
o espaldar de uma cadeira e perguntou:
        - Como voc pode ter certeza?
        - O herdeiro de Slytherin - disse a professora muito plida - deixou 
outra mensagem. Logo abaixo da primeira.
"O
esqueleto dela jazer na C mara para sempre."
        O Prof. Flitwick rompeu em lgrimas.
        - Quem foi? - perguntou Madame Hooch, que afundara, com os joelhos 
bambos, numa cadeira. - Que aluna?
        - Gina Weasley - respondeu McGonagall.
        Harry sentiu Rony escorregar silenciosamente para o cho
do armrio do lado dele.
        - Teremos que mandar todos os alunos para casa amanh
- continuou ela. - Isto  o fim de Hogwarts. Dumbledore sempre disse...
        A porta da sala de professores bateu outra vez. Por um
momento delirante Harry teve certeza de que seria Dumbledore.
Mas era Lockhart e ele sorria.
        - Lamento muito, cochilei, que foi que perdi?
        Ele no pareceu notar que os outros professores o olhavam com uma 
expresso muito prxima ao dio. Snape se
adiantou.
        - O homem de que precisvamos! Em pessoa! Uma menina foi seqestrada 
pelo monstro, Lockhart. Levada para a Cmara Secreta. Chegou finalmente a sua 
vez.
        Lockhart ficou lvido.
        - Isto mesmo, Gilderoy - disse a Prof' Sprout. - Voce nao estava dizendo 
ainda ontem  noite que sempre soube onde
era a entrada da Cmara Secreta?
        - Eu... bem, eu... - gaguejou Lockhart.
        
    - , voc no me disse que tinha certeza do que havia
dentro dela? - falou o Prof. Flitwick.
        -        D-disse? No me lembro...
        -        Pois eu me lembro de voc dizendo que lamentava nao ter tido 
uma chance de enfrentar o monstro antes de Hagrid ser preso - continuou Snape. - 
Voc
no disse que o caso todo foi mal conduzido e que deviam ter-lhe dado carta 
branca desde o comeo?
        Lockhatt contemplou os rostos duros dos colegas  sua
volta.
        -        Eu... eu realmente nunca... vocs devem ter entendido maL
        -        Vamos deixar o problema em suas mos, ento, Gilderoy
- disse a Prof. McGonagall. .- Hoje  noite ser uma ocasio excelente para 
resolv-lo. Vamos providenciar para que todos estejam fora do seu caminho. Voc 
ter
oportunidade de cuidar do monstro sozinho. Enfim, ter carta branca.
        Lockhart olhou desesperado para os lados, mas ningum veio em seu 
socorro. Ele no parecia mais bonito, nem de longe. Seu lbio tremia e na 
ausncia do
sorriso costumeiro, cheio de dentes, seu queixo parecia pequeno e fraco.
        -        M-muito bem - disse. - Estarei em em minha sala me... me 
preparando.
E saiu.
        -        Muito bem - disse a Profa. McGonagall, cujas narinas
tremeram -, com isso o tiramos do caminho. Os diretores das casas devem ir 
informar os alunos
do que aconteceu. Digam que o Expresso de Hogwarts os levar para casa logo de 
manh. Os demais, por favor, certifiquem-se de que nenhum aluno fique fora dos 
dormitrios.
        Os professores se Levantaram e saram, um por um.
Foi provavelmente o pior dia da vida de Harry. Ele, Rony, Fred e Jorge se 
sentaram juntos a um canto da sala comunal da Grifinria, incapazes de dizer 
qualquer coisa.
Percy no estava presente. Fora despachar uma coruja para o Sr. e a Sra. 
Weasley, depois trancou-se no dormitrio.
        Nenhuma tarde jamais se arrastou tanto quanto essa, nem 
tampouco a Torre da Grifinria esteve to cheia e, no entanto,
to silenciosa. Prximo ao pr-do-sol, Fred e Jorge foram se deitar, porque no 
conseguiam continuar sentados.
        - Ela sabia alguma coisa, Harry - disse Rony, falando pela primeira vez 
desde que entraram no armrio da sala de professores. -
 por isso que foi seqestrada.
No era uma bobagem sobre o Percy, nada disso. Descobriu alguma coisa sobre a 
Cmara Secreta. Deve ter sido por isso que foi... - Rony esfregou os olhos com 
fora.
- Quero dizer, ela era puro-sangue. No pode haver nenhum outro motivo.
        Harry podia ver o sol se pondo, vermelho-sangue, na linha
do horizonte. Nunca se sentira pior na vida. Se ao menos houvesse alguma coisa 
que pudessem fazer. Qualquer coisa.
        - Harry - disse Rony. - Voc acha que pode haver alguma chance de ela 
no estar... sabe...
        Harry no soube o que dizer. No conseguia ver como
Gina ainda pudesse estar viva.
        - Sabe de uma coisa? - falou Rony. - Acho que devamos ir ver Lockhart. 
Contar a ele o que sabemos. Ele vai tentar entrar na Cmara. Podemos contar onde
achamos que , e avisar que tem um basilisco l dentro.
        Porque Harry no pde pensar em mais nada para fazer e porque queria 
fazer alguma coisa, ele concordou. Os alunos da Griflnria na sala estavam to 
infelizes
e sentiam tanta pena dos Weasley, que ningum tentou impedi-los quando se 
levantaram, atravessaram a sala e saram pelo buraco do retrato.
        Anoitecia quando desceram  sala de Lockhart. Parecia haver
muita atividade l dentro. Os garotos ouviram coisas sendo
arrastadas, baques surdos e passos apressados.
        Harry bateu e fez-se um repentino silncio na sala. Ento
abriu-se uma frestinha na porta e eles viram o olho de Lockhart
espreitando.
        - Ah... Sr. Pottet.. Sr. Weasley... - disse, abrindo um pouco mais a 
porta. - Estou muito ocupado no momento, se puderem ser rpidos...
        - Professor, temos umas informaes para o senhor - disse Harry. - 
Achamos que podem ajud-lo.
        - Hum... bem... nao e to... - A metade do rosto de Lockhart 
que podiam ver parecia muito constrangida. - Quero dizer...
bem... muito bem...
        Ele abriu a porta e os garotos entraram.
        Sua sala tinha sido quase completamente desmontada. Havia dois males 
abertos no cho. Vestes verde-jade, lils, azuHmeranoite, tinham sido 
apressadamente
dobradas e guardadas em um deles; livros tinham sido enfiados de qualquer jeito 
no outro. As fotografias que cobriam as paredes agora estavam comprimidas em 
caixas
sobre a escrivaninha.
        -        O senhor vai a algum lugar? - perguntou Harry.
        -        Hum, bem, vou - disse Lockhart, arrancando um pster com a sua 
foto em tamanho natural das costas da porta, enquanto falava, e comeando a 
enrol-lo.
- Chamado urgente... inevitvel.., tenho que partir...
        -        E a minha irm? - perguntou Rony de supeto.
        -        Bem, sobre isso... foi muito azar... - respondeu Lockhart, 
evitando encarar os garotos, enquanto puxava uma gaveta com fora e comeava a 
esvaziar
o seu contedo em uma mochila.
- Ningum lamenta mais do que eu...
        -        O senhor  o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas! - 
exclamou Harry. - No pode ir embora agora! No
com todas essas artes das trevas em ao!
        -        Bem... devo dizer... quando aceitei o emprego... - resmungou 
Lockhart, agora amontoando meias por cima das vestes
- nada na descrio da funo... no era de esperar...
        -        O senhor quer dizer que est fugindo? - disse Harry, incrdulo. 
- Depois de tudo que fez nos seus livros...
        -        Os livros podem ser enganosos - disse Lockhart gentilmente.
        -        Mas foi o senhor quem os escreveu - gritou Harry.
        -        Meu caro rapaz - disse Lockhart se endireitando e amarrando a 
cara para Harry. - Use o bom senso. Meus livros no teriam vendido nem a metade 
se
as pessoas no achassem que eu fiz todas aquelas coisas. Ningum quer ler 
histrias de um velho bruxo feio da Armnia, mesmo que tenha salvo uma cidade 
dos lobisomens.
Ele ficaria medonho na capa. Nem sabe se vestir. E a bruxa que afugentou o 
esprito agourento tinha lbio leporino. Quero dizer, convenhamos...
        -        Ento o senhor s est recebendo crdito pelo que outros bruxos 
e bruxas fizeram? - perguntou Harry, incrdulo.
        -        Harry, Harry - disse Lockhart, sacudindo a cabea com
impacincia -, a coisa no  to simples assim. H muito trabalho envolvido. Eu 
tive que procurar essas pessoas. Perguntar exatamente como conseguiram fazer o 
que
fizeram. Depois tive que lanar um Feitio da Memria para elas esquecerem o que 
fizeram. Se h uma coisa de que me orgulho  do meu Feitio da Memria. No, foi
muito trabalhoso, Harry. No  s autografar livros e tirar fotos de 
publicidade, sabe. Se voc quer ser famoso, tem que estar preparado para dar 
duro.
        Ele fechou os males com estrondo e trancou-os.
        - Vejamos - disse. - Acho que  s. E. S falta uma coisa.
        E tirou a varinha e se virou para os garotos.
        - Lamento muito, rapazes, mas tenho que lanar um Feitio da Memria em 
vocs agora. No posso permitir que saiam espalhando os meus segredos por a. Eu
jamais venderia outro livro...
        Harry apanhou a prpria varinha bem na hora. Lockhart
mal erguera a sua, quando Harry berrou:
- Expelliarmus!
        Lockhart foi atirado para trs, caiu por cima do malo; a
varinha voou no ar; Rony agarrou-a e atirou-a pela janela.
        - O senhor no devia ter deixado o Prof. Snape nos ensinar isso - disse 
Harry furioso, chutando o malo de Lockhart para o lado. Lockhart ficou olhando
para ele, parecendo frgil outra vez. Harry apontava a varinha em sua direo.
        - Que  que voc quer que eu faa? - perguntou Lockhart com a voz fraca. 
- Eu no sei onde fica a Cmara dos Segredos. No h nada que eu possa
fazer.
        - O senhor est com sorte - disse Harry forando Lockhart a se levantar 
com a varinha. - Achamos que sabemos onde
fica. E o que tem l dentro. Vamos.
        Sairam os trs da sala, desceram as escadas mais prximas,
e seguiram pelo corredor escuro em que as mensagens brilhavam na parede at a 
porta do banheiro da Murta Que Geme.
        Empurraram Lockhart na frente. Harry ficou satisfeito de
verificar que o professor tremia.
        Murta Que Geme estava sentada na caixa de gua do ltimo boxe.
- Ah,  voc - disse quando viu Harry. - Que  que voce
quer agora?
        - Perguntar como foi que voc morreu.
        A atitude de Murta mudou na hora. Parecia que nunca algum lhe fizera 
uma pergunta
to elogiosa.
        - Aaaah, foi pavoroso - disse com satisfao. - Aconteceu bem aqui. 
Morri aqui mesmo neste boxe. Me lembro to bem! Eu tinha me escondido porque 
Olivia
Homby
estava caoando de mim por causa dos meus culos. Tranquei a porta e fiquei 
chorando e ento ouvi algum
entrar. Disseram uma coisa engraada. Deve ter sido numa
lngua diferente, acho. Em todo o caso, o que me incomodou foi que era a voz de 
um
garoto. Ento destranquei a porta do boxe para mandar ele sair e ir usar o 
banheiro
dos garotos e ento... - Murta inchou fazendo-se de importante, o rosto 
brilhante.
-Morri..
        - Como? - perguntou Harry.
        - No fao idia - disse Murta sussurrando. - S me lembro de ter visto 
dois olhos grandes e amarelos. Meu corpo inteiro foi engolfado e ento me 
afastei
flutuando... - Ela olhou para Harry sonhadora. - E ento voltei. Estava decidida 
a assombrar Olivia
Homby, sabe. Ah, como ela lamentou ter-se rido dos meus culos.
        - Onde foi exatamente que voc viu os olhos?
        - Por ali - respondeu Murta apontando vagamente na direo da pia em 
frente ao boxe em que estava.
        Harry e Rony correram para a pia. Lockhart ficou parado
bem mais atrs, uma expresso de puro terror no rosto.
        Parecia uma pia comum. Eles examinaram cada centmetro, por dentro e por 
fora, inclusive os canos embaixo. E ento Harry viu: gravada ao lado de uma das
torneiras de cobre havia uma cobrinha minima.
        - Essa torneira nunca funcionou - disse Murta, animada, quando ele 
tentou abri-la.
        - Harry - disse Rony. - Diga alguma coisa. Alguma coisa em lngua de 
cobra.
        - Mas... - Harry se esforou. As nicas vezes em que conseguira falar a 
lngua das cobras foi quando estava diante de uma cobra real. Ele fixou o olhar 
na
gravao minscula, tentando imaginar que era real.
        "Abra", mandou.        
        Ele olhou para Rony, que sacudiu a cabea.
- Nossa lngua.
        Harry tornou a olhar para a cobra, desejando acreditar que
estivesse viva. Se ele mexia a cabea, a luz das velas fazia parecer que a cobra 
estava se mexendo.
        - Abra - repetiu.
        S que as palavras no foram o que ele ouviu; um estranho assobio lhe 
escapara da boca e na mesma hora a torneira brilhou com uma luz branca e comeou 
a 
girar. No segundo seguinte, a pia comeou a se deslocar; a pia, na realidade, 
sumiu de vista, deixando um grande cano exposto, um cano largo o suficiente para 
um
homem escorregar por dentro dele.
        Harry ouviu Rony soltar uma exclamao e levantou a cabea. Decidira o 
que ia
fazer.
        - Vou descer - anunciou.
        Ele no podia deixar de descer, agora que tinham encontrado a entrada 
para a Camara, no se houvesse a mais leve,
mnima, imaginria chance de Gina estar viva.
        - Eu tambm - falou Rony.
        Houve uma pausa.
        - Bem, parece que vocs no precisam de mim - disse Lockhart com uma 
sombra do seu antigo sorriso. -Eu vou...
        E levou a mo  maaneta da porta, mas Rony e Harry
apontaram as varinhas para ele.
        - Voc pode descer primeiro - rosnou Rony.
        De rosto lvido e sem varinha, Lockhart se aproximou da
abertura.
        - Rapazes - disse com a voz fraca. - Rapazes, que bem isto vai trazer?
        Harry cutucou-o nas costas com a varinha. Lockhart escorregou as pernas 
para dentro do cano.
        - Eu no acho... - comeou a dizer, mas Rony deu-lhe um empurro, e ele 
desapareceu de vista. Harry seguiu-o em silncio. Baixou o corpo lentamente para
dentro do cano e se soltou.
        Foi como se ele se precipitasse por um escorrega escuro,
        viscoso e sem fim. Viu outros canos saindo para todas as direes, mas 
nenhum to largo quanto aquele, que virava e
dobrava,
sempre e ingrememente para baixo, e ele percebeu que
        estava descendo cada vez mais fundo sob a escola, para alm
das masmorras mais fundas. Atrs ele ouvia Rony, batendo-se ligeiramente
nas curvas.
        E ento, quando comeava a se preocupar com o que aconteceria quando 
chegasse ao cho, o cano nivelou e ele foi atirado pela extremidade com um baque 
aquoso,
e aterrissou no cho timido de um tnel de pedra s escuras, suficientemente 
amplo para a pessoa ficar de p. Lockhart estava se levantando um pouco adiante, 
coberto
de limo e branco como um fantasma. Harry afastou-se para um lado enquanto Rony 
tambm saa chispando do cano.
        - Devemos estar quilmetros abaixo da escola - disse Harry sua voz 
ecoando no tnel escuro.
        - Provavelmente debaixo do lago - sugeriu Rony, apertando os olhos para 
enxergar as paredes escuras e limosas.
        Os trs se viraram para encarar a escurido  frente.
        - Lumus! - murmurou Harry para sua varinha que acendeu.
- Vamos - chamou Rony e Lockhart, e la se foram os trs, seus passos chapinhando 
ruidosamente no cho molhado.
        O tnel era to escuro que eles s conseguiam ver uma pequena distncia 
 frente. Suas sombras nas paredes molhadas pareciam monstruosas  luz da 
varinha.
        - Lembrem-se - disse Harry baixinho enquanto avanavam com cautela -, a 
qualquer sinal de movimento, fechem os
olhos imediatamente...
        Mas o tnel estava silencioso como um tumulo, e o primeiro som 
inesperado que ouviram foio twdo de alguma coisa sendo esmagada quando Rony 
pisou em alguma
coisa que descobriram ser um crnio de rato. Harry baixou a varinha para olhar o 
cho e viu que se encontrava coalhado de ossos de pequenos animais. Tentando por
tudo no imaginar que aspecto teria Gina se a encontrassem, Harry,  frente, 
virou uma curva escura do tnel.
        - Harry... tem alguma coisa ali... - disse Rony rouco, agarrando o ombro 
do amigo.
        Eles se imobilizaram, observando. Harry conseguia apenas ver o contorno 
de uma coisa enorme e curvilnea, deitada
atravessada no tnel. A coisa no se mexia.
        - Talvez esteja dormindo - sussurrou, olhando para os
outros dois atrs. Lockhart tampava os olhos com as maos.
Harry tornou a se virar para olhar a coisa, o corao batendo to forte que 
chegava a doer.
        Muito devagarinho, com os olhos o mais apertados possivel, mas ainda 
vendo, Harry avanou aos poucos com a varinha erguida.
        A luz deslizou pela pele de uma cobra gigantesca, colorida e venenosa, 
que se encontrava enroscada e oca no cho do tnel. O bicho que se desfizera 
dela
devia ter no mnimo uns seis metros de comprimento.
        - Droga - xingou Rony em voz baixa.
        Ouviram ento um movimento sbito s costas. Os joelhos de Lockhart 
tinham cedido.
        - Levante-se - disse Rony com rispidez, apontando a varinha para 
Lockhart.
        O professor se levantou - em seguida atirou-se contra Rony, derrubando-o 
no cho.
        Harry deu um salto  frente, mas demasiado tarde - Lockhart
j se erguia, ofegante, a varinha de Rony na mo e um sorriso
radioso novamente no rosto.
        - A aventura termina aqui, rapazes. Vou levar um pedao dessa pele de 
volta  escola, dizer que cheguei tarde demais para salvar a garota e que vocs 
dois 
enlouqueceram tragicamente ao verem o corpo dela mutilado, digam adeus s suas
memrias!
        Ele ergueu a varinha de Rony, emendada com fita adesiva,
acima da cabea e gritou:
- Obliviate!
        A varinha explodiu com a fora de uma pequena bomba. Harry ergueu os 
braos para o alto e fugiu, escorregando nas voltas da pele de cobra, escapando 
do alcance
dos grandes pedaos do teto do tnel que caam com estrondo no cho. No momento 
seguinte, ele estava sozinho, contemplando uma parede macia formada pelos 
destroos.
        - Rony! - gritou. - Voc est bem? Rony!
        - Estou aqui! - respondeu a voz abafada de Rony atrs do entulho. - 
Estou bem, mas esse bosta aqui no est, a varinha
acertou nele...
        Ouviu-se uma pancada surda e um sonoro "ai!". Parecia
que Rony tinha acabado de chutar Lockhatt nas canelas.
        - E agora? - perguntou a voz de Rony, desesperada. - No podemos passar, 
vai levar sculos...
         Harry olhou para o teto do tnel. Tinham aparecido nele enormes 
rachaduras. O garoto nunca tentara cortar, com auxlio da magia, nada to grande 
como essas
pedras, e agora no parecia uma boa hora para tentar - e se o tnel inteiro 
desabasse?
        Ouviu-se mais outra pancada e mais um "ai!" por trs das pedras. Estavam 
perdendo tempo. Gina j fora trazida para a Cmara Secreta havia horas... Harry
sabia que havia apenas uma coisa a fazr.t
        - Espere ai - gritou para Rony. - Espere com Lockhart. Eu vou
continuar... Se eu no voltar dentro de uma hora...
        Houve uma pausa cheia de significao.
        - Vou tentar afastar umas pedras - disse Rony, que parecia estar 
querendo manter a voz firme. - Para voc poder... poder passar na volta. E, 
Harry...
        - Vejo voc daqui a pouco - disse Harry, tentando injetar alguma 
segurana em sua voz trmula.
        E retomou sozinho a caminhada para alm da pele de cobra.
        Logo o som distante de Rony batalhando para retirar as pedras silenciou. 
O tnel dava voltas e mais voltas. Cada nervo do corpo de Harry formigava 
desagradavelmente. 
Ele queria que o tnel terminasse, mas temia o que encontraria no fim. E ent, 
ao dobrar mais uma curva, deparou com uma parede
slida  sua frente em que havia
duas cobras entrelaadas talhadas em pedra, os olhos engastados com duas enormes 
esmeraldas brilhantes.
        Harry se aproximou, a garganta seca. No havia necessidade de fingir que 
essas cobras de pedra eram reais; seus olhos pareciam estranhamente vivos.
        Ele adivinhou o que precisava fazer. Pigarreou e os olhos de esmeralda 
pareceram
piscar.
        -Abram - disse num sibilo grave e fraco.
        As cobras se separaram e as paredes se afastaram, as duas metades 
deslizaram suavemente, desaparecendo de vista e Harry, tremendo dos ps  
cabea, entrou.

*****



CAPTULO DEZESSETE -
O herdeiro de Slytherin

Harry se viu parado no fim de uma cmara muito comprida e mal iluminada. Altas 
colunas de pedra entrelaadas com cobras em relevo sustentavam um teto que se 
perdia
na escurido, projetando longas sombras negras na luz estranha e esverdeada que 
iluminava o lugar.
        O corao batendo muito depressa, Harry ficou escutando o silncio 
hostil. Ser que o basilisco estaria  espreita num
canto sombrio, atrs de uma coluna? E onde estaria Gina?
        Ele puxou a varinha e avanou por entre as colunas serpentinas. Cada 
passo cauteloso ecoava alto nas paredes sombreadas. Manteve os olhos 
semicerrados, pronto
para fechlos depressa ao menor sinal de movimento. As rbitas ocas das cobras 
de pedra pareciam segui-lo. Mais de
uma vez, com um aperto no estmago, ele pensou
ter surpreendido uma delas se mexendo.
        Ento, quando emparelhou com o ltimo par de colunas,
uma esttua alta como a prpria Cmara apareceu contra a
parede do fundo.
        Harry teve que esticar o pescoo para ver o rosto gigantesco l no alto. 
Era antigo e simiesco, com
uma barba longa e rala que caa quase at a barra das
vestes esvoaantes de um bruxo de pedra, onde havia dois ps cinzentos enormes 
apoiados no
cho liso da Cmara. E entre os ps, de bruos, jazia um pequeno vulto
de cabelos flamejantes vestido de negro.
        - Gina! - murmurou Harry, correndo para ela e se ajoelhando.
 - Gina... nao esteja morta... por favor no esteja morta... Ele largou a 
varinha de lado, segurou
Gina pelos ombros e virou-a. Seu rosto estava branco e
frio como o mrmore, mas tinha os olhos fechados, portanto no estava 
petrificada. Ento devia estar..
        "Gina por favor acorde - murmurou Harry desesperado,
sacudindo-a. A cabea de Gina balanou desamparada de um
lado para o outro.
        - Ela no vai acordar - disse uma voz indulgente.
        Harry se sobressaltou e se virou ainda de joelhos.
        Um garoto alto, de cabelos negros, o observava encostado  coluna mais 
prxima. Tinha os contornos estranhamente borrados, como se Harry o estivesse 
vendo
atravs de uma janela embaada. Mas no havia como se enganar...
-. Tom - Tom Riddle?
        Riddle confirmou com a cabea, sem tirar os olhos do rosto de
Harry.
        - Que  que voc quer dizer com "ela no vai acordar"? - perguntou 
desesperado. - Ela no est... no est...?
        - Ainda est viva - disse Riddle. - Mas por um fio.
        Harry arregalou os olhos para ele. Tom Riddle estivera em
Hogwarts cinqenta anos atrs, contudo achava-se ali parado,
envolto por uma luz estranha e enevoada, com os seus exatos
dezesseis anos.
                  - Voc  um fantasma?- perguntou Harry incerto.
                  - Uma lembrana - disse Riddle com suavidade. -
Conservada
 em um dirio durante cinqenta anos.
                  E apontou para o cho perto dos enormes ps da esttua.
                Cado ali encontrava-se o pequeno livro preto que Harry
encontrara
 no banheiro da Murta Que Geme. Por um segundo,
                ele se perguntou como aquilo chegara ali - mas havia assuntos
                mais urgentes a tratar.
                  - Voc tem que me ajudar, Tom - disse Harry, levantando
                a cabea de Gina outra vez. - Temos que tir-la daqui. Tem
                um basilisco... No sei onde est, mas pode chegar a qualquer
                momento.. - Por favor, me ajude...
                  Riddle no se mexeu. Hlarry, suando, conseguiu levantar
                metade do corpo de Gina do cho e se curvou para apanhar
                de novo sua varinha.
        Mas a varinha desaparecera.
        -Vocviu?
        Ele ergueu a cabea. Riddle continuava a observ-lo - girava a varinha 
de Harry entre os dedos compridos.
        -        Obrigado - disse Harry, estendendo a mo para a varinha. Um 
sorriso encrespou os cantos da boca de Riddle. Continuava a encarar Harry, 
girando distraidamente
a varinha.
        -        Escute aqui - disse Harry com urgncia, seus joelhos cedendo 
sob o peso morto de Gira. - Temos que ir embora! Se o
basilisco chegarr.
        -        Ele no vir at ser chamado - disse Riddle calmamente. Harry 
depositou Gina outra vez no cho, incapaz de continuar a sustent-la.
        -        Que quer dizer? - Olhe, me d a minha varinha, posso precisar 
dela...
        O sorriso de Riddle se alargou.
        -        Voc no vai precisar dela.
        Harry encarou-o.
        -        Que  que voc quer dizer, no vou...?
        -        Esperei muito tempo por isto, Harry Potter. Por uma chance de 
v-lo. De lhe falar.
        -        Olhe - disse Harry perdendo a pacincia. - Acho que voce nao 
est entendendo. Estamos na
Cmara Secreta. Podemos conversar depois...
        -        Vamos conversar agora - disse Riddle, ainda sorrindo, e 
guardando a varinha no bolso.
        Harry encarou-o. Havia alguma coisa muito estranha acontecendo ali...
        -        Como foi que Gina ficou assim? - perguntou com a voz lenta.
        -        Bom, essa  uma pergunta interessante - disse Riddle em tom 
agradvel. -
 uma histria bastante comprida. Suponho que a razo de Gina Weasley estar
assim  porque abriu o corao e contou todos os seus segredos para um estranho 
invisvel.
        -        Do que  que voc est falando?
- Do dirio. Do meu dirio. A pequena Gina anda escrevendo nele h meses, me 
contou suas tristes preocupaes e
mgoas, como os irmos implicavam com ela, como teve que vir para a escola com 
vestes e livros de segunda mo, como
os olhos de Riddle brilharam -, como achava que o bom, o
famoso, o importante Harry Potterjamais iria gostar dela...
Todo o tempo que falava, os olhos de Riddle no
desgrudavam do rosto de Harry. Havia neles uma expressao
quase faminta.
        -         muito chato ter que ouvir os probleminhas bobos de
uma garota de onze anos. Mas fui paciente. Respondi. Fui simptico,
gentil. Gina simplesmente me adorou. Ningum nunca me compreendeu como voc; 
Tom... E uma alegria ter este dirio para fazer
confidncias...  como ter um
amigo porttil que se leva para todo lado no bolso...
Riddle deu uma risada aguda e fria que no combinava
com ele. Fez os cabelos na nuca de Harry se arrepiarem.
        -        Ainda que seja eu a dizer, Harry, sempre fui capaz de encantar 
as pessoas de quem precisei. Ento Gira me revelou sua alma, e por acaso essa 
alma
era exatamente o que eu queria.., fui ficando cada vez mais forte com a dieta 
dos seus medos mais arraigados e segredos mais ntimos. Fiquei poderoso, muito 
mais
poderoso do que a pequena Srta. Weasley. Suficientemente poderoso para comear a 
aliment-la com alguns dos meus segredos, e comear a instilar nela um pouco da
minha alma...
        -        Do que  que voc est falando? - perguntou Harry, que
sendti a boca muito seca.
        -        Voc ainda no adivinhou, Harry Potter? - disse Riddle 
baixinho. -
Gina Weasley abriu a Cmara Secreta. Ela estrangolou os galos da escola e 
escreveu
mensagens ameaadoras nas paredes. Ela aulou a serpente de Slytherin contra 
quatro sangues-ruins e a gata daquela aberrao do Filch.
        -        No - sussurrou Harry.
        -        Sim - confirmou Riddle calmamente. -  claro que ela no sabia 
o que estava fazendo no inicio. Era muito divertido. Eu gostaria que voc 
tivesse
visto as anotaes que a garota fez no dirio depois... ficaram muito mais 
interessantes...
"Querido
Tom"- recitou ele, observando a expresso horrorizada de Harry
-        "acho que estou perdendo a memria. Tem penas de galos nas minhas
vestes e no sei como foram parar l. Querido Tom, no me lembro do que fiz na 
noite das Bruxas, mas um gato foi atacado e a frente da minha roupa est suja de 
tinta.
Querido Tom, Percy me diz o tempo todo que estou plida e que estou diferente do 
que era. Acho que ele suipeita de mim... Houve outro ataque hoje e no sei onde
 que eu estava. Tom, que  que eu voufazer?Acho que estouficando maluca... Acho 
que sou a pessoa que est atacando todo mundo, Tom!"
        Os punhos de Harry se fecharam, as unhas se enterraram
nas palmas das maos.
        - Levou muito tempo para a burrinha da Gina parar de confiar no dirio - 
continuou Riddle. - Mas ela finalmente desconfiou e tentou jog-lo fora. E foi 
a
que voc entrou, Harry. Voc o encontrou e eu no poderia ter me sentido mais 
satisfeito. De todas as pessoas que podiam t-lo apanhado, foi voc, exatamente 
a pessoa
que eu estava mais ansioso para conhecer...
        - E para que voc queria me conhecer? - perguntou Harry. A raiva corria 
pelas veias dele, e precisou de muito esforo
para manter a voz firme.
        - Bem, veja, Gina me contou tudo sobre voc, Harry. Toda a sua histria 
fascinante. - Os olhos de Riddle percorreram a cicatriz em forma de raio na 
testa
de Harry e sua expressao se tornou mais voraz. - Senti que precisava descobrir 
mais a seu respeito, conversar com voc, conhecer voc, se pudesse. Ento, 
decidi
lhe mostrar a minha famosa captura daquele bobalho do Hagrid para ganhar sua 
confiana...
        - Hagrid  meu amigo - disse Harry, a voz trmula. - E foi voc que o 
incriminou, no foi? Pensei que voc tivesse se
enganado, mas...
        Riddle deu aquela risada aguda outra vez.
        -        Foi a minha palavra contra a de Hagrid, Harry. Bem, voce pode 
imaginar o que pareceu ao velho Armando
Dippet. De um lado, Tom Riddle, pobre mas
brilhante, rfo mas muito corajoso, monitor, aluno modelo.., do outro lado, o 
trapalho do Hagrid, que vivia se metendo em encrencas, tentava criar filhotes 
de
lobisomens debaixo da cama, fugia para a Floresta Proibida para brigar com
drasgos... mas admito que at eu mesmo
fiquei surpreso que o plano tivesse funcionado
to bem.
Achei que algum devia perceber que Hagrid no poderia ser o
herdeiro de Slytherin. Eu gastara circo anos inteiros para descobrir tudo que 
podia sobre a Cmara Secreta e encontrar a entrada... como se Hagrid tivesse 
cabea,
ou poder para tanto!"
S o professor de Transformaes, Dumbledore, pareceu pensar que Hagrid era 
inocente. E convenceu
Dippet a conservar Hagrid aqui e trein-lo para guarda-caa.
E, acho que ele talvez tivesse adivinhado... Dumbledore nunca pareceu gostar de 
mim tanto quanto os outros professores..."
        -        Aposto que Dumbledore no se deixou enganar por voc
- disse Harry com os dentes cerrados.
        -        Bem, No h dvida de que ele ficou me vigiando de maneira 
incmoda depois que Hagrid foi expulso - disse Riddle indiferente. - Percebi que 
no
seria seguro tornar a abrir a Cmara enquanto ainda estivesse na escola. Mas no 
ia desperdiar os longos anos que passei procurando por ela. Resolvi deixar aqui
um dirio, preservando o meu eu de dezesseis anos em suas pginas, de modo que 
um dia, com sorte, eu pudesse conduzir algum pelas minhas pegadas e terminar a 
nobre
tarefa de Salazar Slytherin.
        -        Bem, voc no a terminou - disse Harry em tom de vitria. - 
Desta vez ningum morreu, nem mesmo a gata. Dentro de algumas horas a Poo de 
Mandrgoras
estar pronta e todos que foram petrificados voltaro  normalidade outra vez...
        -        Acho que ainda no lhe disse - falou Riddle em voz baixa - que 
matar sangues-ruins no me interessa mais. H
muitos meses agora, meu novo alvo tem sido... voce.
        Harry encarou-o.
        -        Imagine a raiva que tive quando na vez seguinte que algum 
abriu o meu dirio, era a
Gina que estava me escrevendo e no voc. Ela o viu com o dirio,
sabe, e entrou em pamco. E se voc descobrisse como us-lo, e eu repetisse todos 
os segredos dela para voc? E se, o que seria pior, eu contasse a voc quem 
tinha
andado estrangulando os galos? Ento a boba da pirralha esperou o seu dormitrio 
ficar deserto e roubou o dirio. Mas eu sabia o que precisava fazer. Tinha 
ficado
claro para mim que voc estava na pista do herdeiro de Slytherin.
        Por tudo que Gina tinha me contado, eu sabia que voc no 
mediria esforos para solucionar o mistrio, principalmente se
um dos seus melhores amigos fosse atacado. E Gina tinha me contado que a escola 
inteira estava alvoroada porque voce sabia falar a lngua das cobras...
        "Enfim,  fiz Gina escrever o bilhete -de adeus na parede e descer aqui
para esperar. Ela resistiu, chorou e ficou muito chateada. Mas no resta nela 
muita
vida... Ela transferiu muita fora para o dirio, para mim. O suficiente para eu 
poder
finalmente deixar aquelas pginas... Estive esperando voc aparecer desde
que chegamos aqui. Sabia que voc viria. Tenho muitas perguntas a lhe fazer, 
Harry Pottet"
        - Por exemplo? - disse Harry com rispidez, os punhos ainda fechados.
        - Bem - disse Riddle, dando um sorriso agradvel, como foi que
voc um garoto magricela, sem nenhum talento mgico excepcional, conseguiu 
derrotar o maior
bruxo de todos os tempos? Como foi que voc escapou apenas com uma cicatriz, 
enquanto os poderes do Lord
Voldemort foram destruidos?
        Surgia agora em seus olhos vorazes um brilho estranho e
avermelhado.
        - Que lhe interessa como escapei? - perguntou Harry lentamente. - 
Voldemort
foi depois do seu tempo...
        - Voldemort - disse Riddle com indulgncia -  o meu passado, presente e 
futuro, Harry Potter...
        E,tirando a varinha de Harry do bolso, ele escreveu no ar
trs palavras cintilantes:
        TOM SERVOLEO RIDDLE
        Em seguida, agitou a varinha uma vez e as letras do seu
nome se rearrumaram:
        EIS LORD VOLDEMORT
        - Entendeu? Era um nome que eu j estava usando em Hogwarts, s para os 
meus amigos mais ntimos,  claro. Voc acha que eu ia usar o nome nojento do 
meu
pai trouxa para sempre? Eu, em cujas veias corre o sangue do prprio Salazar
Slytherin, pelo lado de minha me? Eu, conservar o nome de um trouxa sujo e 
comum, que
me abandonou mesmo antes de eu nascer, s porque descobriu que minha me era 
bruxa? No,
Harry, criei para mim um nome novo, um nome que eu sabia
que os bruxos de todo o mundo um dia teriam medo de pronunciar, quando eu me 
tornasse o maior bruxo do mundo.
        O crebro de Harry parecia ter enguiado. Chocado, ele fixava Riddle, o
garoto rfo que crescera para assassinar seus pais e tantos outros... 
Finalmente
forou-se a falar.
        - No  - sua voz baixa cheia de dio.
- No  o qu? - perguntou Riddle com rispidez.
        - No  o maior bruxo do mundo - disse Harry, respirando depressa. - 
Desculpe desapont-lo, e tudo o mais, mas o maior bruxo do mundo  Alvo 
Dumbledore.
Todos dizem isso Mesmo quando voc era poderoso, voce nao se atreveu a tentar 
dominar Hogwarts. Dumbledore viu atravs de voc quando freqentou a escola e 
ainda
o amedronta hoje, onde quer que voc se esconda...
        O sorriso desaparecera da cara de Riddle, substitudo por um olhar muito 
sinistro.
        - Dumbledore foi afastado do castelo meramente pela minha
lembrana - sibilou.
        - Ele no est to afastado quanto voc poderia pensar!
-        retorquiu Harry. Falava sem pensar, querendo apavorar Riddle, desejando 
mais do que acreditando que o que dizia fosse verdade...
        Riddle abriu a boca, mas congelou.
        Ouviram uma msica vinda de algum lugar. Riddle se virou para percorrer 
com os olhos a cmara vazia. A msica se tornava cada vez mais alta.
Era misteriosa,
de dar arrepios, sobrenatural; fez os cabelos de Harry ficarem em p e o seu 
corao parecer inchar at dobrar de tamanho. Ento a musica atingiu tal volume 
que
Harry a sentiu vibrar dentro do peito, e chamas irromperam no alto da coluna 
mais prxima.
        Um pssaro vermelho do tamanho de um cisne apareceu, cantando aquela 
msica esquisita para a abbada do teto. Tinha uma cauda dourada e faiscante, 
comprida
como a de um pavio e garras douradas e reluzentes que seguravam um embrulho 
esfarrapado.
        Um segundo depois, o pssaro voava direto para Harry. Deixou cair a seus 
ps o embrulho que carregava, depois pousou pesadamente em seu ombro. Quando 
fechou
as asas enormes, Harry ergueu os olhos e viu que tinha um bico dourado, longo e 
afiado e olhos redondos e escuros.
        O pssaro parou de cantar. Sentou-se imvel e clido junto  bochecha de 
Harry, olhando com firmeza para Riddle.
        -  uma fnix... - disse Riddle, encarando-o de volta com um olhar 
astuto.
        - Fawkes? - sussurrou Harry, e sentiu as garras douradas do pssaro 
apertarem gentilmente seu ombro.
        - E isso- disse Riddle, agora examinando o embrulho esfarrapado que 
Fawkes deixara cair - seria o velho Chapu
Seletor...
        E era. Remendado, esfiapado, sujo, o chapu jazia imvel
aos ps de Harry.
        Riddle comeou a rir outra vez. Riu tanto que a Cmara
ecoou com o seu riso, como se dez Riddles estivessem rindo
ao mesmo tempo...
        - Isto  o que Dumbledore manda ao seu defensor! Um pssaro canoro e um 
velho chapu! Voc se sente cheio de
coragem, Harry Potter? Sente-se seguro agora?
        Harry no respondeu. Talvez no entendesse qual era a
utilidade de Fawkes ou do Chapu Seletor, mas j no estava
sozinho e esperou com crescente coragem Riddle parar de rir.
        - Aos negcios, Harry - falou Riddle, ainda com um largo sorriso. - Duas 
vezes, no seu passado, ou no meu futuro, ns nos encontramos. E duas vezes no 
consegui
mat-lo. Como Joi que voc sobreviveu? Conte-me tudo. Quanto mais tempo falar - 
acrescentou brandamente - mais tempo continuara vivo.
        Harry comeou a pensar depressa, avaliando suas chances. Riddle tinha a 
varinha. Ele, Harry, tinha
Fawkes e o Chapu Seletor, nenhum dos quais adiantaria
muito em um duelo. A situao parecia ruim, no havia dvida... mas quanto mais 
tempo Riddle ficasse ali, mais depressa a vida de Gina se
esgotava... entrementes,
Harry reparou de repente que os contornos de Riddle estavam ficando mais 
ntidos, mais slidos... Se tinha que haver uma luta entre ele e Riddle, quanto 
mais cedo
melhor.
        - Ningum sabe por que voc perdeu seus poderes ao me atacar - disse 
Harry abruptamente.- Nem mesmo eu sei. Mas
sei por que voc no pde me matar. Foi porque minha me
morreu para me salvarr. Minha me trouxa e comum - acrescentou,
sacudindo-se de raiva reprimida. - Ela impediu voce de me matar. E eu vi o seu 
eu verdadeiro. Vi no ano passado. Voc est uma runa. Mal se mantm vivo.
Foi isso que voce ganhou com todo o seu poder. Voc vive escondido. Voc  feio, 
voc  nojento...
        O rosto de Riddle se contorceu. Ento ele deu um horrvel sorriso 
amarelo.
        - Ento, sua me morreu para salvar voc. , isso  um contrafeitio 
poderoso. Estou entendendo agora... afinal de contas voc no tem nada especial. 
H
uma estranha semelhana entre ns. At voc deve ter notado. Ns dois somos 
mestios,
rfos, criados por trouxas. Provavelmente, desde o grande Slytherin, somos
os dois falantes da lngua das cobras a freqentar Hogwarts. E at nos parecemos 
fisicamente... mas no final, foi um simples acaso que salvou voc de mim. Era s
o que eu queria saber.
        Harry esperou tenso que Riddle erguesse a varinha. Mas o
sorriso enviesado de Riddle voltou a se alargar.
        - Agora, Harry, vou lhe dar uma liozinha. Vamos medir os poderes do
Lord Voldemort, herdeiro de Slytherin, com os do famoso Harry Potter, e as 
melhores
armas que Dumbledore pode lhe dar...
        Ele lanou um olhar divertido a Fawkes e ao Chapu Seletor, em seguida 
se afastou. Harry, o medo se espalhando pelas pernas dormentes, observou Riddle 
parar
entre as altas colunas e olhar para o rosto de pedra de Slytherin, muito acima 
dele na obscuridade.
Riddle abriu bem a boca e sibilou - mas Harry entendeu o que
ele estava dizendo...
        "Fale comigo, Slytberin, o maior a'os9uatro de Hogwarts."
        Harry se virou para olhar a esttua, Fawkes balanava em
seu ombro.
        O gigantesco rosto de pedra de Slytherin se mexeu. Aterrorizado, Harry 
viu sua boca abrir, cada vez mais, e formar um
enorme buraco negro.
        E alguma coisa estava se mexendo dentro da boca da esttua. Alguma coisa 
comeava a escorregar para fora de suas
        profundezas.
        Harry recuou at bater na escura parede da Cmara e, ao
fechar os olhos com fora, sentiu a asa de Fawker roar sua bochecha quando o 
pssaro levantou vo. Harry queria gritar "No me deixe!" mas que chance tinha 
uma
fnix contra o rei das serpentes?
        Algo descomunal bateu no piso de pedra da Cmara. Harry sentiu-o 
trepidar - ele sabia o que estava acontecendo, sentia, podia quase ver a cobra 
gigantesca
se desenrolar para fora da boca de Slytherin. Ento ouviu a voz sibilante de
Riddle:
- Mata ele.
        O basilisco estava vindo em sua direo; ele ouviu aquele corpo 
gigantesco deslizar pesadamente pelo cho empoeirado.
Com os olhos ainda fechados, Harry comeou a correr as cegas para os lados, as 
mos estendidas  frente, tateando o
caminho - Voldemort dava risadas...
        Harry tropeou. Caiu com fora no cho e sentiu gosto de
        sangue - a cobra estava a uma pequena distncia, ele a ouviu
        se aproximar...
        Logo acima dele houve um som alto, explosivo e aquoso e ento alguma 
coisa pesada bateu em Harry com tanto mpeto que o esmagou contra a parede. 
Esperando
ter o corpo atravessado por presas ele ouviu mais sibilos raivosos, alguma coisa 
irrompendo por entre os pilares...
        Ele no agentou - abriu os olhos o suficiente para espreitaro que 
estava acontecendo.
        A enorme cobra, de um verde luzidio e venenoso, grossa como um tronco de 
carvalho, erguia-se no ar e sua enorme cabea chanfrada balanava bbeda entre 
as
colunas. Trmulo e pronto a fechar os olhos se a cobra se virasse, Harry viu o 
que distraira a cobra.
        Fawkes sobrevoava sua cabea e o basiisco tentava
        abocanh-la, furioso, com as presas finas como sabres...
        Fawkes mergulhou. Seu longo bico dourado desapareceu de vista e uma 
chuva repentina de sangue escuro salpicou o cho. O rabo da cobra chicoteou, 
errando
Harry por pouco e, antes que o garoto pudesse fechar os olhos, ela se virou - o 
garoto olhou direto para a sua cara e viu que os olhos, os dois
olhos bulbosos e amarelos, tinham sido furados pela fnix; o
        sangue escorria no cho e a cobra espumava de dor.
        - NO! - Harry ouviu Riddle gritar. - DEIXE O PSSARO! DEIXE O PSSARO! 
O GAROTO EST ATRS
DE VOC! VOC AINDA PODE FAREJ-LO!MATE-O!
        A cobra cega balanou, confusa, ainda letal. Fawkes descrevia crculos 
em volta de sua cabea, cantando aquela msica estranha, atacando aqui e ali o 
nariz
escamoso da cobra, enquanto o sangue jorrava dos seus olhos destruidos.
        - Me ajudem, me ajudem - murmurou Harry -, algum, qualquer um...
        O rabo da cobra voltou a chicotear o cho. Harry se abaixou. Uma coisa 
macia bateu em seu rosto.
        O basilisco varrera o Chapu Seletor para os braos de Harry.
O garoto agarrou-o. Era s o que lhe restava, sua nica chance.
- enfiou-o na cabea e se atirou ao comprido no cho quando o
rabo do basilisco tornou a golpear passando por cima dele.
        Me ajudem, me ajudem - pensou Harry, os olhos bem fechados sob o chapu. 
Porfavor me ajudem...
        Nenhuma voz lhe respondeu. Em lugar disso, o chapu
encolheu, como se uma mo invisvel o apertasse com fora.
        Uma coisa dura e pesada bateu na cabea de Harry com fora, deixando-o 
quase desacordado. Com estrelas piscando diante dos seus olhos, ele agarrou a 
ponta
do chapu com firmeza para tir-lo e sentiu uma coisa comprida e dura em seu 
interior.
        Uma refulgente espada de prata aparecera dentro do chapu, o punho 
cravejado de rubis rutilantes do tamanho de ovos.
        - MATE O GAROTO! DEIXE O PSSARO! O GAROTO EST A TRS DE VOC!FAREJE, 
FAREJE!
        Harry estava de p, pronto. A cabea do basilisco foi baixando, o corpo 
se enroscando, batendo nas colunas ao se torcer para atac-lo de frente. Harry 
viu
o corpo imenso, as rbitas ensangentadas, a boca escancarada, grande suficiente 
para engoli-lo inteiro, cheia de dentes compridos como a sua espada, 
pontiagudos,
faiscantes, venenosos...
        A cobra atacou s cegas... Harry evitou-a e bateu na parede da Cmara. 
Ela atacou de novo, e sua lngua bifurcada golpeou o lado de Harry. Ele ergueu a 
espada
com as duas mos...
        O basilisco tornou a atacar, e desta vez na direo certa... Harry ps 
todo o seu peso na espada e enfiou-o at a bainha
        no cu da boca da cobra...
        Mas quando o sangue quente encharcou os braos de Harry, ele sentiu uma 
dor excruciante logo acima do cotovelo. Uma presa comprida e venenosa estava se 
enterrando
cada vez mais fundo em seu brao e se partiu quando o basilisco tombou para o 
lado e caiu, estrebuchando no cho.
        Harry escorregou pela parede. Agarrou a presa que espalhava veneno pelo 
seu corpo e attancou-a do brao. Mas percebeu que era tarde demais. Uma dor 
terrvel
se irradiava do ferimento de modo lento e contnuo. Na hora em que deixou cair a 
presa e viu o prprio sangue empapar suas vestes, sua viso se embaou. A Cmara
se dissolveu num rodamoinho de cores opacas.
        Uma nesga de vermelho passou por ele, e Harry ouviu
unhas baterem ao seu lado suavemente.
        - Fawkes - disse com a voz engrolada. - Voc foi fantstico, Fawkes... - 
Ele sentiu o pssaro deitar a bela cabea no
lugar em que a presa da serpente o furara.
        Ouviu ecoarem passos e depois uma sombra escura passar
 sua frente.
        - Voc est morto, Harry Potter - disse a voz de Riddle do alto. - 
Morto. At o pssaro de Dutnbledore sabe disso. Voc
est vendo o que ele est fazendo, Potter? Est chorando.
        Harry piscou os olhos. A cabea de Fawkes entrava e saa
de foco. Lgrimas grossas e peroladas escorriam por suas penas de cetim.
        - Vou me sentar aqui e apreciar voc morrer, Harry Potter. Pode demorar 
 vontade. No tenho pressa.
        Harry se sentiu sonolento. Tudo  sua volta parecia estar
girando.
        - Assim termina o famoso Harry Potter - disse a voz distante de
Riddle - Sozinho na Cmara Secreta, abandonado pelos amigos, finalmente 
derrotado pelo Lord
das Trevas que ele to insensatamente desafiou. Voc vai voltar para a sua 
querida me de sangue-ruim em breve, Harry... Ela comprou para voc mais doze 
anos de
vida... mas Lord Voldemort acabou por venc-lo, como voc sabia que ele faria...
Se isto for morrer, pensou Harry, no  to mau assim.
                At mesmo a dor abandonou-o aos poucos...
        Mas ser que isto era morrer? Em vez de escurecer a Cmara parecia estar 
voltando a entrar em foco. Harry fez um pequeno movimento com a cabea e l 
estava
Fawkes, ainda descansando a cabea em seu brao. Uma pocinha de lgrimas 
peroladas brilhava em torno do ferimento - s que no havia ferimento...
        - Afaste-se dele, pssaro - disse a voz de Riddle inesperadamente. - 
Afaste-se dele, eu falei, afaste-se...
        Harry levantou a cabea. Riddle estava apontando a varinha de Harry para 
Fawkes; ouviu-se um estampido como o de um revlver e Fawkes levantou vo outra 
vez
num redemoinho dourado e vermelho.
        - Lgrimas de fnix... - disse Riddle baixinho, olhando o brao de 
Harry. -
 claro.., poderes curativos.., me esqueci...
        Ele olhou para o rosto de Harry.
        - Mas no faz diferena. Na realidade, prefiro assim. S voc e eu, 
Harry
Potter... voce e eu...
E ergueu a varinha...
        Ento num farfalhar de penas, Fawkes sobrevoou os dois
e uma coisa caiu no colo de Harry - o dirio.
        Por uma frao de segundo, Harry e Riddle, a varinha ainda erguida, 
olharam para o dirio. Ento, sem pensar, sem raciocinar, como se tivesse 
pretendido
fazer isso o tempo todo, Harry agarrou a presa do basilisco no cho ao lado dele 
e enterrou-a direto no centro do livro.
        Ouviu-se um grito longo e cortante. Um rio de tinta jorrou
do dirio, escorreu pelas mos de Harry, inundou o cho. Riddle
estrebuchava e se contorcia, gritando e se debatendo e ento...
        Desapareceu. A varinha de Harry caiu no cho com estrpito e em seguida 
fez-se silncio. Silncio, exceto pelo pingapinga da tinta que ainda escorria do
dirio. O veneno do basillsco abrira a fogo um buraco no livro.
        O corpo inteiro tremendo, Harry se levantou. Sua cabea rodava como se 
tivesse acabado de viajar quilmetros com o P de Flu. Lentamente, recolheu a 
varinha
e o Chapu Seletor e, com um violento puxo, retirou a espada faiscante do
cu
        da boca do basilisco.        
        Ento chegou aos seus ouvidos um gemido fraco l do
fundo da Cmara. Gina estava se mexendo. Enquanto Harry
corria para a garota, ela se sentou. Seus olhos espantados ziguezaguearatn do 
enorme vulto do basilisco morto para Harry,
com as vestes encharcadas de sangue, e da para o dirio em sua mo. Ela 
inspirou profundamente, estremecendo, e as lgritnas comearam a rolar pelo seu 
rosto.
        - Harry,ah, Harry, eu tentei lhe contar no caf, mas no ppude contar na 
frente do Percy... fui eu, Harry... mas... j-juro que no
tive inteno...
Riddle me obrigou, ele me levou at l... e... como foi que voc matou aquele... 
aquela coisa? Onde est Riddle? A ltima coisa que me lembro  dele saindo do
dirio.
        - Tudo bem - disse Harry, levantando o dirio e mostrando  Gina o furo 
feito pela presa-, o Riddle acabou. Olhe! Ele
e o basilisco. Anda, Gina, vamos dar o fora daqui!
        - Vou ser expulsa! - choramingou Gina enquanto Harry a ajudava, 
desajeitado, a ficar em p. - Sonhei em vir para Hogwarts desde que G-Gui veio e 
ag-gora
vou ter que sair e... q-que-que papai e mame vo dizer?
        Fawkes estava  espera deles, sobrevoando a entrada da Cmara. Harry 
instava Gina a avanar; os dois saltaram por cima das voltas inertes do 
basilisco morto,
atravessando a penumbra cheia de ecos e voltaram ao tnel. Harry ouviu as portas 
de pedra se fecharem s suas costas com um silvo fraco.
Depois de caminharem alguns minutos pelo tnel escuro, Harry
ouviu o som distante de pedras que se deslocavam lentamente.
        -        Rony! - berrou, se apressando. - Gina est bem! Est
comigo!
        Ouviram Rony soltar um viva sufocado e, ao virarem a curva seguinte, 
divisaram a sua
carinha ansiosa espiando por uma brecha de bom tamanho, que ele conseguira
abrir entre as pedras desmoronadas.
        -        Gina!- Rony enfiou um brao pelo buraco para pux-la primeiro. 
- Voc est viva! No acredito! Que aconteceu! Como...
que... de onde veio o pssaro?
        Fawkes mergulhou no buraco atrs de Gina.
        -  do Dumbledore - respondeu Harry, espremendo-se para passar.
  Onde arranjou uma espada? - disse Rony, boquiabrindose ao ver a arma na mo de 
Harry.
        -        Explico quando sairmos daqui - disse Harry com um olhar de 
esguelha para Gina, que agora chorava mais do que antes.
-Mas...
        -        Mais tarde - disse Harry concisamente. No achou uma boa idia 
naquele momento contar a Rony quem andara abrindo a Cmara, pelo menos no na 
frente
de Gina. - Onde anda Lockhart?
        -        L atrs - disse Rony, ainda com uma expresso intrigada, mas 
indicando com a cabea o tnel na direo do cano de
entrada. - Est bem ruinzinho. Venha ver.
        Guiados por Fawkes, cujas penas vermelhas produziam uma luminosidade 
dourada no escuro, eles caminharam de volta  boca do cano.
Gilderoy Lockhart estava
sentado, cantarolando tranqilamente para si mesmo.
        -        A memria dele desapareceu - disse Rony. - O Feitio da Memria 
saiu pela culatra. Atingiu ele em vez de ns. Ele no tem a menor idia de quem
, onde est ou de quem somos. Eu o mandei vir esperar aqui.  um perigo para 
ele mesmo.
        Lockhatt mirou os garotos, bem-humorado.
        -        Al - disse ele. - Lugar esquisito, esse, no acham? Vocs 
moram aqui?
        -        No - respondeu Rony, erguendo as sobrancelhas para Harry.
        Harry se abaixou e espiou para dentro do cano longo e
escuro.
        -        Voc j pensou como  que vamos subir por isso para voltar? - 
perguntou a Rony.
        Rony sacudiu a cabea, mas Fawkes, a fnix, passara por Harry e agora 
esvoaava  sua frente, seus olhos de contas brilhando no escuro. Ela acenava 
com as
compridas penas douradas da cauda. Hlarry olhou-a hesitante.
        -        Parece que da quer que voc a agarre... - disse Rony, com um 
olhar perplexo. - Mas voc  pesado demais para um
pssaro arrast-lo por ali...
        -        Fawkes no  um pssaro comum. - Harry se virou depressa para 
os outros. - Temos que nos segurar uns nos outros. Gina, agarre a mo de Rony. 
Prof.
Lockhart...
        -        Ele est se referindo ao senhor - disse Rony
rispidamente.-
a Lockhart.
- Segure a outra mo de Gina...
        Harry prendeu a espada e o Chapu Seletor no cinto, Rony
segurou as costas das vestes de Harry e este esticou a mo e
agarrou a cauda estranhamente quente de Fawkes.
        Uma leveza extraordinria pareceu se espalhar por todo o seu corpo e, no 
segundo seguinte, o grupo voava pelo cano em meio a um farfalhar de asas. Harry
ouviu Lockhart, pendurado atrs dele, exclamar: "Espantoso! Espantoso! Isso 
parece mgica!" O ar frio fustigava os cabelos de Harry e, antes que ele tivesse 
enjoado
da viagem, ela terminou - os quatro bateram no cho molhado do banheiro da Murta 
Que Geme, e enquanto Lockhart endireitava o chapu, a pia que escondera o cano 
voltou
a se encanar suavemente no lugar.
        Murta arregalou os olhos para Harry.
        - Voc est vivo! - exclamou desconcertada.
        - No precisa parecer to desapontada - disse o garoto, srio, limpando 
os salpicos de sangue e o limo dos culos.
        - Ah, bem.., andei pensando... se voc tivesse morrido, seria bem-vindo 
a dividir o meu boxe - disse Murta, com o
rosto tingindo-se de prateado.
        - Arre! - exclamou Rony ao sairem do banheiro para o corredor escuro e 
deserto. - Harry! Acho que Murta est gostando de voc! Gina voc ganhou uma 
concorrente!
        Mas as lgrimas continuavam a escorrer silenciosamente
pelo rosto de Gina.
        - Onde agora? - perguntou Rony, lanando um olhar ansioso a Gina. Harry 
apontou.
        Fawkes tomou a frente, refulgindo ouro pelo corredor. Eles
o seguiram e momentos depois se encontravam  porta da sala da Profa. 
McGonagall.
        Harry bateu e empurrou a porta, abrindo-a.

*****


CAPTULO DEZOITO
 A recompensa de Dobby

Quando Harry, Rony, Gina e Lockhart surgiram  porta, cobertos de sujeira e 
limo, e no caso de Harry sangue, houve um silncio momentaneo. Em seguida ouviu-
se um
grito.
- Gina!
        Era a Sra. Weasley, que estivera sentada chorando, diante da lareira. 
Ela se levantou num salto, seguida de perto pelo
Sr. Weasley, e os dois se atiraram
 filha.
        Harry no entanto, olhou mais alm. O Prof. Dutnbledore estava parado 
junto ao console da lareira, sorrindo, ao lado da
Profa. McGonagall, que inspirou vrias
vezes, as mos no peito. Fawkes passou voando pela orelha de Harry e pousou no 
ombro de Dumbledore, na mesma hora em que Harry e Rony se viram envolvidos pelo 
abrao
apertado da Sra. Weasley.
        - Voc salvou minha filha! Voc a salvou! Como foi que voce fez isso?
        - Acho que todos ns gostaramos de saber - disse a Prof. McGonagall com 
a voz fraca.
        A Sra. Weasley soltou Harry que hesitou um instante, caminhou at a 
escrivaninha e depositou em cima dela o Chapu Seletor, a espada cravejada de 
rubis e
o que sobrara do dirio de Riddle.
        Ento comeou a contar tudo. Durante uns quinze minutos ele falou 
cercado de ateno e silncio: contou sobre a voz invisvel que ouvira, como 
Hermione finalmente
percebera que ele estava ouvindo um basilisco na tubulao; como ele e Rony 
tinham seguido as aranhas at a floresta, que
Aragogue revelara
onde a ltima vitima do basilisco morrera; como tinham adivinhado que Murta Que 
Geme fora essa vitima e que a entrada para a Cmara Secreta poderia estar no 
banheiro...
        - Muito bem - encorajou-o a Prof. McGonagall quando ele parou -, ento 
vocs descobriram onde era a entrada, e eu acrescentaria: atropelando umas cem 
regras
do nosso regulamento, mas,por Deus, Potter, como foi que vocs conseguiram sair 
de l com vida?
        Harry, com a voz rouca de tanto falar, contou ento sobre a chegada 
providencial de Fawkes e do Chapu Seletor com a espada dentro. Mas, nesse 
ponto, lhe
faltaram palavras. At ali, ele evitara mencionar o dirio de Riddle - ou
Gina. Ela estava de p, com a cabea apoiada no ombro da Sra. Weasley, e as 
lgrimas ainda
escorriam silenciosamente pelo seu rosto. E se eles a expulsassem? Pensou Harry 
em pnico. O dirio de
Riddle no servia para mais nada... Como iriam provar que fora
ele que a obrigara a fazer tudo?
        Instintivamente, Harry olhou para Dumbledore, que lhe
deu um breve sorriso, os seus culos de meia-lua refletindo a
luz do fogo.
        - O que me interessa mais - disse ele com brandura -  como foi que Lord
Voldemort conseguiu enfeitiar Gina, quando as minhas fontes me informaram que 
no
momento ele est escondido nas florestas da Albnia.
        Um alivio - um alivio morno, envolvente, glorioso - invadiu Harry.
        - Q-que foi que disse? - perguntou o Sr. Weasley com a voz aturdida. - 
VocJ-Sabe-,Quem?En-enfeitiou
Gina? Mas Gina
nao... Gina no esteve.., esteve?
        - Com esse dirio - respondeu Harry depressa, apanhando-o na mesa e 
mostrando-o a Dumbledore. - Riddle escreveu nele quando tinha dezesseis anos...
        Dumbledore recebeu o dirio de Harry e examinou-o com
ateno, por cima do nariz comprido e torto, as pginas queimadas e encharcadas.
        - Genial - disse baixinho. -  claro, ele foi provavelmente 
o aluno mais brilhante que Hogwarts j teve. - E se virou para
os pais de Gina, que pareciam inteiramente perplexos.
        "Muito pouca gente sabe que Lord Voldemort um dia se chamou Tom Riddle. 
Eu fui seu professor h cinqenta anos, em Hogwarts. Ele desapareceu depois que 
terminou
a escola... viajou por toda parte... aprofundou-se nas Artes das Trevas, 
associou-se com os piores elementos do nosso povo, passou por tantas
transformaes mgicas
e perigosas que, quando reapareceu como Lord Voldemort, quase no dava para 
reconhec-lo. Muito pouca gente ligou Lord Voldemort ao garoto inteligente e 
bonito 
que,
no passado, fora monitor-chefe aqui."
        -        Mas, Gina - perguntou a Sra. Weasley. - Que  que a nossa
Gina tem a ver com... com... ele?
        -        O d-dirio dele! - soluou Gina. - And-dei escrevendo no 
dirio, e ele andou me respondendo o ano todo...
        -        Gina! - exclamou o Sr. Weasley, espantado. - Ser que no lhe 
ensinei
nada? Que foi que sempre lhe disse? Nunca confie em nada que  capaz de pensar
se voc no pode ver onde fica o seu crebro. Por que no mostrou o dirio a mim 
ou a sua me? Um objeto suspeito desses, estava obviamente carregado de Artes 
das
Trevas...
        -        Eu n-no sabia - soluou Guia. - Encontrei o dirio junto com 
os livros que mame comprou para mim. P-pensei
que algum o deixara ali e se esquecera dele...
        -        A Srta. Weasley devia ir imediatamente para a ala hospitalar - 
Dumbledore interrompeu-a com firmeza. - Ela passou por
uma terrvel provao. No
haver castigo. Bruxos mais velhos e mais sensatos que ela j foram enganados 
por Lord
Voldemort. - Encaminhou-se, ento, para a porta e abriu-a. - Repouso e talvez
uma boa xcara de chocolate fumegante. Sempre acho que isto me reanima - 
acrescentou ele, piscando bondosamente para a garota. - Os senhores encontraro 
Madame
Pomfrey
ainda acordada. Est administrando suco de mandrgoras, imagino que as vitimas 
do basilisco iro acordar a qualquer momento.
        -        Ento Mione est bem! - exclamou Rony, animado.
        -        No houve dano permanente - disse Dutnbledore.
        A Sra. Weasley levou Gina embora e o Sr. Weasley a acompanhou,
ainda parecendo profundamente abalado.
        - Sabe, Minerva - disse o Prof. Dumbledore pensativo -, acho que tudo 
isto merece uma boa festana. Ser que eu poderia lhe pedir
para avisar s cozinhas?
        - Certo - disse a professora, eficiente, encaminhando-se tambm para a 
porta. - Vou deixar voc lidar com Potter e
Weasley, concorda?
        - Com certeza.
        Ela saiu, e Harry e Rony olharam inseguros para Dumbledore. Que ser que 
a professora quisera dizer com aquele Lidar com eles. Certamente - certamente -
eles no iriam ser castigados?
        - Estou-me lembrando que disse a ambos que teria de expuls-los se 
infringissetn mais um artigo do regulamento da
escola - comeou Dumbledore.
        Rony abriu a boca horrorizado.
        - O que prova que at o melhor de ns s vezes precisa engolir o que 
disse - continuou o diretor, sorrindo. .- Os dois recebero prmios especiais 
por servios
prestados  escola e... vejamos.., , acho que duzentos pontos para a 
Grifinria, por cabea.
        Rony ficou to vermelho que parecia as flores de Lockhart
para o Dia dos Namorados, e tornou a fechar a boca.
        - Mas um de ns parece que est caladissimo sobre a parte que teve nesta 
aventura perigosa - acrescentou Dumbledore.
- Por que to modesto, Gilderoy?
        Harry se assustou. Esquecera-se completamente de Lockhart. Virou-se e 
viu o professor parado a um canto da sala, um sorriso vago ainda no rosto. 
Quando Dumbledore
lhe dirigiu a palavra, ele espiou por cima do ombro para ver com quem o diretor 
estava falando.
        - Prof. Dumbledore -. disse Rony depressa -, houve um acidente l na 
Cmara Secreta. O Prof. Lockhart...
        - Eu sou professor? - perguntou Lockhart, ligeiramente surpreso. - 
Nossa! Acho que fui intil, no fui?
        - Ele tentou lanar um Feitio da Memria, e a varinha estava virada 
para ele - explicou Rony, calmamente, a
Dumbledore.
        - Ai, ai - exclamou Dutnbledore, balanando a cabea,
seus longos bigodes prateados tremendo. - impalado com a prpria espada,
Gilderoy?
        - Espada? - repetiu Lockhart confuso. - No tenho espada. Mas esse 
menino tem. - E apontou para Harry. - Ele pode
lhe emprestar uma.
        - Importa-se de levar o Prof. Lockhart  enfermaria, tambm? - pediu 
Dumbledore a Rony. - Gostaria de dar mais
uma palavrinha com o Harry..
        Lockhart saiu. Rony lanou um olhar curioso a Dumbledore
e Harry ao fechar a porta.
        o diretor caminhou at uma poltrona diante da lareira, do outro lado da 
sala.
        - Sente-se, Harry - disse ele, e o garoto obedeceu, sentindo-se 
inexplicavelmente nervoso.
        "Antes de mais nada, Harry, eu quero lhe agradecer", disse Dumbledore 
com os olhos novamente cintilantes. "Voc deve ter mostrado verdadeira lealdade 
a mim 
l na Cmara. Nenhuma outra coisa teria levado Fawkes a voce.
        Ele alisou a fnix, que voara para o seu joelho. Harry sorriu, sem 
jeito, diante do olhar do diretor que o observava.
        - Com que ento voc conheceu Tom Riddle .- disse Dumbledore, pensativo. 
- Imagino que ele estivesse interessadssimo
em voce...
        De repente, uma coisa que estava preocupando Harry, escapou de sua boca.
        - Prof. Dumbledore... Riddle disse que eu sou igual a ele. "Uma estranha 
semelhana", foi o que me disse...
        - Foi, mesmo? - disse olhando pensativo para o garoto por baixo das 
grossas sobrancelhas prateadas. - E o que  que
voce acha, Harry?
        - Acho que no sou igual a ele! - exclamou ele, mais alto do que 
pretendia. - Quero dizer, perteno... perteno a
Grifinria, sou...
        Mas se calou, uma dvida furtiva surgia em sua mente.
        - Professor - recomeou aps um momento. - O Chapu Seletor me disse... 
que eu teria sido bem-sucedido na Sonserina. Todo mundo achou que eu era o 
herdeiro
de Slytherin por algum
 279
 tempo... porque falo a lngua das cobras...
        - Voc fala a lngua das cobras, Harry - disse Dumbledore, calmamente -, 
porque Lord
Voldemort, que o ltimo descendente de Salazar Slytherin, sabe falar
a lngua das cobras. A no ser que eu muito me engane, ele transferiu alguns dos 
seus poderes
para voc na noite em que lhe fez essa cicatriz. No era uma coisa
que tivesse inteno de fazer, com toda certeza...
        - Voldemort deixou um pouco dele em mim? -disse Harry, estupefato.
        - Parece que sim.
        - Ento eu deveria estar na Sonserina - disse, olhando desesperado
para Dumbledore. - O Chapu Seletor viu poderes
de Slytherin em mim, e...
        - Ps voc na Grifinria - completou Dumbledore, serenamente. - Oua, 
Harry. Por acaso voc tem muitas das qualidades que Salazar
Slytherin prezava nos alunos
que selecionava. O seu dom raro de falar a lngua das cobras, criatividade, 
determinao, um certo desprezo pelas regras - acrescentou, os bigodes tremendo 
outra
vez. - Contudo, o Chapu Seletor colocou voc na Griflnria. E voc sabe o 
porqu. Pense.
        - Ele s me ps na Griflnria - disse Harry com voz de derrota - porque 
pedi
para no ir para a Sonserina...
        - Exatamente - disse Dumbledore, abrindo um grande sorriso. - O que o 
faz muito
diferente de Tom Riddle. So as nossas escolhas, Harry que revelam o que
realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades. - Harry ficou sentado 
na poltrona, atordoado. - Se quiser uma prova, Harry, de que pertence  
Grifinria,
sugiro que olhe para isto com maior ateno.
        Dumbledore esticou o brao para a escrivaninha da Prof. McGonagall, 
apanhou a espada de prata suja de sangue e entregou-a a Harry. Embotado, Harry 
revirou-a,
os rubis rutilaram  luz da lareira. E ento viu o nome gravado logo abaixo da 
bainha.

Godrico Gryffindor.
        - Somente um verdadeiro membro da Grifinria poderia ter tirado isto do 
chapu,
Harry - concluiu Dumbledore com
simplicidade.
Durante um minuto nenhum dos dois falou. Depois
Dumbledore abriu uma gaveta da escrivaninha da Prof.
McGonagall e tirou uma pena e um tinteiro.
        -O que voc precisa, Harry,  de comida e de um bom sono. Sugiro que 
desa para a festa enquanto escrevo a
Azkaban, precisamos ter o nosso guarda-caa de
volta. E preciso preparar o anncio para o Profeta Dirio, tambm - acrescentou 
pensativo. - Vamos ter que contratar um novo professor de Defesa Contra as Artes
das Trevas... Ai, ai, parece que gastamos esses professores muito depressa, no 
 mesmo?
        Harry se levantou e saiu em direo  porta. Tinha acabado de levar a 
mo  maaneta, quando a porta se abriu com
tanta violncia que bateu na parede e voltou.
        Lcio Malfoy achava-se parado ali, com uma expresso furiosa no rosto. E 
encolhendo-se por trs de suas pernas, todo
enfaixado, achava-se Doby.
        - Boa-noite, Lcio - disse Dumbledore em tom agradvel.
        O Sr. Malfoy quase derrubou Harry ao entrar na sala. Dobby disparou 
atrs dele, agachando-se  barra de sua capa, um olhar
de abjeto terror em seu rosto.
        O elfo trazia nas mos um trapo manchado com que tentava terminar de 
limpar os sapatos do
Sr. Malfoy. Seu dono, aparentemente, saira com muita pressa, porque
no s trazia os sapatos engraxados pela metade como tambm os seus cabelos, em 
geral assentados, estavam despenteados. Sem dar ateno ao elfo que se sacudia 
aos
seus tornozelos pedindo desculpas, ele fixou os olhos frios em Dumbledore.
        - Ento! - disse. - Voc est de volta. Os conselheiros o suspenderam 
mas mesmo assim voc achou que devia voltar a
Hogwarts.
        - Bom, sabe, Lcio - respondeu Dumbledore sorrindo serenamente -, os 
outros onze conselheiros entraram em contato comigo hoje. Foi como se eu tivesse 
sido 
apanhado por uma tempestade de corujas, para lhe dizer a verdade. Eles tinham 
ouvido falar que a filha de Arthur Weasley fora morta e queriam que eu voltasse 
imediatamente. 
Parece que acharam que afinal eu era o melhor homem para enfrentar a situao.
Contaram-me coisas muito estranhas... Vrios deles pareciam
pensar que voc ameaara enfeitiar a famlia deles se no concordassem
em me suspender.        
        O Sr. Malfoy ficou mais plido do que costumava ser, mas seus olhos 
ainda pareciam fendas de fria.
        -        Ento, voc j fez os ataques pararem? - zombou. - J apanhou o 
culpado?
        -        Apanhamos - respondeu Dumbledore com um sorriso.
        -        E?- tornou o Sr. Malfoy, rspido. - Quem ?
        -        A mesma pessoa da ltima vez, Lcio. Mas agora, Lord Voldemort 
agiu por intermdio de outra pessoa. Por intermdio do seu dirio.
        Dumbledore segurou o livrinho com o enorme buraco no
centro, observando, atentamente, o Sr. Malfoy. Harry, porm,
observava Dobby.
        O        elfo agia de maneira muito estranha. Seus olhos estavam fixos 
em Harry, cheios de significao, e ele apontava primeiro
para o dirio, depois para
o Sr. Malfoy, e por fim dava murros na prpria cabea.
        -        Entendo... - disse o Sr. Malfoy lentamente para Dumbledore.
        -        Um plano engenhoso - disse Dumnbledore com a voz inexpressiva, 
ainda encarando o
Sr. Malfoy nos olhos. - Porque se Harry aqui - Malfoy lanou um
olhar rpido e incisivo ao garoto - e seu amigo Rony no tivessem descoberto 
este livro, ora, Gina Weasley teria levado toda a culpa. Ningum teria sido 
capaz de
provar que ela no agira de livre e espontnea vontade...
        O        Sr. Malfoy ficou calado. Seu rosto de repente se transformara 
numa mscara.
        -        E imagine - continuou Dumbledore - o que teria acontecido 
ento... Os Weasley so uma de nossas famlias purosangue mais importantes. 
Imagine o 
efeito que isto teria em Arthur Weasley e na sua lei de proteo aos trouxas, se 
descobrssemos que sua prpria filha andava atacando e matando alunos nascidos 
trouxas... 
Foi uma sorte o dirio ter sido descoberto e as memrias de Riddle apagadas. 
Caso contrario, quem sabe quais seriam as conseqncias...
        O        Sr. Malfoy fez um esforo para falar.
        -        Teve muita sorte - disse secamnente.
        Mas ainda s suas costas, Dobby continuava a apontar, primeiro para o 
dirio, depois para Lcio Malfoy e por fim dava
murros na prpria cabea.
 E Harry subitamente entendeu. Fez sinal a Dobby e este recuou para um canto, 
agora torcendo as orelhas para se castigar.
        - O senhor no quer saber como foi que Gina chegou a esse dirio, Sr. 
Malfoy? - perguntou
Harry.
Lcio Malfoy voltou-se contra ele.
        - Como vou saber como essa menininha burra chegou ao dirio? - 
perguntou.
        - Porque foi o senhor quem deu o dirio a ela - disse Harry.
- Na Floreios e Borres. O senhor apanhou o velho exemplar de Transfigurao que 
ela levava e escorregou o dirio para dentro dele, no foi?
        Ele viu as mos brancas do Sr. Malfoy se fecharem e se
abrirem.
- Prove - sibilou.
        - Ah, ningum vai poder fazer isso - disse Dumbledore, sorrindo para 
Harry. - No agora que Riddle desapareceu do livro. Por outro lado, eu 
aconselharia 
voc, Lcio, a no sair distribuindo o material escolar que pertenceu a Lord
Voldemort. Se mais algum objeto chegar a mos inocentes, acho que Arthur Weasley 
 um
que vai providenciar para que seja rastreado at voce...
        Lcio Malfoy ficou parado por um instante, e Harry viu distintamente sua 
mo direita fazer um gesto involuntrio como se quisesse alcanar a varinha. Em 
vez disso, ele se virou para o elfo domstico.
        -Vamos embora, Dobby!
        Abriu a porta com violncia e quando o elfo veio correndo para alcan-
lo, ele o chutou porta afora. Eles ouviram Dobby guinchar de dor por todo o
corredor.
Harry ficou parado um instante, pensando com todas as suas foras. Ento lhe 
ocorreu...
        - Prof. Dumbledore - disse apressado. - Por favor, posso devolver esse 
dirio ao
Sr. Malfoy?
        - Claro, Harry - disse Dumbledore ttanqilamente. - Mas se apresse. A 
festa, j se esqueceu?
        Harry agarrou o dirio e saiu correndo da sala. Ouvia os guinchos de dor 
de Dobby se afastando para alm da curva do corredor. Rapidamente, duvidando que
seu plano pudesse dar certo, descalou um sapato, depois a meia pegajosa e 
imunda e
meteu o dirio dentro dela. Em seguida correu pelo corredor 
 escuro.
        Alcanou os dois no alto da escada.
        -        Sr. Malfoy - disse sem flego, derrapando ate parar - Tenho
uma coisa para o senhor...
        E forou a meia fedorenta na mo de Lucio Malfoy.
        -        Que di...?
        O        Sr. Malfoy arrancou a meia do dirio, atirou-a para o lado, 
depois olhou, furioso, do livro estragado para Harry.
        - Voc vai ter o mesmo fim sangrento dos seus pais um dia desses, Harry
Potter - disse baixinho. - Eles tambm eram
        tolos e metidos.
        E virou-se para ir embora.
        - Venha, Dobby. Eu disse, venha.
        Mas Dobby no se mexeu. Segurava no alto a meia pegajosa e nojenta de 
Harry,
admirando-a como se fosse um tesouro
inestimvel.
        -        O meu dono me deu uma meia - disse o elfo cheio de assombro. - 
O meu dono deu a Dobby.
        - Que foi? - cuspiu o Sr. Malfoy. - Que foi que voc disse?
        - Ganhei uma meia - disse Dobby, incrdulo. - Meu dono atirou a meia e 
Dobby a apanhou, e Dobby... Dobby est livre.
        Lcio Malfoy ficou imvel, encarando o elfo. Ento, atirou-se contra 
Harry.
        - Voc me fez perder o criado, seu moleque!
        Mas Dobby gritou:
        - O senhor no far mal a Harry Potter!
        Ouviu-se um forte estampido, e o Sr. Malfoy foi lanado para trs. Rolou 
pelas escadas, trs degraus de cada vez, e aterrissou como se fosse um monte 
disforme
no patamar de baixo. Ele se levantou, o rosto lvido, e puxou a varinha, mas 
Dobby ergueu um dedo longo e
ameaador.
        - O senhor ir embora agora - disse com ferocidade, apontando para o Sri 
Malfoy. - O senhor no tocar em Harry
Potter.
        O senhor ir embora agora.
        Lcio Malfoy no teve escolha. Com um ltimo olhar rancoroso aos dois, 
puxou a capa para junto do corpo num rodopio e desapareceu depressa de vista.
 - Harry Potter libertou Dobby! - disse o eLfo com voz
        aguda, erguendo a cabea para Harry, seus olhos redondos
refletindoe
 o luar que entrava pela janela mais prxima. - Harry Potter deu liberdade a 
Dobby!
        - Foi o mnimo que pude fazer, Dobby - disse Harry sorridente. -
S me prometa que nunca mais vai tentar salvar minha vida.
        A cara feia e escura do elfo se abriu de repente num sorriso largo e 
cheio de dentes.
        - Eu s tenho uma pergunta, Dobby - disse Harry enquanto o elfo puxava a 
meia com as mos trmulas. - Voc me disse que toda essa histria no estava 
ligada
a Ele-Que-NoDeve-Ser-Nomeado, lembra-se? Bem...
        - Foi uma pista, meu senhor - disse Dobby arregalando os olhos. - Estava 
lhe dando uma pista. O Lord das Trevas, antes de mudar de nome, podia ser 
nomeado
livremente, entende?
        - Certo - disse Harry sem muita convico. - Bom,  melhor irmos 
andando. Vai haver uma festa e minha amiga Mione j deve estar acordada a essas 
horas...
        Dobby atirou os braos em torno da cintura de Harry e apertou-o.
        - Harry Potter  muito maior do que Dobby pensou! - soluou. -Adeus, 
Harry Potter!
        E com um estampido final, desapareceu.

Harry estivera em muitas festas de Hogwarts mas nenhuma igual a esta. Todos 
estavam de pijamas, e a comemorao durou a noite inteira. Harry no sabia se a 
melhor
parte fora Mione correndo para ele aos gritos de "Voc solucionou o mistrio! 
Voc solucionou o mistrio!" ou se foraJustino
saindo s pressas da mesa da Lufa-Lufa
para apertar sua mo com fora e pedir desculpas infindveis por ter suspeitado 
dele, ou se fora Hagrid aparecendo s trs e meia, dando socos to fortes nos 
ombros
de Harry e Rony que os garotos quase foram parar em cima dos pratos de gelatina 
caramelada, ou se foram os quatrocentos pontos que ele e Rony tinham ganho para 
a
Griflnria, garantindo, assim, a posse da Copa da Casa
pelo segundo ano consecutivo, ou se fora a Profa. McGonagall
se levantando para anunciar que todos os exames tinham sido
cancelados como um presente da escola ("Ah, no!" exclamou Mione), ou se fora 
Dumbledore anunciando que, infelizmente, o Prof. Lockhart no poderia voltar no 
prximo
ano, porque precisava se afastar para recuperar a memoria. Muitos professores 
participaram dos aplausos que saudaram esta ltima noticia.
        - Que pena! - disse Rony, servindo-se de uma rosquinha com gelia. - Eu 
estava comeando a gostar dele,
O restante do trimestre final passou numa nvoa resplandecente de sol.
Hogwartss voltou ao normal com apenas algumas diferenas - as aulas de Defesa 
Contra as Artes
das Trevas foram canceladas ("mas tivemos bastante treinamento nisso", disse 
Rony a uma Mione irritada), e Lcio Malfoy foi dispensado do cargo de 
conselheiro. Draco
parou de se exibir pela escola como se fosse dono do lugar. Pelo contrrio, 
parecia cheio de rancor e mgoa. Por outro lado, Gina Weasley voltou a ser 
absolutamente
feliz.
        Demasiado cedo, chegou a hora de voltar para casa no Expresso de 
Hogwarts. Harry, Rony, Mione, Fred,Jorge e Gina conseguiram uma cabine s para 
eles. Aproveitaram
ao mximo as ltimas horas em que tinham permisso para fazer mgicas antes das 
frias. Brincaram de snap explosivo, queimaram os ltimos fogos Filibusteiro de 
Fred
e Jorge e treinaram como desarmar uns aos outros com feitios. Harry estava
ficando muito bom nisso.
        Estavam quase chegando a King's Cross quando Harry se
lembrou de uma coisa.
        - Gina... que foi que voc viu Percy fazendo, que ele no queria que 
contasse a todo mundo?
        - Ah, aquilo - disse Gina entre risinhos. - Bom... Percy tem uma 
namorada.
        Fred deixou cair uma pilha de livros na cabea de Jorge.
        -         aquela monitora da Corvinal, Penelope Clearwatet.
Foi para ela que esteve escrevendo o vero todo. Eles tm se
encontrado escondido por toda a escola. Um dia eu peguei os
dois se beijando numa sala vazia. Ele ficou to perturbado quando ela
foi... sabe, atacada. Vocs no vo caoar dele, vo? - acrescentou, ansiosa.
        - Eu nem sonharia - respondeu Fred, que parecia um menino cujo 
aniversrio tivesse chegado mais cedo.
        - De jeito nenhum - disse Jorge, abafando o riso.
        O Expresso de Hogwarts reduziu a velocidade e finalmente parou.
        Harry tirou uma pena e um pedao de pergaminho e se virou para Rony e 
Mione.
        - Isto se chama um nmero de telefone - disse a Rony, escrevendo duas 
vezes, rasgando o pergaminho em dois e entregando um pedao a cada um. - No 
vero passado,
contei ao seu pai como se usa um telefone, ele vai saber. Me liguem na casa dos
Dursley, est bem? No vou suportar outros dois meses tendo s o Duda para 
conversar...
        - Mas os seus tios vo se sentir orgulhosos, no vo? - perguntou Mione 
quando desembarcaram do trem e se
juntaram  multido de alunos que se dirigia 
barreira encantada. - Quando voc contar o que fez este ano?
        - Otgulhosos? - falou Harry. - Voc enlouqueceu? Depois de todas aquelas 
vezes que eu podia ter morrido e no morri? Eles vo ficar furiosos...
        E juntos eles atravessaram a barreira para o mundo dos trouxas.

#Fim#
****
